Luis Nassif: As manobras para afastar o eleitor de Lula das urnas

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Foto: Reprodução

Está em curso guerra híbrida para tomar as eleições brasileiras. E o primeiro passo é criar uma sensação de insegurança

Por Luis Nassif*, no GGN

Cuidados com as informações sobre a decisão dos Estados Unidos e da Austrália de fecharem seus consulados nas eleições. Pode ser uma etapa da chamada guerra híbrida.

A guerra híbrida propriamente dita combina operações informacionais com outros instrumentos de pressão política, econômica ou militar. O referencial máximo é a Cambridge Analytica, empresa britância que ganhou notoriedade por usar dados pessoais, redes sociais e técnicas de persuasão psicológica para campanhas políticas.

A pioneira foi a SCL Group, de Nigel Oakes, empresário britânico ligado à publicidade e à comunicação. Criou o Behavioural Dynamics Institute em 1990, Seu objetivo era estudar o comportamento coletivo e desenvolver técnicas para influencias decisões de grupos sociais.

Por exemplo, em 2010, em Trinidad e Tobago, a empresa utilizou grafites, cartazes e vídeos musicais para estimular a abstenção, apresentando o afastamento das urnas como uma atitude de rebeldia. A abstenção dos jovens favorecia o partido que havia contratado a empresa.

Agora, há a possibilidade de estar em curso manobra semelhante visando desestimular o voto por parte do eleitorado de Lula.

O jogo começa com a criação de uma sensação de insegurança nas eleições.

Há três mensagens circulando simultaneamente:

“Os EUA estão interferindo na eleição brasileira.”

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“Há risco de violência nas eleições.”

“Os EUA e a Austrália fecharam sua embaixada e todos os consulados por razões de segurança.”

E há uma coincidência temporal especialmente relevante.

Em aproximadamente oito dias, tivemos:

24/9: parlamentares americanos acusam a própria administração Trump de interferência. The Guardian

30/9: Reuters revela que a Abin relatou interferência americana a franceses e alemães. Reuters

30/9: Guardian revela o programa americano de US$ 1 milhão voltado a grupos contrários à atuação do STF. The Guardian

1/10: governo brasileiro reage às revelações e pede investigação. The Guardian

1/10 à noite: EUA anunciam suspensão dos serviços consulares. Agenda Capital

2/10: Austrália fecha sua embaixada e reproduz o alerta americano. Smartraveller

2/10: aparece a informação jornalística de que o FBI estaria monitorando ameaças e compartilhando inteligência com quatro países. Band

4/10: eleição.

Uma hipótese a ser analisada é que essa sucessão de fatos visa reduzir a participação dos eleitores. E de que segmento? Aqueles que temem a influência norte-americana. Ou seja: os eleitores de Lula.

*Luis Nassif é jornalista

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