VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Igor Grabois: Conceito de “inimigo interno” permanece bem vivo


23/07/2013 - 18h14

por Igor Grabois, especial para o Viomundo

A ditadura militar acabou oficialmente há vinte e oito anos. No entanto, as Forças Armadas, em particular o Exército, permanecem como árbitros da política nacional. Nas jornadas de junho não foram poucas as referências ao retorno dos militares ao poder. E, em uma expectativa muda, vários analistas que acompanham a conjuntura esperaram uma posição dos militares nos acontecimentos.

Parte da estrutura do estado, sendo seus membros funcionários públicos e possuidores de formação educacional patrocinada pelo Estado, o comportamento histórico dos militares é de arbitragem da vida política nacional. Em 64, rasgaram a constituição que juraram defender. Promoveram inúmeros golpes de estado. A questão militar, desde os fins do império, assombra a vida política nacional e não é enfrentada pela sociedade civil.

As questões de defesa e militares são pouco debatidas no parlamento. Nas eleições, as questões de defesa não são mencionadas. Existem poucos trabalhos acadêmicos sérios. Mesmo a criação do Ministério da Defesa em 1999 não despertou maior atenção sobre o tema.

Em 2008, o governo federal elaborou a Estratégia Nacional de Defesa. Antes, em 2005, houve a atualização da Política Nacional de defesa. Deveriam ser marcos da elaboração da política militar pelo governo civil. Ambos os documentos foram atualizados em 2012 e serão analisados na continuação deste artigo. A elaboração da Política e da Estratégia Nacionais da Defesa foi feita no âmbito do Ministério da Defesa, traduzindo as aspirações da corporação militar.

A Constituição de 88 manteve, em uma formulação negociada com os comandos das Forças Armados, a possibilidade de intervenção dos militares na vida civil. Segundo o art. 142, cabe às forças armadas a defesa da pátria, a defesa dos poderes constitucionais e, a pedido de um deles, a garantia da lei e da ordem. Nesta zona cinzenta, sem pedido formal de nenhum poder, o Exército executou “operação GLO” no Complexo do Alemão por mais de dois anos.

O papel na vida pública civil não se resume ao previsto no art.142 da CF. As Forças Armadas, por exemplo, têm, por lei, poder de polícia na faixa de fronteira. As operações Ágata, de monitoramento de fronteiras, envolvendo as três forças e polícia federal, receita, IBAMA, polícias estaduais, já se encontra na sua sétima edição.

A Marinha é  no Brasil a Autoridade Marítima e é responsável por elaborar a política marítima nacional. Exerce as funções de polícia marítima, realizando as tarefas de inspeção naval, salvaguarda da segurança aquaviária e do meio ambiente.

Regula o ensino profissional marítimo, forma os oficiais da marinha mercante e habilita os navegadores esportivos. Licencia toda e qualquer embarcação, seja fluvial ou marítima. Na Argentina, em comparação, essas funções são da Prefectura Naval. Nos EUA, na Itália, na Noruega, as tarefas de polícia e fiscalização marítimas são da guarda costeira.

A Força Aérea faz o controle do tráfego aéreo, a navegação aérea e a prevenção e investigação dos acidentes aeronáuticos, sejam da aviação civil ou militar. Até 2005, a regulação da aviação civil era feita pela FAB, atribuição atual da Anac.

O Exército faz a fiscalização dos produtos controlados, armamentos e explosivos de uso civil. Controla e credencia os colecionadores de armas e o tiro esportivo. Mais significativa é a existência da Inspetoria Geral das Polícias Militares, comandada por um general de brigada e responsável por controlar o efetivo e o armamento das polícias. As polícias e os corpos de bombeiros militares estaduais são forças auxiliares das forças armadas. A militarização das polícias é reforçada pelo controle exercido pelo exército.

As forças armadas se fazem presentes no cotidiano em diversas operações subsidiárias. O Exército distribui água no semi-árido nordestino. Faz obras públicas, como trechos da Transposição do Rio São Francisco, duplicação de estradas, obras do aeroporto de Guarulhos.

