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Diário da Resistência


Lula: A democracia não é um pacto de silêncio
Política

Lula: A democracia não é um pacto de silêncio


17/07/2013 - 14h24

Novas vozes no Brasil

por Luiz Inácio Lula da Silva, no New York Times, via José Chrispiniano

A juventude, conectada nas redes sociais e com os dedos ágeis em seus celulares, tem saído às ruas para protestar em diversas regiões do mundo.

Parecia mais fácil explicar as razões de tais protestos quando eles aconteciam em países sem democracia, como o Egito e a Tunísia em 2011, ou onde a crise econômica levou o desemprego juvenil a níveis assustadores, como na Espanha e na Grécia, por exemplo. Mas a chegada dessa onda a países com governos democráticos e populares, como o Brasil, quando temos as menores taxas de desemprego da nossa história e uma inédita expansão dos direitos econômicos e sociais, exige de todos nós, líderes políticos, uma reflexão mais profunda.

Muitos acham que esses movimentos significam a negação da política. Eu acho que é justamente o contrario: eles indicam a necessidade de se ampliar ainda mais a democracia e a participação cidadã. De renovar a política, aproximando-a das pessoas e de suas aspirações cotidianas.

Eu só posso falar com mais propriedade sobre o Brasil. Há uma ávida nova geração em meu país, e eu creio que os movimentos recentes são, em larga medida, resultado das conquistas sociais, econômicas e políticas obtidas nos últimos anos. O Brasil conseguiu na última década mais que dobrar o número de estudantes universitários, muitos deles vindos de famílias pobres. Reduzimos fortemente a pobreza e a desigualdade. São grandes feitos, mas é também absolutamente natural que os jovens, especialmente aqueles que estão obtendo o que seus pais nunca tiveram, desejem mais.

Estes jovens tinham 8, 10,12 anos quando o partido que eu ajudei a criar, o PT, junto com seus aliados, chegou ao poder. Não viveram a repressão da ditadura nos anos 60 e 70. Não viveram a inflação dos anos 80, quando a primeira coisa que fazíamos ao receber um salário era correr para um supermercado e comprar tudo o que fosse possível antes que os preços subissem no dia seguinte. Também tem poucas lembranças dos anos 90, quando a estagnação e o desemprego deprimiam o nosso país.

Eles querem mais. E é compreensível que seja assim. Tiveram acesso ao ensino superior, e agora querem empregos qualificados, onde possam aplicar o que aprenderam nas universidades. Passaram a contar com serviços públicos de que antes não dispunham, e agora querem melhorar a sua qualidade. Milhões de brasileiros, inclusive das classes populares, puderam comprar o seu primeiro carro e hoje também viajam de avião. A contrapartida, no entanto, deve ser um transporte público eficiente e digno, que facilite a mobilidade urbana, tornando menos penosa e estressante a vida nas grandes cidades.

Os anseios dos jovens, por outro lado, não são apenas materiais. Também querem maior acesso ao lazer e à cultura. E, sobretudo, reclamam instituições politicas mais transparentes e limpas, sem as distorções do anacrônico sistema partidário e eleitoral brasileiro, que até hoje não se conseguiu reformar. É impossível negar a legitimidade de tais demandas, mesmo que não seja viável atendê-las todas de imediato. É preciso encontrar fontes de financiamento, estabelecer metas e planejar como elas serão gradativamente alcançadas.

A democracia não é um pacto de silêncio. É a sociedade em movimento, discutindo e definindo suas prioridades e desafios, almejando sempre novas conquistas. E a minha fé é que somente na democracia, com muito dialogo e construção coletiva, esses objetivos podem ser alcançados. Só na democracia um índio poderia ser eleito Presidente da Bolívia, e um negro Presidente dos Estados Unidos. Só na democracia um operário e uma mulher poderiam tornar-se Presidentes do Brasil.

A história mostra que, sempre que se negou a política e os partidos, e se buscou uma solução de força, os resultados foram desastrosos: guerras, ditaduras e perseguições de minorias. Todos sabemos que, sem partidos, não pode haver verdadeira democracia. Mas cada vez fica mais evidente que as nossas populações não querem apenas votar de quatro em quatro anos, delegando o seu destino aos governantes. Querem interagir no dia a dia com os governos, tanto locais quanto nacionais, participando da definição das políticas públicas, opinando sobre as principais decisões que lhes dizem respeito.

