VIOMUNDO

Diário da Resistência


Privatização do monotrilho é um negócio de tucano-pai para tucano-filho
Mandato da deputada Juliana Cardoso
Política Resistir e Lutar 07/09/2018 - 17h27

Privatização do monotrilho é um negócio de tucano-pai para tucano-filho


Por Juliana Cardoso

Privatização da Linha Prata é um negócio de ocasião

por Juliana Cardoso*

Após as constantes paralisações das obras e desistências das empreiteiras na construção da Linha 4-Amarela do metrô, que hoje é operado pela iniciativa privada sem várias estações, o governo do Estado de São Paulo arranjou um novo jeito para privatizar a Linha 15-Prata.

O modelo, lançado ainda durante a gestão do governador Alckmin neste ano, se revela um negócio de ocasião para quem arrematar essa linha, mas traz enorme prejuízo aos cofres públicos, uma afronta ao interesse público.

Conhecida como monotrilho, essa linha foi projetada da Vila Prudente até Cidade Tiradentes, no extremo leste.

Ela merece algumas ponderações.

Embora não esteja completo para funcionar, o monotrilho é considerado por especialista da área como fiasco tecnológico, se comparado aos benefícios de uma linha convencional do metrô.

Cada composição do monotrilho com sete vagões tem capacidade para transportar 1.000 passageiros, enquanto o metrô da Linha Amarela carrega até 2 mil pessoas.

Deslocando-se por um trilho central com pneus de borracha, o sistema é de média capacidade e tem estabilidade reduzida.

O projeto original do monotrilho tinha previsão de 19 estações, mas foi enxugado.

As oito estações além de São Mateus na direção de Cidade Tiradentes não serão mais construídas, prejudicando uma região de alta densidade populacional com os seus 340 mil habitantes.

Atualmente, o monotrilho opera integralmente com apenas duas estações: Vila Prudente e Oratório.

Outras cinco paradas na Avenida Anhaia Mello foram entregues às pressas por Alckmin antes de sair do governo e funcionam de forma parcial com horários reduzidos.

E as demais estações ao longo da Avenida Sapopemba até São Mateus, agora destino final, estão com obras quase parando.

A questão mais grave, porém, são os recursos empregados na obra, que começou em 2009.

O governo do Estado investiu R$ 3,5 bilhões e vai precisar injetar mais R$ 1,7 bilhão para conseguir entregar a obra até São Mateus, o novo local prometido.

Mas o pior ainda está por vir.

No processo de privatização anunciado em edital, o monotrilho Linha Prata será passado às mãos da iniciativa privada para exploração comercial pela bagatela de R$ 153,3 milhões (lance mínimo) com rentabilidade garantida de R$ 4,5 bilhões por 20 anos.

A venda deve ocorrer por 3% do valor gasto na construção, cifra irrisória do investimento de recursos públicos e que agora é oferecido para o futuro operador da linha.

Esse é o estado mínimo tucano em São Paulo. Um negócio de pai para filho.

*Juliana Cardoso, vereadora pelo PT na cidade de São Paulo.

Leia também:

Julian Rodrigues: O que muda para o PT no processo eleitoral 

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2 comentários

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Antonio

19 de setembro de 2018 às 11h11

Não são somente esses fatos descritos na reportagem.
Os “trenzinhos”, chamo desta forma porque “atendem” uma região densamente povoada e como descrito na reportagem, tem capacidade reduzida.
Pois bem, os “trenzinhos” são fabricados pela BOMBARDIER canadense e NUNCA foram vendidos em lugar nenhum, a empresa usa o Metrô de São Paulo como vitrine de vendas.
Não são convicções e sim certezas, quanto cada um levou para adotar esse trenzinho?
Governador Alckmin, Tribunal de Contas do Estado, presidente de diretores do Metrô e membros do PSDB, quanto cada um levou?
Outro grave desvio que ocorreu no Metrô, mas sem infringir leis, tornando impossível estabelecer culpa.
O que descrevo é a causa do inexplicável atraso para a entrega de várias estações dessa linha.
Faça uma PPP para a construção de uma linha de Metrô, no caso a Linha de Pinheiros.
Defina na parceria que a empresa privada é responsável pela construção da linha, aquisição das composições e pela operação.
Na mesma parceria defina que o governo do estado é responsável pelas obras civis das estações.
Defina na parceria que os prejuízos do parceiro são de responsabilidade do governo do estado.
Atrase a entrega das estações como ocorreu e que continuam com a entrega atrasada.
A certo momento o parceiro privado entra com um processo contra o governo do estado pedindo ressarcimento dos ganhos e lucros perdidos em função do atraso na entrega das estações.
Solicite que o governo do estado reembolse R$ 500 milhões a título de ressarcimento desses prejuízos.
Aguarde um tempo até que os tribunais decidam e passe no tesouro do estado para receber o valor reivindicado.
No quarto trimestre de 2016, a CCR entrou com esse processo contra o governo do estado.
No início de 2017 recebeu do governo do estado a quantia de R$ 500 milhões a título de reparação por lucros cessantes em razão do atraso na entrega de várias estações dessa linha e muitas ainda não foram entregues ensejando em futuro próximo um novo pedido de ressarcimento por lucros cessantes.
Fato que pode ser apurado facilmente, o processo é público.

Responder

ADEMIR MARIA RICHOTTI

10 de setembro de 2018 às 15h49

Esse monotrilho é uma das coisas mais patéticas que eu já vi na vida.E ninguem vai preso por isso…

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