A Marinha possui navios de assistência hospitalar, atendendo na Amazônia e no Pantanal. A FAB transporta autoridades (possui uma unidade só para nessa função, o Grupo de Transporte Especial), urnas eletrônicas nas eleições, mala diplomática e carga para o governo federal. Sem contar a ação em catástrofes e desastres naturais.

As operações subsidiárias, incluindo as de garantia da lei e da ordem, se tornam o objetivo das forças armadas e, conseqüentemente, o móvel da intervenção na vida civil. As Forças Armadas cumprem papel da guarda nacional e há uma intervenção militar preocupante nas questões de segurança pública. A

própria discussão doutrinária no Exército tem privilegiado a intervenção nos assuntos internos em detrimento das funções de defesa nacional. As notas de coordenação doutrinária mais recentes ressaltam operações de “amplo espectro”,ou seja, “pacificação”, operações GLO, atendimento a calamidades, e operações “interagências”, com entidades civis governamentais e não-governamentais, em monitoramento de fronteiras e segurança de grandes eventos.

Há  um clamor pela intervenção das forças armadas na segurança pública, principalmente por parte de governadores de estados com sérios problemas de segurança.

A incapacidade e a corrupção das polícias estaduais são usadas como justificativa da intervenção militar. O risco óbvio é a intervenção militar se tornar permanente com o componente de repressão política e aos movimentos sociais.

A doutrina do “amplo espectro” mantém a figura do “inimigo interno” da época da ditadura, de maneira sutil e teorizada.

Na Copa das Confederações e na Jornada Mundial da Juventude, o ator de maior destaque foi o exército, coordenando os demais órgãos – Polícia Federal, Polícia Rodoviária, Defesa Civil, polícias estaduais, guardas municipais, CET’s – e mantendo tropas como reserva para a repressão às manifestações.

O conceito do “inimigo interno” se mantém pelo fato das corporações militares não terem abandonado o culto à ditadura e ao histórico de intervenções na vida política. O golpe de 64 é comemorado nos quartéis nos dias 31 de março, com ordens do dia acerca da “Revolução Democrática” ainda hoje.

Presidentes-ditadores e expoentes da ditadura militar são homenageados constantemente.

A Escola de Comando e Estado Maior do Exército, a escola mais importante na formulação da doutrina, é a Escola Castelo Branco.

A 2ª Divisão do Exército, em São Paulo, é a Divisão Costa e Silva. Carrasco Azul Médici é patrono da turma de oficiais formados na Academia das Agulhas Negras em 2011, além de nomear o 3º Batalhão Logístico, em Bagé.

Walter Pires, ministro do Exército de Figueiredo e figura chave na execução do golpe de 64, nomeia o Centro de Instrução de Blindados, em Santa Maria. Rademaker, vice do Carrasco Azul, é nome de fragata na Marinha. Os exemplos são inúmeros.

A rejeição à Comissão da Verdade não se limita aos círculos da reserva, organizados nos clubes militares. Em 2010, o então Ministro da Defesa Jobim comprou a insatisfação dos comandantes militares em relação ao III Plano Nacional de Direitos Humanos.

Há uma sistemática recusa, por parte das Forças Armadas, em colaborar com a apuração efetiva dos crimes da ditadura. Sonega-se a abertura de arquivos. Há a alegação, comprovadamente falsa, que os arquivos teriam sido queimados. Os torturadores são defendidos com unhas e dentes. Alguns veteranos da repressão política dão palestras nas escolas militares e colaboram na formulação da doutrina.

Os militares fazem sua própria política. As autoridades civis apenas corroboram seus programas e planos. As visitas de comandantes e autoridades militares às Comissões de Defesa e Relações Exteriores da Câmara e do Senado se caracterizam pela ausência de questionamentos por parte dos parlamentares.

