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Francisco Fonseca: O pacto lulista “de todos com todos” se esgotou
Política

Francisco Fonseca: O pacto lulista “de todos com todos” se esgotou


05/08/2013 - 10h56

Política| 05/08/2013 | Copyleft

O esgotamento da aliança conservadora de classes

Conjunturas podem, por vezes, revelar – normalmente de maneira polifônica – situações de mudança estrutural, como aparentemente é o caso. Embora não se tenha completa clareza do significado das manifestações que, a rigor, continuam por motivações diversas e distintas, e revelam claras disputas ideológicas e consequentemente de poder, o fato é que o chamado “pacto de classes” instaurado pelo Governo Lula está em crise, sendo o Governo Dilma sua expressão.

por Francisco Fonseca*, na Carta Maior

Passadas as manifestações de junho, e mesmo de julho, que abalaram o país, os desdobramentos que daí advieram, do ponto de vista das demandas por reformas, em boa medida ou retroagiram ou foram postergados para as calendas. Mas, mais importante, tal conjuntura parece apontar para um aspecto central da política: o esgotamento da aliança conservadora de classes organizada sob o lulismo.

Conjunturas podem, por vezes, revelar – normalmente de maneira polifônica – situações de mudança estrutural, como aparentemente é o caso.

Embora não se tenha completa clareza do significado das manifestações que, a rigor, continuam por motivações diversas e distintas, e revelam claras disputas ideológicas e consequentemente de poder, o fato é que o chamado “pacto de classes” instaurado pelo Governo Lula está em crise, sendo o Governo Dilma sua expressão.

O pacto levado a cabo a partir de Lula inseriu, como apenas os Governos Vargas de certa forma o haviam feito, os miseráveis e os pobres, assim como os setores populares organizados, tais como os movimentos sociais e o sindical, mas não enfrentou os privilégios das classes médias superiores, notadamente a rentista, e do grande Capital.

Exemplos claros dessa aliança “pelo alto” são o imobilismo perante um conjunto de reformas não realizadas, tais como, entre outras:

— a reforma tributária, tendo em vista o perverso e iníquo modelo brasileiro que extrai dos mais pobres proporcionalmente mais impostos do que dos mais ricos, assim como a não retomada do debate acerca dos impostos sobre grandes fortunas.Ainda mais grave se torna esse quadro em razão da histórica desigualdade social no país;

— a sangria dos juros da dívida interna, que favorece cerca de vinte mil famílias de rentistas, incluindo-se os grandes bancos, e que foi ampliada (a dívida) com os aumentos periódicos das taxas de juros; a estrutura fundiária/agrícola, articulada ao agronegócio, cuja contribuição para o PIB pela via das exportações paralisou qualquer tentativa de reforma estrutural do campo;

— o oligopólio midiático, responsável pela criminalização dos movimentos sociais, pela desqualificação das instituições políticas e pelo golpismo como forma de ação política reagente a qualquer reforma democrático/popular, cujos órgãos de comunicação representam justamente as classes médias superiores e o Capital: tal oligopólio não foi combatido, pelo contrário, como o demonstram simbolicamente as presentes de ministros das Comunicações dos governos Lula e Dilma (Hélio Costa e Paulo Bernardo);

— a estrutura creditícia federal, fortemente vinculada aos interesses do grande capital (sobretudo o BNDES, mas também o BB e a CEF): embora tenham efeitos propagadores ao emprego e à renda, a manutenção dessa estrutura não permitiu a reversão do ciclo histórico da apropriação do Estado pelas elites econômicas;

— o sistema político privatizado, por meio da consolidação do “caixa dois” e da fragmentação partidária voltada em boa medida aos “negócios”, tendo em vista a lógica das coligações/coalizões, no contexto da permanentemente postergada reforma política; a participação popular, o controle social e a transparência como aspectos cruciais – e que obtiveram avanços –, mas não “radicalizados” a ponto de criar novas correlações de força na sociedade, o que inclui a cooptação do movimento social e sindical pelos aparatos estatais;

— a estrutura simbólica, representada pela ideologia, segue os padrões históricos – estéticos e substantivos – estadunidenses, o que implica a manutenção do caráter dependente e associado da produção cultural nacional e o descaso quanto à defesa da língua como elemento fundante da soberania, contrariamente ao que nos ensinam os franceses, apenas para citar dois exemplos;

— a exceção parece ter sido a política exterior, uma vez que se buscou aproximações com a América Latina, o Oriente Médio, a África e outros países fora da tradicional vinculação ao hemisfério norte.

É claro que houve inúmeros avanços, atestados por diversos dados e indicadores, conforme tenho procurado demonstrar neste Portal em artigos anteriores, mas tais avanços não lograram um país distinto no que tange a mudanças estruturais.

Em outras palavras, o modelo incremental lulista, de pacto “de todos com todos”, embora represente avanço tendo em vista o conservadorismo voltado às “classes médias e ao Capital” vigente até então – isto é, dos militares a FHC –, de forma alguma expressou um vetor hegemônico no tocante às reformas sociais, econômicas, político/institucionais e ideológicas.

Ao contrário, os inúmeros avanços ocorreram nas franjas do statu quo, sem colocar em xeque as estruturas dos grandes privilégios e iniquidades.

Vejamos como esse processo vem ocorrendo:

—  A inclusão social se dá pelo consumo: daí o viés consumista da chamada “nova” classe média que, de forma não casual, tende ao conservadorismo político/ideológico. A aliança com o Capital passa, portanto, também pelo aumento do mercado consumidor.

Nesse sentido, a privatização de Collor/FHC se sustenta pela maior oferta de serviços, mas não tem como contrapartida aparatos estatais capazes de enfrentar as mazelas de toda sorte da “privatização selvagem” levada a cabo.

Exemplo cabal disso refere-se à hegemonia do Capital sobre o consumidor expresso pela fragilidade das agências reguladoras.

Tal fragilidade do Estado brasileiro tem impacto brutal no cotidiano dos cidadãos: as áreas de telefonia e de seguro privado de saúde são demonstrações cabais do “inferno privatizado” que vive o brasileiro, mesmo das classes médias.

Afinal, a “popularização” dos serviços privados mostrou-se tão ou mais ineficiente do que a vivenciada pela experiência de serviços estatais.

A privatização fora, contudo, até então desejo de amplos setores da sociedade, seduzidos pelo discurso midiático maniqueísta de que o Estado seria a fonte de todos os males e o setor privado imanentemente eficiente e eficaz tendo em vista a cantilena ideológica da “soberania do consumidor”.

