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Folha revela que MP do Rio desmentiu porteiro sem fazer perícia no computador em que arquivos foram gravados; podem ter sido apagados ou renomeados
O ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, no topo à esquerda, empregou mãe e esposa no gabinete de Flávio. O sargento PM Élcio, expulso da corporação em 2015 por envolvimento com bicheiros, dirigiu o automóvel do qual foram disparados os tiros que mataram Marielle. Josinaldo Lucas Freitas, o Djaca (boné preto) é acusado de jogar no mar as armas usadas no assassinato de Marielle e Anderson. O ex-PM Fabrício Queiroz é suspeito de ajudar a enriquecer Flávio Bolsonaro no mercado imobiliário. As contas de campanha de Flávio ficaram com Valdenice de Oliveira Meliga, irmã de Alan e Alex Rodrigues de Oliveira. Os PMs gêmeos foram presos na operação Quarto Elemento, acusados de extorsão. Flávio publicou a foto da festa de aniversário dos gêmeos, à qual compareceu com o pai, com a legenda: "Parabéns Alan e Alex pelo aniversário. Essa família é nota mil!!!". As fotos foram publicadas nas redes sociais.
Política

Folha revela que MP do Rio desmentiu porteiro sem fazer perícia no computador em que arquivos foram gravados; podem ter sido apagados ou renomeados


31/10/2019 - 17h17

Da Redação

A afirmação categórica do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro de que o porteiro do condomínio Vivendas da Barra mentiu não pode ser factualmente comprovada, revela reportagem de Ana Luiza Albuquerque e Italo Nogueira publicada na Folha de S. Paulo.

Isso porque o MPE-RJ não realizou perícia no computador onde ficavam os arquivos de áudio das ligações entre a portaria e as casas do condomínio, aquele ao qual o vereador Carlos Bolsonaro teve acesso — os investigadores, aparentemente, não.

Foi o síndico do condomínio quem entregou as gravações à polícia civil em 7 de outubro, de acordo com a Folha.

Porém, a perícia foi feita às pressas, no dia 30, depois que o Jornal Nacional vazou informações sobre o inquérito que corria em segredo de Justiça.

Bolsonaro teria recebido a informação sobre a menção a seu nome do governador Wilson Witzel, em 9 de outubro.

No dia 17, procuradores do MPE-RJ teriam consultado o presidente do STF, Dias Toffoli, sobre o assunto, em Brasília.

No domingo, 27, o colunista Elio Gaspari publicou nota dizendo que o caso Marielle poderia parar no STF pela citação a um nome com foro privilegiado.

Na segunda, 28, Carlos Bolsonaro divulgou na conta do pai o vídeo do leão com as hienas — posteriormente, o vereador atribuiu ao próprio pai a postagem. O presidente da República estava no Oriente Médio.

O vídeo provocou reação imediata do decano do STF, Celso de Mello, que disse que Bolsonaro não era um “monarca”.

Na terça, 29, o JN noticiou a menção a Bolsonaro, que rebateu na madrugada da Arábia Saudita.

No dia 30 o MPE-RJ incluiu uma procuradora bolsonarista na entrevista coletiva.

A procuradora Simone Sibílio desmentiu o porteiro sem que uma perícia tenha sido feita no computador ao qual o filho do presidente, Carlos, teve acesso.

A edição pura e simples, se cortou alguma coisa, dá pra fazer [apenas com a cópia]. O arquivo pode não estar editado, mas pode ter sido trocado. Tem ‘n’ coisas que aí não é a perícia no áudio, é a perícia da informática. Para ver se não foi alterada a data ou qualquer outra coisa nesse sentido, tem que ter acesso ao equipamento original. A perícia vai lá, faz um espelho, e pericia o espelho, para garantir a idoneidade da prova.

A declaração é de Leandro Cerqueira, presidente da Associação Brasileira de Criminalística, à Folha.

A reportagem da Folha traz outra revelação interessante: a mulher de Ronnie Lessa fotografou a planilha com o registro de entrada de Élcio Queiroz na casa 58, de propriedade do então deputado federal Jair Bolsonaro.

Fotografou e enviou a imagem para o marido pelo celular.

A foto foi descoberta quando a polícia conseguiu desbloquear o aparelho de Lessa, depois que ele e Élcio foram presos, acusados de matar Marielle e o motorista Anderson Gomes.

Agora está comprovado que ambos se encontraram na noite do crime e partiram do condomínio Vivendas da Barra para cometer o duplo homicídio, o que negavam anteriormente.

