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Julian Rodrigues: Parem de chamar Bolsonaro e filhos de loucos, debiloides; os nossos doentes mentais são gente do bem
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Política

Julian Rodrigues: Parem de chamar Bolsonaro e filhos de loucos, debiloides; os nossos doentes mentais são gente do bem


21/03/2020 - 20h50

Mais louco é quem me diz

por Julian Rodrigues*, especial para o Viomundo

Podem me difamar, ignorar, rotular como chato, me desqualificar como “politicamente correto” (como se isso fosse algo ruim).

EU não acredito em uma esquerda que reproduz, cotidianamente, preconceitos, estigmas ou linguagem discriminatória.

escrevi sobre a necessidade de abandonarmos termos homofóbicos, sexistas e racistas e reaprendermos a xingar os adversários sem cultivar estereótipos machistas.

Vou reclamar agora desse senso comum bobalhão que caracteriza Bolsonaro – e família – como imbecis, doidos, retardados, inaptos e coisas afins.

Em primeiro lugar, é um erro de avaliação política rude: nenhum idiota vira Presidente da República, cara pálida.

Larga mão de ser arrogante e vai tentar entender um pouquinho a complexidade do cenário.

Bolsonaro tem projeto, programa, tática, estratégia, discurso, aparato comunicacional, apoio do Trump, do PIG e do PIB.

É um comunicador intuitivo, ousado. Sabe o que faz.

E tem retaguarda. Tem poderosa aliança. Neofascismo + ultra-liberalismo.

Está nos dando um baile, mesmo com todos tropeços.

Vamos respirar?

Voltar para o mundo real?

Quem está em defensiva ainda é o campo democrático-popular.

Quem está com déficit discursivo/operativo e muita falta de capacidade de mobilizar somos nós.

Agora, o que me deixa mais irritado mesmo é essa tendência à patologização da luta política. O líder do neofascismo é tratado como incapaz, como alguém debilitado cognitivamente, como um sujeito a ser “interditado”.

Bolsonaro é toda hora tratado como incompetente, inepto.

Sério?

Eu diria que incompetentes somos nosostros que perdemos as eleições para ele, não ?

Vamos interditá-lo, é um débil mental! Como se não houvesse racionalidade, método, programa e estratégia nos acertos – e erros, claro – de Bolsonaro e sua txurma, a começar por Olavo de Carvalho. Subestimar o inimigo é erro fatal, primário.

Agora, vamos para o outro aspecto dessa questão. Parem, please, de chamar o cara e seus filhos de retardados, idiotas, doentes, insanos, loucos, imbecis, incapazes.

Parem de estigmatizar mais ainda as pessoas com transtorno mental, sofrimento psíquico.

Nossos loucos são gente boa, não fazem mal à sociedade, não são neofascistas. Simplesmente cessem com essa bobajada preconceituosa, esse senso comum conservador.

Foram décadas de luta de muita, muita mesmo gente da esquerda, de um tantão de comunistas (viva Nise!) para mudar paradigmas sobre saúde mental.

Despsiquiatrização. Saúde mental e direitos humanos. Luta anti-manicomial. Fim dos hospícios e das instituições totais.

Políticas públicas de saúde mental, álcool e drogas. SUS. RAPS (rede de atenção psicossocial).

Promoção de direitos, acolhimento, não-discriminação, foco no respeito à diversidade humana.

As pessoinhas usuárias da rede de saúde mental pública (construída a duras penas e que está em processo de desmonte) não tem nada em comum com esse bando de fascistoides que hoje nos governam.

Bora conhecer a maravilhosa luta histórica contra o autoritarismo e pelo direito à diferença?

Por uma sociedade sem manicômios – sem estigmas excludentes, aberta à convivência com o outro.

São compromissos mínimos para quem se coloca no campo progressista.

Quer xingar Bolsonaro?

Chame-o pelo que é: um autoritário, aprendiz de ditador, reacionário, neofascista, machista, racista, transfóbico, homofóbico, irracionalista, sexista, vulgar, neoliberal, anti-pobres, ultra-conservador, preconceituoso, direitista – na política, sempre na política.

*Julian Rodrigues é militante de Direitos Humanos e LGBTI, louco simpatizante (por enquanto)

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7 comentários

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jorge

31 de março de 2020 às 22h04

penso que ele é o Benito Mussolini da atualidade,acho também que o fim será o mesmo

