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Meirelles que cortar gastos sociais para dar dinheiro às Forças Armadas; elas serão desmoralizadas, alerta Requião; veja o vídeo
Política

Meirelles que cortar gastos sociais para dar dinheiro às Forças Armadas; elas serão desmoralizadas, alerta Requião; veja o vídeo


21/02/2018 - 12h35

Da Redação

Roberto Requião se absteve na votação do decreto presidencial determinando intervenção na Segurança pública do Rio de Janeiro. A proposta de Temer foi aprovada por 340 votos a 37 na Câmara e, no Senado, por 55 votos a 13.

Antes mesmo da votação, já era um fato consumado.

Requião se disse favorável a uma intervenção no governo estadual, assim como vem pedindo o Psol fluminense, com eleições antecipadas.

Na Câmara, as bancadas do PSB e do PDT votaram com Temer, com exceção de Janete Capiberibe (PDT-AP).

No Senado, votaram contra Fátima Bezerra (PT-RN), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Humberto Costa (PT-PE), João Capiberibe (PSB-AP), Jorge Viana (PT-AC), José Pimentel (PT-CE), Lídice da Mata (PSB-BA), Lindbergh Farias (PT-RJ), Paulo Rocha (PT-PA), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Regina Sousa (PT-PI), Telmário Mota (PTB-RR) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Em seu discurso, Requião disse que as Forças Armadas estão servindo como boi de piranha de Temer:

 Ocupo esta tribuna com a cidade e o estado do Rio de Janeiro no coração e uma enorme preocupação com a imagem das nossas Forcas Armadas e a sua própria higidez.

Até as pedras do cais do Rio de Janeiro sabem que a crise de Segurança do estado que, logo, tudo indica, estará sob intervenção federal, se desenvolve no contexto de uma crise muito mais ampla nas áreas sociais, principalmente no desemprego, na degradação da Saúde e da Educação, na insuficiência de moradias decentes.

Entretanto, o ministro da Fazenda de Temer anuncia que os recursos para a área de segurança serão remanejados de outras áreas, ou seja, as raizes profundas da crise ficarão inalteradas, ou melhor, agravadas, porque os recursos sairão da área da Saúde, da Educação, da Habitação e das áreas sociais do Rio de Janeiro

Se o honrado general Braga Neto não se der conta de que, junto com a Segurança as demais áreas sociais do estados precisam de recursos novos, o Exército, não importa quantos bandidos vier a matar, segundo o conselho do nosso Heneral Heleno, que foi nosso comandante no Haiti, as Forças Armadas sairão completamente desmoralizadas dessa situação.

O Alto Comando terá que avaliar se dá um ultimato a Meirelles, através de Temer, ou se se humilha perante o país  e o mundo, como se humilharam no passado os capitães do mato, agora correndo atrás não de negros, mas de pobres em geral.

É hora de reconhecer as situações pelo nome. O governo Temer traiu o povo, ao abster-se de fazer uma politica de desenvolvimento, confiando apenas no poder da publicidade.

Financeiramente, fez um déficit gigantesco para pagar juros estratosféricos e desnecessários sobre a dívida pública, seguindo a pressão e os desejos do mercado. Agarrou a ortodoxia neoliberal para impedir o investimento público inclusive na Petrobrás, carro chefe de investimentos na economia brasileira, o que hoje faz com que o desemprego do Rio de Janeiro seja seguramente o maior do Brasil

É hora de revertemos isso. Perceberam vocês que os altos déficits do governo Temer não provocaram e não provocam inflação? Onde está a inflação, com os déficits estratosféricos do governo atual.

Isso não nos deveria levar à conclusão de que déficit não resulta necessariamente em inflação?

Portanto, coloquemos os pontos nos iis. Se o General Braga quiser aliados sérios em sua missão, que exija do governo que financie de forma satisfatória um grande programa social no qual se enquadre o programa de Segurança.

Não importa que seja financiado por investimentos deficitários.

Isso acontece em todo o mundo civilizado, sem inflação, em momentos de crise, inclusive em momentos de guerra, e o que for investido reverterá logo na forma de aumento da receita pública, reduzindo a dívida pública.

E isso no momento em que o presidente Donal Trump pede e o Congresso autoriza 1 trilhão e 500 bilhões [de dólares] de investimento para fazer retornar o círculo virtuoso da economia de forma deficitária, do ponto de vista do orçamento americano.

Se aceitar as condições de Meirelles para gastos públicos sociais, salvando apenas a Segurança, o general Braga ficará sob o cerco de um grande círculo de miseráveis no Rio de Janeiro.

O Exército poderia sair matando bandidos, e sobretudo suspeitos de bandidos em toda cidade, sobretudo nas favelas, caracterizando-se como um matador de pobres, de negros, de discriminados, uma espécie moderna de força nazista voltada contra o próprio povo do Rio de Janeiro.

É um papel à altura desse governo, mas não é um papel para ser executado pelas Forças Armadas brasileiras, que na última guerra combateram contra o nazismo.

Acho que o Rio de Janeiro precisa de uma intervenção na Segurança pública, na Polícia Militar, na Policia Civil, no governo, que já tem a metade de seus antigos participantes na cadeia, em prisões publicas, alguns inclusive na minha Curitiba, na Penitenciária de Pinhais.

Não tem nenhum cabimento essa intervenção parcial, como disse o nosso jurisconsulto de Alagoas, o senador Renan, intervenção parcial, a intervenção no estado é feita no governo e se mantém até que o objeto da intervenção seja concretizado.

O Senado esta a participar de uma farsa midiática. E que repito aqui, em homenagem às Forças Armadas brasileiras,  o conceito do general Augusto Heleno, que deixou claro, numa sua entrevista à Globonews, ele tinha certeza que o Exército brasileiro, a Marinha e a Aeronáutica estavam sendo manipulados por um grupo, e as palavras são deles, de bandidos que tomaram conta do pais.

Esses bandidos serão reproduzidos agora pelos votos desse plenário.

Uma intervenção midiática, roubando as bobagens bárbaras do Bolsonaro, para efeitos publicitários de recuperar a imagem pública do governo?

Senado, mais uma vez, a responsabilidade está nas nossas mãos, votem com consciência, votem a favor das Forças Armadas, para elas não cairem nessa armadilha, votem a favor da população pobre do Rio de Janeiro, que não pode ser massacrada.

Ou será que o trafico, o crime, se localiza só nas favelas? Ouvi um ministro declarar outro dia que não podia ter um plano de investimentos porque o número de favelas do Rio é muito grande.

Serão os pobres, os favelados, os criminosos?

E os dois ou três mil cassinos clandestinos, que funcionam com apoio da Policial civil e militar? E a estrutura toda da administração pública?

A intervenção no Rio de Janeiro é necessária com seriedade, não utilizando o Exército, a Marinha e a Aeronáutica como bois de piranha de uma farsa publicitária, de um governo completamente desmoralizado, sem nenhuma condição e com o fracasso e a desmoralização do Exército assegurados.

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1 comentário

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Julio Silveira

22 de fevereiro de 2018 às 14h16

Requião, o que ainda fazes nesse grupamento que costumas denominar, com acerto, canalhas?

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