Gilberto Maringoni: Futebol e desenvolvimento — o auge de um país

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Ilustração: Gilberto Maringoni

Por Gilberto Maringoni*

O auge do futebol brasileiro (1950-94) se deu no período do nacional-desenvolvimentismo.

Ele começa na brilhante campanha de 50 (fomos invictos à exceção da final), passa pela conquista de quatro Copas e da formação de duas seleções irrepetíveis no plano global (1970-82).

Revelamos os maiores craques do mundo, ganhamos seis vezes o mundial de clubes (Santos em 1962-63, Flamengo em 1981, Grêmio em 1983 e São Paulo em 1992-93) e inventamos a ginga e o futebol-arte.

São construções e conquistas que coincidem com o tempo em que o Brasil tinha projeto de futuro, com a ampliação de direitos sociais, a criação da CSN, da Petrobrás, do BNDES, da Eletrobrás, da Embraer e do II PND, entre outros tentos.

Seu ocaso acontece com a chegada do tucanato e do neoliberalismo selvagem. Tivemos um soluço temporão em 2002. O neoliberalismo, a partir de FHC até a atualidade, marca a desesperança e a desindustrialização de um lado e nossa decadência em campo, de outro.

Temos hoje o futebol da privatização, do ajuste e do arcabouço e o fim dos times em que o talento era coletivo.

Agora é a vez do exibicionismo individualista, típico dos tempos da supremacia dos mercados e das finanças. Ou seja, a mediocridade e a falta de perspectiva dão o tom dentro e fora do campo.

Assistimos 11 empresários de si mesmo correndo atrás da bola por 90 minutos, assim como temos empresas estratégicas em mãos privadas correndo atrás de bônus para seus acionistas.

A superação da decadência do país não é bandeira de nenhum dos principais candidatos à presidência. Tentemos pelo menos ganhar tempo, escolhendo o menos pior.

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*Gilberto Maringoni é jornalista e professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC).

Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.

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