Marco Brito: A financeirização capitalista e o ataque sistemático ao SUS
Tempo de leitura: 2 min
Por Marco Paulo Valeriano de Brito*
A financeirização da saúde é um processo em que a lógica do mercado financeiro e a busca por lucros imediatos (rentismo) passam a orientar o setor sanitário, transformando a saúde pública e os direitos universais em ativos lucrativos.
No Brasil, esse fenômeno atua como um ataque sistemático ao Sistema Único de Saúde (SUS), enfraquecendo-o estruturalmente.
Os mecanismos que compõem esse processo incluem:
Subfinanciamento crônico: A imposição de tetos de gastos e políticas de austeridade fiscal desviam recursos públicos essenciais, que passam a remunerar investidores em títulos da dívida pública em vez de financiar a infraestrutura, insumos e profissionais do SUS.
Mercantilização e expansão de planos: A precarização intencional da rede pública empurra a população para a contratação de planos de saúde privados (setor de saúde suplementar), que são controlados ou têm grande parte do seu capital gerido por fundos de investimento, seguradoras e corporações transnacionais.
Apropriação do fundo público: Mecanismos como Parcerias Público-Privadas (PPPs), terceirizações e renúncias fiscais transferem verbas públicas diretamente para a iniciativa privada, subordinando a gestão hospitalar e a oferta de exames/consultas à lógica da rentabilidade.
Financeirização da prestação de serviços: Grandes conglomerados e corporações hospitalares passam por fusões e aquisições, listando-se na bolsa de valores.
Isso faz com que a saúde seja pensada segundo a expectativa de valorização de ativos financeiros e pagamento de dividendos aos acionistas, e não com base nas necessidades da população.
Para análises aprofundadas sobre o tema, você pode conferir os debates sobre o capitalismo contemporâneo e o desmonte do bem-estar social desenvolvidos pelo Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE) e pesquisar os artigos da área de Economia Política da Saúde disponíveis na plataforma SciELO.
Apoie o VIOMUNDO
- Você pode se aprofundar no tema Financeirização da Saúde pesquisando:
- O impacto específico das emendas parlamentares e fundos constitucionais no orçamento do SUS.
- Como as fusões de grandes operadoras de planos de saúde afetam a regulação da ANS.
Buscar fontes de leitura e pesquisadores de referência para estudos na área da Saúde, Seguridade Social e Soberania Sanitária para o bem-estar e a qualidade de vida do povo brasileiro.
Diante de mais essa agressão ao Sistema Único de Saúde, que põe em risco a nossa soberania sanitária e coloca em xeque a saúde do povo brasileiro, a defesa do SUS precisa ser levada à radicalidade da segurança do Estado brasileiro e todas as lutas e resistências da sociedade civil organizada devem convergir para a exigência do cumprimento da Constituição Brasileira (Carta Magna do Brasil – 1988), que determina que “a saúde é um direito do povo e dever do Estado”, e a garantia, de fato e de direito, da manutenção do Sistema Único de Saúde, em caráter jurídico e político, sob a gestão pública e estatal do Estado brasileiro.
*Marco Paulo Valeriano de Brito é enfermeiro-sanitarista, professor e gestor público.
Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.
Leia também
Gustavo Guerreiro: Reforma agrária e poder na Colômbia — onde o Estado termina e a milícia começa




Comentários
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!