O ensino militar continua valorizando a ditadura e o intervencionismo, permanecendo ausentes a democracia e os direitos humanos. É reproduzida a ideologia do “inimigo interno” e a idéia do papel de árbitro da vida nacional exercido pelos militares.

A ditadura militar de vinte e um anos deixou marcas profundas no país. A tutela militar é uma das heranças mais significativas.

Para setores das classes dominantes, as Forças Armadas servem de reserva nos momentos de crise. Não faltam os áulicos e as vivandeiras de quartel.

Discutir o papel das forças armadas, superar a herança da ditadura, é tarefa fundamental para os setores que lutam por mudanças reais no Brasil.

Leia também:

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26 comentários

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Marcelo

06 de março de 2014 às 13h44

Situação do Brasil está insustentável, vergonhosa, por culpa principal dos políticos (pois eles deixam o povo ignorante), e quando digo políticos, digo todos, e quem não tiver culpa que prove depois da intervenção, cadeia para todos sem distinção, INTERVENÇÃO MILITAR JÁ ! ! !

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Igor Grabois: Um balanço sobre os programas militares do Brasil - Viomundo - O que você não vê na mídia

03 de setembro de 2013 às 17h29

[…] Conceito de inimigo interno permanece bem vivo […]

Responder

Bacellar

26 de julho de 2013 às 16h58

Grande artigo. Pior do que um idiota só mesmo um idiota de farda e coturno. Penso que inclusive um dos maiores problemas dos regimes socialistas do século passado foi terem surgido no contexto de estruturas militarizadas.

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Marmeladov

26 de julho de 2013 às 16h02

Eu pergunto: – para quê o exército, de quê serve? Ficaríamos bem melhor sem ele e com a criação de guardas e milícias populares, que além de cuidarem da segurança interna – a externa poderia ser feita através de acordos entre outros países companheiros da URSAL, União das Repúblicas Solialistas da AL, – poderiam além dessa tarefa ainda educar e encaminhar o povo brasileiro na direção dos seus verdadeiros desígnios sociais, revolucionários: o socialismo, e no futuro o comunismo!

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    rodrigo

    26 de julho de 2013 às 17h36

    E aí infiltrado? Beleza? Esse é todo seu molotov? Tá fraquinho…

alexandre de melo

25 de julho de 2013 às 22h57

por que o exercito é tão mais desqualificado em relacão as outras duas armas?
por que seus comandantes são mais ignorantes. simplorios.
o exercito comparado a marinha é mais truculento e rude, uma vez que a marinha é uma arma mais aristocratica.
e se comparada a aeronáutica o exercito é um jumento pois a aeronáutica é a arma mais cientifica.
isto se deve ao fato do exercito ser mais corrupto, mais nepotista, criado para ser apenas figurantes fardados nos bailes das ilhas fiscais do imperio, pelo fato de caxias roubar cavalos paraguaios e os vender superfaturados para o propio exercito.
pelo fato de familias dinasticas no exercito,como a familia do figeuiredo na qual seu avo era general e seu bisneto tambem seria ja ao nascer.
desta nossa maldita republica ,instalada por generais que difamaram e injusticaram tanto o imperio, e que esta republica criada pelo exercito ja dura mais que durou o imperio e é infinitamente mais corrupta, e muito menos nacinalista.
dai vem este zelo pelos atos dos seus antecessores, esta camaradagem
por simples cumplicidade historica

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Lafaiete de Souza Spínola

25 de julho de 2013 às 12h18

PROCUREMOS A CAUSA PRINCIPAL, PARA ENCONTRARMOS A SOLUÇÃO.

Observem a quantidade de golpes militares que acontecem no continente africano.

Os colonizadores europeus, quando ocuparam a África, instigaram as rivalidades existentes entre as tribos. Isso facilitou o domínio territorial e econômico.

Hoje, o mundo continua como antes. Quando não se consegue cooptar, usando os parceiros e traidores internos, a força é usada, como na Líbia, no Iraque etc.

