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Lula a correspondentes: “Imprensa internacional é fiel aos fatos”


04/12/2010 - 12h22

Sexta-feira, 3 de dezembro de 2010 às 14:38

do Blog do Planalto

Após oito anos, o presidente Lula voltou a conceder uma entrevista a correspondentes estrangeiros que atuam no Brasil, para falar sobre política, economia, esportes, combate à violência e o futuro pós-Presidência. O encontrou foi realizado na manhã desta sexta-feira (3/12) num hotel da zona sul do Rio de Janeiro e o presidente aproveitou para elogiar a cobertura do Brasil feita pelos jornalistas estrangeiros, afirmando que as reportagens publicadas pelos veículos internacionais são bastante fiéis ao que está acontecendo no País atualmente – com bom acompanhamento da evolução política, econômica e social .

Certamente nós não resolvemos todos os problemas brasileiros, mas nós demos passos extraordinários para resolver problemas que pareciam insolúveis, pareciam crônicos e que ninguém iria consertar, nós começamos a consertar. E eu acho que hoje o grau de otimismo, eu acredito que é o mais extraordinário de qualquer país do mundo hoje. Acho que não tem mais ninguém, no mundo, mais otimista que os brasileiros.

Coube à presidente da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira (ACIE), Mery Galanternyck, a primeira questão. Ela perguntou sobre os planos do presidente Lula a parir de 2011, quando deixará a Presidência da República. Lula recordou que durante entrevista concedida a blogueiros, no Palácio do Planalto, utilizou o termo “desencarnar” para explicar que iria se afastar das atividades políticas por uns meses para só depois retomar o trabalho e, deste modo, ajudar a presidente Dilma Rousseff naquilo que for necessário.

Eu já estou sendo convidado para inaugurar obra. Eu não sou mais presidente. Teve um companheiro que falou: “Presidente, embora o senhor não seja presidente, em fevereiro vai inaugurar tal obra, o senhor não quer vir?”. Eu não posso ir. Querer, eu quero, mas eu não posso. Então, por isso que eu utilizei a palavra “desencarnar”. Eu quero me livrar do mandato presidencial para poder voltar a ser o Lula que eu era antes de ser presidente da República. É isso.

Ouça abaixo a íntegra da entrevista aos jornalistas estrangeiros.

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Depois, Lula foi indagado por Thomas Mills (ARD), da Alemanha, sobre pontos altos e decepções nos dois mandatos. Lula explicou, então, que não gostaria de ficar respondendo sobre os pontos positivos e os negativos de sua administração. Segundo Lula, após deixar o comando do Brasil “é como se você estivesse colocando água num recipiente para decantar”. E continuou:

Você vai passar por um processo de decantação e você vai se dar conta de coisas importantes que você fez e de coisas importantes que você deixou de fazer. Então, eu acho que nós não conseguimos fazer tudo o que nós queríamos fazer, mas eu acho que nós fizemos mais do que em qualquer outro momento da história deste país. Acho que nós fizemos muito em todas as áreas, muito, muito, muito. Eu, se for comparar com outros governantes, não existe comparação, e eu quero que a Dilma, quando tomar posse, ela comece a comparar o governo dela com o meu e ela faça muito mais, porque aí nós vamos acreditar que é possível cada vez fazer mais e cada vez fazer melhor.

O jornalista Igor Varlamov (agência Itar-Tass), da Rússia, aproveitou o tema do dia e o gosto de Lula pelo futebol. Ele indagou sobre a escolha da Fifa por Rússia e Catar para sedes, respectivamente, das Copas do Mundo de 2018 e 2022. “Vai ser muito interessante, quando terminar a Copa do Mundo aqui, a final aqui no Rio de Janeiro, saber que o Brasil estará se preparando para ir jogar em Moscou numa época do ano em que a Rússia está muito bonita, muito verde, nada de neve, nada de frio, e eu achei extraordinário e achei sabedoria da Fifa – e possivelmente tenha a ver com todo o debate que nós fizemos para a Copa do Mundo no Brasil e para as Olimpíadas – é que é preciso decentralizar a Copa do Mundo”, disse.

Então, acho que a Rússia é um país grande, nunca tinha feito uma Copa do Mundo, é justo que a Rússia faça a Copa do Mundo. Portanto, eu dou os parabéns à Fifa por ter escolhido a Rússia, e também o Catar. Fazer uma Copa do Mundo naquela região do mundo, que muitas vezes aparece na imprensa apenas a violência no Oriente Médio ou a quantidade de petróleo. Quem conhece o Catar como eu conheço e alguns de vocês conhecem, sabe que embora seja um país pequeno, eles têm poderio econômico para realizar uma Copa do Mundo excepcional.

Ainda na entrevista, Lula falou sobre a operação das tropas federais e do estado do Rio no morro do Alemão, o apoio dos Estados Unidos à indicação da Índia para o Conselho de Segurança da ONU, bem como os vazamentos recentes de telegramas de representaces diplomaticas dos Estados Unidos por ONG estrangeira. Segundo ele, a relação entre Brasil e Estados Unidos foi boa com todos os últimos presidentes das duas nações e será mantida com a presidente Dilma Rousseff. Porém, Lula pediu que o governo norte-americano deve dar mais atenção aos países da América Latina e América do Sul.

