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Iná Camargo Costa: A origem da confusão ideológica que vivemos
Política

Iná Camargo Costa: A origem da confusão ideológica que vivemos


03/04/2015 - 21h23

Vídeo de Paulo Celestino, sugerido por Mayra Alvornoz

Leia também:

Mello: José Serra pode ser um Cabo Anselmo ainda não descoberto





45 comentários

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João Carlos

06 de abril de 2015 às 20h09

O problema da extrema-esquerda ou esquerda tradicional é que ela jamais assumiu ou assumirá a responsabilidade de governar no capitalismo. Enquanto este não ruir “pelas próprias contradições e pela revolução socialista” , que se lixe o povo ou o lúmpen. Ora, para quem passou a comer, freqüentar universidades, shoppings e aeroportos, pouco importa se isso foi “concessão” dos rentistas. O PTB de Vargas/Jango/Brizola e o PT de Lula e Dilma foram os partidos de esquerda que assumiram a responsabilidade de governar o Brasil, naturalmente enfrentando as contradições inerentes à tentativa de implantar um programa democrático-popular em uma estrutura político-econômica elitista e contra-hegemônica. E fizeram muito pelos trabalhadores e pelos mais pobres. A visão estreita, de pouca alteridade e intelectualista dos esquerdistas tradicionais os impedem de reconhecer e dar importância esses avanços. O que importa é a revolução proletária, mesmo que o seu principal motor continue sendo apenas o discurso.

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    abolicionista

    07 de abril de 2015 às 11h05

    A questão, meu caro, é simples: quem governa de fato?

Maria Rita

06 de abril de 2015 às 12h19

Fiquei impressionada com tudo que foi dito no vídeo. Iná tem uma energia invejável. Estamos, no momento, sem bússola, a pressão de quem mais tem visibilidade- a mídia e seus cúmplices em todas as instâncias institucionais, nos deixam meio atordoados. Quando ela demonstra a viabilidade de um estado fascista capitaneado pelo PMDB, me dá calafrios. Por outro lado, o fascismo ensaiado outrora no Brasil sob o comando de Plínio Salgado foi uma piada. Até o FHC parece uma versão atualizada do Plínio Salgado. Naquele tempo, o Brasil ainda tinha humoristas para espantar os ‘galinhas verdes’. Não conseguiram espantar os ditadores militares, não tinham armas para isso. Se bem que os italianos com aquele jeito anarquista não evitou o fascismo, embora alguns críticos, como o cineasta Fellini, mostram que o humor suavizou aquela tragédia italiana. A questão é que parece que espantaram o senso crítico, o conhecimento, a diversidade, tudo parece ter sido exilado não se sabe onde. Mesmo assim, não quero entregar-me ao pessimismo. Acredito mesmo que os conspiradores têm agido no escuro, os críticos de esquerda é que dão um norte para eles. A estratégia institucional via MP é que precisa urgentemente ser desmontada, peça por peça. Depois da foto dos Eliot Ness da República do Paraná, o perigo está mais do que claro. Por essa razão, acredito em uma saída.

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Euler

05 de abril de 2015 às 19h48

Tem muita crítica boa na fala de Iná Camargo. E algumas comparações que forçam a barra um pouco, tipo: Brasil de hoje comparado com a Alemanha entre as duas grandes guerras. O caldo de cultura por lá era bem diferente do que se vive aqui no Brasil. O Brasil não assinou nenhum tratado humilhante, nem temos grande desemprego, e felizmente a direita brasileira não tem um louco como Hitler para liderar o movimento fascista. Aécio, apesar de direita, gosta mesmo é de se entrinCHEIRAR nas noitadas cariocas. Temer e Cunha adoram, além do poder pelo poder, o tilintar das moedas caindo à sua volta. Não importa que venham de governos de esquerda ou de direita, desde que não cessem de jorrar.

Agora, que o PT desmoraliza a esquerda brasileira, isso não há a menor dúvida. Um partido que não foi capaz, como bem mencionou a entrevistada, de criar um jornal sequer para travar o debate político não é digno de conquistar a hegemonia política nem entre a esquerda e muito menos dentro da coalizão que formou. Vergonhosa e covarde essa omissão do PT na área das comunicações. E para mim, acho que é a principal causa dessa realidade que vivemos, já que as jovens gerações estão sendo deformadas (quase que lobotomizadas) com o discurso único dessa mídia golpista e canalha. O PT tem total culpa nisso. Começo a desconfiar até que o PT (direção, viu pessoal, não a militância) não quis investir em mídias alternativas ou própria para não ser cobrado. Uma mídia forte e de esquerda certamente colocaria os movimentos sociais nas ruas para cobrar mais conquistas em favor dos de baixo e menos concessões neoliberais.

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Adriano Medeiros Costa

05 de abril de 2015 às 12h46

Bem que esta senhora poderia ser minha avó!