Sempre usando um álibi para justificar as intervenções: Ontem, o comunismo; agora, a liberação de um povo dos denominados opressores ou o perigo de uma suposta agressão terrorista.

Notem que, quanto mais baixo o índice educacional de um povo, mais vulnerável ele se torna na defesa de sua soberania. Nessas circunstâncias, sempre surgem forças internas dispostas a colaborar com os inimigos externos.

A educação é o fator preponderante tanto para diminuir as injustiças sociais como para fortalecer a segurança nacional.

A solução para o Brasil está, basicamente, atrelada à educação. É preciso investir pelo menos 15% do PIB no orçamento da educação, oferecendo escola com tempo integral às nossas crianças: café, almoço, janta, esporte e transporte, nas cidades e no campo.

As forças armadas, a igreja e outras organizações podem e devem, inclusive, participar dessa grande mobilização nacional.

Sem crianças nas ruas, todas na escola, o tráfico perde sua grande fonte de recrutamento. Com uma medida desse porte são beneficiadas a segurança e a saúde.

Criança alimentada é sinônimo de saúde para ela e seus pais. O programa bolsa família perde sentido, pode ser incluso nesse projeto. Grande parte desse investimento pode vir; inicialmente, dentre outras origens; da dívida pública, negociando com a área financeira. Devemos nos lembrar que cerca de 45% da arrecadação estão sendo usados para pagamento dos juros dessa nefasta dívida.

Isso é uma revolução pacífica! Muda tudo que se tem aí. Fora disso, nada muda! É a perpetuação da miséria, do medo etc.

Caso necessário, devemos criar uma CPMF de 0.4 a 0.5%, para uso exclusivo na educação.

Devemos reservar aos pequenos agricultores o fornecimento da alimentação dessas escolas. Haveria um crescimento do mercado interno oriundo da renda desses agricultores, além de mantê-los em suas terras.

Sugiro que se aplique cerca de 40% das reservas na construção de grandes centros educacionais e na preparação urgente de professores, tudo federalizado.

Está disponível na internet uma grande gama de informações esclarecedoras; muito bem fundamentadas e algumas foram comprovadas com os vazamentos de documentos sigilosos pelo Wikileaks; de que nosso desenvolvimento tecnológico sofre sabotagens de todo tipo, daqueles que não desejam ver o nosso país no cenário internacional com produtos de alto índice tecnológico.

O interesse é que sejamos, exclusivamente, fornecedores de comodities!

Vejam, só, como exemplo, os revezes e sabotagens praticados ao PROJETO ESPACIAL BRASILEIRO, tendo seu ápice na explosão da base de Alcântara, quando tudo foi destruído e as vidas de 21 cientistas foram ceifadas, em 22 de agosto de 2003.

Até nossos satélites para uso nas telecomunicações, na vigilância do desmatamento, no monitoramento do clima estão sendo lançados no exterior, apesar de Alcântara ser um local privilegiado para essa atividade. Os interesses mesquinhos entrelaçam-se. A sabotagem indireta é um ataque silencioso e muito perverso que o Brasil e o seu Programa Espacial vêm sofrendo, sem tréguas, já faz mais de 20 anos. Tudo isso acontece porque recebem a ajuda e cooperação dos mesmos que lutam contra a educação no Brasil.

Nesse mundo globalizado, quem não investe em Educação estará mais vulnerável. O Brasil, todos sabemos, é um país de analfabetos e semianalfabetos. Um diploma de segundo grau, quase sempre, não passa de um pedaço de papel. O IDEB e testes internacionais estão aí para comprovar a quem duvida dessa verdade. Depois do primeiro impacto inicial, o bolsa família passa à fase da saturação no que diz respeito à ampliação do mercado interno.

Segundo estatísticas, as classes D e E representam cerca de 75 milhões de habitantes, aproximadamente 40% da nossa população. O poder aquisitivo desses nossos conterrâneos está em torno de, mirrados, 10%. O que podemos esperar dentro desse quadro de calamidade?

