Jeferson Miola: A continuidade do chavismo sem Maduro

Tempo de leitura: 3 min
Delcy Rodriguez. Imagem: reprodução internet

A continuidade do chavismo sem Maduro

Por Jeferson Miola, em seu blog

Trump é um gângster que detesta a política tal como consideramos. Ele quer mesmo é fazer negócios através da política. Muitos e lucrativos negócios.

A política –sobretudo o poder de condução da política imperial no mundo– é o meio poderoso que este gângster tem em mãos para impor os interesses do establishment estadunidense com métodos truculentos, mafiosos e criminosos para concretizar negócios estratégicos.

A acusação de narcoterrorismo contra o presidente Nicolás Maduro repete o script conhecido: um pretexto sujo para criar uma fachada de legalidade à invasão da Venezuela e ao sequestro do presidente do país.

O objetivo dessa ação imperialista foi viabilizar, finalmente, a retomada do controle e do roubo da renda petroleira venezuelana depois de 27 anos de tentativas imperiais fracassadas.

Trump tem pressa em “retomar o fluxo de produção” do petróleo venezuelano, como repetiu várias vezes no pronunciamento de sábado, 3/1.

Os EUA não cogitam, pelo menos por enquanto, derrubar o regime chavista e fazer a transição para um governo ultradireitista liderado pela fascista Maria Corina Machado. Não deixa de ser uma incoerência notável para o país que foi o primeiro a declarar Edmundo González como vitorioso da eleição de julho de 2024.

Mudar o regime ou gerar um vazio de poder seria caótico e custoso demais. Além disso, traria muita confusão e atrasaria por tempo imponderável o assalto ao butim petroleiro, cujo plano de retomada divulgado pelos EUA alcança uma cifra superior a 100 bilhões de dólares em investimentos nos próximos anos.

Os EUA não cogitam nem mesmo novas eleições, como prevê a Constituição Bolivariana em caso de vacância definitiva do cargo, que na prática ocorrerá devido ao sequestro do presidente constitucional do país.

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O secretário de Estado Marco Rubio disse que “é prematuro [falar de eleições na Venezuela] neste momento. Há muito trabalho pela frente. Importam-nos as eleições, importa-nos a democracia, mas o que mais nos importa, antes de tudo, é a segurança, o bem-estar e a prosperidade dos Estados Unidos”.

A opção, portanto, foi manter o chavismo no poder, porém, sem Nicolás Maduro, mas com a vice Delcy Rodríguez, que “está essencialmente disposta a fazer o que consideramos necessário para tornar a Venezuela grande novamente”, disse Trump.

Com Maduro a relação ficara insuportável. “Simplesmente não conseguíamos trabalhar com ele”, disse Rubio. “Ele nunca cumpriu nenhum dos acordos que fez. E nós lhe oferecemos, em diversas ocasiões, a oportunidade de se afastar de forma positiva. Ele optou por não fazê-lo, e agora está em Nova York”, complementou.

A “transição” com Delcy vinha sendo considerada há meses, em paralelo à intensificação dos ataques e ameaças de Trump à Venezuela.

Em reportagem de 16 de outubro passado, o jornal Herald Miami noticiou a existência de diálogos entre autoridades venezuelanas e estadunidenses com a mediação do Catar, fato confirmado por fontes venezuelanas.

Após as demonstrações ostensivas de poderio bélico dos EUA no Caribe, com bombardeios de embarcações pesqueiras na região e assassinato de centenas de civis, assim como as ações diretas da CIA no terreno, tais diálogos teriam sido intensificados com a discussão de possíveis cenários de continuidade do chavismo sem Maduro.

A hipótese de que o processo na Venezuela tenha se desenrolado no contexto de acomodação de interesses das potências mundiais [EUA-América Latina, China-Taiwan e Rússia-Ucrânia] em coordenação com o chavismo ganhou fortes evidências nessas 48 horas posteriores à operação.

É chamativo que nenhuma das 150 aeronaves, entre helicópteros e drones que passearam em baixíssima altitude pelo espaço aéreo venezuelano, tenha sido abatida pela defesa venezuelana, que utiliza sofisticada tecnologia militar russa.

Também não foi contabilizada nenhuma baixa de soldado dos EUA, nem mesmo ferido, ao passo que 32 cubanos que integravam o destacado grupamento de inteligência responsável pela guarda presidencial foram “assassinados a sangue frio”, conforme as Forças Armadas Bolivarianas.