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anac

05 de abril de 2015 às 09h05

A rejeição a Dilma e a seu governo que manteve a politica de aliança – Katia Abreu é o exemplo – e econômica do superavit primário de Lula é prova de que o PT entrou pela governabilidade muito fundo na lama, traindo a esquerda que o elegeu. O PT se afastou da militância, passou a ser um partido burguês com seus lideres, inclusive Zé Dirceu prestando serviços ao capital, assessorando empresas. É sintomático isso.
Mesmo assim cedendo o máximo, mantendo os ganhos imorais do Capital, pagando juros extorsivos aos rentistas e banqueiros o PT não foi aceito como um igual. Não precisava ter ido tão fundo na lama pela governabilidade. Ultrapassou limites que não pode retornar. .Algumas pequenas reformas talvez tivessem feito a diferença, como bancar desde o primeiro minuto do governo petista em 2003 a lei da mídia e a reforma politica. Hoje não estaria nessa situação de eterna crise em que se encontra prestes a ser apeado do poder pela mídia ou através da paralisação do governo para obrigar Dilma a renuncia. Agora tem um PMDB conspirando diuturnamente e tramando o golpe.
Lembro em discurso em 2002 quando Lula disse que não teria o direito de falhar. A chance era unica e que a direita não tergiversaria diante dos erros do PT partiria para cima atacando a jugular para matar.

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El Cid

04 de abril de 2015 às 19h36

Sair contra os conteúdos dos opressores no Brasil é polêmica…

https://vimeo.com/124116457

Responder

Mário SF Alves

04 de abril de 2015 às 18h50

Longe de mim comparar personalidades, mas em termos de análise de conjuntura, fico mais com a experiência, vivência política e humildade do Pepe Mujica:

https://www.youtube.com/watch?v=gEM8fdXJHG8

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carlos saraiva e saraiva

04 de abril de 2015 às 18h16

O PT precisa e deve fazer uma profunda auto crítica, como todo partido de esquerda, em especial um partido de massa, que construiu uma articulação com os movimentos sociais, classe média, a esquerda, setores produtivos, esquerda progressista, para chegar ao governo. O partido tinha e tem claro, que é importante, atravéz das brechas de um Estado, coordenar um governo democrático-popular, atacando a pobresa, a miséria e incluindo parcelas importantes de um neo proletariado. Isto sem rupturas, portanto , procurando concenssos com setores da direita, excluindo o representante maior da burguesia rentista , dependente internacional, o PSDB. Este trajeto trouxe muitos equívocos e erros táticos, comprometendo a estratégia. Alcançou sucesso sim seja no plano social, econômico e sobretudo na politica externa. O erro ou falha, foi não ter politisado a classe emergente, com um certo abandono da articulação com os movimentos sociais e a intelectualidade, pela burocratização excessiva. Agora , precisamos entender e a esquerda não petista e um segmento da intelectualidade, mais ainda, que precisam e devem também fazer uma profunda auto crítica de sua atuação neste processo. Pois , do contrário, fica muito cômodo, acusar e cobrar do PT, a única responsabilidade pelos equívocos, erros e desvios neste trajeto. Dizer por exemplo, que o PT e seus governos, são responsáveis, pela despolitização e confusão ideológica , sobretudo da juventude, da desmobilização dos movimentos sociais, em especial o sindical, me parece, ligeiro, superficial e descolado da realidade. Faz parecer que o PT, não deveria ter alcançado o governo e mais desconhece os avanços inegáveis, tanto socio-econômicos como na politica externa. Dizer, desconhecendo a violenta construção ideológica do anti petismo produzido pela direita, a mídia com um dedo da politica internacional, que o PT, não representa mais a esquerda e não tem credibilidade para este enfrentamento. Ora , seria admitir equivocadamente que este ataque ao PT, LUla e governo, são pelos erros e não pelo que isto representa como conscientização politica e redenção de um segmento, ora excluido. Mesmo os intelectuais, necessitam suplantar o “senso comum publicado” e construir, com o PT e toda a esquerda, sem exclusões de uma frente ampla para o combate à uma nova direita que saiu do armário.

Responder

    anac

    05 de abril de 2015 às 09h12

    Nem tanto ao mar, REVOLUÇÃO, nem tanto a terra, superavit primário, alianças espúrias, caixa 2, etc. Se desde o primeiro minuto de governo o PT tivesse lutado pelas reformas, tributária, política e lei da mídia talvez hoje não tivéssemos revivendo 1964 com o golpe a espreita. Sequer Lula e Dilma tentaram aprovar as reformas. Nunca foi prioridade, muito pelo contrario. Deu no que deu. Aliás está dando…

Lafaiete de Souza Spínola

04 de abril de 2015 às 17h00

Apresento uma sugestão, sem dogmas, para quem deseja transformar o Brasil sem pleitear a condição de vanguarda, esclarecendo que o povo deve passar a ser autor da sua própria história, deixar de ser manipulado, e atuar dentro dessa perspectiva que descrevo:

https://www.facebook.com/LafaieteDeSouzaSpinola/posts/462198843937529

Responder

    Mário SF Alves

    05 de abril de 2015 às 11h07

    Sem que se inclua e sem que se eduque politicamente a classe média, como?
    Ou será que abominação política não teria sido apenas um adjetivo?

