Por Gilberto Maringoni, em perfil de rede social
Ao longo de três anos e cinco meses, Lula tratou de entregar tudo o que a direita, o capital financeiro e o agro exigiram. Sem resistir.
E assim vieram o arcabouço fiscal, a taxa de juros na estratosfera, o crescimento econômico pífio, o maior financiamento agrícola da História, os cortes de gastos que aumentaram a fila do INSS, comprometem as Universidades e inviabilizaram reajustes no bolsa família.
Assim veio a proibição de atos críticos aos 60 anos do golpe de 1964, a pasteurização da campanha contra a 6 X 1, a passação de pano para o trabalho escravo, a política externa submissa à Casa Branca, a falta de solidariedade à Venezuela, Cuba e Irã, a abertura do Itamaraty ao sionismo, a declaração de André Esteves, quindim da Fazenda, de que tanto faz Lula ou um fascista na presidência etcétera etcétera até chegar à entrega das terras raras.
Para coroar, o último indicado de Lula ao STF rastejou-se como verme no Senado, jurando ser um servo de Deus e opositor do direito ao aborto desde criancinha.
O veredito da direita? A lâmina veio num zás! Por 42 a 34 tivemos algo inédito há 132 anos: a rejeição a uma indicação presidencial ao STF.
E agora? A presidência fica abalada e a candidatura Lula leva um míssil no peito.
Num governo sem comando ou coordenação política, é uma derrota séria. Para a campanha, o presidente perde muito da perspectiva de poder, aquela força centripeta que atrai aliados, possibilita a formação de alianças e palanques regionais.
Vai para o espaço a determinação do Congresso petista de “procurar o centro”, na verdade o Centrão, para turbinar a jornada até outubro.
A direita não respeita quem sempre cede. Como piranhas no meio do rio, seus membros querem mais carne sangrenta. Apenas usa e joga fora.
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De forma inexplicável, mas consciente, Lula amarrou uma bola de ferro no pé logo em 2023 ao apresentar o arcabouço como grande projeto nacional. Essa verdadeira CLT dos ricos travou o governo de alto a baixo, apesar de incontáveis vozes contrárias.
A eterna pergunta: que fazer? Dará um cavalo de pau em seu governo? Retirará despesas urgentes do arcabouço e tentará uma virada anticíclica? Tem instrumental para isso? Conta com formuladores políticos competentes em meio à mediocridade geral que instalou na Esplanada? Difícil saber.
O problema é que as escolhas do PT não comprometem apenas o partido e suas lideranças.
Comprometem o país. Pelo jeito ninguém no Planalto se preocupou muito com isso, no afã de agradar o outro lado, ao longo desses anos.
*Gilberto Maringoni é jornalista e professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC).
Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo




Comentários
Ocelo
Segundo o Maringoni , o jeito é votar no Flávio, já que queremos justiça social, mais empregos, melhor distribuição de renda, aperfeiçoamento do SUS, por mais escolas, mais hospitais… É o candidato perfeito, afinal o pai dele foi o presidente mais socialista que já assumiu a presidência do Brasil. #ironia
Georgia Gomes
Lula está no fim da linha. Seu governo é um híbrido de mau gosto e serviço ao capitalismo tardio. Perdeu o rumo e não consegue encontrar outro até outubro.
Alceu Guimarães Filho
Esse é petista declarado. Tirando a responsabilidade dos ombros e querendo transferir para os outros como sempre.
Nunca assumem as besteiras e erros que cometem…
Chico
Melhor texto que li sobre essa derrota.