Em suma: não querem apenas votar, querem ser ouvidas. E isso constitui um tremendo desafio para os partidos e os lideres políticos. Supõe ampliar as formas de escuta e de consulta, e os partidos precisam dialogar permanentemente com a sociedade, nas redes e nas ruas, nos locais de trabalho e de estudo, reforçando a sua interlocução com as organizações dos trabalhadores, as entidades civis, os intelectuais e os dirigentes comunitários, mas também com os setores ditos desorganizados, que nem por isso tem carências e desejos menos respeitáveis.

E não só em períodos eleitorais. Já se disse, e com razão, que a sociedade entrou na era digital e a política permaneceu analógica. Se as instituições democráticas souberem utilizar criativamente as novas tecnologias de comunicação, como instrumentos de dialogo e participação, e não de mera propaganda, poderão oxigenar – e muito – o seu funcionamento, sintonizando-se de modo mais efetivo com a juventude e todos os setores sociais.

No caso do PT, que tanto contribuiu para modernizar e democratizar a política brasileira e que há dez anos governa o meu país, estou convencido de que ele também precisa renovar-se profundamente, recuperando seu vinculo cotidiano com os movimentos sociais. Dando respostas novas a problemas novos. E sem tratar os jovens com paternalismo.

A boa noticia é que os jovens não são conformistas, apáticos, indiferentes à vida pública. Mesmo aqueles que hoje acham que odeiam a política, estão começando a fazer política muito antes do que eu comecei. Na idade deles, não imaginava tornar-me um militante político. E acabamos criando um partido, quando descobrimos que no Congresso Nacional praticamente não havia representantes dos trabalhadores. Inicialmente não pensava em me candidatar a nada. E terminei sendo Presidente da República. Conseguimos, pela política, reconquistar a democracia, consolidar a estabilidade econômica, retomar o crescimento, criar milhões de novos empregos e reduzir a desigualdade no meu país. Mas claro que ainda há muito a ser feito. E que bom que os jovens queiram lutar para que a mudança social continue e num ritmo mais intenso.

Outra boa notícia é que a Presidente Dilma Rousseff soube ouvir a voz das ruas e deu respostas corajosas e inovadoras aos seus anseios. Propôs, antes de mais nada, a  convocação de um plebiscito popular para fazer a tão necessária reforma política.

E lançou um pacto nacional pela educação, a saúde e o transporte público, no qual o governo federal dará grande apoio financeiro e técnico aos estados e municípios.

Quando falo com a juventude brasileira e de outros países, costumo dizer a cada jovem: mesmo quando você estiver irritado com a situação da sua cidade, do seu estado, do seu país, desanimado de tudo e de todos, não negue a política. Ao contrário, participe! Porque o político que você deseja, se não estiver nos outros, pode estar dentro de você.

*************

Lula participa nesta quinta-feira, 18,  do encerramento da Conferência Nacional “2003 – 2013: Uma nova política externa”. Seu tema é “Brasil no mundo: mudanças e transformações”, às 15h.  Será transmitida pela internet. Assista AQUI.

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O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



37 comentários

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Valdeci Elias

18 de julho de 2013 às 12h14

O Brasil avançou 30 anos em 8, com Lula.
Mesmo com uma tragédia apocaliptica (FHC ou Serra ou Aercio, vençam a eleição de 2014). Eles não vão conseguir regredir o Brasil a era Antes-Lula.

Responder

Maria Izabel L Silva

17 de julho de 2013 às 21h30

Lula deu um banho de civilização. Ao contrario de muitos abestados que permeiam as redes sociais espumando de ódio, cegos de ressentimento e broxas … certamente

Responder

    Samir

    18 de julho de 2013 às 09h39

    Mais vivo que nunca para dar ordens no governo e agora negando e ironizando suas idas ao hospital, Luiz Inácio Lula da Silva já liberou Dilma Rousseff para fazer a reforma ministerial na hora em que ela achar mais conveniente. O “ok” de Lula vale, principalmente, para a saída de Guido Mantega – afilhado dele no ministério da Fazenda. Lula passou a bola murcha para a Dilma.

