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Kennedy Alencar: Vazamentos da Lava Jato reforçam a imagem de república de bananas
Política

Kennedy Alencar: Vazamentos da Lava Jato reforçam a imagem de república de bananas


03/03/2017 - 12h42

moro odebrecht

Vazamentos da Lava Jato prejudicam país e desmoralizam Justica, MP e políticos

Segredo de delações da Odebrecht perdem sentido e minam economia

por Kennedy Alencar, em seu blog, 02/03/2017  

O depoimento de Marcelo Odebrecht dado ontem Curitiba teve um quantidade de vazamentos que desmoraliza de vez o segredo das colaborações premiadas.

Desmoraliza uma série de autoridades da Justiça, do Ministério Público, do governo Temer, da administração Dilma e também o presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG).

Prejudica a Lava Jato, porque mostra mais uma vez como a investigação, que é importante pelo combate à corrupção, mas também se presta a manipulações e vazamentos seletivos, apesar da ordem expressa do procurador-geral da República de manter em segredo os depoimentos dados ao processo no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra a chapa Dilma-Temer.

Prejudica o país, reforçando a imagem de uma república de bananas em que até na Lava Jato não há respeito à lei, manipulada para causar danos a políticos.

Fere o direito de defesa dos acusados, que sofrem desgastes com vazamentos e não podem respondê-los oficialmente no âmbito dos processos. Prejudica a economia, gerando incertezas políticas que afetam expectativas do empresariado.

Em resumo, é muito ruim para o Brasil. O segredo, no caso das delações da Odebrecht, não faz mais nenhum sentido.

Repetindo: havia pedido expresso do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que o sigilo dos depoimentos de Marcelo Odebrecht e de outros delatores ao TSE permanecessem em sigilo, pois o ministro relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, não quebrou o segredo das colaborações. Mas houve um festival de vazamentos.

Melhor que o depoimento de ontem tivesse sido divulgado e que todas as delações da Odebrecht se tornassem públicas.

Para economia, o efeito é péssimo. O país não pode ter a Lava Jato como tema único, porque há graves problemas na economia, na saúde, na educação, na segurança pública e em outras áreas que mereceriam destaque no debate público.

Uma Lava Jato que virou um circo de delações gera tremenda incerteza no mercado financeiro e nos empresários que precisam tomar decisões de investimento.

Agora, surgiram dúvidas sobre a capacidade do governo de aprovar as reformas da Previdência e trabalhista no Congresso.

O país tem quase 13 milhões de desempregados, a renda está em queda, a recessão é grave.

Havia expectativa de melhora econômica que perde força com uma investigação realizada dessa forma.

É muito bonito e conveniente dizer que a Lava Jato não é a causa, mas o remédio para nossos males, como repetem à exaustão procuradores da República.

Mas ela tem gerado incertezas políticas e jurídicas que afetam a vida real das pessoas do ponto de vista econômico. Investigar destruindo empresas não é de interesse público.

Punir corruptos e corruptores, sim.

Repetindo de novo: ótimo que a Lava Jato combata a corrupção. Mas não pode investigar assim, vazando depoimentos que o procurador-geral da República e que o ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, querem que fiquem em segredo.

Já passou da hora de tornar públicas as delações da Odebrecht. Esse sigilo só tem feito mal ao país e bem aos que manipulam os vazamentos.

Ontem, de acordo com relatos da imprensa, Marcelo Odebrecht disse que não tratou de valores com o presidente Michel Temer no jantar de 2014 no Palácio do Jaburu.

Segundo o vazamento, Marcelo Odebrecht disse que outro delator da empresa, Cláudio Melo, teria tratado do valor com Padilha.

Ora, tem uma contradição entre Marcelo Odebrecht e Cláudio Melo. Há uma imprecisão ou uma mentira.

Se Marcelo Odebrecht tem razão, isso preserva Temer e enfraquece ainda mais Eliseu Padilha, que dificilmente voltará à Casa Civil.

Se Cláudio Melo estiver certo, isso prejudica mais o presidente da República.

Não dá para uma investigação de corrupção ser conduzida dessa maneira. Ela vai criar as tais nulidades que a defesa de Temer pretende alegar.