Na “Mensagem da Venezuela ao mundo e aos Estados Unidos”, publicada em espanhol e inglês nesta 2ª feira, 5/1, mesmo dia em que Maduro é levado à audiência de custódia em Nova York, Delcy declara que “consideramos prioritário avançar em um relacionamento internacional equilibrado e respeitoso entre EUA e Venezuela”.

“Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada pelo desenvolvimento compartilhado, no marco da legalidade internacional que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura”, acrescentou.

Delcy termina a mensagem com uma declaração direta a Trump – “Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem a paz e o diálogo, não a guerra”.

Os acontecimentos deste 3 de janeiro criam um ambiente de imponderabilidade e incertezas sobre o futuro da Venezuela, da América do Sul e da geopolítica mundial.

A questão a ser considerada, realisticamente, e sobretudo em termos de capacidade militar, é se haviam outras opções nesta que se caracteriza como a batalha mais ameaçadora à sobrevivência do chavismo nesses 27 anos de resistência à guerra imperialista implacável.

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Comentários

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Zé Maria

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La Presidenta de Mexico @ClaudiaShein fue contundente:

“América no pertenece a una doctrina ni a una potencia.

El continente americano pertenece a los pueblos
de cada uno de los países que lo conforman”

“Que quede claro: México defiende la soberanía
de los países de América Latina.”

https://x.com/jgnaredo/status/2008180163306193159
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Zé Maria

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Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL-MG)
pode ser cassado e preso por sugerir que EUA
ataquem o Brasil e sequestrem Lula

Em Representação à PGR, Ivan Valente e Juliano Medeiros, ambos do PSOL, pedem que o bolsonarista
mineiro seja investigado por atentado à soberania
nacional e ao Estado Democrático de Direito, crimes
previstos nos artigos 359-M e 359-I do Código Penal,
com penas que podem chegar até 12 anos de prisão.

“É flagrante que Nikolas Ferreira têm insinuado
apoio à eventual ingerência oriunda do poder
de estado estadunidense contra a ordem
institucional democrática (…)
A conduta do Deputado Federal Nikolas Ferreira,
ao estimular publicamente autoridades estrangeiras
à insurgir-se contra o Chefe de Estado da República,
revela-se frontalmente incompatível com os princípios
constitucionais que estruturam o Estado Democrático
de Direito e com a própria ordem penal vigente”,
diz trecho da representação.

“Ao instar potências estrangeiras a adotar
medidas punitivas contra agentes públicos
brasileiros, o representado [Nikolas] incorreu
em manifesta tentativa de submeter a ordem
constitucional a forças externas, violando
diretamente esses preceitos fundamentais.
A gravidade de sua fala não está apenas na
ofensa retórica, mas sim no resultado prático
e imediato de fragilizar a legitimidade das
instituições nacionais perante a comunidade
internacional, abrindo caminho para sanções
e constrangimentos de autoridades do Estado
brasileiro”, prosseguem Ivan Valente e Juliano
Medeiros no documento enviado à PGR.

[ Reportagem: Ivan Longo | Revista Fórum ]

Íntegra:
https://revistaforum.com.br/politica/nikolas-pgr-ataque-brasil/

“Ninguém está acima da lei.
Por isso @IvanValente e eu estamos apresentando
uma representação na PGR contra Nikolas Ferreira.
Nenhum parlamentar está protegido pela imunidade
do cargo quando se trata se sugerir o sequestro do
presidente do Brasil e uma invasão estrangeira.”
https://x.com/JulianoPSOL/status/2007841749918793821

Leia também:

Líder do PT na Câmara Federal pede a prisão de Nikolas Ferreira, Flávio (01) e Eduardo (03) Bolsonaro,
todos filiados ao Partido do Presidiário Jair.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ)
declarou que os bolsonaristas atentaram contra
a soberania nacional ao defenderam intervenção
militar estrangeira no Brasil

[ Reportagem: Marcelo Hailer | Revista Fórum ]

Íntegra:
https://revistaforum.com.br/politica/lider-do-pt-quer-a-prisao-de-nikolas-ferreira-eduardo-e-flavio-bolsonaro/
.

Zé Maria

O Precedente Criado pela Ofensa Literal
dos Estados Unidos DA América (EUA)
à Declaração Universal dos Direitos Humanos,
à Carta das Nações Unidas, aos Tratados entre
os Países e, em suma, ao Direito Internacional,
Não Admite, em Hipótese Alguma, Tolerância
de Nenhum Estado Soberano que se Preze.

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