    Rafael Moreira

    18 de julho de 2013 às 14h16

    Como diz o amigo se o PSDB(FHC) trouxe a reeleição com ares de perpetuação no poder o PT(Lula) trouxe a coalisão.

Vlad

17 de julho de 2013 às 20h59

“Precisa renovar-se profundamente”.
O cara que escreveu para o Lula assinar é dado a um eufemismo.
De qualquer forma, alguma lucidez demonstra.

Responder

    Marduk

    18 de julho de 2013 às 07h42

    Mas quem será que escreveu? O Marcos Bagno?

    Vlad

    18 de julho de 2013 às 13h15

    Quase certamente que não.
    Mais provavelmente algum assecla, insidioso o suficiente para maquiar a noiva até o limite do disfarce, sem tirar-lhe completamente a identidade.
    Creio que Bagno, cujo perfil é mais acadêmico, não tenha sido introduzido à política-cênica, chorume onde sobrevive o PT há década e pico.

renato

17 de julho de 2013 às 20h50

A direita me perguntou se só agora é que a Dilminha paz e amor soube das coisas. Respondi assim….Se é que vocês concordam.
Por que acha que teve ´protesto?
Você já viu a direita fazer protesto, no MUNDO,onde?
Vou explicar . acompanhe.
Homem preto pobre trabalhador.
Homem preto pobre trabalhador com bolsa família
Homem preto pobre trabalhador com minha casa minha vida.
Homem Afro descendente trabalhador com Prouni.
Homem Afro descendente trabalhador com bom emprego.
Homem Afro descendente trabalhador devolvendo bolsa família.
Homem Afro descendente trabalhador encostando em Medicina.
HOMENS E MULHERES AFRO DESCENDENTES COMEÇANDO A SABER O QUE
EXIGIR DE UM GOVERNO PARA SEU PAÍS.
VOCÊS NÃO QUERIAM A VARA.
TAÍ…
AH! este homem que tinha vinte anos na época hoje tem 32 anos.

Responder

Fabio Passos

17 de julho de 2013 às 18h39

O elogio de Lula as manifestações e a participação política da população é muito positivo.
Lula e Dilma fizeram o diagnóstico correto. Falta agora o governo implementar ações.

Responder

    Guilherme Souto

    17 de julho de 2013 às 22h14

    Aí mora o perigo, pois o pmdb – miséria de presidencialismo de coalizão -, ao que parece, está endurecendo o jogo. Como é que governo consegue se mover assim?!…

    Elvys

    18 de julho de 2013 às 14h38

    PMDB = Partido Me Dá uma Boquinha?

    Samir

    18 de julho de 2013 às 10h21

    Lula e Dilma, assim como Mercadante e Mantega – este ainda mais por possuir olhos auis – entre muitos outros fazem parte da “elite branca” do PT, que é diretamente responsável pelo estado de coisas hoje, no Brasil.

Valeir Ertle, da CUT: É preciso enfrentar o boicote ao plebiscito - Viomundo - O que você não vê na mídia

17 de julho de 2013 às 18h21

[…] Lula: A democracia não é um pacto de silêncio […]

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LEANDRO

17 de julho de 2013 às 18h12

Sempre se esquivando quando o assunto é negativo. Ficou 8 anos e nem tentou fazer a reforma política e tributária que agora anseia. O estrago que esses anos de lula fizeram vai difícil recuperar.

Responder

    joão ricardo

    17 de julho de 2013 às 19h14

    Desculpe, mas a reforma política, ele tentou sim…só que a coisa toda emperrou no congresso nacional. (e acho que se bobear, vai emperrar de novo)

    Francisco

    17 de julho de 2013 às 19h34

    Poderia elencar trezentos defeitos em Lula (não deu um jeito de regular a midia, não acelerou a reforma do código penal, não instituiu imposto sobre furtuna ou herança, não fez pelo menos dois plebiscitos por eleição, etc.)…

    Mas esses ai, meu caro, não.

    Nenhum outro partido lançou mais propostas de reforma politica que o PT e neste momento, somente Lula (que nem é deputado nem nada…), capitania uma campanha nacional de adessão a uma Constituinte para a reforma.

    Ou seja: se informe…

Lafaiete de Souza Spínola

17 de julho de 2013 às 18h07

PRECISAMOS DE UM PARTIDO DIFERENTE!

Partido criado pelo povo, para ter como prioridade a educação!

