Jeferson Miola: Eleição pode ser decidida no 1º turno tanto pró-Lula como pró-Flávio Bolsonaro

Tempo de leitura: 4 min
Fotomontagem: Ca Aulucci

Por Jeferson Miola, em seu blog

  1. A se considerar a dinâmica eleitoral evidenciada pela média das pesquisas, a eleição presidencial poderá ser decidida já no 1º turno.

Embora Lula tenha maior probabilidade estatística de obter a maioria de 50% + 1 dos votos no dia 4 de outubro, não se pode menosprezar a hipótese de Flávio Bolsonaro sair-se vencedor.

Isso dependerá da capacidade de cada candidatura de se beneficiar do sentimento de voto útil nos próximos 10 dias, em especial na última semana da campanha.

E dependerá, também, de aspectos imponderáveis, como o grau de eficácia das interferências estadunidense e israelense com suas imundícies e jogo sujo para fraudar a vontade popular, como fizeram nas eleições recentes de países vizinhos.

2. Nas pesquisas com respostas espontâneas e sem considerar margens de erro, Lula alcança 47,9% dos votos válidos, segundo o Datafolha, e 49,2% na Quaest.

O presidente precisaria, portanto, aumentar sua votação entre 0,8%, de acordo com a Quaest, e 2,1% pelo Datafolha para ser reeleito já no 1º turno:

Com 39,7% no Datafolha e 41,3% na Quaest, Flávio Bolsonaro precisaria aumentar entre 10,3% e 8,7% das intenções de votos, respectivamente, para conquistar a vitória dia 4.

Enquanto a intenção de voto em Lula e Flávio é uma escolha consolidada para quase 90% dos eleitores deles, cerca da metade do eleitorado dos demais candidatos –Cury, Caiado, Renan, Zema– ainda “pode mudar de voto para evitar que outro candidato seja eleito”, e pode ser seduzida pelo voto útil.

Segundo as pesquisas, esse eleitorado “volúvel” das candidaturas de direita e extrema direita se inclina, majoritariamente, pelo voto em Flávio Bolsonaro: ao redor de 45%, sendo 30% no Lula e os restantes 25% que anulariam o voto ou se absteriam.

Apoie o VIOMUNDO

Importante anotar que o crescimento exponencial das intenções de voto em Augusto Cury não teve nada de espontâneo. Decorreu da estratégia articulada internamente e no estrangeiro para inflá-lo junto ao eleitorado “independente”, deixando de reserva a operação de algoritmos para induzir a migração de tais eleitores em direção a Flávio no momento conveniente.

3. A possibilidade de reeleição do presidente Lula é maior se a vitória for conquistada dia 4 de outubro.

Num eventual 2º turno a dificuldade ficará significativamente aumentada, pois segundo as pesquisas com resposta estimulada [tanto Datafolha como Quaest], Lula terminaria o 1º turno obtendo ao redor de 43% dos votos válidos [sem considerar as margens de erro].

Por outro lado, a soma dos votos válidos do bloco anti-Lula alcançaria em torno de 57% –Flávio com 39% + 18% das candidaturas satélites do bolsonarismo:

É notória, portanto, a vantagem do candidato extremista na disputa no 2º turno para capturar os votos pulverizados nos candidatos de direita e extrema-direita no 1º turno.

4. Essa é a eleição com mais incógnitas e incertezas do país. Há uma gravíssima interferência estrangeira, ainda que não se saiba exatamente sua extensão e potencial de danos. É uma ação coordenada das forças da direita e extrema direita entreguistas com organizações, agências oficiais e movimentos internacionais da ultradireita, sobretudo dos EUA e Israel.

Há ainda uma debilidade institucional devido ao comando bolsonarista do TSE, condição que enfraquece a garantia de lisura do processo eleitoral em razão da postura faccional e leniente do presidente Kássio Nunes Marques a respeito da desinformação, da disseminação de mentiras e do uso ilegal de inteligência artificial pelo banditismo bolsonarista.

A eleição se desenrola, neste contexto, sob uma fachada de aparente normalidade institucional e democrática, mas na realidade a democracia está sendo gravemente agredida e a soberania do Brasil submetida a perigosas ameaças.

5. Nesses dias derradeiros até 4 de outubro toda militância petista, progressista, de esquerda e democrática precisa travar uma guerra titânica de resistência à ofensiva conservadora e reacionária que pretende transformar o Brasil em protetorado dos Estados Unidos e instaurar o caos e a barbárie no país.
Lula não está disputando a eleição mais importante da sua vida contra uma oposição integrada à modernidade, à legalidade e à civilidade, mas sim contra gângsteres e o gangsterismo nacional e estrangeiro.

É preciso uma entrega de corpo e alma à conquista de votos para reeleger Lula já no 1º turno com a abordagem direta das pessoas nas suas casas, nos seus locais de trabalho, nas filas de ônibus etc. para [i] expor as propostas para continuar mudando o Brasil com Lula, [ii] denunciar as mentiras, crimes e manipulações dos bolsonaristas, e, mais importante, para [iii] alertar sobre os horrores e terrores que seria para o país e para o povo brasileiro ter outra vez um Bolsonaro no Planalto.

Leia também

Marcelo Zero: Escudo para a traição

Reynaldo Aragon: Presidente Lula, o Brasil precisa saber o que está acontecendo

Jeferson Miola: Nunes Marques mentiu que “não pediu nada” a Vorcaro

Apoie o VIOMUNDO


Siga-nos no


Comentários

Clique aqui para ler e comentar

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Leia também