A relação Capital/Trabalho vem sendo rearranjada vigorosamente pró-Capital com a derrocada real e cotidiana da CLT – embora juridicamente se mantenha –, uma vez que:

a) a precarização do trabalho, por meio de toda forma de terceirização, de trabalho “autônomo” e parcial fragiliza o trabalhador;

b) particularmente a chamada pejotização da economia corrói profunda e sorrateiramente os direitos trabalhistas;

e c) tanto a demanda história pela jornada de 40 horas como o altíssimo número de horas extras, além dos incríveis números de acidentes no ambiente do trabalho, se mantém, denotando a manutenção de padrões históricos de acumulação capitalista no país.

É claro que o chamado “modelo flexível de acumulação” (pós-fordista) contribui fortemente para tanto, mas não é suficiente para a compreensão histórica da precariedade do trabalho no Brasil.

A universalização dos direitos sociais (SUS, SUAS, educação pública etc) mantém-se aquém das necessidades dos cidadãos comuns, pobres, que são a maioria esmagadora dos brasileiros.

Claramente não se investiu o suficiente para reverter a dura realidade dos fatores cruciais que constituem a vida cotidiana: daí a atualidade da retomada da agenda pelos 10% do PIB para a educação, da CPMF como fonte de financiamento da saúde, e da desoneração tributária/subsídio do transporte coletivo pelo individual ao transporte coletivo.

Paralelamente ao financiamento, problemas relacionados à gestão das políticas sociais representam igualmente sérios problemas a serem resolvidos.

Não será, contudo, a cantilena privatista e gerencial que irá resolver os problemas públicos.

Basta lembrar que, por exemplo, o SUS tem na iniciativa privada seus principais fornecedores, que movimentam milhões de reais, assim como a chamada contratualização dos serviços públicos (pela via das Organizações Sociais e das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) não dinamizaram a Administração Pública, tal como prometera.

Apontei tais mazelas no artigo publicado em 08/06/2013 neste Portal, intitulado “A privatização da gestão pública”. 

Dessa forma, pode-se afirmar que as manifestações de junho/julho, mesmo que polifônicas, aparentemente apontam para o esgotamento do pacto incremental e conservador articulado pelo lulismo: por não enfrentar os grandes poderes constituídos, por agir apenas nas franjas do sistema de poder e por não “radicalizar a democracia”.

A saída, portanto, é virar à esquerda, num rearranjo de poderes que privilegie os pobres por meio do orçamento voltado às reais necessidades populares, por políticas públicas transformadoras, pela real universalização de direitos, e sobretudo por uma nova correlação de forças capaz de reestruturar o Estado no sentido de dirigir o capitalismo.

São tarefas urgentes, pois demandas vigorosas dos setores populares, tanto os articulados em movimentos sociais como as vozes – progressistas – que ecoam das ruas.

Nada disso é fácil, assim como não há panaceias. Mas as manifestações de junho, sobretudo, demonstraram que o tempo histórico foi acelerado. Isso significa ser possível uma nova correlação de forças capaz de, por meio de um projeto político à esquerda, criar um novo ciclo histórico no país.

O significado de “realismo” e “do que é possível” se alterou rapidamente. A ágil compreensão desse fenômeno é fundamental, mas sobretudo a ação com vistas a um projeto político transformador está aberta como poucas vezes esteve!

Mas as disputas político/ideológicas estão mais acirradas, o que implica igualmente maiores riscos!

Em síntese, o grande pacto incremental – imanentemente conservador, apesar de seus avanços – aparentemente entrou em crise, sendo a contenda eleitoral a exteriorização, em termos institucionais, dos fenômenos sociais/econômicos e político/ideológicos.

Esta sociologia política, a partir da conjuntura, nos permite analisar tais fenômenos para ver neles o que é mais profundo.

* Francisco Fonseca, cientista político e historiador, é professor de ciência política no curso de Administração Pública e Governo na FGV/SP. É autor de “O Consenso Forjado – a grande imprensa e a formação da agenda ultraliberal no Brasil” (São Paulo, Editora Hucitec, 2005) e organizador, em coautoria, do livro “Controle Social da Administração Pública – cenário, avanços e dilemas no Brasil” (São Paulo, Editora Unesp, 2010), entre outros livros e artigos.

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39 comentários

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Jayme Vasconcellos Soares

06 de agosto de 2013 às 18h25

Parabéns a Francisco Fonseca pelo sua análise, em Carta Capital, sobre a política do PT e seu total fracasso! também concordo inteiramente com o que foi postado por Bernardino, em relação a esse assunto. Há a necessidade de uma reformulação profunda na esquerda brasileira, que deve incluir a filtragem e denúncia de alguns falsos esquerdistas, que usam esta ideologia para, de todos os modos, se locupletarem.

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Bernardino

06 de agosto de 2013 às 13h21

PARABENS JULIO SILVEIRA,analise perfeita da destruiçao da verdadeira esquerda pelo PT A quem chamo PARTIDO TERMINAL(PT( o Problema é que os petistas que aqui frequntam o BLOG nao querem perder as boquinhas que construiram e usufruem do poder ao longe desses anos(10) e se aliaram aos pilantras da Politica em nome da Governabilidade um eufemismo de covardia

Sugiro ao sr ULISSES a frase do Genial MINO CARTA: O PT Montou a RATOEIRA e ali colocou o QUEIJO pra atrair os RATOS,no final Gostou do QUEIJO e Caiu na ARMADILHA!!ESSA frase resume o PT de HOJE: UM parideco DECADENTE como os demais:PSDB,DEM,PMDB e PCs e companhia BELA

Responder

lulipe

06 de agosto de 2013 às 12h32

O lula sempre buscou o poder a todo custo, nem que para isso tivesse que passar por cima de companheiros que com ele fundaram o partido ou fazer alianças com o que há de mais podre em nossa política, políticos que ele passou a vida criticando.Se tem gente que acredita em papai-noel, que Elvis vive, que o governo americano forjou o 11 de setembro, por que não acreditar nas boas intenções do lula, não é mesmo???

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abolicionista

06 de agosto de 2013 às 10h12

O grande problema do argumento governista é que ele se restringe à lógica eleitoral. Como se a única forma possível de exercer a democracia fosse votar. A democracia direta é imediatamente transformada em tentativa de golpe ou deslegitimada como “movimento de filhinhos de papai” (ainda que o fosse – o que ela não é – isso a torna ilegítima. Além disso, basta ver a quantidade de protestos em periferias e o apoio massivo da população nas pesquisas (a maioria quer tomar parte nos próximos protestos, inclusive), para notar que o argumento governista está cada vez mais desajustado em relação aos fatos. Que o governo tenha abdicado da luta ideológica me parece bastante evidente. Além disso, fico me perguntado se o argumento da governabilidade não se tornou uma espécie de justificativa universal, de argumento infalível. Quer dizer, se nenhuma reforma de base foi nem mesmo começada, é só usar o argumento da governabilidade (afinal, já não dá para dizer que não houve tempo hábil), enfim, tampouco me interessa ficar nesse debate mesquinho. A única salvação para a esquerda sempre foi buscar suas raízes e pensar, de fato, a longo prazo.