FrancoAtirador

04 de abril de 2015 às 15h04

.
.
Cultura de Mercado e Mercado da Cultura
.
Pesquisa da Federação do Comércio-RJ [*],
realizada em 70 cidades braZileiras revela
que, no ano de 2014, do total pesquisado:
.
1) 70% não leram um Livro sequer.
.
2) 74% não foram ao Cinema.
.
4) 88% não foram ao Teatro.
.
[*] Observe-se que a Enquete não é do MEC,
mas de uma Entidade Sindical Patronal
que faz um Lobby Poderoso no Congresso
e nos Governos Estaduais e mesmo Federal.
(http://www.rj.gov.br/web/sedeis/exibeconteudo?article-id=224691)
(http://www.canaldearticulacao.com.br)
.
Agora, atente-se para a linguagem utilizada
nas reportagens dos meios de comunicação,
para se referir aos Leitores e aos Espectadores
de Filmes de Cinema e Peças de Teatro:
.
CULTURA em baixa.
.
Pesquisa da Fecomercio-RJ aponta que 70%
dos brasileiros não leram em 2014
.
Sete em cada dez brasileiros não leram
um livro sequer no ano passado (2014)
.
O estudo foi feito em 70 cidades do braZil.
.
O Mapa do Lazer [!!!] do brasileiro revela um Consumidor [!!!]
sem muito entusiasmo pela Arte e Literatura.
.
55% dos brasileiros responderam que não fizeram
nenhuma Atividade Cultural [!!!] em 2014.
.
A Leitura de Livros caiu de 35% para quase 30% dos entrevistados.
.
O uso da Internet, facilitado nos dispositivos móveis é apontado na pesquisa
.
como um dos responsáveis pela queda na leitura, principalmente entre os jovens.
.
(http://www.cidadecancaofm.com.br/cultura-em-baixa-pesquisa-da-fecomercio-rj-aponta-que-70-dos-brasileiros-nao-leram-em-2014)
(http://www.iberoamerica.net/brasil/prensa-generalista/g1.globo.com/20150403/noticia.html?id=Y7ici22)

Responder

abolicionista

04 de abril de 2015 às 12h39

Iná é uma das intelectuais mais coerentes que já conheci. Ela sempre se manteve lúcida, ao contrário de muitos outros, em meio a essa salada ideológica que se instalou após o término da Guerra Fria. Em tempos de capitalismo triunfante, não foram poucos os que sacrificaram o intelecto em prol da comodidade da “real politik”. Tampouco se encastelou num economicismo fatalista (ao qual aderiu parte da esquerda marxista), Iná continua acreditando e na luta política. Sua atuação junto ao movimento teatral independente é exemplar, buscando fazer convergir qualidade estética e relevância política, seguindo aquilo que há de melhor no legado de Brecht.

Responder

    Mário SF Alves

    04 de abril de 2015 às 15h16

    Perdão, Abolicionista, concordo; mas, só em parte.

    E, sim, não resta dúvida quanto à coerência ideológica e a capacidade de defesa de convicções e testemunho prático por parte dela, no entanto…

    abolicionista

    05 de abril de 2015 às 13h41

    Caro Mário, você sempre foi um companheiro educado e sagaz. Vou repetir aqui os dois motivos que me levaram a deixar de apoiar o PT:
    1) O esgotamento da estratégia da política de alianças. Além de não avançarmos mais em nenhuma pauta à esquerda, tal estratégia nos deixa imobilizados, de modo que somos obrigados a assistir passivamente o avanço lento e gradual da extrema direita, que engrossa suas fileiras não para um golpe, mas para um governo fascista (democraticamente eleito, portanto).
    2) A falta de confiança no Partido dos Trabalhadores. Conhecer as estruturas do partido me fez perder a crença na motivação política de suas lideranças. Você pode dizer que sou moralista, mas não vejo mais pessoas virtuosas nos quadros do PT – quer dizer, nas lideranças, claro (há um ou outro, vá lá, mas em outros partidos também se dá o mesmo). Acho que essa gente não hesitaria um segundo em usar a força política legítima da esquerda, tão duramente conquistada, criada à base de tanto suor, em benefício pessoal. Contudo, esse não é só um problema moral, porque ele tem consequências políticas muito sérias a longo prazo, como a perda do poder de mobilização por parte da esquerda.
    Sei que Dilma é uma pessoa honrada, republicana e que tem uma visão de país (que considero equivocada, mas legítima). Sei que do outro lado estão os abutres, a corja golpista. Contudo, acho que defender o governo Dilma e o PT agora é problemático também do ponto de vista estratégico. Porque, do jeito que está, estamos perdendo terreno. Às vezes é preciso queimar os navios para inserir novos vetores nesse jogo de forças. É preciso reconquistar as ruas, por exemplo, e isso não se faz com discurso sobre a necessidade de cortar direitos trabalhistas. Não posso defender quem propõe a inevitabilidade do arrocho. Isso é o que fazia Margaret Tatcher ao declarar: There is no alternative. Há alternativa sim, as decisões econômicas são decisões políticas. Enfim, estou onde sempre estive, caro Mário, quem mudou de lado foi o PT…

    Mario SF Alves

    05 de abril de 2015 às 23h18

    “Há alternativa sim, as decisões econômicas são decisões políticas. Enfim, estou onde sempre estive, caro Mário, quem mudou de lado foi o PT…“

    Não posso dizer nada agora a não ser que tudo isso me trás muita tristeza.
    Abraço,
    Mario.

Messias Franca de Macedo

04 de abril de 2015 às 11h53

O advogado fazendo a vez do mordomo!

E o bode na sala da vez!