Na última parte da entrevista, Lula falou dos investimentos que acontecem no Brasil bem como as obras de infraestrutura. O presidente brasileiro detalhou, por exemplo, empreendimentos no setores de refino de petróleo, de ferrovias e de petróleo e energia. Na avaliação do presidente, os números mostram “o volume e a envergadura da solidez do desenvolvimento da economia brasileira. Ou seja, as coisas estão prontas, e vocês podem ter certeza, eu espero que vocês fiquem muito tempo sendo correspondentes aqui no Brasil, de preferência no Rio de Janeiro. Agora, com o Rio de Janeiro mais pacificado, vocês vão poder andar mais na praia, sem ter nenhuma preocupação”.

E dizer para vocês que esse é o cartão de garantia que a companheira Dilma Rousseff terá para o período do seu governo. Ela vai pegar o Brasil andando a 120 por hora, ela não está com o carro parado no estacionamento, com a bateria estragada, não. Ela está com o carro andando a 120 por hora. Se ela quiser, ela pode apertar um pouquinho o acelerador, chegar a 140, 150, se ela quiser ela vai a 120, e só não pode sair da pista, porque as coisas estão andando bem. Então é esse o Brasil, companheiros, que nós entregaremos à companheira Dilma Rousseff, ao povo brasileiro, no dia 31 de dezembro: um Brasil sólido, um Brasil com perspectiva de se transformar nos próximos seis anos na quinta economia mundial.





21 comentários

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Maurilio Gadelha

17 de dezembro de 2010 às 22h34

3 PEPINOS – Infelizmente deixou 3 (três) ppinos, que poderia ter evitado com sua popularidade,para serem digeridos pela Dilma, O caso Daniel Dantas, A guerrilha do Araguaia, e a liberdade de imprensa. Coragem Dilma, só uma guerrilheira pode enfrentar e vencer estes pepinos.

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cristina santiago

05 de dezembro de 2010 às 11h54

Durante a campanha para Presidente, o jornal espanhol El Pais, da mesma forma do PIG, sistematicamente publicava matérias em que Serra aparecia como se estivesse ganhando as eleições.
Quem estivesse na Espanha naquele momento, certamente pensava que Dilma não fosse conseguir chegar 'a vitória.Foram completamente parciais.

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Nilva

05 de dezembro de 2010 às 03h42

Inegavelmente eles foram mais fiéis aos fatos que os jornalistas piguentos daqui.
Isto jamais significou alheamento aos problemas que existem ou existirem no governo do Lula.
Há exceções, como o Juan Árias, do El Pais, que reproduzia acriticamente a Folha, como um verdadeiro
tucano espanhol. Cheguei a escrever pra lá reclamando da parcialidade da cobertura, por exemplo após o debate da Band em que ele disse que a Dilma "perdeu a compostura", mas, de modo geral, a mídia internacional foi mais isenta nas matérias.

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Gustavo Pamplona

05 de dezembro de 2010 às 01h33

Vocês diriam que o Larry Rohter, que foi correspondente do The New York Times" e que chamou o Lula de "bebum" fiel aos fatos? hahahahahhahahahahahhaahahhahahahahahahahhaaha

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sergio

04 de dezembro de 2010 às 20h38

A entrevista foi um recado ao PIG.

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Regina

04 de dezembro de 2010 às 20h28

O presidente tem a sensibilidade de dialogar com cada público específico. Quando não se é prepotente e se tem uma prática democrática (como a que formou o líder Lula) as falas são de acordo com os públicos. Quem não faz isso é porque não está nem ai com quem está dialogando ou porque não tem mesmo essa habilidade.

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Gustavo Pamplona

04 de dezembro de 2010 às 17h56

Tão fiel aos fatos que não somente jornalistas americanos e europeus endeusavam o "neo-liberalismo" ao ponto de hoje vermos as crises americana e européia não contando que alguns destes órgãos de imprensa se dedicaram a derrubar alguns lideres.

Menos, Lula, menos… Mas é lógico que sei que ele está mandando um recadinho ao PIG.

E um recadindho ao "trollzinho" Klaus:

Amigo, todos nós sabemos disto… o Lula sempre falou o que convinha a platéia ouvir, eu somente espero que a Dilma desta vez seja diferente… especialmente com o PIG.

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    Gustavo Pamplona

    04 de dezembro de 2010 às 21h28

    Apenas complementando o comentário…

    Os "líderes" que eu mencionei acima são obviamente os líderes da esquerda, Fidel Castro, Chavez, Evo Morales,etc… além do fato que eles dedicavam páginas e páginas a falar mal do comunismo e do socialismo.

    E sobre o lance que falei com o trollzinho (hahahahaha) : Isto se chama "política".

    O importante, meus amigos… é ficar no poder e não deixar a direita mais voltar… nem que para isto tenha que assinar uma carta condenando o aborto e também dizer que é religioso.

