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José do Vale: Com forte apoio popular, Brasil terá condições de proteger o seu povo, se desenvolver na área tecnológica e ser soberano
Imagem aérea captada pelo drone da produtora Center Filmes mostra a multidão no ato com Lula. Foto: Cedida
Política

José do Vale: Com forte apoio popular, Brasil terá condições de proteger o seu povo, se desenvolver na área tecnológica e ser soberano


26/06/2022 - 19h53

Por José do Vale Pinheiro Feitosa*, especial para o Viomundo

A capacidade crítica do pensamento humano lhe deu a capacidade para operar sistemas complexos de trabalho, produção, distribuição e consumo de recursos tanto naturais quanto transformados.

Vivemos uma fase da história que colimou inúmeras experiências sociais, econômicas e culturais para um modelo prevalente em escala mundial. Este é o capitalismo que se traduz pelo que diz Osvaldo Coggiola em artigo no site A Terra é Redonda.

O capitalismo é uma revolução na divisão do trabalho que é a base para uma revolução técnica e que resultou de uma revolução agrária e comercial.

Por isso o capitalismo é essencialmente um “sistema social e econômico orientado para a acumulação de riqueza baseado no crescimento permanente da capacidade produtiva como condição de existência e reprodução”.

Toda a estrutura econômica e política da humanidade é interdependente.

O capitalismo como um sistema histórico tem passado por ciclos de crises em que a trava principal é a perda do dinamismo do crescimento, dificultando a reprodução do capital que é o móvel do sistema.

E, como fenômeno histórico, o sistema falha em garantir o nascimento e a manutenção da vida, com crises enormes de empobrecimento geral das populações, fragilidades por alterações climáticas, pandemias, fome generalizada, guerras e quebras financeiras, que estão na raiz da dinâmica do sistema capitalista.

Os cismas da globalização

Voltemos no tempo. Mais precisamente em 2008.

Lembram-se do senador Artur Virgílio (AM-PSDB), criticando o então Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por ter dito, logo no começo, que a crise financeira dos EUA seria uma “marolinha” para nós?

Na realidade, o senador de oposição (era líder do PSDB na Casa) queria um maremoto.

Naqueles momentos críticos, Lula soube conduzir e defender o Brasil em fóruns internacionais, quando o famoso G8 (o bloco dos oito países mais ricos do mundo) foi ampliado para o G20.

A famosa crise do “subprime” americano era violenta e marcaria o futuro até os tempos atuais.

A grande primeira marca daquela crise foi que a rentabilidade do capital não conseguiu mais se recuperar.

Desde então, o polo mais dinâmico do capitalismo vem perdendo substância. Isso, aliás, deveu-se a um cumulativo fatores, entre os quais: disputas por energia, em especial do petróleo com as guerras do Iraque e Líbia; crescimento da China e Índia e o renascimento do Estado da Federação Russa, com aumento do domínio da Ásia.

Quebra nas cadeias produtivas mundiais

O que significam as tais cadeias produtivas mundiais? Divisão internacional do trabalho. O mais do mesmo processo histórico.

Países deixaram de controlar cadeias produtivas inteiras, se especializaram em componentes e outros em montagem e todos dependem dos fluxos de materiais e mercadoria,s o que significa fluxo de capitais, portanto financeiro.

Apenas para não perdermos o mote da saúde, uma pesquisa realizada por amostragem pelo Ibope para a indústria farm Bayer apontou que: 51% da população brasileira utiliza medicamentos de uso contínuo, sendo que 93% por indicação médica. Em janeiro de 2020, 52% das pessoas em uso de medicamentos contínuos pagavam por eles do próprio bolso.

A pandemia de covid-19 pegou em cheio os centros mais avançados do capitalismo e levou de roldão o Brasil para uma escala de sofrimento e mortes capazes de deprimir toda a dinâmica da história nacional.