Entenda

###############

RBS não sabia de nada, culpa da sonegação é dos advogados

Caso RBS é um dos mais graves da Operação Zelotes

SAB, 04/04/2015 – 11:20

(…)

FONTE [LÍMPIDA!]: http://jornalggn.com.br/noticia/rbs-nao-sabia-de-nada-culpa-da-sonegacao-e-dos-advogados

Responder

Romanelli

04 de abril de 2015 às 08h19

Direita, esquerda, direita, esquerda, direita ahh, que saco !!!!
.
..não tem jeito ..vi do mesmo ..é o eterno reducionismo ..o “esfregar” da história como algo repetitivo ..a desqualificação dos diferentes e adversários ..a fuga do debate respeitoso, proveitoso, qualificado ..a falta de propostas e alternativas ..um excesso de academicismo (masturbação sociológica segundo Sergio Motta) que desafia o pragmatismo e a emergência que a sociedade cobra pelas políticas públicas
.
Lamentável ..dizer que esta na essência do capitalismo (e não do homem) o levar vantagem (é mesmo, os líderes de esquerda são uma UVA neste quesito), da sonegação epidêmica ..e não na própria condição NATURAL do homem, de valores da sociedade, no eterno censo de sobrevivência “evolucionária”, da caça versus o caçador, do qual não conseguimos ainda nos libertar, é o fim da picada..
.
E o que dizer da corrupção e VAGABUNDAGEM do operário, do funcionário público ? ..de suas faltas de inciativa, de suas vidinhas conformistas e preguiçosos, recheadas de rotinas e mesmices, de desrespeito e falta de espírito comunitário, solidário ?
.
ahh tá, então sobre corrupção a professora não quer conversar .tá bom, agora mais essa, um mestre temendo o TABU ..então tá
.
a propósito professora, FUMAR faz mal pra saúde

Responder

    Almir

    04 de abril de 2015 às 11h19

    Vamos parar de enrolação, e diga logo quanto estás pagando por um carro-pipa aí em SP, onde chove todo dia.

    Paulo

    04 de abril de 2015 às 11h20

    Perdão, mas você está bem posicionada.

    abolicionista

    04 de abril de 2015 às 12h28

    Se o capitalismo é natural do homem, por que os índios não são capitalistas?

    FrancoAtirador

    04 de abril de 2015 às 14h05

    .
    .
    Para esses aí,
    os aborígenes
    não são humanos.
    .
    .

    Mário SF Alves

    04 de abril de 2015 às 15h28

    Ao Abolicionista:
    “Se o capitalismo é natural do homem, por que os índios não são capitalistas?”
    _____________________________
    Respondendo pelo Romanelli: apenas por falta de oportunidade, Sr. Abolicionista.
    _______________________________________
    Ou melhor, diria ainda o Romanelli: por pura inaptidão hereditária e por exacerbada e ancestral admiração pelo Psol, pelo Marx, pelo Lenin, pelo Trotsky, … ih, e isso desde os idos da América Pré-Colombiana.

    Romanelli

    04 de abril de 2015 às 18h12

    Perdão ..vamos largar de poesia
    .
    Os índios desde sempre disputam recursos ..acumulam áreas ..matam adversários ..lutam pela sobrevivência, pela liderança da tribo, por prova de “!masculinidade”, como qq outro povo
    .
    Inclusive, tal qual nossos “desalinhados”, adoram meter o pau dum lado, enquanto mamam na outra ponto da FUNAI
    .
    e por se falar nisso, antes dos Tupi existiam por estas bandas os sambaquizeiros (existem sambaquis feitos de conchas, apodrecendo na Ilha Comprida, esquecidos pelas pesquisas, com mais de 16 metros de altura) ..estes povos de idos tempos que, quando por aqui os lusitanos aportaram, já mão existiam mais ..e adivinhe quem os aniquilou pra e obter de uma área maior ?
    .
    ahh sim, e sobre Tibiraça então ? o Cacique de Sp ..ele que deu uma de suas filhas aos portugueses só pra com estes formarem uma aliança pra vencer seus oponentes ? ..e outras tantas etnias que se juntaram a Cortes pra vencer Montezuma ?
    .
    índios ..puro, desapegados ..ahh meu saquinho ..isso é tão ridículo como falarmos que nossos “esquerdistas” não lutam por propriedade ? rsrsrs, isso é o que eles mais fazem, desde que o governo de dado e ele não precise acumular e trabalhar

    abolicionista

    05 de abril de 2015 às 01h22

    Romanelli, você está tentando me convencer de que índios são capitalistas, é isso mesmo?

    Afinal, eu não disse que eles eram anjos, confere? Aliás, essa era a visão que os europeus projetaram naquilo que acharam de chamar novo mundo. Contudo, os assim chamados índios criaram civilizações dos mais diversos tipos e nenhuma delas pode ser chamada capitalista. O modo como você resume as atividades dessas sociedade mostra a mais completa ignorância no assunto, desculpe a franqueza. Sugiro ler um pouco de Claude Lévi-Strauss, de Pierre Clastres. A ideia de “natureza humana” é uma das maiores falácias que o pensamento europeu criou. Contudo, é fato que o animal capitalista existe e, caso não evolua, está destinado à auto-aniquilação.