Responder

    Julio Silveira

    06 de agosto de 2013 às 12h10

    Foi o que eu sempre acreditei, mas aonde está a esquerda brasileira hoje, senão nos Blogs?

Mardones

06 de agosto de 2013 às 10h00

Análise muito boa. Parabéns!

Responder

Mameladov

06 de agosto de 2013 às 07h55

A Friboi é a empresa do setor, uma das cinco maiores em qualquer setor, a doar para campanhas político-eleitorais. Haja bife, cumpanhêruz!

Responder

    augusto2

    06 de agosto de 2013 às 10h38

    Ah, é? Então arranje um quorum de voto que se some ao PT (maioria dele) no Congresso pra mudar a lei eleitoral que é a causa disso! O mais patetico é o moralista que nunca sabe aonde tem os pés. (traduzindo pra ele: nao vislumbra a causa dos fenomenos legais e politicos)

    Ulisses

    06 de agosto de 2013 às 11h24

    Isto aí é caso perdido. O pior comunista é o comunista arrependido. Ainda mais deficiente como este. Caro Augusto, não gaste vela com defunto ruim. Este se decompõem sozinho.

francisco pereira neto

05 de agosto de 2013 às 23h54

Ele é professor de ciências políticas?
Para mim ele está mais para engenheiro de obras prontas.
Quero dizer, ele esperou as manifestações do MPL que depois descambou para os oportunistas se aproveitarem, para agora vociferar o esgotamento do Lulopetismo?
Porque ele não “profetizou” esse esgotamento no mês de maio?
Tudo que ele diz que o governo teria que fazer, é bom ele sugerir os caminhos, porque eu que apoio o governo, também gostaria que ele fizesse.
Se para fazer o que Lula/Dilma fizeram, e está fazendo, respectivamente, a turma da bufunfa que se lambuza no melado e mesmo assim desce o cacete no governo, estou a imaginar qual milagre político o Lula deveria fazer para satisfazer o cientista de obras prontas, com essa classe política.
Outro sinalizador de atraso nos múltiplos segmentos sociais, é a recente manifestação corporativa odiosa da máfia de branco. Assim como eles, outros segmentos sociais entrarão em confronto com o governo quando se sentirem “prejudicados”.
Você como um estudioso em política, deveria se reunir com o governo e traçar a sua estratégia para superar todos esses obstáculos que nós debatemos diuturnamente.

Responder

    batista neto

    06 de agosto de 2013 às 07h38

    É isso ai Francisco. Antes de tentar subir pra pegar a frutinha mais tenra é preciso observar o risco de cair do galho em que estamos agarrados!!! kkkkkk

    manoel

    06 de agosto de 2013 às 11h11

    Caro Pereira Neto, concordo com voce, que o Lulismo/Dilma fez em grande partida, aquilo que foi possivel dentro de um pacto. Fora dele, provavelmente o Lula teria sido cassado já em 2005. Ser engenheiro de obras prontas e enfrentar o conservadorismo num país conservador é dificl. Apenas no tocante a previsão de manifestações, eu sugiro a leitura do livro lulismo do André Singer, que em 2012 já previa que este pacto conservador estava esgotado e que manifestações sociais iriam começar a borbulhar. Não sabia ele de onde, mas estava claro que as pessoas que o lulismo melhorou, na sua maioria, iria se posicionar no campo conservador…….romper com isto…dificil…mas a luta tem que continuar.

    francisco pereira neto

    06 de agosto de 2013 às 12h55

    Bem lembrado Manoel.
    Mas aí você está falando de André Singer, muito, mas muito mais competente do que o engenheiro de obras prontas. Até porque, além de tudo ele é do PT. André se antecipou, previu, porque conhece o partido e a massa populacional que elegeram Lula e depois Dilma.
    André fez o que muitos deveriam fazer, até por dever de ofício, mas como o cientista falou como um não letrado, talvez por desconhecimento mesmo, quis diminuir o que foi alcançado nesses dez anos de governo, para agradar sabe-se lá a quem. Até posso imaginar que seja Psol ou PSTU. Nada contra, mas tudo furado.

renato

05 de agosto de 2013 às 21h20

Senti que aqui o espaço esta bem escolado.
Bacana….legal.. Jóia..beleza.
Eu estou com saudades de votar, na Dilma ou
no Lula…quando vai ser a eleição.

Responder

joão Luiz Brandao Costa

05 de agosto de 2013 às 18h16

Só quem não viu detalhadamente é que pode assimilar as manifestações de junho/julho com algo de cunho esquerdista. O núcleo delas foi e, é, a juventude dessa velha classe média/alta, ultra conservadora que não se conforma com o primeiro governo popular e de esquerda – pleonasmo – jamais eleito pelo povo no Brasil. O que se esgotou foi a paciência de tentar retomar o poder pela via democrática e constitucional; o golpe no judiciário, pelo visto não foi bem assimilado pelos pela mídia, fora, como diria o Colonel Renault, de Casablanca – “os suspeitos de hábito”. Em torno disso, juntou-se uma pletora de gente, aproveitadores e saqueadores, e pseudo movimentos tipo anarquistas e black block, o que diabos possa ser isso, e muitos inocentes úteis, massa de manobra ideal para os pescadores de águas turvas.

Responder

    Saçuober

    06 de agosto de 2013 às 08h21

    Disse tudo, quais eram as manifestações, quais eram as pautas, tinham quantas pautas, os coxinhas querendo manter privilégios, os coxinhas depredando bens públicos, os coxinhas mascarados com barras de ferro( rede ), os coxinhas recebendo pagamento pelo serviço, os coxinhas reclamando dos programas sociais, os coxinhas de jaleco que não trabalham na saúde pública, não aceitam plano de saúde, não passam recibo, nem pagam impostos, protestando contra a corrupção.

Bonifa

05 de agosto de 2013 às 14h49

Consideramos que boa parte da esquerda ainda não compreendeu que fora do projeto lulista não há, nem poderá outro, nestes próximos dez anos que se avizinham. O projeto está a meio caminho e ribombam flores esquerdistas da boca dos canhões da mídia direitista, que sonha em ver este projeto substituído por nenhum outro, ou seja, sendo engolido pelo projeto da pior de todas as direitas que existem no mundo. Determinada esquerda parece que nunca esteve satisfeita com a aliança que foi tecida pela esquerda trabalhista para ganhar as eleições e para garantir governabilidade. Este tipo de escrúpulo é aquele mesmo que garante a imobilidade orgulhosa da esquerda purista, ou pior, sua quase total adesão, inclusive em votos no Congresso, às teses e posições da direita e da direita radical. Esta insatisfação é reforçada por uma ojeriza à liberação de verbas para os congressistas. Quem garante que sem tais verbas a situação não seria mil vezes pior? Este esquema é o que existe, dançar sobre ele ao som violinos de idealismo elitista é escolher ficar fora disso, e fora deste jogo não teremos nem mais política. Estas verbas são remédios políticos que nascem dentro do processo. Atacá-los, sem antes expor uma firme posição de reforma política, é apenas e tão somente anti-governismo.

