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Cartas de Minas
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Juliana Cardoso: Com metade dos médicos necessários, situação do Hospital Tide Setúbal é deplorável

18 de agosto de 2018 às 10h26

Falta metade dos médicos no Hospital Tide Setúbal

Dos 251 médicos nas mais diversas especialidades previstas no quadro funcional o hospital tem desfalque de 133

por Juliana Cardoso*

Unidade municipal pioneira na Zona Leste da cidade de São Paulo, com mais de 50 anos de existência, 172 leitos e com atendimento de 15 mil pacientes/mês, o Hospital Municipal Tide Setúbal sofre de um mal crônico da rede de saúde: a falta de médicos.

Dos 251 médicos nas mais diversas especialidades previstas no seu quadro funcional, atuam hoje no Tide Setúbal apenas 118. O déficit de 133 médicos, ou 53% a menos, dificulta o atendimento a pacientes e provoca situações constrangedoras.

Esse é o principal problema constatado no relatório elaborado pela Comissão de Saúde da Câmara Municipal*, após vistoria realizada no hospital.

A visita foi motivada por denúncias sobre falta de médicos, superlotação, problemas de má gestão e de estrutura.

A Comissão requereu da Secretaria Municipal de Saúde a nomeação dos médicos concursados e que estão aguardando serem efetivados na rede e também neste hospital.

Na tabela de lotação de pessoal, por exemplo, está projetada a atuação de 21 neonatologistas, mas apenas três estão em atividade, deixando os recém-nascidos sem o devido acompanhamento médico nos primeiros dias de vida.

A carência de médicos pediatras – de 30 somente 11 prestam serviço – cria situações inusitadas e arriscadas.

Por exemplo, afeta a concessão de altas e com isso aumenta o tempo de internação de pacientes e aumenta o risco de as crianças contraírem infecção hospitalar.

A situação é preocupante e deplorável. Muitos leitos estão desativados por falta de colchões e pacientes estão ajeitados em macas pelos corredores.

No setor de cirurgias, o quadro também é crítico.

A defasagem é de 16 dos 26 cirurgiões previstos na tabela de pessoal.

E o hospital ainda conta com apenas seis anestesistas dos 20 constantes no quadro de lotação. Tal quantidade obriga a transferência de pacientes e de parturientes para outras unidades da rede.

Como se não bastasse o cenário caótico do hospital, pacientes do SUS da região de São Miguel Paulista enfrentam outras dores de cabeça.

A construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em frente ao hospital foi paralisada no ano passado com 85% da obra.

Além disso, a AMA (Assistência Médica Ambulatorial) do Parque Paulistano reduziu o número de médicos plantonistas, prejudicando o atendimento à população.

Juliana Cardoso é vereadora (PT). Integra a Comissão de Saúde da Câmara Municipal de São Paulo.

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