Marcelo Odebrecht também fez revelações em relação ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e ao presidente do PSDB, o senador Aécio Neves. Nos dois casos, diz que repassou recursos.

Ora, é preciso acelerar todas as investigações. Mas o que se vê é celeridade em relação a petistas e demora no que se refere a tucanos.

Se for verdade o que ele diz, Mantega tem sérios problemas a responder. Afinal, a acusação é que um ministro da Fazenda negociava propinas.

E Aécio, que é do partido que pede a cassação da chapa Dilma-Temer no TSE, fica numa situação política delicada, com a suspeita da hipocrisia de ter abusado do poder econômico que critica no PT e de ter usado um operador para obter recursos da Odebrecht exatamente como fizeram petistas e peemedebistas.

Não faz nenhum sentido a afirmação de Marcelo Odebrecht, de acordo com o que vazou, de que ele não seria o dono do Brasil, mas o bobo da corte.

Ele não era o bobo da corte, mas um dos maiores corruptores da corte.

Era um empresário que atuava com agressividade, segundo relatos de diversas autoridades que estiveram com ele. Um empresário que montou um departamento secreto de operações estruturadas, que, no fundo, era a seção para documentar as propinas, mostra a arrogância com a qual atuava.

Se entrou em projetos obrigado, entrou pela expectativa de retorno. A Odebrecht cresceu muito no período em que Marcelo Odebrecht a comandou.

Posar de vítima enquanto atuava como corruptor é querer fazer o país inteiro de bobo e tentar suavizar a sua situação.

Na Lava Jato, corruptores estão se dando melhor do que os corruptos, negociando penas baixas e mantendo boa parte de suas fortunas. Mas esses corruptores e corruptos são irmãos siameses no cometimento de crimes.

Leia também:

Marcelo Odebrecht diz Aécio pediu R$ 15 milhões na eleição de 2014





15 comentários

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Casta

05 de março de 2017 às 17h54

Afinal, Kennedy, qual é a tua?

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Mirtes Cohen

04 de março de 2017 às 14h33

Breno Altman foi absolvido. Convém fazer uma leitura de sua defesa no Ópera Mundi. A Odebrecht, como Altman, merece respeito. E deve ser preservada.

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Mirtes Cohen

04 de março de 2017 às 14h09

https://www.viomundo.com.br/politica/kennedy-alencar-vazamentos-da-lava-jato-reforcam-imagem-de-republica-de-bananas-lei-e-manipulada-para-causar-danos-politicos.html

Mas não se pode e nem se deve destruir reputações nem empresas nacionais enquanto se investiga algo que todos nós já sabíamos. O que não sabíamos é o quanto a humanidade está disposta a pagar pelo erro de muitos dos que estão aí e não querem assumir duas culpas. Além disso, ninguém pode esquecer que, enquanto isto, Kennedy, há um golpe de estado ainda em curso. Um tremendo golpe. E o recurso midiático a ele? É simbólico apenas, meu caro?

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Luiz Carlos P. Oliveira

04 de março de 2017 às 09h09

Decidi. Vou entrar para o PSDB e ser politico. Vou roubar tudo que puder, pois o partido é blindado por todos. Combate à corrupção? Me engana que eu gosto.

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Luiz Carlos P. Oliveira

04 de março de 2017 às 09h04

Não existe segredo de justiça. O que existe é ocultação de qualquer acusação contra o PSDB e PMDB. As acusações contra o Aécio e o Serra, por exemplo, não são levadas em conta pelo judi$$iário. E as 43 citações ao Temer, então?
E os trouxas acreditam em combate à corrupção. Para os trouxinhas, um recado na linguagem que eles entendem muito bem: KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
VTNC coxinhas burros

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    Ubirajara

    07 de março de 2017 às 15h52

    O que é isso? Calma! Existe sim um combate à corrupção, só que no modo Seletivo!

Luiz Carlos P. Oliveira

03 de março de 2017 às 21h43

Isso virou putaria. É só o que vou comentar. O saco não aguenta mais.

