Por Dinizia Excelsa*
“…Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucado brutalmente…”
León Gieco em Solo Le Pido a Dios
A Argentina e sua Democracia vivem imensa crise.
Com o apoio das Big Techs e dos grandes meios de comunicação, o governo Milei, em pouco mais de dois anos, criou ilusões, fazendo das mentiras falsas verdades por repetição das narrativas, aplicou a “motosserra” nos direitos sociais, votou leis a favor do grande capital, subordinou os interesses e a soberania do povo argentino aos EUA e a Donald Trump e agora busca aprovar uma reforma trabalhista (já avalizada pelo Senado, só falta a Câmara dos Deputados), que representa a volta da escravidão.
A situação atual não foi obra do acaso. Ela foi forjada bem antes, dia a dia, em governos anteriores.
Para se chegar à situação que a Argentina chegou, é só um governo eleito com os votos e compromissos com a classe trabalhadora: ocultar verdades para evitar enfrentamentos e rupturas com os mercados; priorizar a banalidade ao invés de agir no ajuste estrutural necessário; estar no poder traindo o povo; deixar intocáveis pagamentos de juros absurdos de dívidas que nem existem para banqueiros; manipular a administração para permitir desconstruções de conquistas históricas da classe trabalhadora do país.
As rupturas sempre serão feitas. Ou por quem está no poder, ou por quem sucederá. Ela será a favor da classe trabalhadora ou dos milionários rentistas.
As realidades pós eleições presidenciais no Chile, Bolívia, Argentina, México e Colômbia nos mostram essas diferenças.
Portanto, ”Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, como diz o refrão de Caminhando, música composta por Geraldo Vandré em 1968.
A propósito. Estas linhas sobre a Argentina me fez inevitavelmente recordar Só Lo Pido a Dios, de León Gieco, na voz das inesquecíveis Beth Carvalho e Mercedes Sosa.
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Esta música traz à tona as angústias e os desejos do autor e das duas magistrais intérpretes. Ouçam. Vale a pena.
Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo
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