Responder

    Véio Zuza

    05 de agosto de 2013 às 17h11

    Na veia… é a volta da esquerda festiva, agora com viés acadêmico, pós moderno… imaginam tirar a dilma e colocar o PSTU ou PCO… nunquinha mesmo; cai a dilma e entra o barbosão ou a blablarina…
    santa ingenuidade, batman…
    e tome discurso…
    e tome tese…

    Biru-biru

    06 de agosto de 2013 às 07h18

    Realmente, Véi. A esquerda possível (pocíveu) é sempre a canalha.

    Lucas

    05 de agosto de 2013 às 18h56

    sua análise é mentirosa, Bonifa.
    Fato é que este governo, tão incensado por ter conseguido “costurar uma aliança”, nada, NADA faz para empoderar a esquerda. Ao contrário, fica atacando todos os demais setores da esquerda com argumentos pragmáticos, e aí quando o pragmatismo sai de cena (como nas manifestações recentes), qualquer um que solte um grito mais á esquerda do governo ‘faz o jogo da direita’. Se ao invés de se esforçar tanto para agradar as bancadas mais nefastas do parlamento, o PT estivesse comprometido com a esquerda, daria mais PODER POLÍTICO às classes baixas, e não PODER DE CONSUMO, para que elas deixassem de ser reféns do vai e vem do mercado.

    joão Luiz Brandao Costa

    06 de agosto de 2013 às 18h25

    Empoderar Lucas? Escreve logo na língua da matriz empower / Empowerment.

    Mauro Assis

    05 de agosto de 2013 às 19h21

    Quer saber? Ao fim e ao cabo, os anos Lula\Dilma se resumiram a uma geladeira nova e uma TV plana conectadas a um carnê bem espesso…

    Ulisses

    06 de agosto de 2013 às 11h29

    O PT se resumi a poucos bens de consumo? Tu deve ser o típico que cospe no prato que como. Melhor desenvolvimento humano em toda sua história, programas sociais copiados no mundo inteiro, recuperação de uma classe social abandonada em 500 anos, 20 milhões de empregos, programas educacionais levando os pobres as universidades e você vem com compra de geladeira no carnê? Toma vergonha na cara, companheiro

    Julio Silveira

    06 de agosto de 2013 às 10h05

    O PT acabou com o sonho da esquerda de conseguir um governo de esquerda no Brasil. Tornou todos os partidos de esquerda mistificadores quando se tratar de uma pauta politico ideológica esquerdista. A cidadania sabe que não poderá confiar mais na verborragia esquerdista por ter descoberto do que se trata o interesse, apenas o poder com um recheio de bondades paternais, aos moldes de outros regimes que já vivenciamos, inclusive o da Ditadura, nada de modificação de cultura, inclusive despreocupação preventiva para assegurar e aprofundar a democracia. O partido foi o único que teve nas mãos a oportunidade de transformar de forma avassaladora a historia da republica e da nossa sociedade, mas por falta de convicção ideológica e apetite pelo poder de seus principais lideres preferiu vender seus militantes sérios da base mais os simpatizantes ideológicos.
    Preferiram se aliar aos principais adversários do passado, os que adicionam maus hábitos a cultura politica brasileira, aqueles que tornaram tão enraizada na politica nacional os vícios que nos fizeram de motivo para piada internacional. Se nivelaram, por baixo, por isso tanta semelhança e tão crescente dificuldade para discerni-los de seus, até ontem, principais adversários.

roberto pereira

05 de agosto de 2013 às 13h50

Uma pergunta: essa guinada à esquerda seria realizada com o apoio de quem? Lula e Dilma não foram eleitos apenas com os votos da esquerda, mas também dos centristas e dos votos sem ideologia. A sociedade brasileira nunca foi de esquerda, sendo uma das mais conservadoras da América Latina. E observe-se o Congresso Nacional, a sua formação, retrata bem o que pensa o povo brasileiro. Lula com suas políticas de inclusão social foi até o limite que a sociedade admitia. Não fez o ideal, mas fez o possível. Num país conservador como o nosso, com séculos de atraso social e político – saímos há pouco de uma ditadura – com uma elite perversa, retirar da miséria milhões de brasileiros, dar-lhes a dignidade de conhecer seus direitos – até mesmo o direito de ter acesso aos bens de consumo – como Lula fez, é muito e isso deveria ser reconhecido até pela esquerda extremista. Admita-se até a crítica de que ele não levou a política aos que progrediram na escala social. Mas isso pode ser feito se deixarmos de ser “engenheiro de obra pronta” e passarmos a defender os avanços sociais que conquistamos. Explicando-os.

Responder

    assalariado.

    05 de agosto de 2013 às 15h36

    Roberto Pereira, uma resposta.

    A guinada para a esquerda o povo já deu nas ruas e acho também que você, entre outros por aqui, não entendeu que o grito das ruas em que sentido vai. A Dona Dilma fala em plebiscito, Ótimo!! Este é o caminho e a aliança a qual se abriu para consolidar, de vez, esse governo para com um futuro viés real, à esquerda. Porém é bom não perder de vista que há um boicote dos amigos da onça, digo, da base ‘aliada’ com relação a essa proposta de plebiscito.

    Dona Dilma já percebeu o boicote, mesmo até, de parte de seu Partido Traíra mas, se for inteligente (e é), terá que usar em breve uma cadeia de radio e televisão, para avisar o povo, o Brasil brasileiro, o que a mídia burguesa e os canalhas da nação, escondem com referência as “soluções” imediatas pedidas, Brasil afora. Isso é um ótimo cacife eleitoral (não disse eleitoreiro), para Dona Dilma fazer novas alianças para 2014. Sim, com o povo, as ditas esquerdas e o chamado campo progressista social. As ruas, de momento, ideologicamente, estão em disputa, quem chegar primeiro leva. Seja pela direita ou pela esquerda. E agora?

    Abraços.

    trombeta

    05 de agosto de 2013 às 17h50

    A guinada para a esquerda o povo já deu nas ruas e acho também que você, entre outros por aqui, não entendeu que o grito das ruas em que sentido vai…(sic)

    Guinada para que lado cara pálida?

    Uma análise séria deveria levar em consideração o aspecto difuso das manifestações, se em alguns lugares o protesto teve matiz progressista em outros, como em SP, a esquerda apanhou nas ruas.

