Jeferson Miola: Flávio conseguiu recuperar a expectativa de vitória do bloco anti-Lula
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Por Jeferson Miola, em seu blog
No início do segundo semestre do ano passado Lula recuperou os índices de aprovação do governo e alentou as expectativas de reeleição em outubro de 2026.
Pesquisas mostravam, inclusive, a possibilidade de Lula obter já no primeiro turno mais votos que a soma das candidaturas oponentes.
No entanto, a partir de novembro, com a chacina no Rio de Janeiro, a evolução da CPMI do INSS e o escândalo Master, a gangorra da conjuntura política passou a pender para o lado das oposições bolsonarista, lavajatista e antipetista.
Esses três eventos condensam duas das principais preocupações do eleitorado mais desfavoráveis ao governo, segundo as pesquisas: [1] crime/insegurança/violência, e [2] a corrupção.
Com isso, apesar de Lula ainda manter o favoritismo, se esvaneceu o cenário de vitória dele no primeiro turno. O horizonte é de uma eleição renhida, disputada voto a voto nos dois turnos.
O desfile de carnaval da Acadêmicos de Niterói por certo também teve certa influência, porém em escala muito menor que aquela alarmada até com algum exagero e impressionismo.
No início de dezembro, Bolsonaro ungiu seu filho Flávio como o candidato presidencial do bolsonarismo. Aquele que parecia ser um movimento equivocado se mostrou bastante acertado.
Beneficiando-se da impressionante taxa de transferência eleitoral e de uma monumental ofensiva no mundo cibernético, Flávio se consolidou rapidamente, compactou o campo bolsonarista e afastou o risco de comparação desfavorável dele com Tarcísio de Freitas, o que poderia questionar a escolha e obrigar a um recuo.
Este cenário esvaziou o movimento das três pré-candidaturas do PSD e acabou com a ilusão da direita antipetista que busca se disfarçar de “terceira via” em “alternativa” à polarização.
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O maior êxito da candidatura Flávio, contudo, foi conseguir recuperar a expectativa de vitória do bloco anti-Lula.
Repaginado pela mídia e apoiado no marketing suavizador da imagem de gângster do clã, Flávio passou a ser cortejado pela Faria Lima, pelos órgãos de imprensa, pelo empresariado [inclusive o prejudicado pelo tarifaço do Trump], pelos setores nem bolsonaristas nem lulistas, pelos partidos fisiológicos que estavam em cima do muro e por todo espectro antipetista, mesmo que não-bolsonarista.
Embalada pela recuperação da expectativa de competitividade eleitoral contra Lula, a mídia hegemônica aprofundou seu jornalismo de guerra para atingir Lula de duas maneiras: com falsificações a respeito de Fábio Luís, o Lulinha; e por meio do debilitamento do STF, para implodir a governabilidade do país no ano eleitoral e facilitar o caminho do Flávio, um gângster ainda pior e mais articulado que o pai.
As águas de março prenunciam os próximos dias, semanas e meses de combates duríssimos.
Até a eleição em outubro, será um período de guerra suja, de imundícies nunca antes vistas, como os grupos de comunicação evidenciaram nos recentes ataques sincronizados.
Impregnada de um ódio antipetista visceral, essa mídia anti-Lula, anti-PT e anti-povo não desperdiça nenhuma oportunidade, por menor que seja, de tentar destruir o governo, mesmo que o efeito colateral dessa escolha seja afundar o país no abismo do fascismo e da barbárie.
Para as classes dominantes, a democracia não é um componente vital da vida em sociedade, e sempre pode ser destruída quando governos de recorte distributivista atrapalham o processo de roubo e saqueio da riqueza e da renda nacional.
A eleição deste ano será ainda mais decisiva para a sobrevivência da democracia, da soberania e para a continuidade do processo de melhoria das condições de vida do povo brasileiro.
Com suas realizações, o governo Lula larga com favoritismo, mas a confirmação da vitória dependerá da capacidade de combate do campo democrático-popular nesta guerra insana da lúmpemburguesia dominante contra a democracia e o povo brasileiro.




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