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Carlos

25 de julho de 2013 às 09h08

Discordo um pouco do texto, uma vez que deixa transparecer que as Forças Armadas estão estacionadas em seus conceitos sobre a segurança e soberania. Talvez essa visão seja fruto de um distanciamento muito grande entre o autor do texto e o meio militar.
Ameaças “internas” existem e sempre existirão em qualquer nação e organizações humanas (empresas, sindicatos, igrejas, times, etc…). É um conceito técnico do “metier” segurança.
Tive uma experiência militar durante o último Governo da ditadura (sou da reserva NÃO remunerada), e são perceptíveis as mudanças que ainda estão ocorrendo dentro dos quartéis. Claro que em uma organização secular, cuja a base organizacional e filosófica seja a tradição, a hierarquia e a disciplina, as coisas não aconteçam tão rápido e explicitamente como os civis gostariam.
Hoje temos uma Força mais técnica e profissional e com uma linha estratégica bem definida. Tanto que o grande aliado e “amigo” do passado (EEUU), é conceituado como uma grande e real ameaça. O fato de, por exemplo, a defesa antiaérea do país (conduzida pelo exército), estar baseada em equipamentos RUSSOS, é algo que seria inconcebível alguns anos atrás, e é uma prova dessa evolução. Os acordos de cooperação tecnológica e militar com diversos países fora da “órbita yankee”, mostra a disposição de efetivamente sermos independentes e soberanos.
Quanto a influência dos elementos da ditadura (seus conceitos e desejos), isso não é exclusividade dos militares (que são apenas uma amostra da sociedade), pois encontra ecos também no meio civil. Essa influência vem decrescendo ao longo do tempo, mesmo porque, seus atores já estão realizando suas transferências para outro plano de existência, onde os acertos com a Justiça Divina são inadiáveis e inevitáveis.
Já nasceu (há muito tempo) e está muito vivo, dentro das Forças Armadas, o conceito de uma Nação livre e realmente democrática. O tempo se encarregará de mudar e unificar esses novos conceitos, em todos os elementos da Força.

Responder

    rodrigo

    25 de julho de 2013 às 12h31

    Que você esteja certo de todo o coração! As forças armadas têm de ser a expressão da capacidade de defesa do país e tem de compor com a população, cuja doutrina de inimigo interno os separa e fragiliza. Nosso exército foi dominado pelos EUA, isso acabou? Não sei.

    rodrigo

    26 de julho de 2013 às 01h20

    Será xará? Ou será que se estudarmos a fundo as estruturas sociais do ocidente veremos que os inimigos “internos” são só fantasmas criados contemporâneamente como forma de se manter o grosso populacional baixo o jugo policialesco das elites econômico-financeiras (e nobiliárquicas) que dominam os governos e se aproveitam desse sistema para não terem que “pegar no pesado”? A vivência da história e sua compreensão ensinam bem mais do que meras palavras vazias provindas dos manuais técnicos…

FrancoAtirador

25 de julho de 2013 às 08h37

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UNITED STATES OF AMERICA: O MONSTRO DE FRANKSTEIN

Olhem só essa:

Nessa quarta-feira (24), o fantoche de George W.Bush, o deputado republicano Jim Sensenbrenner (Wisconsin), autor do projeto original do Patriot Act, votou contra a espionagem telefônica da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA), alegando que a coleta de dados de telefones domésticos pela NSA tinha ido muito além do que ele imaginava.

Ainda assim, a proposta de emenda legislativa que desautorizava a NSA a proceder à invasão da privacidade dos cidadãos norte-americanos foi derrotada na Câmara dos Representantes [Deputados] por 217 a 205 votos.

Criaram um monstro e perderam o controle sobre ele.

Se o BraZil continuar se espelhando nessa monstruosidade antiética vai sucumbir logo ali adiante nas garras dessa experiência anti-humana.