    Francisco

    05 de agosto de 2013 às 18h37

    Uma parte “das ruas” pede mais esquerda, concordo.

    Mas (mas…), quantas pessoas estão na rua? Todas são de esquerda?

    Quantas são anarqu…isto é, “Black Block” (acho que é assim que se escreve anarquismo em portugu~es hoje em dia…).

    E, finalmente, quantas delas “seguram o tchã”?

    Decisão de segurar o tchã é muito importante, meu caro…

    E outra: cadê o “cumpadi Washington” das ruas? Tem que combinar com os russos, certo?

    Na porta de casa ao lado, minha vizinha, Dona Conceição, continua tecendo seu tricô e esperando a aposentadoria do finado marido, no fim do mês…

    assalariado.

    05 de agosto de 2013 às 20h00

    Caro Trombeta, sou obrigado a concordar com você e o Francisco (comentou as 18 :37hs). O protesto começou com pela esquerda e terminou nas mãos da direita. Com a devida manipulação da imprensa do capital, claro!

    Enquanto isso, este/ post analise de conjuntura do Sr. Francisco Fonseca nos induz a pensar sobre a pílula do dia seguinte. Quer dizer, do ponto de vista da luta de classes, o modo lulista governar e suas alianças politicas econômicas com a burguesia capitalista, se esgotou ou não? Acho que sim. Então como construirmos a hegemonia no poder, pela esquerda? Sim, teremos que disputar com a direita as vozes das ruas.

    Saudações Socialistas.

Douglas da Mata

05 de agosto de 2013 às 12h43

O exercício proposto pelo articulista é saudável e indispensável. Vamos a réplica do texto, à moda jack, o estripador, por partes.

“O esgotamento da aliança conservadora de classes

Conjunturas podem, por vezes, revelar – normalmente de maneira polifônica – situações de mudança estrutural, como aparentemente é o caso. Embora não se tenha completa clareza do significado das manifestações que, a rigor, continuam por motivações diversas e distintas, e revelam claras disputas ideológicas e consequentemente de poder, o fato é que o chamado “pacto de classes” instaurado pelo Governo Lula está em crise, sendo o Governo Dilma sua expressão.”

por Francisco Fonseca*, na Carta Maior

“Passadas as manifestações de junho, e mesmo de julho, que abalaram o país, os desdobramentos que daí advieram, do ponto de vista das demandas por reformas, em boa medida ou retroagiram ou foram postergados para as calendas. Mas, mais importante, tal conjuntura parece apontar para um aspecto central da política: o esgotamento da aliança conservadora de classes organizada sob o lulismo.

Conjunturas podem, por vezes, revelar – normalmente de maneira polifônica – situações de mudança estrutural, como aparentemente é o caso.

Embora não se tenha completa clareza do significado das manifestações que, a rigor, continuam por motivações diversas e distintas, e revelam claras disputas ideológicas e consequentemente de poder, o fato é que o chamado “pacto de classes” instaurado pelo Governo Lula está em crise, sendo o Governo Dilma sua expressão.”

RÉPLICA: A introdução busca induzir o leitor a uma conclusão: são as manifestações o obituário de um período classificado como aliança conservadora (só faltou o jargão populista, que imagino escamoteado pelo desuso). Isolar a crise do modelo da democracia ocidental a partir da experiência lulo-dilmista é uma forçação de barra extremada, que tem seus motivos, como veremos a seguir.
Ora, ainda que Lula ou Dilma pretendam um pacto de classes neste país, este, de verdade, nunca houve. E quem esteve neste país, e assistiu, ouviu ou leu tudo o que foi produzido como capital simbólico a mando das elites sabe que houve DE TUDO, MENOS PACTO.
De um lado, as elites entenderam que não poderiam desconstituir o enorme capital político acumulado pelo PT e seu líder maior, e de outro, o PT e Lula entenderam que as mudanças estruturais que pretendiam não se dariam à fórceps, pela natureza do processo político brasileiro.
É como aquela briga onde os contendores resolvem parar porque não conseguem superar o outro.
Não houve um PACTO, uma combinação explícita, expressa ou tácita onde os agentes combinaram o que iriam ganhar e o que iriam perder.
Na cena política brasileira recente, o precariedade dos vínculos institucionais sempre esteve presente, de forma mais ou menos aguda.
Não há, portanto, nem distanciamento histórico, nem rigor acadêmico para propor que o ciclo que se instalou se esgotou, até porque, a intensa luta interna e externa dentro do espectro deste projeto de poder, já diagnosticada pelo articulista, revela o contrário, se houvesse superação, haveria novas forças, novas realidades e novas conjunturas, e não as há, definitivamente!!!!

“O pacto levado a cabo a partir de Lula inseriu, como apenas os Governos Vargas de certa forma o haviam feito, os miseráveis e os pobres, assim como os setores populares organizados, tais como os movimentos sociais e o sindical, mas não enfrentou os privilégios das classes médias superiores, notadamente a rentista, e do grande Capital.”

Réplica: Comparar a Era Vargas com a Era Lula só tem sentido sentimental. São, por óbvio e ululante, experiências sócio-político-econômicas distintas, onde Vargas era o legatário do imenso passivo social pós-abolição, na ausência da incorporação dos negros em algum projeto de nação, os conflitos advindos da “importação” de mão-de-obra branca, a transição de modelos oligárquicos de sistematização da produção, o entre-Guerras, a ditadura estado-novista, o controle da mídia de massas, etc, etc.
Vargas, em nome de seus laços com o capital, e de sua origem de classe, teve que acomodar e reprimir duramente os movimentos organizados incipientes. Não há, por mais que berrem a ultra-esquerdalha, nem sombra deste ambiente na Era Lula. Ao contrário, o que se deu foi um enorme ressentimento pela total ausência de mobilização sindical e social, tragados pelo período anterior, no auge do neoliberalismo. Este capital social fez muita falta para a sustentação do governo Lula e tem feito agora, no de Dilma.

“Exemplos claros dessa aliança “pelo alto” são o imobilismo perante um conjunto de reformas não realizadas, tais como, entre outras:

– a reforma tributária, tendo em vista o perverso e iníquo modelo brasileiro que extrai dos mais pobres proporcionalmente mais impostos do que dos mais ricos, assim como a não retomada do debate acerca dos impostos sobre grandes fortunas.Ainda mais grave se torna esse quadro em razão da histórica desigualdade social no país;”

Réplica: Arranjos tributários-constitucionais não se dão à galope, e o articulista, pelo seu currículo sabe disto. O governo Dilma, muito mais que o de Lula, tem sofrido na pele os revezes midiáticos, e até pequenas e grandes sabotagens, por ter mexido em uma dos maiores fontes de injustiça do sistema econômico, e por que não dizer tributário, com a queda dos juros. Não há forças políticas de esquerda suficiente para dar ao governo a amálgama para enfrentar a questão da justiça tributária. Isto é fato!
As forças políticas que detêm maior capacidade de vocalização de seus pleitos (elites e classe média) estão comprometidas até a medula com a manutenção deste modelo de segregação fiscal, enquanto os mais pobres quando não têm a menor noção do que se trata, ainda embarca no discurso do “impostômetro”. Este é o quadro. E o que propõe o articulista, fechar o Congresso?