Os partidos que chegam ao poder prometem mudar o Brasil, porém terminam adotando soluções paliativas, como o bolsa família. Faltam convicção, coragem e determinação para um salto de qualidade. Resolvem governar com e para o sistema financeiro e, agora, talvez, estão se dando conta, tardiamente, do grande erro cometido. Sinceramente, não sei se é um erro ou pura opção.

Votei no Lula sabendo que não se tratava, nem havia condições, de qualquer mudança mais radical. Votei na Dilma, no segundo turno, pois era a melhor opção. Mas estou totalmente insatisfeito com o tratamento dado à educação que, no Brasil, sofre de doença grave, portanto não pode continuar recebendo, apenas curativos. Toda nação está sendo corroída, principalmente, por essa doença.

Só vejo uma solução para as mazelas deste país: Um partido novo, diferente em tudo, que dê alta prioridade à educação. Muitos partidos possuem bons quadros, pessoas honestas que desejam o melhor para o Brasil. Na URRS, nos países do leste europeu, também, existiam dirigentes bem intencionados. Mas esses partidos por estarem longe do povo, por se tornarem um clube fechado, dirigidos eternamente pelos mesmos quadros, foram perdendo a legitimidade. Proclamavam-se, e muitos acreditavam, enfaticamente, no que declaravam: ser o governo dos oprimidos, do proletariado. Não se davam conta que os operários, o povo, os jovens; que na verdade não eram partícipes; estavam, cada dia, mais distantes, mais isolados. Verdadeiramente, as decisões eram tomadas por meia dúzia de pessoas.

Alerto que nos dias atuais, quando começamos a ingressar na INFOERA, a participação do povo nas decisões passa a ser muito mais necessária, muito mais exigida, que nessa história passada.

Discutir o projeto de um novo partido para os dias atuais é a grande lacuna dentro do nosso país. Um partido criado pelo povo: nada de poder só pelo poder que surge, quando nasce um partido só pelo partido.

Quem deseja permanecer no status quo, mesmo inconscientemente, diz logo: É muito utópico!

Responder

bento

17 de julho de 2013 às 16h46

O Brasil precisa de liberdade…

Liberdade ideológica…

o brasileiro é escravizado pela ideologia de 500 anos…

Todos os seus males ad veem dos controles das mentes das massas…

Tão poucos…dominando tantos…

E com apenas uma ferramenta…

A ideologia colonial…mentes colonizadas…new york times…sou gente…sou elite…fui aceito…

Só quando essa gente puder…SÓ É POSSÍVEL FILOSOFAR EM ALEMÃO.

Responder

renato

17 de julho de 2013 às 15h55

Eu não quero nem saber, sou obtuso.
Sou ridiculamente aberto ao dialogo
onde alguem me diga que gosta do LULA.
Daí eu pago uma cerveja para ele. E vamos
passar o dia inteirinho trovando das coisas
boas que meu REI fez. Quando acabar a cerveja
nós começaremos na Costela e chimarrão..sem
parar.E então falaremos desta Guria que cuida
do Brasil agora, e decidiremos então o que fazer.
Se é que tenha algo a ser feito.
Um abraço Matheus.

Responder

    Samir

    17 de julho de 2013 às 16h53

    Ainda bem que o Lula quebrou o seu próprio pacto de silêncio. O ex-presidente não se pronunciava desde as denúncias envolvendo Rosemary Noronha.

    Francisco

    17 de julho de 2013 às 19h37

    Se informe.

    Esse já é o segundo texto dele num dos jornais de maior circulação do planeta.

    Deste “Rosymeri”, Lula tem feito participações em VÁRIOS encontros politicos internacionais, em vários continentes.

    Como não sai na Veja, nem na Globo o pessoal fica sem saber…

matheus

17 de julho de 2013 às 14h27

Gostei da resposta do José Arbex Jr.

O texto do Lula me incomodou bastante em alguns pontos. Ele é uma figura talentosa e inteligente, mas parece ter uma cegueira incurável: não consegue fazer autocrítica.

Responder

    Valdeci Elias

    17 de julho de 2013 às 14h43

    Ele não precisa. O PIG já o critica implacavelmente.
    Já com elogios , ocorre o contrario. É incrivel, más a imprensa só mostrava reportagens positivas do governo Lula , terminando com algum possivel ponto negativo. ” Voce acretou nisso, más talvez, um dia , poder ser que de errado”

    matheus

    17 de julho de 2013 às 17h21

    PIG financiado pelo governo federal, não custa lembrar.