    Romanelli

    05 de abril de 2015 às 10h27

    poesia, poesia
    .
    ..há estágios e estágios cumpadi ..tudo começa com a troca, conchinha, depois evolui, sal, papel moeda, moeda de plástico etc etc

    …mas a essência ainda esta lá, numa sociedade comandada com mais ou menos Estado, por meia duzia, mais ou menos liberdade ..mas esta tudo lá, o homem lobo do homem, a exploração de recursos naturais, a inveja, acumulo, excesso pra dias piores (lucro), a insustentabilidade quando a colmeia cresce além do desejado etc etc
    .
    Aliás, fosse tão pão pão a restrição e definição conceitual dada pelos que ainda se prendem aos conceitos ultrapassados entre Esquerda e Direita, e hoje, com tanto direito trabalhista, previdenciário e sindical disseminados ..com todo direito ao consumidor espalhado e reclamado ..com estas metas que já temos pela garantia da qualidade e sustentabilidade ..com regulação de mercado, distribuição de lucros e participação societária dada a minoritários através do mercado de valores ..com tanta assistência social e direitos elementares ..então sequer poderíamos falar que hoje vivemos no tal modelo Capitalista, ou num radical de direita como nos tempos do seu tio Marx ..não é vero ?

    abolicionista

    05 de abril de 2015 às 13h58

    Caro Romanelli, desculpe a sinceridade, mas você continua acumulando equívocos.

    Em primeiro lugar, erra por seu hobbesianismo teleológico. Essa evolução que você mencionou é típica do historicismo novecentista. Os historiadores do século XX provaram que, assim como não existe um homem natural, tampouco existe essa evolução natural que vai do nomadismo de caça e coleta, passa a agricultura, comércio, indústria etc. Essa linha teleológica não corresponde aos fatos para a maioria das sociedades do planeta. É uma ilusão de perspectiva. Aliás, se você quer criticar o Marx, esse é um bom argumento. Um dos equívocos do marxismo ortodoxo foi apostar nessa teleologia, ou seja, na ideia de que o desenvolvimento das forças produtivas explodiria as relações de produção, no estado de abundância etc.

    Em segundo lugar, você simplesmente não leu Marx se acha que ele considerava anti-capitalistas coisas como direitos trabalhistas, sindicatos, regulação de mercado, distribuição de lucros, participação societária dada a minoritários, assistência social. Para Marx, o que caracteriza o capitalismo é a forma mercadoria. Essa disputa entre maior e menor participação do Estado, essa disputa entre setor público e privado não têm nada a ver com a teoria marxista. Para Marx, o Estado é Estado burguês, estruturalmente problemático, tendencioso e opressor. Essa disputa a que você se refere é travada entre keynesianos e neoliberais (seguidores de Hayek e Von Mises). Quanto ao radical de direita, ele sempre foi um idiota útil (o sujeito que incorpora a ideologia de modo patológico, o que os americanos chamam de “true believer”). A burguesia só apela para o radicalismo de direita quando é oportuno. Sua única ideologia é o lucro, pelo qual é capaz de tudo, até de criar ONGs socialistas ou eco-sustentáveis. Pagando bem, por que não? Enfim, que se critique Marx, mas com conhecimento de causa.

Messias Franca de Macedo

04 de abril de 2015 às 08h14

O PIG, ENFIM, “se abraça” (sic) à Operação Zelotes!

Da Série ‘Que país é esse?!’

… De agora em diante a Operação Zelotes vai “bombar”!

ENTENDA a patifaria midiática!

No noticiário da diligente e perscrutadora “grande” mídia nativa!

*O PIG achou o factóide perdido – perdão, ato falho -, o elo perdido do escândalo do Carf com o governo da honrada e honestíssima presidente Dilma Rousseff!

[*Erenice será investigada na Operação Zelotes
Josias de Souza
03/04/2015 20:31
CACHOEIRA – perdão, ato falho -, FONTE: http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2015/04/03/erenice-sera-investigada-na-operacao-zelotes/%5D

E se, até agora, nem mesmo a maioria dos alunos o curso de Jornalismo do professor **Renato Rovai desconhecia a Zelotes, a partir de ontem até convidados às festas de aniversários de boneca irão se empanturrar (sic) de informações!
[**A operação da zelite não vale nota
Por Renato Rovai
abril 02, 2015 16:02
FONTE (LÍMPIDA!): http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2015/04/02/operacao-da-zelite-nao-vale-nota/%5D

Enquanto o senhor Gerdau, o Bradesco &$ outros MEGAcorruptos da DIREITONA poderão retomar os seus sonos angelicais da impunidade!

RESCALDO: a sensação é a de que ‘nois’ “só estamos enxugando gelo”!

Enquanto o fígado adoece!

“Jogar a toalha, e vê a barbárie tocar fogo?!”

República de ‘Nois’ Bananas
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Responder

    Mário SF Alves

    04 de abril de 2015 às 15h33

    Não tem jeito, Messias. O sistema é deles; o sádico e economicamente injustificável capitalismo subdesenvolvimentista é deles; a justiça é deles; a classe média é deles e a mídia fora da lei é deles. Portanto… civilizadamente… constitucionalmente… só nos resta o quê?

    A união e respectiva pressão democrática popular, pois não?

    Messias Franca de Macedo

    05 de abril de 2015 às 23h49

    Prezado, consciente e combativo Mário SF Alves,

    O jornalista Luis Nassif e mais uma lapidar e pedagógica análise!

    E a fotografia que desmoralizou o ‘miniSTÉRIO’ Público!