“– a sangria dos juros da dívida interna, que favorece cerca de vinte mil famílias de rentistas, incluindo-se os grandes bancos, e que foi ampliada (a dívida) com os aumentos periódicos das taxas de juros; a estrutura fundiária/agrícola, articulada ao agronegócio, cuja contribuição para o PIB pela via das exportações paralisou qualquer tentativa de reforma estrutural do campo;”

Réplica: Nenhum governo, dentro das limitações que a realidade impõe reduzi tanto o pagamento de juros, quer seja na proporção ao PIB (de 9% a 4,7%), quer seja em relação ao Orçamento.
As reformas estruturais no campo não podem desconsiderar a importância do agronegócio brasileiro, ainda que a estrutura desigual seja um problema grave. Uma reforma agrária abrangente não pode matar o agronegócio!

“– o oligopólio midiático, responsável pela criminalização dos movimentos sociais, pela desqualificação das instituições políticas e pelo golpismo como forma de ação política reagente a qualquer reforma democrático/popular, cujos órgãos de comunicação representam justamente as classes médias superiores e o Capital: tal oligopólio não foi combatido, pelo contrário, como o demonstram simbolicamente as presentes de ministros das Comunicações dos governos Lula e Dilma (Hélio Costa e Paulo Bernardo);”

Réplica: Eu fico a matutar: Como uma presidenta pode sustentar junto a sua base de apoio um debate sério sobre mídia, comunicação social e democracia, quando um dos próceres da esquerda, Senador Randolfe, vai a tribuna questionar se há gasto de propaganda do governo com os “blogs sujos”? Que tipo de amadurecimento os setores chamados progressistas detêm para impor esta pauta? É claro que o governo deve ter a exata noção do perigo e da contradição de conviver (e financiar) com inimigo, mas qual é a certeza, ou o norte institucional que a blogosfera oferece para funcionar como contraponto?

“– a estrutura creditícia federal, fortemente vinculada aos interesses do grande capital (sobretudo o BNDES, mas também o BB e a CEF): embora tenham efeitos propagadores ao emprego e à renda, a manutenção dessa estrutura não permitiu a reversão do ciclo histórico da apropriação do Estado pelas elites econômicas;”

Réplica: O articulista “esquece” de dizer que foram estas estruturas creditícias que possibilitaram ao governo um aporte considerável de intervenções nos gargalos brasileiros, como saneamento, habitação, infra-estrutura, além da simbólica reversão simbólica da segregação social que imperava nas relações bancárias, onde pobre não passava da porta do banco, a não ser para limpar o banheiro, ou servir café.
Para quem sempre teve conta em banco, isto é quase uma bobagem…mas para quem sempre foi barrado como suspeito na entrada, faz uma enorme diferença…!

“– o sistema político privatizado, por meio da consolidação do “caixa dois” e da fragmentação partidária voltada em boa medida aos “negócios”, tendo em vista a lógica das coligações/coalizões, no contexto da permanentemente postergada reforma política; a participação popular, o controle social e a transparência como aspectos cruciais – e que obtiveram avanços –, mas não “radicalizados” a ponto de criar novas correlações de força na sociedade, o que inclui a cooptação do movimento social e sindical pelos aparatos estatais;”

Replica: Aqui eu concordo, veja que nem o PSOL, em Macapá ou no Senado, escapou deste lógica.

“– a estrutura simbólica, representada pela ideologia, segue os padrões históricos – estéticos e substantivos – estadunidenses, o que implica a manutenção do caráter dependente e associado da produção cultural nacional e o descaso quanto à defesa da língua como elemento fundante da soberania, contrariamente ao que nos ensinam os franceses, apenas para citar dois exemplos;”

Réplica: Isto é uma besteira sem par. Não há dados disponíveis para afirmar que o caldo cultural das classes sociais que se movem na pirâmide assimilam, sem rejeição ou reação, os padrões da indústria cultural de massas estadunidense. Este é um elemento muito mais localizado nos velhos estratos médios da sociedade.

“– a exceção parece ter sido a política exterior, uma vez que se buscou aproximações com a América Latina, o Oriente Médio, a África e outros países fora da tradicional vinculação ao hemisfério norte.

É claro que houve inúmeros avanços, atestados por diversos dados e indicadores, conforme tenho procurado demonstrar neste Portal em artigos anteriores, mas tais avanços não lograram um país distinto no que tange a mudanças estruturais.”

Réplica: Com todo respeito, aqui parece a fábula da raposa e as uvas verdes. O que seria: “(…)um país distinto no que tange a mudanças estruturais.”? Quem sabe um rompimento unilateral com os EEUU, investimento maciço em armas e um projeto expansionista pan-americano setentrional? Só se for isto…Se entendermos as mudanças estruturais como um somatório de avanços pontuais, eu diria que o texto é uma contradição (ou pior, um sofisma).

“Em outras palavras, o modelo incremental lulista, de pacto “de todos com todos”, embora represente avanço tendo em vista o conservadorismo voltado às “classes médias e ao Capital” vigente até então – isto é, dos militares a FHC –, de forma alguma expressou um vetor hegemônico no tocante às reformas sociais, econômicas, político/institucionais e ideológicas.”

Réplica: O articulista deposita nos governos (talvez herança sentimental do varguismo ou do peronismo) a esperança de que este ente consiga reunir em si todas as virtudes que agudizassem as contradições capitalistas brasileiras, que se acumulam há 500 anos, e em 10 ou 12 anos, atingiríamos o patamar ideal para uma inversão hegemônica, como se as forças que nos são antagônicas ficassem ali, paradinhas, esperando nossa caravana passar.

“Ao contrário, os inúmeros avanços ocorreram nas franjas do statu quo, sem colocar em xeque as estruturas dos grandes privilégios e iniquidades.”

Réplica: idem.

“Vejamos como esse processo vem ocorrendo:

– A inclusão social se dá pelo consumo: daí o viés consumista da chamada “nova” classe média que, de forma não casual, tende ao conservadorismo político/ideológico. A aliança com o Capital passa, portanto, também pelo aumento do mercado consumidor.”