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Marcel

03 de março de 2017 às 20h27

“Agora, surgiram dúvidas sobre a capacidade do governo de aprovar
as reformas da Previdência e trabalhista no Congresso. O país
tem quase 13 milhões de desempregados, a renda está em queda,
a recessão é grave. Havia expectativa de melhora econômica que
perde força com uma investigação realizada dessa forma.”

o cara tenta disfarçar, mas uma hora derrapa. Está implícito que
na opinião do jornalista as reformas da Previdência e trabalhista melhoraria a situação do desemprego e recessão? Abraços.

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    Almir

    04 de março de 2017 às 14h27

    Miranda, você escreveu exatamente o que eu iria escrever. Kennedy quase enganou que não está a serviço das elites. A posição de Kennedy é pior que daqueles que tomam posição definida pela direita. De fato, o texto não bate com o blog.

    Almir

    04 de março de 2017 às 14h29

    Marcel e Miranda, vocês escreveram exatamente o que eu iria escrever. Kennedy quase enganou que não está a serviço das elites. A posição de Kennedy é pior que daqueles que tomam posição definida pela direita. De fato, o texto não bate com o blog.

marco

03 de março de 2017 às 19h13

O senhor articulista,está totalmente equivocado,quando afirma ser a tal LAVA A JATO,UMA PORTA PARA O COMBATE À CORRUPÇÃO.Ela sim,é uma AÇÃO PLANEJADA,visando unicamente,fortalecer as forças de DIREITA,empenhadas em entregar o país,aos apetites dos AGIOTAS INTERNACIONAIS,já que em matéria de PRODUÇÃO DE BENS DE CONSUMO,tirante uns poucos,a recessão e sem precedentes,em quase todos os países.A tal LAVA A JATO,não é mais que a mão do JUDICIÁRIO BRASILEIRO,nesse propósito.E foi o artifício usado,para perpetrar O GOLPE DE ESTADO,contra a vontade de mais de 54 milões de brasileiros.Meros GOLPISTAS,envergando togas.

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robertoAP

03 de março de 2017 às 18h59

Isso só torna escancarada a certeza de que Moro, que como Collor que caçava Marajás, e este que caça Corruptos, é, do mesmo jeito que Collor era na verdade o maior dos Marajás, o MAIOR CORRUPTO DO BRASIL.
Repetindo : MORO É O MAIOR CORRUPTO DO BRASIL.
Ele deveria se enfiar dentro da LavaJato e implodi-la com 100 kg de TNT. O Brasil se livraria de 2/3 de sua corrupção.

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Rogério Bezerra

03 de março de 2017 às 14h19

A prisão no paranaguai, demonstra que os ricos do Brasil nem culhões tem mais.
São uns frouxos, a começar pelo pai do Marcelo, Emílio.
Mas nunca eu deixaria meu filho nas mãos daquela corja de Curitiba. Nunca!
Faria campanha na frente do prédio do puliça, mfppp e todo o judiciário… Usaria todos os recursos, todos os RECURSOS para acabar com a prisão de meu filho…
A não ser …
A não ser que tivesse tantos roubos e desvios ao longo décadas que, revelados, me colocariam lá dentro também…

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Miranda

03 de março de 2017 às 14h17

“Agora, surgiram dúvidas sobre a capacidade do governo de aprovar as reformas da Previdência e trabalhista no Congresso. O país tem quase 13 milhões de desempregados, a renda está em queda, a recessão é grave. Havia expectativa de melhora econômica que perde força com uma investigação realizada dessa forma.”

Muito estranho o texto desse reporter e mais ainda esse paragrafo. Me parece uma insinuacao de que as duvidas sobre a aprovacao das reformas sao o mal para o pais e nao as reformas em si. Logo em seguida ele comenta sobre a expectativa de melhoria economica. Expectativa de quem? com certeza de ninguem da esquerda, que sabia de antemao que o bando que tomou o poder de assalto tem por objetivo as vantagens de seus grupos, alem das pessoais, pouco se importando se o pais vai a pique,ou se existirao 13 ou 30 milhoes de desempregados.. Um artigo desse cabe bem na folha e nao nesye espaco.

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    Fernando

    04 de março de 2017 às 12h39

    Concordo com você Miranda. Também achei muito estranho este texto.


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