Jeferson Miola: Roubalheira em nome de deus

Tempo de leitura: 2 min

Roubalheira em nome de deus

Por Jeferson Miola, em seu blog

A roubalheira no ministério da Educação [MEC] é bastante original: pastores evangélicos cobram propina em barras de 1kg de ouro para intermediar verbas públicas que, antes de chegarem ao destino final, decerto ainda ficam sujeitas à rapinagem por outros atravessadores – leigos ou religiosos.

Tudo endossado pelo ministro Milton Ribeiro e a mando do Aberração do Planalto, que sempre repete o bordão “deus acima de todos”.

A descoberta da roubalheira indica o quão ilimitado é o propósito de degradação e destruição da educação pública brasileira. E revela, também, as entranhas do poder miliciano e fascista-militar ancorado no charlatanismo/fundamentalismo religioso.

Há uma impressionante depravação do Estado de Direito e de princípios republicanos elementares.

O desmonte deliberado das políticas públicas de educação – vide as graves e nunca apuradas denúncias envolvendo o ENEM e o INEP, para ficar somente nesses dois escândalos – evidencia que o MEC é um nicho de corrupção e, ao mesmo tempo, um instrumento ideológico para a destruição do sistema de educação laica, plural e pública.

Não fosse a máquina do colaboracionismo fascista operada por Arthur Lira e Augusto Aras, o pastor-ministro já teria sido defenestrado do cargo e a CPI da “gangue de deus acima de todos” já teria sido instalada no Congresso.

Mas isso, naturalmente, está longe de acontecer, devido ao citado colaboracionismo e, também, ao extraordinário poder dos pastores evangélicos no Congresso.

Na Câmara, são 104 parlamentares [20,3%] – nem todos/as, porém, coniventes com as práticas denunciadas.

Seriam 105 ao todo, mas a diferença se deve à saída de Flordelis, a pastora e ex-deputada do PSD que cumpre pena de prisão por assassinato do ex-marido, também ele pastor. No Senado, são 15 senadores/as – 18,5% da Casa.

O líder da bancada evangélica, deputado Sóstenes Cavalcante, do mesmo PL/RJ de Bolsonaro, revelou uma certa ética pastoral que explica o princípio da roubalheira em nome de deus.

Em entrevista [23/3], o líder evangélico blindou Bolsonaro, mesmo sabendo que o ministro Milton Ribeiro tenha declarado explicitamente que atendia instruções do presidente.

Perguntado se a bancada evangélica pediria a demissão do ministro, Sóstenes respondeu: “Primeiro, não fomos nós que indicamos. Logo, não somos nós que pedimos pra tirar. Não temos autonomia pra isso. Se fôssemos nós que tivéssemos indicado, talvez a sua pergunta fosse pertinente”.

Ou seja, como o corrupto “pertence a uma paróquia” diferente da sua, o líder evangélico não se importa com a corrupção dentro do MEC transacionada com barras de ouro.

Repetindo que “não fomos nós que indicamos”, Sóstenes ainda justificou que “não somos nós que vamos tomar nenhuma decisão que é interna corporis [sic] do Executivo. Não tem nada a ver com a frente parlamentar evangélica [sic]” [vídeo ao final, a partir do minuto 9].

Depois desta declaração, Sóstenes deveria renunciar imediatamente ao mandato parlamentar. Como deputado, ele descumpre a missão constitucional básica de fiscalizar, apurar e investigar atos do poder Executivo e se torna cúmplice da “corrupção pastoral” no MEC.

Este é o “Brasil acima de tudo”. Conivência, omissão, cumplicidade, roubalheira, distribuição de armas, misoginia, feminicídio, racismo, fascismo, transfobia, fundamentalismo – tudo praticado em nome de deus.

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada evangélica na Câmara, repete: “Não fomos nós que indicamos”. E justifica: “Não somos nós que vamos tomar nenhuma decisão que é interna corporis [sic] do Executivo. Não tem nada a ver com a frente parlamentar evangélica [sic]” [vídeo, a partir do minuto 9].

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Comentários

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abelardo

Parece que a prioridade do atual governo e seus fiéis seguidores é destruir as instituições e as autoridades que são responsáveis e que cuidam do controle da lei, da ordem, da fiscalização, da investigação, do julgamento e da decisão que será tomada pela justiça competente contra quem infringir a lei com práticas criminosas e também contra quem ajudar e contribuir, para tais bandidagens.
Então, eu penso que minando, enfraquecendo e ridicularizando todas essas fases de segurança, ordem e justiça, as partes interessadas na balbúrdia cívica, no caos da segurança e na humilhação e domínio da justiça terão o terreno totalmente livre praticarem mais e mais intimidação, coação e violência para atingir mais rapidamente seus desejos e anseios mercenários e o impatrióticos.

Ibsen Marques

E dizem que as instituições democráticas ainda funcionam.

Artur

Graças a bancada evangélica, o Brasil está do jeito que o diabo gosta

Zé Maria

https://pbs.twimg.com/media/FOuKdgXX0AsXoSo?format=jpg

Atenção! Acabou a Corrupção no braZil de Guedes/Bolsonaro!

“O pastor tirou atenção do orçamento secreto,
que tirou atenção da prevaricação no caso Covaxin,
que tirou atenção da viagem de Carlos à Rússia,
que tirou atenção do talento imobiliário de Flávio,
que tirou atenção das rachadinhas…
Mas não há corrupção no governo Bolsonaro!”

https://twitter.com/terra30/status/1507444202191437835

    abelardo

    Boa!!!!! Lembrou mto bem.

Riaj Otim

nunca vi tanto carnaval quando era os de outras religiões roubando, mas bastou chegar a vezes dos evangèlicos ter uma pequena oportunidade que até parece que deus não irá perdoar

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