Lula manda recado para Trump: ‘Não se meta na eleição no Brasil’

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O presidente Lula Foto: Reprodução do site do ICL

Ao concluir cúpula do G7, brasileiro ironizou a relação entre o americano e a família Bolsonaro e se mostrou irritado com o comportamento de Trump

Por Jamil Chade, no ICL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu as críticas feitas por Donald Trump contra o Brasil e insistiu que não vai aceitar que haja ingerência na eleição no país.

Numa coletiva de imprensa nesta quarta-feira, em Genebra, o brasileiro insistiu que não falou com Trump durante a cúpula do G7 por conta da existência de uma negociação comercial em curso, neste momento.

Mas, instantes antes de Lula falar, Trump criticou a eleição no Brasil em uma outra coletiva de imprensa e saiu em defesa da família Bolsonaro.

“Eu acho que ele (Trump) conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil”, rebateu Lula.

Lula lembrou que Jair Bolsonaro já está preso e que o que o governo quer agora é que bolsonaristas que estão nos Estados Unidos também sejam detidos.

“Eu entreguei para ele (Trump) a fotografia e o endereço da casa que essas pessoas estão em Miami que eles poderiam entregar para a gente. Isso é combater o crime organizado”, insistiu, se referindo a essas pessoas como “bandidos”.

Para Lula, os EUA poderiam aprender com o Brasil sobre como realizar “eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas”. O presidente elogiou a urna eletrônica e afirma que, da próxima vez que estiver com Trump, levará o sistema para que ele conheça.

‘Não se meta no Brasil’

O brasileiro disse ainda que Trump “tem o direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele”. “Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania”, disse.

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Lula ironizou a preferência de Trump pela família Bolsonaro. “Gosto não se discute”, disse.

“Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil é um problema do Brasil”, afirmou.

“A única coisa que eu quero é o respeito pelo Brasil que eu tenho pelos Estados Unidos”, disse.

Lula justificou a falta de uma reunião formal entre os dois em Evian, apesar de os dois terem passado três dias na mesma cidade. “Não pedi uma reunião bilateral para Trump porque nós estamos em negociação”, disse.

‘Coisa Desaforada’

Para o brasileiro, as medidas contra o país adotadas pelo americano surpreenderam.

“O que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil”, disse. “Ele sabe disso. É por isso que eu disse que ele ainda continua agindo como imperador”, insistiu.

Lula garantiu que a negociação continua e que entregou ao americano documentos sobre o crime organizado e a ação da Polícia Federal.

“Eu disse para ele: se ele quiser combater o crime organizado, o Brasil está muito disposto”, afirmou.

Mas repetiu a acusação de que são os EUA que exportam armas para o Brasil. “Todas as armas que a PF aprende no Brasil vem de Miami”, alertou.

Ele também acusou o estado americano de fazer “lavagem de dinheiro de bandidos brasileiros”.

‘Trump fala muito e ouve pouco’

“Entreguei isso tudo por escrito. Eu não quero só falar. Ele fala muito e ouve pouco”, disse. “Quando eu converso com uma pessoa que fala mais do que ouve, eu faço questão de entregar por escrito, para as pessoas não esquecerem que eu entreguei”, explicou.

Lula explicou que as ações comerciais de Trump e na segurança contra o Brasil pegaram o governo de surpresa. “Eu fiquei surpreso quando na semana passada recebi a notícia, inclusive colocando as facções criminosas como terroristas”, admitiu.

O brasileiro também disse que, para Trump, as facções criminosas são terroristas. “Mas não são terroristas como você pensa. Eles não querem brigar e derrotar o Estado. Eles não querem tirar o outro Estado. Eles querem dinheiro. Mesmo assim, não o Trump, mas o Marco Rubio anunciou isso”, lamentou.

“Então obviamente que eu não tinha o que conversar com ele. Eu não tinha por que pedir bilateral, nós estamos negociando”, insistiu.

Segundo ele, se quando a negociação terminar e não houver um acordo, os dois voltam a se falar.

“Eu nasci no mundo político negociando. Eu, desde muito cedo, a minha vida foi negociar tão poderosa quanto ele. Eu era um simples metalúrgico de 23 anos de idade negociando com a poderosa Volkswagen, a poderosa Ford, a poderosa General Motors. Então eu aprendi a negociar. Mas cumprimos um rito, e não sendo pegos de surpresa”, criticou.

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