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Jeferson Miola: Bolsonaro é o “projeto secreto da cúpula militar”
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Política

Jeferson Miola: Bolsonaro é o “projeto secreto da cúpula militar”


03/06/2020 - 18h04

Bolsonaro, o “projeto secreto da cúpula militar”

por Jeferson Miola, em seu blog

“Líder!, Líder!, Líder! …”.

Com esta exaltação ao estilo “Führer!, Führer!, Führer! …” da Alemanha dos anos 1930, os aspirantes-a-oficial da Academia Militar das Agulhas Negras recepcionaram o então deputado Jair Bolsonaro, recém reeleito para o 7º mandato na Câmara Federal.

Acompanhado dos filhos Eduardo e Carlos, Bolsonaro comparecia pela enésima vez a uma solenidade de formatura dos aspirantes da AMAN. Na ocasião, ele retribuiu a recepção efusiva dos cadetes com um discurso que é o marco do lançamento formal da candidatura dele à presidência, que só ocorreria 4 anos depois, em 2018:

“Parabéns pra vocês. Nós temos que mudar este Brasil, tá ok? Alguns vão morrer pelo caminho, tá; mas eu estou disposto em 2018, seja o que deus quiser, tentar jogar pra direita este país!

O nosso compromisso é dar a vida pela Pátria, tá ok?, e vai ser assim até morrer.

Nós amamos o brasil, temos valores e vamos preservá-los. Agora, o risco que eu vou correr, posso ficar sem nada, mas eu terei a satisfação do dever cumprido, tá ok?

Esse é o nosso juramento esse e o nosso lema: Brasil acima de tudo! Esse Brasil é maravilhoso, tem tudo aqui, tá faltando é político!

Há 24 anos que eu apanho igual a um desgraçado em Brasília, mas apanho de bandidos. E apanhar de bandidos é motivo de orgulho e glória, tá ok? Vamos continuar assim. Boa sorte para todos. Um abraço a todos”.

Este comício político-partidário, realizado numa unidade de alta significação das Forças Armadas, aconteceu no longínquo 29 de novembro de 2014.

Parêntesis: [Cinco anos e cinco meses depois, em 19 de abril de 2020, e já como presidente da República, Bolsonaro promoveu outro comício político-partidário, desta vez na frente do maior totem das FFAA, o QG do Exército, para defender o fechamento do STF e do Congresso e a intervenção militar com ele mesmo, Bolsonaro, no poder.]

Instantes depois dos cadetes da AMAN confraternizarem com seu Führer naquele fim de primavera de 2014, o então ministro da Defesa Celso Amorim, acompanhado dos comandantes das três armas das Forças Armadas, conduziu a cerimônia de formatura.

O quê dizer disso: negação, ou alienação da realidade pelos integrantes do governo Dilma?

A genealogia do “plano Bolsonaro” como dispositivo para a construção do poder militar tem raízes antigas.

Hoje já é possível comprovar que a candidatura presidencial de Bolsonaro em 2018 foi metodicamente construída e preparada nos anos precedentes.

O discurso do Bolsonaro em novembro de 2014 na AMAN foi a rampa de lançamento deste projeto que estava sendo amadurecido bem antes.

Ele foi o personagem que coube sob medida no figurino para contracenar, na eleição, o plano militar meticulosamente planejado.

Os tuítes do general Villas Bôas, nesta perspectiva, nem de longe são peças improvisadas.

Daí o segredo sepulcral firmado entre ele e Bolsonaro.

Em reportagem de 7 de outubro de 2018, a partir de informações e relatos de um alto oficial das Forças Armadas [FFAA] brasileiras, o jornalista argentino Marcelo Falak escreveu que Bolsonaro era o projeto secreto da cúpula militar; “o homem que a cúpula das FFAA elegeram, há 4 anos, para que ele se fosse convertido no presidente do Brasil”.

Segundo a influente fonte militar, Bolsonaro seria “convertido no aríete de uma doutrina para uma ‘nova democracia’ em que os militares terão voz e atuação política, superando o papel subalterno a que são confinados pelo poder civil” […], sendo que o “programa do futuro governo cívico-militar será conservador no político e absolutamente liberal no econômico, e buscará erradicar de uma vez para sempre a ‘extrema-esquerda’”.

Neste conceito de nova democracia, os militares se reconhecem “numa nova etapa”, e exigem “serem tratados como cidadãos plenos, não de segunda”.

Na visão dos militares, nesta nova democracia “não deve haver nenhuma restrição à participação deles em cargos públicos” – o que se traduz hoje, concretamente, em mais de 3 mil cargos do Estado aparelhados por eles.

Estes militares mostram-se imodestos, cultivam uma imagem muito elogiosa de si mesmos.