    #############

    [VÍDEO]

    Hangout: A rebelião das massas

    DOM, 05/04/2015 – 22:09

    FONTE: http://jornalggn.com.br/noticia/hangout-a-rebeliao-das-massas

    https://www.youtube.com/watch?v=DtGiFIyJRBs

Messias Franca de Macedo

04 de abril de 2015 às 00h41

‘Erenice será investigada na Operação Zelotes’

A manchete está – há horas – no topo da página principal do portal http://www.uol.com.br/

Noite de Sexta-feira Santa!

Santa?!

Não para o PIG!

Amanhã, o Inferno recomeçará!

http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2015/04/03/erenice-sera-investigada-na-operacao-zelotes/

O Judas Josias “da ‘Folha'” nem esperou “o Sábado de Aleluia”!

Talvez aguardasse este momento desde o último Domingo de Ramos!

Beócio Diabólico!

Os outros Satanazes o seguirão!

E os patrões barões da mídia fascigolpista/terrorista/corrupta conduzindo esse rebanho de vassalos delinquentes!

Responder

Carlos Alberto Gasparini

04 de abril de 2015 às 00h37

Gostei muito da entrevista, especialmente da primeira parte quando a entrevistada analisa o PT. Perfeito.
Quanto à previsões são um tanto exageradas porém com algumas afirmações bastante sagazes.
Quanto a extrema direita ela está certíssima. Esta deve ser combatida pau a pau.
Discordo da análise conceitual de extrema-direita=fascismo. A forma de apresentar-se e os métodos podem ser os mesmos ou parecidos mas no caso brasileiro e mesmo o espanhol de antanho são diferentes.
O fascismo é a mobilização para a guerra imperialista. O caso espanhol com Franco e o brasileiro com os integralistas antigamente era justamente para que Espanha e Brasil não se tornassem capitalistas mas permanecessem agrários e atrasados. Já a extrema direita atual tanto lá quanto cá quer manter a subordinação aos interesses capitalistas internacionais, especialmente os do capital financeiro.
Por favor Iná venha para o debate nas redes sociais e outros espaços além. Gostei muitíssimo de ouvi-la.

Responder

Messias Franca de Macedo

03 de abril de 2015 às 23h52

ESCÂNDALO CRIMINOSO!

*Um pseudo-jornalista tentando içar a Operação Lava Jato – até então na surdina absoluta do PIG fascista/terrorista – a partir de uma ilação capciosa, reles factóide, tentando, desavergonhadamente, macular a figura da honrada presidente Dilma Rousseff!
(*http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2015/04/03/erenice-sera-investigada-na-operacao-zelotes/)

Liberdade de expressão é uma coisa!

Bandidagem jornalística e libertinagem de expressão é totalmente outra!

Os golpistas apostando cada vez mais no incitamento ao ódio da população ao PT!

O Josias é um dos cúmplices que querem provocar uma tragédia:

algum defensor do governo ser morto em praça pública!

Apedrejado e, depois, queimado!

As cinzas jogadas ao mar!

Como exemplo lapidar aos que se ousar resistir!

Varrer qualquer resquício dos 12 anos de governos trabalhistas!

(…)

Alguma instância tem que conter este descalabro!

No mínimo, um esclarecimento à nação!

Por parte do atual ‘miniSTRO’ da Justiça ou da própria presidente Dilma Rousseff!

Cadeia nacional de rádio e televisão…

E em horário nobre!

Ou aceitaremos a barbárie enquanto correia de transmissão do ‘golpe jurídico-midiático’ ainda ora em curso desde o antanho do MENTIRÃO?!…

Responder

    Messias Franca de Macedo

    04 de abril de 2015 às 00h21

    … Poucas minutos após a publicação,

    *225 comentários!

    (*http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2015/04/03/erenice-sera-investigada-na-operacao-zelotes/)

    A maioria ligando o PT e o governo da presidente Dilma Rousseff à corrupção no Carf!

    Ligando e esculhambando da forma mais vil os últimos 12 anos de governos trabalhistas!

    A usual linguagem chula, néscia, impregnada de ódio e alienação despudorada!

    RESCALDO:

    Ou o governo reage…

    Ou eu irei jogar a toalha!

    Das duas, uma!

    Mesmo porque o meu fígado é um órgão único!

    Sacanagem também tem limite!

    Ou não?!…

    Mário SF Alves

    04 de abril de 2015 às 15h43

    *Um pseudo-jornalista tentando içar a Operação Lava Jato – até então na surdina absoluta do PIG fascista/terrorista – a partir de uma ilação capciosa, reles factóide, tentando, desavergonhadamente, macular a figura da honrada presidente Dilma Rousseff!
    (*http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2015/04/03/erenice-sera-investigada-na-operacao-zelotes/)
    _____________________________
    Não entendi. O que tem a ver a Zelotes com o Vaza à Jato?

FrancoAtirador

03 de abril de 2015 às 23h34

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“Há muito Espaço para a Esquerda crescer
e ser uma Força Popular mais Dinâmica,
mas ela precisa ser uma Esquerda Autêntica,
que não tenha medo de dizer seu Nome”
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Por Luciana Genro, na Carta Maior
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(http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-Brasil-caminha-para-a-direita-/4/33189)
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Responder

    Mário SF Alves

    04 de abril de 2015 às 15h35

    Sim, há, difícil é saber como, quando e onde.