(http://arstechnica.com/tech-policy/2013/07/congress-nearly-shuts-down-nsa-phone-dragnet-in-sudden-217-205-vote)

(http://www.guardian.co.uk/world/2013/jul/25/amash-amendment-full-roll-call)

Responder

Urbano

24 de julho de 2013 às 15h46

Os inimigos são internos porque os amigos são todos externos, a começar pelos ianques…

Responder

Antonio Carlos - Brasilia

24 de julho de 2013 às 13h04

Só uma coisa discordo: acredito sim que muitos documentos foram queimados. Por que eles iriam guardar tantas provas contra eles mesmos? Mas isso é um problema menor perto de todos os outros muito bem relatados neste artigo. Realmente, o militarismo é um câncer de todas nossas civilizações. Se analisarmos nossa história, o militarismo nunca sai de cena. E, as maiores potências mundiais são extremamente militarizadas.

Responder

    Objete

    26 de julho de 2013 às 06h16

    Se me é permitido discordar, afirmo que não é problema menor a cultura de menosprezar as crueis intervenções dos milicos mormente a tortura e assassinatos dos opositores durante os 21 anos de ditadura. Continuamos a precisar da Comissão da Verdade para esclarecer tudo, tudo e tudo desse período escuro da nossa história.

assalariado.

24 de julho de 2013 às 12h54

Ora, o Brasil colônia através das ‘mentes superiores’ da burguesia e seu braço, as ‘nossas’ FFAA, sempre foi planejada para pensar colonizado. A CIA/ EUA que o diga. Além do mais, é bom não esquecer que, as forças militares ‘nacionais’ foram idealizadas e montadas, para protegerem a burguesia local, diante de uma possível invasão da burguesia do Estado vizinho e além mares.

Com o desenvolvimento da luta de classes, na linha do tempo, os exércitos ‘nacionais’ passaram a ser obsoletos. Nesse sentido e sob o comando dos donos capital, começaram a atuar somente internamente, para reprimir o seu próprio povo e os movimentos sociais, injustiçados pela ordem burguesa local. Mas por que? Justamente porque os países imperialistas (leia -se G7) que são nada menos que os nossos colonizadores, em conluio com a burguesia local das mentes colonizadas, acharam que, para o bem de seus lucros, terceirizarem os cérebros dos comandantes das FFAA das nações. Devidamente teleguiada pela ideologia do capital internacional. Que se traduziram em lei de ‘segurança nacional’. Escrita a quatro mãos pelos traidores da pátria, após o golpe de Estado de 1964.

Ou seja, a partir desse momento é que surge o ‘inimigo interno’ que, em outras palavras é, dividir nosso povo entre os lutadores pela emancipação/ libertação de nossa pátria do jugo internacional do capital, em confronto com aqueles que se trocam por de 30 moedas, os entreguistas enrustidos dentro do ‘Estado de Direito’ e suas instituições.

Observem bem, quando na hora ‘h’, nas lutas do povo, na condição de explorados se rebelam contra os donos capital, as fardas multicores devidamente colonizadas e terceirizadas, correm no sentido de manter a ordem a qual foram treinados os seus cérebros enquanto ‘defensores’ da pátria, donde a policia e as FFAA, funcionam como escudo/ braços armados dos valores burgueses de sociedade.

Tudo isso, no sentido de nos manterem como lambe botas da burguesia internacional. Sim, de repente, resultamos numa policia e FFAA apenas como quarteis mais avançados das forças do capital internacional, para além das fronteiras do G7. Em nome de que, e de quem mesmo?

Saudações Socialistas.

Responder

    Mário SF Alves

    24 de julho de 2013 às 19h05

    E quer saber, companheiro?