    Ou será que vocês acham que a nossa Dilma mudou alguma idéia dela?

Roberto Locatelli

04 de dezembro de 2010 às 17h55

Realmente, os melhores artigos mostrando o progresso econômico e social do Brasil saíram na Financial Times, Wall Street Journal, site Counterpunch, Huffington Post, New York Times e, principalmente, na BBC.

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Jairo_Beraldo

04 de dezembro de 2010 às 17h44

Lula, sem contestação de pessoas bem informadas e entendidas, foi o maior líder que este país já produziu. Não há nenhuma dúvida quanto a isso. Mas teve seu lado enegrecido…a Operação Satiagraha. Ali ele deixou muitas perguntas sem respostas. E as deixará sepultada debaixo dos tapetes do Planalto. Mas com certeza, é o cara.

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Hamiltton Villaça

04 de dezembro de 2010 às 17h20

Lula, o cara!

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Klaus

04 de dezembro de 2010 às 15h50

Como sempre, Lula fala aquilo que a plateia quer ouvir. Deus do céu, e aquela entrevista para a Pesca &Cia e pra Casa & Jardim que não sai.que não sai

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    dukrai

    04 de dezembro de 2010 às 17h34

    já pra faia de sp, inVeja, gLobo e pro Klaus, sempre tem defeito.

    Jairo_Beraldo

    04 de dezembro de 2010 às 17h45

    Calma Klaus…ele só entra de ferias em janeiro…caramba, que cara apressado!

    El Cid

    04 de dezembro de 2010 às 17h58

    isso, "herr chorão"…

    [youtube Teg3leZoDOA http://www.youtube.com/watch?v=Teg3leZoDOA youtube]

    Klaus

    04 de dezembro de 2010 às 18h50

    Desculpe, realmente estou enganado. Para blogueiros e tuiteiros independentes, Lula disse que ia ser tuiteiro; para rádios comunitárias, que Dilma ia fazer e acontecer na área de comunicação; para os correspondentes estrangeiros, que eles só falam a verdade. É, realmente eu estou errado e vocês certos.

    El Cid

    04 de dezembro de 2010 às 19h51

    … algum troll disponível pra trocar a fralda do "herr chorão" ??

    Ariadne Jacques

    04 de dezembro de 2010 às 19h15

    Klaus, com esse comentário, você subestima os correspondentes internacionais no Brasil. Para você, o Lula só diz aquilo que suas plateias querem ouvir, e elas, obedientemente, inclusive e de correspondentes, só reproduzem aquilo que ele disse. Deus, meu! A atividade jornalística, responsável e comprometida com a verdade, diferentemente do PIG, não se submete aos caprichos do poder: escreve aquilo que foi dito e faz o exercício da triangulação dos dados. Ou seja, verifica se aquilo que foi dito confere com os fatos. É assim que se faz o bom e respeitado jornalismo, que geralmente tem o papel de discutir os temas de interesse público, dentro dos sistemas sociais organizados. Passar bem!

    Scan

    04 de dezembro de 2010 às 19h19

    Os eunucos esperneiam…estão em seu direito.
    Hehehehe!

Mário SF Alves

04 de dezembro de 2010 às 15h39

O presidente Lula tem razão, os brasileiros estão mesmo otimistas em relação ao futuro do Brasil (e pena que não esteja sendo possível incluir o mundo todo nas razões de tal otimismo). Sobre o presidente muito já se falou, muito já se viu e muito já se sabe, “inclusive que se assemelhou à massa de pão, de tipo quanto mais se bate mais cresce”. Mas, pouco se diz daquela que foi a enzima dessa irresistível massa dessa montanha de otimismo: a democracia. E a nossa, ainda que perrengue, capenga, condicionada e tão mal-tratada – é ela a mãe de tudo isso. E mais do que nunca, dadas as temerosas circunstâncias internacionais, é ela que tem de ser a grande prioridade. Teóricos do mundo todo teorizem-na! Historiadores do mundo todo, historicizem-na! Humanistas do mundo abracem-na! Essa ênfase parece alegoria. Para alguns pode ser. Para mim não é.
Por um Brasil de todos, pela reorientação de rumos do processo civilizatório no mundo e por uma nova geopolítica mundial: democracia, sempre! Radicalidade democrática, sempre que possível!

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Jorge

04 de dezembro de 2010 às 13h34

Posso apenas dizer algo mais que muitos já não disseram e peço desculpas aos que já o fizeram.

"Otimismo e confiança em poder mudar sempre foi a marca deste governo e dele, Lula," sempre o oposto daqueles que sempre estão a volta para "desconstruir" a nação, doá-la ao capital especulativo e insano. Infelizmente, PSDB e DEM terão de carregar este estigma que sempre defenderam mas que alguns, Chirico inclusive, tentou se afastar na campanha; pobre coitado do Chirico.

Dilma tem pela frente uma só meta que é o de "superar Lula", algo que se conseguir, com certeza, deixará não apenas Lula mais orgulhoso como aquele que a apoiou, mas muito mais satisfeito como cidadão que vê o país crescendo. O povo brasileiro também, com certeza, agradecerá.

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