Réplica: O conservadorismo não é um traço novo, ou recente nas esferas sociais brasileiras. Os pobres e os muito pobres sempre foram tão ou mais conservadores que os setores médios e elitistas, pois estivera, e ainda estão ali, todas as violências físicas e simbólicas que alimentam o “monstro brasileiro”: violência doméstica, de gênero, racial, religiosa, etc, etc, etc.
A diferença que nos é sensível, é que hoje, os setores que ascendem têm voz que não tinham antes, inclusive, é verdade, porque se tornaram consumidores.
Portanto, não foi a inclusão (pelo consumo) que os tornou conservadores, foi a ausência da esquerda junto a estes estratos sociais. O governo não pode substituir partidos e outras forças políticas. Ou pelo menos não deveria. Será que o autor sugere alguma espécie de DIP?

“Nesse sentido, a privatização de Collor/FHC se sustenta pela maior oferta de serviços, mas não tem como contrapartida aparatos estatais capazes de enfrentar as mazelas de toda sorte da “privatização selvagem” levada a cabo.

Exemplo cabal disso refere-se à hegemonia do Capital sobre o consumidor expresso pela fragilidade das agências reguladoras.

Tal fragilidade do Estado brasileiro tem impacto brutal no cotidiano dos cidadãos: as áreas de telefonia e de seguro privado de saúde são demonstrações cabais do “inferno privatizado” que vive o brasileiro, mesmo das classes médias.

Afinal, a “popularização” dos serviços privados mostrou-se tão ou mais ineficiente do que a vivenciada pela experiência de serviços estatais.

A privatização fora, contudo, até então desejo de amplos setores da sociedade, seduzidos pelo discurso midiático maniqueísta de que o Estado seria a fonte de todos os males e o setor privado imanentemente eficiente e eficaz tendo em vista a cantilena ideológica da “soberania do consumidor”.

Réplica: Aqui eu concordo com o autor.

– A relação Capital/Trabalho vem sendo rearranjada vigorosamente pró-Capital com a derrocada real e cotidiana da CLT – embora juridicamente se mantenha –, uma vez que:

a) a precarização do trabalho, por meio de toda forma de terceirização, de trabalho “autônomo” e parcial fragiliza o trabalhador;

b) particularmente a chamada pejotização da economia corrói profunda e sorrateiramente os direitos trabalhistas;

e c) tanto a demanda história pela jornada de 40 horas como o altíssimo número de horas extras, além dos incríveis números de acidentes no ambiente do trabalho, se mantém, denotando a manutenção de padrões históricos de acumulação capitalista no país.

É claro que o chamado “modelo flexível de acumulação” (pós-fordista) contribui fortemente para tanto, mas não é suficiente para a compreensão histórica da precariedade do trabalho no Brasil.”

Réplica: Este último trecho desarranja toda a boa análise do autor. O Brasil não é um caso específico (a não ser por suas peculiaridades) dentro do contexto de acumulação pós-fordista, e não está imune as ondas de expansão e retração dos fluxos de capital.
Se fosse verdade que a “compreensão histórica da precariedade do trabalho no Brasil” demande mais elementos teóricos, não seria justo dizer que estes ingredientes seriam constituídos todos na era Lula-Dilma, como faz supor o texto.

– A universalização dos direitos sociais (SUS, SUAS, educação pública etc) mantém-se aquém das necessidades dos cidadãos comuns, pobres, que são a maioria esmagadora dos brasileiros.

Réplica: uma meia-verdade, ou meia-mentira? Os dados do SUS e do MEC revelam contínua e irreversível melhoria dos indicadores destes serviços, com tenebrosa exceção para a segurança pública.

Claramente não se investiu o suficiente para reverter a dura realidade dos fatores cruciais que constituem a vida cotidiana: daí a atualidade da retomada da agenda pelos 10% do PIB para a educação, da CPMF como fonte de financiamento da saúde, e da desoneração tributária/subsídio do transporte coletivo pelo individual ao transporte coletivo.

Paralelamente ao financiamento, problemas relacionados à gestão das políticas sociais representam igualmente sérios problemas a serem resolvidos.

Não será, contudo, a cantilena privatista e gerencial que irá resolver os problemas públicos.

Réplica: O que importa em gestos governamentais são menos o que se fala, e mais o que se faz, neste caso, é o Orçamento a medida para distinguir intenções de atos. Uma leitura atenta do DO da União e do da LDO vai revelar que a “cantilena privatista” existe mais no imaginário da ultra-esquerda que nas rubricas.

Basta lembrar que, por exemplo, o SUS tem na iniciativa privada seus principais fornecedores, que movimentam milhões de reais, assim como a chamada contratualização dos serviços públicos (pela via das Organizações Sociais e das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) não dinamizaram a Administração Pública, tal como prometera.

Réplica: Pois é, a simples tentativa de mudar, circunstancialmente, a estrutura de atendimento, oferecendo mais médicos onde estes são necessários, trouxe à baila um fascismo de jaleco jamais visto contra qualquer outro governo de direita, onde sindicatos e corporações, que se auto-denominam portadores do discurso da “saúde pública” sabotam com preconceitos e outras atitudes uma providência reconhecida pela OMS e por vários especialistas como urgente e necessária.
Imagine se o governo pretender alterar os privilégios de médicos e da indústria da medicina? Vai ser o caos…

“Apontei tais mazelas no artigo publicado em 08/06/2013 neste Portal, intitulado “A privatização da gestão pública”. 

Dessa forma, pode-se afirmar que as manifestações de junho/julho, mesmo que polifônicas, aparentemente apontam para o esgotamento do pacto incremental e conservador articulado pelo lulismo: por não enfrentar os grandes poderes constituídos, por agir apenas nas franjas do sistema de poder e por não “radicalizar a democracia”.

A saída, portanto, é virar à esquerda, num rearranjo de poderes que privilegie os pobres por meio do orçamento voltado às reais necessidades populares, por políticas públicas transformadoras, pela real universalização de direitos, e sobretudo por uma nova correlação de forças capaz de reestruturar o Estado no sentido de dirigir o capitalismo.

São tarefas urgentes, pois demandas vigorosas dos setores populares, tanto os articulados em movimentos sociais como as vozes – progressistas – que ecoam das ruas.

Nada disso é fácil, assim como não há panaceias. Mas as manifestações de junho, sobretudo, demonstraram que o tempo histórico foi acelerado. Isso significa ser possível uma nova correlação de forças capaz de, por meio de um projeto político à esquerda, criar um novo ciclo histórico no país.

O significado de “realismo” e “do que é possível” se alterou rapidamente. A ágil compreensão desse fenômeno é fundamental, mas sobretudo a ação com vistas a um projeto político transformador está aberta como poucas vezes esteve!

Mas as disputas político/ideológicas estão mais acirradas, o que implica igualmente maiores riscos!