    Para o olhar que não transpõe as aparências, um zilhão de zeros à esquerda será o significado de toda a essência. Ou… dito de outro modo, se a aparência fosse a essência do que nos serviria a ciência? Do que nos serviria conhecer a essência das coisas? Ah, tal fruta ou tal folha tem a forma de um fígado? Ah, então é boa pra curar os males do dito órgão.
    ___________________________________
    Admira-me enormemente que ainda hoje, num universo comandado zeros e uns, bits e bytes*, onde antes dele cálculos complicadíssimos levavam meses e até anos a fio para serem concluídos e que nos dias que correm são resolvidos em fração de hora, ainda exista tanto passado, tanto “poder”, tanta superstição e tanta velhacaria tentando (e conseguindo) se perpetuar à custa do preconceito oriundo do lodaçal da aparência.

    ____________________________________________
    Até quando, meu Deus? Até quando?

    _____________________________________________________
    *Tudo por culpa do visionário e genial Steve Jobs e do espertíssimo e igualmente visionário pirata Bill Gates. Não só deles, claro!

leprechaun

24 de julho de 2013 às 07h59

por isso na trilha de Giorgio Agambem, o Paulo Arantes e outros falam com muita propriedade num “estado permanente de exceção”, que já foi tema discussão no cartamaior. Os petistas e a esquerda do capital em geral não rejeitam a hipóstese de saíde e insistem, pelo vies jurídico, que vivemos num estado de direito e numa democracia consolidada. Tarso genro até escreveu um artigo em defesa do suposto estado de direito (contra as análises do paulo arantes)plausível pra quem está no poder. O problema é que o estado direito e a nossa democracia consolidada garantem, no máximo, o consumo desenfreado e a reprodução/reposição cotidiana desse mesmo sistema, isto seguramente está garantido, mas quando falamos em mudanças, ainda que pequenas, deparamo-nos com a constatação do artigo: de que os caminhos estão bloqueados, e aí ficam perguntas: pra que serve um estado direito e o que é uma democracia que bloqueia qq’s pequenas mudanças?

Responder

    Mário SF Alves

    26 de julho de 2013 às 19h55

    Concordo.

Oswaldo

24 de julho de 2013 às 06h48

A Argentina, no período dos Kirchner, criou uma nova unidade nas Forças Armadas. E, agora em Junho, essa força foi colocada no comando da Forças, e os comandantes que representavam unidades ligadas à ditadura foram mandados compulsoriamente para a reserva.
Aqui, vigora a ideia de uma suposta “conciliação” em lugar da renovação.

Responder

FrancoAtirador

23 de julho de 2013 às 21h58

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20/07/2013 – 08:28h

Sociólogo que estuda protestos é vítima de sequestro

O sociólogo Paulo Baía, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-secretário de Estado de Direitos Humanos, foi vítima de um sequestro-relâmpago, na manhã desta sexta-feira.

Baía foi posto num carro e obrigado a circular pelas ruas do centro, com quatro homens armados e encapuzados.

Ele, que estuda os protestos que eclodiram no País, afirma que foi ameaçado por dar entrevistas a respeito da atuação da Polícia Militar (PM).

Nesta sexta-feira, o jornal O Globo publicou entrevista em que Baía comentava o quebra-quebra no Leblon, na capital fluminense.

“A polícia viu o crime acontecendo e não agiu. O recado da polícia foi o seguinte: agora, eu vou dar porrada em todo mundo”, afirmou ao jornal carioca.

O caso foi denunciado à Ouvidoria do Ministério Público (MP) e à chefia de Polícia Civil.

De acordo com o procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira, o episódio é “extremamente preocupante”.
“Houve uma tentativa de calar uma voz importante no cenário político nacional. Isso fere o Estado Democrático de Direito e causa enorme preocupação.”

Baía caminhava por volta das 7h30 no Aterro do Flamengo, na zona sul, quando foi abordado por dois homens armados, com os rostos escondidos por toucas ninjas e óculos escuros, e as cabeças cobertas por capuzes de moletom.
Logo em seguida, um Nissan preto, sem placa, estacionou ao lado deles.
O sociólogo foi obrigado a entrar.

“Não dê mais nenhuma entrevista, não cite a Polícia Militar de forma alguma, senão será a última entrevista que o senhor dará.”

