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Julian Rodrigues: Lula e a tática do PT para as eleições de 2020
Ricardo Stuckert
Política

Julian Rodrigues: Lula e a tática do PT para as eleições de 2020


04/11/2019 - 12h33

 LULA E AS ELEIÇÕES DE 2020

por Julian Rodrigues, especial para o Viomundo

Em sua mais recente entrevista, à Agência Pública, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou cerca de 10 minutos sobre qual tática o PT deve adotar nas eleições municipais do próximo ano.

Conhecendo com detalhes o cenário das principais cidades, Lula ressalta que a proibição de coligação nas eleições proporcionais exige que o PT apresente bons candidatos na maioria das cidades, pois é preciso eleger milhares de vereadores e também reafirmar o programa, a mensagem e a identidade partidária.

Dando uma bronca na direção partidária e nos principais quadros, o ex-presidente lembra que time que não joga não tem torcida e o fato de termos sido derrotados em 2016 não pode ser desculpa para ficarmos com o “rabo entre as pernas, como um cão sarnento.”

Pelo contrário, 2020 é momento de acúmulo e (re)construção do PT.

Mais ainda, Lula lembra que num Partido como o PT as pessoas não podem ser candidatas “só por conveniência”, só quando querem, só quando o cenário é bom.

Ao citar a conjuntura atual em várias capitais, aponta que, por inércia, hoje, o PT não teria candidatos na maioria das principais cidades.

Mais uma vez, Lula acerta em cheio, no atacado.

Não dá para tratar as eleições de 2020 de forma displicente, com tática recuada e acomodada.

A disputa nas cidades pode ser um catalizador importante do desgaste do bolsonarismo – além de momento ímpar para retomar a força eleitoral do PT. O próprio Ibope já registra que o Partido aparece novamente com cerca de 30% de preferência, com rejeição menor que a do PSL.

Duas exceções, entretanto, na correta tática geral proposta por Lula, devem ser observadas, na minha opinião.

Em Porto Alegre e no Rio de Janeiro já estão bem avançadas as conversas sobre a aliança em torno das fortes pré-candidaturas de Manuela D’ Ávila (PCdoB) e Marcelo Freixo (Psol).

Acho que em Porto Alegre, Tarso Genro e Olívio Dutra deveriam puxar nossa chapa de vereadores.

No Rio de Janeiro, Benedita deve ser a vice de Freixo e Lindbergh impulsionar a chapa proporcional petista.

Por último, a posição de Lula sobre Sampa contraria sua tese geral de lançar os melhores nomes do PT onde for possível.

Com aquele sorrisinho maroto, nosso comandante diz estar entre os que acham que Haddad não deve ser o representante petista no pleito.

Ora, de longe, Haddad é o o mais forte nome. Talvez o único que pode nos levar ao segundo turno, numa eleição dificílima, como o próprio Lula reconhece.

A ver como evolui esse debate depois que Lula estiver solto, rodando o Brasil, lutando por seus direitos políticos, em campanha presidencial – e comandando a tropa petista e o campo popular.

*Julian Rodrigues é professor e jornalista, ativista de Direitos Humanos e LGBTI. É militante do PT-SP.

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5 comentários

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Zé Maria

06 de novembro de 2019 às 17h41

Por falar em Municípios, o Pacotão do Guéds atingirá
quase a Metade das Cidades do Rio Grande do Sul

Segundo a Federação das Associações de Municípios
do Rio Grande do Sul (Famurs), que critica a proposta,
226 cidades gaúchas têm receita própria menor do que
10% do total da arrecadação municipal e poderiam ser
incorporadas a outras que possuem Receita Maior.

Já uma análise do TCE mostra uma situação pior:
2/3 das 497 ou 334 cidades gaúchas não captam
sequer 10% das Receitas com IPTU, ISS e ITBI

A dificuldade em arrecadar recursos locais fica
evidente em um cruzamento de dados feito pelo
Tribunal de Contas do Estado (TCE) com base
nas prestações de contas das 497 Prefeituras
do Rio Grande do Sul, onde 334 (67%) dos 497
Municípios do Estado não captam nem 10%
das receitas próprias por meio de tributos,
como impostos Predial e Territorial Urbano (IPTU),
Sobre Serviços (ISS) e Transmissão de Bens
Imóveis (ITBI), e outras taxas municipais,
sendo dependentes de repasses da União,
pelo Governo Federal – como o Fundo de
Participação dos Municípios (FPM) –
e do Estado, por meio de cotas do Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2019/10/um-em-cada-10-municipios-do-rs-nao-tem-arrecadacao-para-manter-legislativos-e-depende-de-repasses-ck1pgsggg05n401r2s6zi6760.html
https://gauchazh.clicrbs.com.br/politica/noticia/2019/11/projeto-do-governo-bolsonaro-pode-extinguir-quase-a-metade-dos-municipios-gauchos-ck2mife3a0d5h01r2tll0uj4q.html
https://gauchazh.clicrbs.com.br/politica/noticia/2019/11/mapa-quais-sao-os-226-municipios-do-rs-que-seriam-extintos-com-aprovacao-de-projeto-do-governo-bolsonaro-ck2nd75wd0dbs01n3lj8jpuhm.html

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a.ali

04 de novembro de 2019 às 23h55

em porto alegre, ou tarso ou olivio deveriam, sim, ser candidato a prefeito! olivio é consenso que até anti petista vota nele e se o pt quiser voltar a governar o rs o nome é olivio que é imbatível, até surgir alguem à altura, do contrário já se sabe os desastres

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    Marcos Videira

    06 de novembro de 2019 às 19h32

    Uma observação que merece uma explicação: não conheço nenhum parlamentar do PT do RGS envolvido em corrupção. Olívio, Genro, Paim, Fontana, Maria do Rosário etc. são políticos do PT que nunca foram citados em nenhuma falcatrua. Por que será ? Ou existem partícipes de corrupção e eu desconheço ?

Marcos Videira

04 de novembro de 2019 às 21h41

Fica evidente que Julian quer Haddad como candidato a prefeito de SP. Porém Lula pensa diferente e já expressou suas preferências que logo serão “consenso”:
(1) Haddad não deve ser o candidato porque tem alta probabilidade de perder e se inviabilizar definitivamente.
(2) Lula prefere Marta Suplicy, até como bucha de canhão. Além de ser mais competitiva do que Haddad, Lula pensa em impedir que o PDT de Ciro tenha uma forte aliada pra 2022 no maior colégio eleitoral do país. No primeiro turno 2018, na cidade de SP, Haddad teve 20 % e Ciro teve 15%. Imaginem Marta, prefeita de SP, apoiando Ciro Gomes em 2022…

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José Ricardo Romero

04 de novembro de 2019 às 15h46

Julian Rodrigues, professor e jornalista, ativista de Direitos Humanos, “nosso comandante” é coisa de escoteiro ou de soldado em orcem unida e batendo continência. Dos políticos nós não podemos ser lambe-botas. Críticas e análises têm que ser sempre de forma sóbria e inteligente, sem derramamento de baba.

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