Em recente manifestação no Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, o historiador Vijay Prashad observa que, dois anos após o pico da pandemia de covid-19, hoje “60% dos trabalhadores têm rendimentos reais mais baixos do que antes da pandemia; 60% dos países mais pobres estão em sofrimento ou com alto risco; países em desenvolvimento perdem US$ 1,2 trilhão por ano para preencher a lacuna de proteção social; e US$ 4,3 trilhões são necessários por ano – mais dinheiro do que nunca – para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”.

Não se trata mais de alarmismo nem de sobressaltos psicológicos a evidência que passamos por três crises fundamentais: energética, alimentar e financeira.

A Terceira Guerra Mundial

Tomando como referência um dos grandes líderes de Estado que, paradoxalmente, não tem um território para gerir, o Papa Francisco, ao se referir aos amplos conflitos violentos por todo o mundo, disse que vivemos numa Terceira Guerra Mundial.

Evidente que a Operação Especial da Rússia contra a Ucrânia tem forte valor simbólico como que conduzindo a nossa visão da história mundial.

E no campo simbólico existem grandes debates sobre os impactos das tecnologias como as espaciais, de telecomunicação, inteligência artificial, internet das coisas, veículos autônomos, evolução rápida das tecnologias de guerra, biotecnologias.

O medo crescente da capacidade das armas de guerra causarem danos universais é baseado em realidade objetiva, como as armas nucleares e o uso de substâncias químicas. Agora, com a covid-19, o temor de que a doença pudesse ser causada por uma arma biológica assustou todo mundo.

Recentemente, mais uma vez o medo da arma biológica se espalhou. Foi quando um estudo mostrou que o vírus da varíola do macaco circulando atualmente tem 50 vezes mais capacidade de mutação do que vírus que circulou na África em 2018 e 2019.

O conflito EUA/UE contra Rússia/China

Como muitos já perceberam, o conflito na Ucrânia é mais do que simplesmente territorial.  

Na verdade, ele é mais geral e se alimenta de todas essas crises, incluindo a famosa crise do capitalismo.

Usando outros métodos e formas de consenso estamos repetindo o papel das famosas conferências realizadas para configurar nova ordem mundial, como as conferências de capitalistas, as internacionais trabalhistas, a comunista e as socialistas.

Chama a nossa atenção que, mesmo com as fortes sanções e bloqueios dos EUA e da União Europeia, inclusive de informações e controle de opinião, a Rússia e a China estão firmes, conseguindo segurar praticamente todo o chamado Sul Global.

Em consequência, fazendo com que maioria da população mundial não aderisse às medidas restritivas emanadas do centro imperialista.

Sucessivas e produtivas reuniões têm sido realizadas sob liderança da Rússia e da China, incluindo países de peso, como Índia, Paquistão, Indonésia, Vietnã, Irã, Síria, praticamente toda a África e a América Latina. Tais reuniões têm batido no cerne do sistema; pelo menos, naquele sob controle imperialista que é o financeiro do dólar e do euro.

O programa político do Brasil – União Popular e mobilização do Estado

O Brasil como ator de peso precisa de forte apoio popular ao seu Estado e ao seu Governo.

Isso significa um Estado que proteja a sua população e melhore sua renda, defenda a soberania do povo, mobilize todos os recursos para o desenvolvimento tecnológico e enorme capacitação de conhecimentos da sua população.

O Brasil não será um operador de equilíbrio neste mundo ainda em construção. A força imperialista está quebrada, mas continua ainda com dinamismo e capacidade de fazer entregas, inclusive de violência ampla.

Os interesses da Rússia e da China são legítimos e, por isso mesmo, os da América Latina o são de forma autônoma não sujeita a blocos externos aos seus interesses.

Uma coisa é certa: temos que ser autônomos para agir, conforme as conjunturas e rearranjos das estruturas mundiais.

Será a superação do capitalismo? A minha geração tem dificuldade de predizer isso dadas as inúmeras vezes que se antecipou ao que não aconteceu. Porém, sabemos “onde o sapato aperta” e mandamos naquilo que calçamos.

Por último: as contribuições ao Programa do candidato Lula da Silva têm sido numerosas e isso é um sinal de apoio popular. Neste programa, temos uma oportunidade histórica.





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