Responder

Humberto Guimarães

23 de março de 2020 às 13h45

Você, Julian, acha que a esquerda foi incompetente – e não Bolsonaro -porque ela perdeu as eleições, enquanto Bolsonaro ganhou,
já que ele teria projetos neofascistas, táticas políticas e capacidade discursiva apropriados às intenções políticas do campo que lidera que não poderiam ser chamadas de burrice ou de loucura. Ele seria um líder inteligente e nada louco, pois ninguém chegaria à presidência sem as competências que você enumerou… E ele teria mais competência do que a esquerda, mais incapaz do que o presidente e seus aliados, porque esta tenta desqualificá-lo erroneamente, atribuindo a ele coisas como incompetência, incapacidade (gerando demandas para interditá-lo), usando contra ele (ou um de seus filhos) xingamentos homofóbicos, etc.
Ao fazer isso a esquerda incidiria nas mesmas práticas de desqualificação que Bolsonaro usa, só que, ele, com mais competência.
Por isso tudo, para você, seria importante combater Bolsonaro usando a afirmação positiva para os movimentos antimanicomiais, LGBTs, de Direitos Humanos, etc, pois esta seria a maneira correta de lutar, capaz de mobilizar pessoas contra o projeto neofascista – incluindo as que foram, momentaneamente seduzidas por ele – projeto liderado por quem teve mais competência tática e discursiva para vencer a eleição.
Mas não foi o ataque a tais movimentos sociais (antimanicomiais, lgbts, de diteitos humanos), feito por Bolsonaro e demais fascistas, ataque incrementado pelo apoio ao pseudo movimento contra a corrupção, que teve ampla aceitação junto à população o que levou
Bolsonaro à presidência?
Aliás, de tudo que você elencou como digno de reafitmar você esqueceu a luta contra o moralismo anticorrupção. Tantos que se acham de esquerda ainda são bem moralistas quanto a isso, não são?
Então não vai ser só afirmando certos princípios e movimentos justos, que, fazendo isso, a esquerda conseguirá mobilizar seus componentes e quem não é de esquerda e votou em Bolsonaro, pois quem votou nele, foi contra tudo isso que a esquerda preza. E porque tanta gente votou nele? Porque fazem parte de uma loucura coletiva que Erich Fromm tão bem descreveu em seu livro Psicanálise da Sociedade Contemporânea. Loucura existente, mas curável (a coletiva), certamente não com procedimentos usados por Nise da Silveira.
Então precisamos, sim, chamar Bolsonaro de louco e de outras coisas, nos termos em que a população que votou nele entenda, pois a esquerda não votou nele (para falar apenas de eleições). Bolsonaro não é inteligente ou lúcido quando faz o que faz. Não devemos achar que ninguém com essas qualidades negativas poderia chegar à presidência. Está errado isso. Pelo contrário, em certas circunstâncias só pode chegar à presidência uma pessoa com essas características. Bolsonaro é parte de e representa uma psicopatia coletiva, que não será superada por quaisquer outros princípios afirmados em “linguagem correta” ou por moralismos como o daqueles que acham que estão combatendo a corrupção (dos políticos) em que tantos na esquerda embarcaram … e muitos continuam no barco.

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Lilian

23 de março de 2020 às 07h38

Eu não o chamo de retardado nem louco… mas de psicopata, sociopata e perverso… toda hora… aos filhos a mesma coisa. Projeto de Hittler.

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    Wagner Leite de Souza

    29 de março de 2020 às 09h47

    Não posso é chama-lo de animal pois eles protegem as crias. Esta familia parece a Família Buscape dá armas pra eles e soltam na floresta pra matar coelhos e animais silvestres. A cara deles.

VALDIR CARRASCO

22 de março de 2020 às 11h47

Como assim, “nenhum comentário”….e aquele que enviei já faz quase uma hora atrás? Afinal, Julian tem só meia razão…pois que o cara é um idiota, cretino e imbecil, isso é hein! Afinal, ele vive cavando a própria sepultura, até mesmo entre aliados…. E acho uma fria um impeachment, pois a única solução é CASSAÇÃO DA CHAPA JÁ….POIS TIRAR UM E DEIXAR O OUTRO (FÂ DO PIOR CRIMINOSO SERGIO MORO0…É FRIA HEIN……esse povo todo pedindo interdição do idiota devia voltar seus canhões contra os covardes do tse que sabem de cor e salteado que o cafajeste foi beneficiado por disparos de fake news contra Hadad, financiados por empresas…e esses covardes nada fazem. Essa merda sim podia fechar, pois vive cassando prefeitinhos sem expressão brasil afora mas não tem peito sequer de tocar adiante um processo contra a chapa criminosa……

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valdir carrasco

22 de março de 2020 às 10h58

Julian tem razão e não tenho o hábito de chamar o fulano e sua gangue por nomes que lembrem a loucura (até porque loucos merecem respeito, já que são doentes). Só o chamo de boçal porque é uma variante de “bolso…” mas com a intenção de destacar a estupidêz do cafajeste. Ou não seria estúpido alguém que briga com todos dos quais depende para governar (congresso, parceiros comerciais com os quais o país leva vantagem – China, países árabes). Também não posso chamá-lo de asno porque seria desrespeito aos burros, não posso chamá-lo de esterco porque nem pra isso ele serve. Estrume? Talvez. Verme? Cafajeste? Até que lhe cai bem…afinal vive mentindo, vive agindo hipocritamente como se prestasse. Mas só não concordo que ele não seja um imbecil, um idiota, porque alguém que cava a própria sepultura não me parece passar disso…ou só o faz pra poupar coveiros? Afinal, vive brigando, vive arrumando inimigos até entre os idiotas (estes, com certeza) que votaram nele, tipo frota, tipo joyce,tipo lobão,tipo janaina e tantos outros. Por isso nem vale a pena impeachment contra ele, pois seria substituído por alguém que sabe dissimular e enganar ainda mais. Só cassação de chapa completa seria o correto…mas há ministros covardes demais no órgão que teria competência para cassar. Em resumo: LOUCO NÃO, IDIOTA OU IMBECIL OU CRETINO, SIM.

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Zé Maria

22 de março de 2020 às 00h35

Jair Bolsonaro é um Serial Killer,
um Sociopata genitor de 3 Psicopatas com desvio de caráter.

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