    Mário SF Alves

    05 de abril de 2015 às 00h36

    Prezado FrancoAtirador,
    Se puder dê uma olhadinha nesse link, ou elo de ligação como diz o Morvan:
    http://jornalggn.com.br/fora-pauta/einstein-hannah-arendt-e-outros-contra-o-fascismo-sionista#comment-623397

    Posso garantir que é útil. Uma discussão em bom nível intelectual, onde um certo Almeida pega um fascista de morro abaixo e faz toda a retórica à base de desonestidade intelectual astrológica se desmanchar no ar.

FrancoAtirador

03 de abril de 2015 às 23h29

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“Todo Lucro é uma Espécie de Roubo”
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Mahatma Gandhi
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Responder

FrancoAtirador

03 de abril de 2015 às 22h21

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“Não podemos ter a veleidade de achar que artistas
sem qualquer vínculo com organizações revolucionárias,
propriamente ditas, sejam capazes de avançar
nessa ativação simbólica da luta de classes,
para além do que já fazem em seus trabalhos,
às vezes até sem consciência.
.
Antes de mais nada, eles próprios precisam entender o que seja luta de classes
pois, enquanto não o fizerem, nem ao menos saberão qual o seu lugar nessa luta.
.
E nessa ignorância política tenderão sempre a reproduzir os valores dominantes.
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Para estes casos, recomendo sempre a leitura dos escritos políticos de Brecht,
que nunca tergiversou sobre a questão.
.
Ele diz com todas as palavras que o proletariado espera
pelo menos três serviços dos intelectuais e, portanto, dos artistas:
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a) que desintegrem a ideologia burguesa (nos dois sentidos: cair fora e denunciar, criticar até reduzir a pó);
.
b) que estudem, compreendam, expliquem e exponham artisticamente,
sempre de maneira crítica, as forças que movem o mundo; e
.
c) que façam a teoria e a arte avançarem na direção dos seus interesses.
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Simplificando: ultrapassar o estágio em que os artistas se encontram,
de completa ignorância política, é o principal obstáculo.
Se este obstáculo for ultrapassado,
os demais serão mais facilmente superados.”
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Iná Camargo Costa
(Em entrevista a Jade Percassi,
no Brasil de Fato, em 11/04/2012)
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Íntegra em:
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(http://www.brasildefato.com.br/content/%E2%80%9Cintelectuais-t%C3%AAm-pavor-de-revolu%C3%A7%C3%A3o%E2%80%9D)
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Responder

antonio barbosa filho

03 de abril de 2015 às 22h11

(Ao Editor: artigo/colaboração para eventual publicação. Obrigado)

“Raiz” conclama progressistas a uma reflexão sem dogmas

Antonio Barbosa Filho (*)

As esquerdas, no Brasil e no mundo, precisam recuperar o seu “horizonte utópico”, sem repetir os modelos organizativos do passado, que se esgotaram e trouxeram um desalento generalizado às forças progressistas e às maiorias da população. Os partidos de esquerda, trabalhistas, ecologistas e de outros rótulos não têm conseguido formular respostas eficazes a problemas novos, que não estavam previstos nos clássicos e que a Humanidade ainda não havia enfrentado.

Conceitos históricos que nortearam a luta socialista por séculos, estão sendo substituídos por novas categorias – é difícil falar em “classe operária” e “proletariado” neste começo do século XXI, a não ser forçando uma adaptação da realidade social moderna aos cânones marxistas. Melhor usar Marx e outros filósofos da esquerda como excelente método de análise histórica, no que eles têm de perene. Mas é urgente agregar outras linhas de pensamento, outras filosofias e outras práticas, num amálgama original que – num prazo indeterminado – venha a superar os paradigmas já tradicionais da esquerda.

Isso é (numa interpretação pessoal do Autor, não autorizada pelos envolvidos) o cenário no qual militantes de várias origens da Esquerda brasileira acabam de iniciar uma tentativa de encontrar novos caminhos. A Raiz – Movimento Cidadanista surge com um poderoso embasamento ideológico, nitidamente de Esquerda – pois se coloca ao lado da emancipação do ser humano – mas sem respostas pré-determinadas. Ao contrário, como Movimento, está aberto a um processo de construção coletiva que, juntando a tradição dos vários tons de socialismo a formulações antigas como a ética Ubuntu, da África, e a noção de “bem viver” dos povos originários das Américas, resulte num programa político. Processo longo, difícil, desafiador – mas necessário, diante do impasse que as esquerdas e os povos enfrentam nesta altura do Capitalismo mais financeiro e mais concentrador de riqueza e poder que a História já registrou.

EMBASAMENTO TEÓRICO

A Raiz apresentou no final de março a sua “Carta Cidadanista”, um manifesto de princípios elaborado desde novembro passado, com a contribuição de pessoas de variadas origens partidárias ou não. A inspiração geral foram várias teses e práticas emancipadoras, como a ética-filosofia-ideologia Ubuntu, vivida por vários povos da África do Sul.