Em síntese, o grande pacto incremental – imanentemente conservador, apesar de seus avanços – aparentemente entrou em crise, sendo a contenda eleitoral a exteriorização, em termos institucionais, dos fenômenos sociais/econômicos e político/ideológicos.

Esta sociologia política, a partir da conjuntura, nos permite analisar tais fenômenos para ver neles o que é mais profundo.”

Réplica: “aceleração do tempo histórico” com as manifestações? Será que o autor acredita nisto que escreveu ou quer “contrabandear” suas teses pela chantagem “emotiva”?
Ora, o que mais leio e ouço nos blogs progressistas é que tais manifestações carecem de qualquer sentido, digamos, histórico, e como poderiam ser um alimento ou combustível desta?

O autor insiste em “esgotar” aquilo que chama de pacto lulista! Pois bem, alguém acredita que estão concluídas ou satisfeitas as inclusões necessárias (ainda que ideologicamente dúbias) promovidas pelo período recente de 12 anos?
Estão atendidas as demandas básicas da maioria dos brasileiros?

Me parece muito que este tipo de discurso serve como uma luva aos conservadores, igual aos dos médicos: Ou muda tudo, ou não se muda nada. Como a ninguém é permitido mudar “tudo”, de uma vez, mantêm-se as injustiças.

Este discurso, repetido como farsa, encaixa bem no pré-golpe de 64, ou no Chile de 73.

Responder

    Saçuober

    06 de agosto de 2013 às 08h44

    Perfeito.

Raimundo Alencar

05 de agosto de 2013 às 12h17

Discordo frontalmente com a visão desse texto. Não vejo nenhum sinal concreto de que o pacto entre as classes forjado por Lula tenha “se esgotado”?

Se esgotou porque? Apenas porque um setor reacionário da burguesia, o mesmo setor raivoso que sempre leu a revista Veja, e vociferou contra Lula, resolveu utilizar as redes sociais e a TV aberta, na segunda quinzena de junho, para provocar uma “explosão de anomia” nas ruas do Brasil, para prejudicar o governo de Dilma?

Ora, mas o que é que isso significa? ABSOLUTAMENTE NADA.

Qualquer análise que tente dar algum tipo de importância ao que aconteceu em junho é uma análise essencialmente EQUIVOCADA. As tais “jornadas de junho” não tiveram NENHUMA importância na história nacional, e podem ser solenemente ignoradas.

NADA mudou no Brasil. O Brasil de agosto de 2013 é o mesmo Brasil de agosto de 2012 ou de agosto de 2011.

Não existe modelo nenhum “se esgotando”.

O pacto entre as classes sociais criado por Lula foi o maior ACHADO da História do nosso país, e o seu vigor continua o mesmo.

Não existe NENHUMA razão real para querer “repensar” este pacto. Ele deve ser mantido e preservado.

Quem é contra o pacto são apenas os mesmos que sempre foram: a burguesia raivosa leitora de Veja, que patrocinou e esteve por trás do espasmo anômico de junho, gerado através de vídeos profissionais com o slogan “o gigante acordou” divulgados de forma profissional em redes sociais; e a esquerda raivosa viciada no discurso cheirando a naftalina da “eterna e irreconciliável luta de classes”.

Ou seja: os dois extremos do espectro, que tem o mesmo interesse em dissolver o pacto criado por Lula, que faz o Brasil, enquanto Nação, avançar e incomodar os “donos do mundo”.

Os donos do mundo, encastelados em Nova York, Londres e Paris, estão ansiosos para ver a “luta de classes voltar a rugir” no Brasil. Muito ansiosos. Eles adoram luta de classes. Desde que seja lá no Brasil.

Responder

    Mauro Assis

    05 de agosto de 2013 às 12h44

    Amigão, não aconteceu nada em junho???? E a popularidade da presidenta, não foi pro espaço?

    abolicionista

    05 de agosto de 2013 às 13h40

    “O Brasil de agosto de 2013 é o mesmo Brasil de agosto de 2012 ou de agosto de 2011.” Talvez seja por isso que tantos foram às ruas…

    Bom, uma coisa pelo menos mudou: a quantidade de votos de Dilma.

    assalariado.

    05 de agosto de 2013 às 15h06

    Raimundo Alencar, das duas uma.

    — Ou você leu e não entendeu o passo seguinte a qual o Sr. Francisco nos alerta com relação a politica de alianças com a direita e seus limites enquanto sociedade dividida em luta de classes e/ ou,

    — Você é o amigo da onça, joga de bandido enrustido e dissimulado dentro do poder e/ ou, seja até um trolha da direita se passando por ‘amigo’ do governo Dilma. Você com este comentário, mais parece um elefante politico dentro da loja de cristais ideológico desse hibrido governo, a qual essa nada santa aliança se assenta e encurrala esse governo da (in)governabilidade. Age como camaleão politico multicolorido ideológico, que prefere o caminhar do atual governo continue rumo e, em direção ao precipício político econômico, a qual está amarrado a mais de dez anos, com claríssimos sinais de esgotamento, e faz tempo.

    É a (HEGEMONIA) política necessária, pela esquerda, pedindo passagem para quem acredita que a luta de classes é quem move, dita as regras do poder politico nessa sociedade de (exploradores x explorados), que tem como base “democrática”, a ditadura do capital. Sim, travestida de “Estado de Direito”.

    Rumo ao Socialismo!

Acássia

05 de agosto de 2013 às 11h53

Nada melhor do que distanciar para ver.

Não cabe mais aquele governo Lula/Palocci, mas é o que as Altas Finanças querem. Cabe a nós cobrarmos Dilma, pois se ela venceu no segundo turno, é porque a esquerda estava na NET trabalhando. Pelo povo, e pela democracia.

Responder

Biru-biru

05 de agosto de 2013 às 11h41

Parece, pelo que foi escrito, que o governo Lula foi um desastre.

Responder

abolicionista

05 de agosto de 2013 às 11h40

Concordo com cada linha, texto bem escrito e fundamentado, finalmente uma análise que desce às raízes do problema. Excelente!

Responder

Mauro Assis

05 de agosto de 2013 às 11h26

Francisco, o que os protestos mostraram é que, se havia um tempo para essa guinada à esquerda, esse tempo se esgotou. Para que isso fosse possível seria preciso que o governo tivesse como capital a popularidade de que desfrutou ao longo de quase todos os últimos dez anos. Porém Lula e Dima preferiram surfar na popularidade extrema em vez de usá-la para confrontar os interesses estabelecidos. Agora, como diria a moçadinha, “a fila andou”… Dilma não tem nem o apoio de seu próprio partido, que murmura um “volta Lula” pelos cantos. Em que a Dilma vai se apoiar para esse “esquerda “volver”? Nem que houvesse desejo e competência prá isso.

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