E, por isso, ambicionam exercer postos de comando do país – para aumentarem seus proventos – mesmo que incompetentes para certas funções técnicas.

Gabam-se que “somos pessoas muito qualificadas, somos competentes, sabemos idiomas, temos pós-graduações. Entendem, por isso, que “tem que terminar com isso de não podermos ser ministros”.

Ainda de acordo com o alto oficial entrevistado, “o modo como Bolsonaro defendeu as FFAA fez com que crescesse nossa ponderação sobre ele, sobretudo porque o Comando estava ocupado por nós, que tínhamos sido contemporâneos dele na Academia” [AMAN].

A fonte militar de Falak menciona que Bolsonaro “se abriu para o diálogo, e dia-a-dia fomos vendo que ele mostrava valores importantes, como disciplina, respeito e muita humildade. Aceitava nossas sugestões e mudou muitas das suas posturas anteriores. Por exemplo, passou do nacionalismo econômico que antes defendia, ao liberalismo. Isso que se vê na campanha eleitoral foi produto do diálogo que o Exército abriu com ele, não tenha dúvidas”.

Segundo informou a fonte de Falak, em virtude da abordagem do comando das FFAA, Bolsonaro “mudou muito no pessoal, se casou com sua terceira mulher, teve uma filha e, algo que ninguém sabe, inclusive fez dois anos de psicanálise”.

O militar também confirma que “O nacionalismo econômico já não é nosso programa, esse deixamos para o Partido dos Trabalhadores. Agora é o liberalismo. Isso é o que dissemos a Bolsonaro. Queremos um país o mais livre possível, o que nos coloca radicalmente contra o que diz o PT”.

Por isso, reporta Falak, “o manejo da economia ficará para um civil: o ex-banqueiro ultra-liberal Paulo Guedes, cuja proposta é privatizar a totalidade das participações do Estado em empresas, incluída a Petrobras, e vender todos os bens que ainda estão em poder estatal”.

Refletindo uma visão embolorada da guerra fria, o oficial brasileiro diz ao jornalista argentino que “Pretendemos fechar o círculo que começou no Brasil com a intentona comunista de 1935, algo que ainda não acabou. Não vamos permitir estas propostas que enganam e se disfarçam de socialismo”.

Acerca da geopolítica regional, o alto oficial entrevistado por Falak em outubro de 2018 não escondeu que “ficamos muito felizes que se foi Cristina Kirchner e chegou Maurício Macri”, que ocorreu na eleição de 2015.

Como prova de reconhecimento da autoridade do capitão Bolsonaro, o alto oficial do Exército disse: “não vamos tutelar Bolsonaro. Seremos subordinados a nosso comandante Supremo. Ele é um homem com personalidade”.

Ilude-se, por isso, quem imagina que as Forças Armadas não estejam escalando a ditadura junto com Bolsonaro e tramando a intervenção militar com ele no poder.

Bolsonaro é o “projeto secreto da cúpula militar”.

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4 comentários

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Henrique Martins

04 de junho de 2020 às 14h38

Em minha opinião a conduta de Bolsonaro diante da epidemia é até mais grave que suas ameaças autoritárias. São milhares de vidas que se foram enquanto ele negava a gravidade da pandemia.
Ele inviabilizou dois ministros da saúde que são médicos e colocou um militar que não é médico no lugar deles.
Vive zanzando por aí sem máscara dando mal exemplo para os brasileiros.
Ontem negou a chegada de recursos para os estados e municípios.
Está nos impondo um medicamento que pode matar
Foi eleito pela maioria mais só governa para uma minoria.
É uma infinidade de absurdos que esse homem está cometendo em sua asquerosa governança que fica até difícil elencar.
Eu acho que os manifestantes pró-democracia têm que denunciar, sobretudo, a sua conduta diante da pandemia. As falas dele sobre ‘gripizinha’, ‘histeria’, ‘e daí’, bem como outros disparates têm que mostradas nos protestos.
Os idosos precisam ser protegidos dentro das manifestações. Todo mundo tem um parente idoso, mesmo que seja distante que pode vir a morrer de Covid. Temos que sensibilizar as pessoas neste sentido. Os idosos não são descartáveis não.

Eu digo que não era ativo nas redes sociais. Gosto de ficar na minha e nem sou muito chegado às tecnologias digitais e modernas. Quando o pessoal já estava comprando celulares de última geração eu ainda estava com o meu celular grandalhão. Custei a comprar um novo. Eu odeio o Facebook. Não tenho conta e se Deus quiser nunca vou ter. O Whatsapp eu resisti o quanto pude, mais minha família me pressionou tanto que fui obrigado a usa-lo. Eu sou idoso e doente. Minha família estava comendo o meu fígado preocupada comigo.
Na verdade, é porque eu sou idoso mesmo que estou tão revoltado com Bolsonaro e sua turma, especialmente a de cabelos brancos como seus ministros militares e os Aras da vida. Estou possessa com eles.