Uma definição rasa seria: “crença num laço universal de partilhamento que conecta toda a Humanidade”. Ela poderia ser melhor traduzida nas palavras do bispo sul-africano Desmond Tutu (prêmio Nobel da Paz de 1984: “A minha humanidade está presa e indissoluvelmente ligada à sua. Eu sou humano porque eu pertenço. Ele (Ubuntu) fala sobre a totalidade, sobre a compaixão. Uma pessoa com Ubuntu é acolhedora, hospitaleira, generosa, disposta a compartilhar. A qualidade dá às pessoas a resiliência, permitindo-as sobreviver e emergir humanas, apesar de todos os esforços para desumanizá-las. Uma pessoa com Ubuntu está aberta aos outros, assegurada pelos outros, não se sente intimidada que os outros sejam capazes e bons, por ele ou ela ter própria autoconfiança que vem do conhecimento que ele ou ela tem do seu próprio lugar no mundo”.

Não é tão abstrato como pode parecer: o Ubuntu está presente no Brasil, em manifestações culturais populares e antigas como a roda de samba, a roda de capoeira, o jongo, as cirandas, o candomblé, “rodas onde todos se olham sem hierarquias”, como afirma a Carta Cidadanista.

Nelson Mandela (também Nobel da Paz, em 1993) explicava: “Um viajante em visita à África do Sul poderia parar numa aldeia sem ter que pedir comida ou água. Uma vez que ele pára, as pessoas dão-lhe comida. Esse é um aspecto do Ubuntu, mas há vários aspectos”.

Outra fonte inspiradora da Raiz (o nome, feminino, é para opor-se a “partido”, palavra masculina que já traz à mente a divisão: a Raiz se quer “inteira”) é o Teku Porã, princípio do “bem viver”, praticado pelos povos originários da atual América Latina. Já incorporado às Constituições da Bolívia e do Equador, a idéia-prática ancestral integra o ser humano à Natureza de forma plena, e não trata o ser humano como única parte viva do planeta.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul tem um projeto de extensão sobre o Teku Porã aplicado ao tratamento médico, ou melhor, às “práticas integrativas e complementares de cuidado (PIC)”, que estuda as “práticas populares de saúde desenvolvidas por diversos povos ao redor do mundo”. “Esta perspectiva – diz o projeto gaúcho – possibilita o florescimento de um processo ‘circulatório do cuidado’, onde o cuidado em si favorece um melhor cuidado do outro e o cuidado do mundo”.

Outra definição do Teku Porã seria: “sistema de reciprocidade de caráter interpessoal que desestabiliza a primazia do Estado e do mercado como detentores e moduladores da maior parte das relações sociais”. Nada mais revolucionário, nesta era comandada como nunca por Estados subjugados ao “mercado”, especialmente o financeiro…

ECOSSOCIALISMO

Do Ocidente tradicional, que nos acultura desde 1500, a Raiz incorpora a noção do Ecossocialismo, a partir do esgotamento de riquezas naturais exploradas de maneira irresponsável.

Os cidadanistas convocam a todos e todas para a “construção de um pensamento que rompe com a lógica ocidental do sujeito autocentrado e do individualismo exacerbado. Há que descolonizar nossas mentes e corpos, e para isso assumimos outra perspectiva”. (…) “O produtivismo e consumismo, desenfreados e fúteis, somente se mantém devido à exploração predatória dos recursos naturais e só servem à ganância de poucos. Esse modelo é insustentável e, inevitavelmente, levará a Humanidade ao colapso civilizatório”.

A Raiz acaba de ser plantada, mas já conta com muitas adesões, e está longe de ser um partido, tal como os conhecemos. As organizações mais próximas seriam o movimento Podemos, da Espanha e o Syriza, partido que acaba de ganhar o poder na combalida Grécia. Ambos surgiram de baixo para cima, fruto da mesma angústia de povos – especialmente os jovens condenados ao desemprego e a não poderem sonhar com um futuro digno, muito menos feliz. O slogan lançado em Porto Alegre pelo Fórum Social Mundial, “Um outro mundo é possível”, tem ecoado pelo planeta, com resultados pontuais, mas no geral o Neoliberalismo vem evoluindo sob as mais terríveis formas, inclusive o avanço da extrema-direita racista, xenófoba, machista, inimiga da Humanidade.

Tal qual os movimentos similares da Grécia, da Espanha, da Islândia, do Uruguai, a Raiz também pretende transformar-se em partido político. Mas só depois que o Movimento Cidadanista se impuser como uma alternativa legítima e legitimada na sociedade. Para tanto, está criando “círculos cidadanistas” pelo Brasil. Sua tarefa, hoje, é promover debates sobre a Carta recém-lançada, aperfeiçoá-la com a contribuição de todos, numa rede de núcleos autônomos e apenas vinculados entre si pelo objetivo de refletir e construir, horizontalmente, uma proposta nova para o momento histórico. Como diz uma das participantes mais notórias, a deputada federal Luiza Erundina, “se o momento histórico exigir, a Raiz se transformará em partido com uma nova visão do exercício do poder”. Outro fundador, Célio Turino (o criador dos Pontos de Cultura, projeto exitoso dos ministros Gilberto Gil e Juca Ferreira, dos quais foi destacado assessor), afirma que “não há pressa, estamos iniciando um processo que nos parece necessário, como demonstraram as manifestações de junho de 2013. Os jovens estão sem referências, querendo participar, e estamos oferecendo uma alternativa nova, aberta a todas e todos”.

A íntegra da Carta Cidadanista está no facebook, nas páginas do movimento.

Responder

niquilos

03 de abril de 2015 às 22h04

incrível. excelente. obrigado pelo vídeo!

Responder

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