Baía circulou pelo Aterro, passou pela Avenida Rio Branco e foi deixado em frente à Biblioteca Nacional – um trajeto de 10 minutos.

“O recado está dado”, disse um dos homens ao liberar Baía.

“Não estou amedrontado, mas estou sob tensão. É um atentado a minha pessoa, mas também à liberdade de imprensa. O motivador foi a matéria publicada hoje (19)”, afirmou Baía.

Ele contou que foi a primeira ameaça que sofreu e que pretende mudar a rotina.

“Estou impactado, um pouco traumatizado. Esta é uma posição nova para mim – a de vítima. Já vim a essa casa (MP) muitas vezes, trazendo vítimas. Já trabalhei em casos complicados, até mesmo com o crime organizado, mas nunca passei por isso”, disse o professor, que também se encontrou com a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, e registrou o caso na 5.ª DP.

Baía vem estudando há cinco anos a demanda da população por reconhecimento, respeito e novos direitos. Ele tem participado das manifestações e mapeou os grupos que participam dos atos, identificando, inclusive, aqueles que fazem depredações e saques. “É um grupo que comete crime, não vandalismo. Vandalismo é um termo impreciso, incorreto e que desqualifica a manifestação. Esses que fazem saques são criminosos. E fico muito surpreso de a polícia assistir aos crimes e não agir”, afirmou o sociólogo.

(http://www.pop.com.br/popnews/brasil/Sociologo-que-estuda-protestos-e-vitima-de-sequestro-975713.html)

Responder

FrancoAtirador

23 de julho de 2013 às 21h53

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A PSICOSE

“Não se deve exagerar na psicose da segurança, como se o papa fosse um elemento intocável e quem o recebe fossem elementos perigosos. Somos de paz.”
“O papa quer estar perto do povo e ser tocado.
Não aconteceu nada na segunda-feira.”

(Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo)

(http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/2013-07-23/papa-nao-e-intocavel-e-nao-deve-haver-psicose-com-seguranca-diz-dom-odilo.html)




Responder

Mário SF Alves

23 de julho de 2013 às 20h52

Inimigo interno… lei de segurança naZional… terroristas… êpa! …acho que vou vomitar.

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Importantíssiomo o alerta do Igor, pois só falta mesmo trazerem à tona o corroído e extemporâneo argumento da eterna ameaça comunista soviética.

Enqunato isso, a ameaça real, as garras de abutre do Império e aí, sim, os inimigos internos a ele associados flanam por aí, livres, leves e soltos.

Enquanto isso… democracia boa mesmo é a democracia deles, a democracia que apenas pode exisatir no estrito interesse deles.

Responder

    Objete

    26 de julho de 2013 às 06h31

    Texto curto e extremamente claro. Disse tudo Mario.

Adriano Medeiros Costa

23 de julho de 2013 às 18h21

As Forças Armadas no Brasil são os capitães do mato das elites. O tempo muda os nomes, mas o conceito permanece.

Responder

    Waldinei

    23 de julho de 2013 às 21h19

    Temos que trazer para a área acadêmica a gestão de segurança, os civis devem planejar o desenvolvimento das forças armadas do Brasil, e, para isso, a discussão deve ser aberta nas universidades, no congresso, no executivo.

    matheus

    24 de julho de 2013 às 10h06

    Eu tento fazer isso na minha pesquisa acadêmica.

    O prof. Jorge Zaverucha tem um estudo excelente sobre o assunto, “FHC, polícia e forças armadas: entre autoritarismo e democracia”, onde mostra como a repressão militar foi posta à serviço do projeto neoliberal. Querem maior atentado à soberania nacional que este? Onde está o “patriotismo” deles? Uma das consequências dos 21 anos de Terrorismo de Estado da Junta Militar foi expulsar e matar todos os militares que tinham a mínima preocupação com a sua função real, a defesa da soberania nacional (segurança externa).


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