No que depender de mim Bolsonaro vai ser deposto sim. Tenho fé em Deus que isso vai acontecer não só pelo bem do Brasil mais pelo mundo.
Meu país não pode dar essa exemplo. Ditaduras militares, fascismo, neonazismo, negação da ciência estão fora de moda a muito tempo. É inadmissível tolerarmos esse tipo de retrocesso.
Desculpem o desabafo, mais eu não estou aguentando essa situação. Basta!

Responder

Zé Maria

04 de junho de 2020 às 02h11

TSE retoma Julgamento de 2 Ações que apontam
Abuso Eleitoral pela Chapa Bolsonaro-Mourão

Outras 6 Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes)
sobre a Chapa Presidencial eleita em 2018 estão
em andamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso,
incluiu na pauta da sessão da próxima terça-feira (9) o julgamento de duas Ações
de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) que apuram supostos ataques
cibernéticos em grupo de Facebook para beneficiar a campanha do então
candidato a presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) e de seu candidato
a vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), nas Eleições de 2018.

As ações 0601401-49 e 0601369-44, apresentadas pela coligação Unidos para Transformar o Brasil (Rede/PV) e Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima e pela coligação Vamos Sem Medo de Mudar o Brasil (Psol/PCB) e Guilherme Castro Boulos, respectivamente, apontam abuso eleitoral e pedem a cassação dos registros de candidatura, dos diplomas ou dos mandatos dos representados, além da declaração de inelegibilidade.

Outras seis Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) [0601779-05; 0601782-57; 0601771-28; 0601968-80; 0601752-22 e 0601969-65] sobre a chapa presidencial eleita em 2018 estão em andamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

É o caso das quatro ações que apuram irregularidades na contratação do serviço
de disparos em massa de mensagens pelo aplicativo WhatsApp durante
a campanha eleitoral, por exemplo.

No último dia 29 de maio, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro
Og Fernandes, que relata todos esses processos, deu prazo de três dias para
que os envolvidos se manifestem sobre o pedido da coligação O Povo Feliz de Novo (PT/PCdoB/Pros) para que sejam juntados em duas das Aijes (0601771-28 e 0601968-80) dados do inquérito que apura ofensas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma ação que trata da colocação de outdoors em pelo menos 33 municípios de 13 estados aguarda ser pautada para julgamento.
Há, ainda, um processo já julgado improcedente em fase [de Recurso]
de embargos de declaração que apura uso indevido de meios de comunicação.

Processos relacionados:
Aije 0601401-49 (PJe), Aije 0601369-44 (PJe), Aije 0601779-05 (PJe), Aije 0601782-57 (PJe), Aije 0601771-28 (PJe), Aije 0601968-80 (PJe), Aije 0601752-22 (PJe) e Aije
0601969-65 (PJe)

http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2020/Junho/tse-retoma-julgamento-de-acoes-que-apontam-abuso-eleitoral-pela-chapa-bolsonaro-mourao

Responder

Zé Maria

04 de junho de 2020 às 01h03

A Analogia com Jair Bolsonaro procede:
Adolf Hitler foi um Soldado Medíocre,
que não passou da Patente de Cabo.
Na 1ª Guerra, foi Boneco de Recados,
um Mensageiro de Retaguarda que
não sabia sequer atirar direito. Depois,
descobriu por acaso que sabia discursar,
alugou a Sigla de um Partido Inexpressivo
para ser projetado pelos Chefes Militares
(Wehrmacht), Idealizadores do III Reich,
como o Führer, o Grande Líder Alemão,
que salvaria a Alemanha do Fracasso
Político e Econômico, com a Suástica
simbolizando não só o Anti-Comunismo
como também o “Anti-Globalismo”,
afirmando-se um ‘Liberal’ ‘Nacionalista’
que posteriormente incorporou a Eugenia
como Projeto para Purificação da Raça
Ariana (Branca) eliminando Outras Etnias.

https://super.abril.com.br/historia/cabo-hitler/
https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-hitler-odiava-o-comunismo.phtml

Responder

a.ali

03 de junho de 2020 às 22h29

com tudo claro e escancarado tem gente, e olha que ñ é zé povinho, mas letrado, achando que “quem sabe estejamos rumando para um golpe”, que já foi dado e de forma suave e cheio de piadinhas e tiradinhas, aliás o bolsonazi é mais um boi de piranha da milicada que, por tras, comanda tudo e coloca o malévolo na vitrine pra dizer besteira e se engana quem pensa que ele é besta e, assim, vai entertendo os incautos e o restante dos entreguistas fazendo as barbáries que estamos assistindo e de “braços cruzados”!!!

Responder

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