Francisco Luís: Ficou barato para Dilma; comparado a março, queda de 60% em participantes e 20% em cidades

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Image-1 (2) Manifestações pequenas em Minas enfraquecem Aécio 

por Francisco Luís, especial para o Viomundo

Um balanço das manifestações: ficou barato para Dilma.

O portal G1 divulgou os números sobre a quantidade de manifestantes presentes nas manifestações contra o governo federal.

A tabela abaixo sintetiza a soma de todo o Brasil.

Considerando-se os dados da Polícia Militar, os números apontam queda superior a 60% no número de manifestantes nos atos deste domingo, 16 de agosto,  em comparação aos de 15 de março.

O mais revelador é a diminuição no número de cidades em que houve atos: caiu mais de 20%, sugerindo menor capilaridade dos movimentos contra o governo Dilma Dilma Rousseff.

Manifestantes total-001

Esses números, no entanto, devem ser lidos criticamente.

Que os organizadores normalmente inflam os números é o habitual.

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Mas a Polícia Militar pode também ter inflado os números, como tudo indicam os atos na Avenida Paulista, em São Paulo.

Para termos uma ideia melhor disso basta ver os cálculos do Datafolha e os da PM paulista: as diferenças chegam a mais de 60%!

E  os números de manifestantes na Paulista representam quase 40% do total no Brasil.

manifestantes paulista

Manifestantes total-002

Os dados acima são aproximados. Se os olharmos regionalmente, o Estado de São Paulo contou com mais da metade dos manifestantes, segundo os cálculos da Polícia Militar (aproximadamente 460 mil). Assim, deveríamos, pelo menos, reduzi-los a mais da metade para termos um valor real.

Outro dado curioso é o tamanho das manifestações em Minas Gerais. Foram muito pequenas — 25 mil participantes, representando 2,84% do País. Portanto, enfraquecem o senador tucano-golpista Aécio Neves.

De qualquer forma, repito. Os números não dizem tudo. Deveríamos relembrar os acontecimentos dos últimos meses. Resumidamente:

* Prisão do ex-ministro José Dirceu e uma série de ilações contra ex-presidente Lula, que ficaram sob  forte bombardeio na mídia.

* Aumento de desemprego, inflação e de setores atingidos pela crise econômica, que, como já foi demonstrado aqui no Viomundo, atinge com mais força o Estado de São Paulo, contribuindo par a queda maior do PIB do Brasil.

* Aumento da instabilidade política no Congresso, com a  forte e irresponsável oposição do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

* O chamamento dos tucanos no seu programa de TV para os atos desse  domingo e a conclamação da sua militância para comparecer.

* O programa do PT na TV, aliás, deixou os tucanos furiosos.  A sua narrativa convenceu muitos brasileiros de que a oposição não pensa no País e age por interesses mesquinhos.

O fato é que, nas últimas semanas, muitos setores percebendo que o impeachment é uma forma de destruir a economia do país, prejudicar os seus negócios e ameaçar a democracia, resolveram retirar o pé das manifestações desse domingo. As contas mostraram que o preço seria alto e jogaria o País numa convulsão social. E o que, evidentemente, o capital menos quer é alto risco.

Ontem, dia dos protestos, a TV Globo e CBN mostraram que continuam as mesmas.  Estimularam os protestos e mostraram que a tática é manter o PT nas cordas, fazendo-o sangrar para enfraquecê-lo nas eleições de 2016 e 2018.

Chamo a atenção para a ação responsável dos jovens do Partido da Causa Operária (PCO), que representa setores de esquerda não petistas.

Preocupados com o crescimento do fascismo, alguns dos seus jovens militantes foram para a Avenida Paulista na madrugada desse domingo, antes das manifestações, e pregaram cartazes contra o golpe. Deram uma lição para todos nós, mostrando que, agora, a luta passa a ser de classe e no fundo voltou a ser rico contra pobres.

Tudo isto junto mostra que, até agora, a conta ficou barata para o governo federal.

O caminho para sair da crise política está aberto. Tem de se buscá-lo rapidamente, sem que o ônus recaia sobre as conquistas do trabalhadores e os movimento sociais.

Já o PT, se quiser sobreviver, precisa urgentemente sair da defensiva política, especialmente no maior Estado da Federação.

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