Jeferson Miola: Em números — Globo favorece Flávio Bolsonaro

Tempo de leitura: 3 min
Ilustração: Aroeira

Por Jeferson Miola, em seu blog

Terminei artigo sobre a entrevista do presidente Lula no Jornal Nacional dizendo que “a Globo se condenou a fazer com Flávio Bolsonaro o mesmo tipo de entrevista inquisitorial e policialesca, com perguntas insistentes durante um longo tempo sobre a ficha criminal do gângster”.

Disse ainda que, “se não fizer isso, que seria o mínimo de isonomia jornalística, a Globo assumirá que a entrevista do Lula terá sido uma poderosa peça de propaganda contra sua reeleição”.

A entrevista de Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional não deixa dúvidas sobre a escolha da Globo de se perfilar ao lado de Donald Trump, Marco Rubio e Bolsonaros na guerra para impedir a reeleição de Lula.

Os entrevistadores César Tralli e Renata Vasconcellos dispensaram tratamentos distintos ao Lula e a Flávio. Tiveram uma condescendência escandalosa com as omissões, contradições e mentiras deslavadas do gângster-filho.

A diferença de tratamento não ficou restrita à incisividade e vilania das perguntas, mas é comprovada nas estatísticas das duas entrevistas, que confirmam a decisão editorial e institucional da Globo de prejudicar Lula e favorecer Flávio Bolsonaro.

Praticamente metade do tempo da entrevista de Lula, ou seja, 18min 50seg, 47,1% da duração total, foi utilizado para fustigá-lo em relação à corrupção. E com uma abordagem agressiva, inquisitorial e condenatória:

Os jornalistas sacrificaram a abordagem de temas essenciais, como a ameaça estrangeira ao país, terras raras, juros, SUS etc., para fixar a idéia de associação de Lula e do PT com corrupção.

Mas, por outro lado, o arquicorrupto Flávio, cuja trajetória pessoal e familiar é marcada por ilícitos e corrupção com mandatos parlamentares, foi inquirido sobre corrupção em apenas 31,1% do tempo total da entrevista, durante 11min e 55seg – 7 minutos a menos que Lula. Algo inexplicável em relação a quem é beneficiário da maior fraude financeira do país.

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O disparate é enorme também em relação à quantidade de perguntas feitas aos candidatos sobre corrupção. O JN inquiriu Lula o dobro de vezes que questionou Flávio: em 10 das 15 perguntas. A cada três perguntas feitas a Lula, duas foram sobre corrupção:

Devem ser lembradas, ainda, as interrupções e réplicas feitas pela dupla de jornalistas da Globo a Lula na inquirição sobre corrupção, postura não observada em relação a Flávio.

Um momento específico da entrevista de Flávio evidenciou a conduta totalmente faccional dos entrevistadores. Foi na pergunta sobre a proximidade dele com Rodrigo Bacellar, o deputado aliado preso por envolvimento com o Comando Vermelho.

O questionamento com a resposta durou apenas 38 segundos [sim, 38 segundos!], sem que Tralli e Renata o interpelassem, como fizeram repetidamente com Lula.

A jornalista Neide Duarte, que trabalhou 42 anos na Globo, criticou duramente a opção falsificadora e manipuladora da Globo na entrevista de Lula. Ela disse: “vocês [Globo] continuam nessa batalha para derrubar Lula. Descaradamente agora”.

A Globo tirou o simulacro de imparcialidade e isonomia e vestiu a camiseta do time do Trump, dos Bolsonaro e da extrema-direita. Entrou com tudo na eleição para tentar impedir o quarto mandato de Lula.

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