    Durval Costa

    17 de julho de 2013 às 15h03

    Na minha opinião a “cegueira” maior é daqueles que se recusam a avaliar os 10 anos de governo do PT utilizando-se de critérios OBJETIVOS, de indicadores, de números…

    Afinal, este é o método científico de se fazer análise…

    Proponho avaliar a evolução dos seguintes indicadores nos últimos 10 anos:

    1 – Taxa de desemprego mensal medida pelo IBGE

    2 – Saldo de empregos formais do CAGED

    3 – PIB per capita

    4 – Coeficiente de GINI (que mede de forma científica a desigualdade de renda da população de um país)

    5 – Rendimento médio mensal do trabalhador (em termos reais, descontada a inflação)

    6 – Renda média das famílias (em termos reais, descontada a inflação)

    7 – Taxa de mortalidade infantil

    Todos os indicadores acima são de fácil consulta pelo público. Podemos fazer uma análise objetiva vendo a situação atual desses indicadores, e comparando-os com a situação de 10 anos atrás, e vendo sua evolução.

    Já posso adiantar que o resultado da análise vai ser mais ou menos o seguinte: desemprego atualmente em recorde de baixa; saldo acumulado de empregos formais gerados nos últimos 10 anos ultrapassando os 15 milhões de vagas; PIB per capita teve aumento; Coeficiente de GINI caiu, o que é bom, pois quando menor ele é, menor a desigualdade no país; Rendimento médio mensal do trabalhador e a Renda média das famílias tiveram expressivo aumento em termos reais; e taxa de mortalidade infantil caiu bastante em comparação com 2002.

    E isso tudo tendo o mundo mergulhado em uma crise econômica internacional desde 5 anos atrás (a segunda metade do período analisado).

    Se fizessem a análise desses indicadores de forma séria, aposto que muitos que atacam o governo do PT é que teriam que fazer autocrítica…

    Ed

    17 de julho de 2013 às 16h26

    Por “autocrítica”, Durval Costa, leia-se “colocar-se dentro do bolo na hora de criticar determinado problema do partido”, no caso em análise, o distanciamento do PT dos movimentos sociais (análise do LULA). Lula adora usar o “nós” na hora de mostrar todas as conquistas do governo PT (e foram muitas!), mas na hora de fazer uma crítica ao partido, e pedir renovação no mesmo, passa a usar a terceira pessoa. Pode reparar!

    Oras, se o Lula esteve 8 desses 10 anos no poder, não é possível que a crítica não se estenda ao mesmo, não?

    E ao outro rapaz, dizer “ah, mas o PIG já malha ele, ele não precisa fazer autocrítica”, essa frase não faz sentido. Falando assim, parece até que o PIG presta algum serviço.

    Francisco

    17 de julho de 2013 às 19h41

    Só concordo com vc que o PIG “não presta”…

    Wildner Arcanjo

    17 de julho de 2013 às 16h26

    Interessante como a verdade dita por uma pessoa que disse, em público que nunca tinha terminado uma faculdade, é muito mais robusta do que meia dúzia de palavras, muitas vezes repetidas, por catedrádicos que tiveram a mesma chance de fazer, até mais, pelo nosso país. No fim das contas, o que me parece mesmo é uma palavra simples: INVEJA.

    Eu também o invejo, confesso que não esperava que ele escrevesse tão bem assim… (seria pré-conceito meu?!?)

    Mas já sabia que ele tinha uma visão macro de nosso país, e dos movimentos políticos e sociais que aqui se dissolvem nessa grande “sopa” que é o Brasil…

    O problema é que uns, teimam em meter o dedo, na hora e de forma errada, para azedar tudo!

    Abraços!

José Arbex Jr.: Conjuntura no Brasil pode desembocar em crise revolucionária - Viomundo - O que você não vê na mídia

17 de julho de 2013 às 14h26

[…] Lula da Silva, em artigo de sua autoria, publicado no jornal estadunidense The New York Times (clique aqui para ler), em 16 de julho. Lula está certo. Os jovens que tomaram as ruas querem mais do que aquilo que já […]

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