Também está comprovado, por depoimento da assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu ao atentado, que em 2017 o vereador Carlos Bolsonaro quase teve um enfrentamento físico com um assessor da vereadora Marielle Franco, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Eles eram vizinhos de gabinete.

Marielle interveio e ameaçou chamar a segurança da casa.

“De lá para cá, Carlos parou de entrar no mesmo elevador em que estivesse Marielle ou outra assessora negra da vereadora. Segundo antigos assessores da vereadora, Carlos só entrava no elevador quando estavam assessores brancos de Marielle”, narrou o colunista Guilherme Amado, da revista Época.

Ronnie Lessa, acusado de ser o autor dos disparos que mataram Marielle, alugava uma casa luxuosa na mesma rua que o deputado Jair Bolsonaro, a rua C.

A casa foi alvo de busca e apreensão. No automóvel blindado, a polícia encontrou 60 mil reais. Investigadores supõe que Lessa estava prestes a fugir.

Foragido está o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais, Adriano Magalhães da Nóbrega. 

Ele sumiu em 22 de janeiro de 2019, junto com outros seis alvos da Operação Os Intocáveis, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ).

Adriano empregou mãe e esposa durante um longo período no gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, mesmo depois de ter sido expulso da PM por envolvimento com o crime organizado.

Ele foi alvo de duas homenagens de Flávio, uma delas enquanto estava preso, acusado de homicídio.

Mereceu algo inédito da parte de Jair Bolsonaro: o então deputado federal não só compareceu ao julgamento em que Adriano foi condenado em primeira instância, como fez um discurso na Câmara Federal denunciando testemunhas que ajudaram a condenar o PM.

A condenação foi revertida.

Os métodos de Bolsonaro, aparentemente, não mudaram.

O nó da história continua sendo a planilha que registra as entradas na portaria: como os assassinatos ainda não tinham acontecido, o porteiro não tinha nenhum motivo para inventar ou confundir 58 com 65.

Todos os outros dados conferem, menos um.

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4 comentários

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Belmiro Machado Filho

31 de outubro de 2019 às 19h34

É o Crime Organizado mostrando toda a sua abrangência e a sua pujança. Nota-se que o MP é o garantista.

Responder

Zé Maria

31 de outubro de 2019 às 18h46

https://pbs.twimg.com/media/EIHoaLfX4AABw1H.jpg

Apesar de toda essa Balbúrdia da Rede Globo, do Moro e
das Promotoras Celebridades do MP-RJ, um fato é certo:

Ninguém pode negar que os Bandidos que assassinaram Marielle,
se encontraram (na Casa 58 ou na Casa 65/66) no Condomínio
Vivendas da Barra da Tijuca, onde residem Jair e Carlos Bolsonaro,
antes de saírem para executar a tiros a Vereadora do PSoL.
Também é inegável que o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz adentrou
o mesmo Condomínio, de nome Vivendas da Barra, dirigindo um
“Logan, Prata, Placa AGH-8202”, conforme registrou o Porteiro,
no dia 14 de Março de 2018, por volta das 17:10.

Aliás, no Depoimento à Polícia Civil do Rio de Janeiro, o Porteiro
acrescentou que Élcio, uma vez dentro do Condomínio, dirigiu
até a Casa 65/66, do Assassino Ronie Lessa, e não à Casa 58,
de Jair Bolsonaro, como havia dito inicialmente na Portaria.

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-50229896
.
A história continua mal contada pelas Celebridades do MP-RJ …

31.out.2019 às 15h14 | Reportagem: Ana Luiza Albuquerque/Italo Nogueira | Folha

Possibilidade de arquivos do condomínio terem sido
renomeados ou apagados não foi avaliada pelo MP-RJ

MP-RJ ignorou eventual adulteração
em sistema de gravação da portaria.

A perícia feita pelo Ministério Público do Rio de Janeiro nas gravações da portaria
do condomínio do presidente Jair Bolsonaro não avaliou a possibilidade de algum
arquivo ter sido apagado ou renomeado antes de ser entregue às autoridades,
aponta documento apresentado à Justiça.
Documento entregue à Justiça mostra ainda que as bases da perícia foram feitas
a toque de caixa na quarta-feira (30), antes da entrevista coletiva sobre o caso.

Foi com base nessa análise que a Promotoria classificou como falsa a menção ao presidente feita pelo porteiro do condomínio Vivendas da Barra.

As promotoras envolvidas no caso afirmam que foi o policial militar aposentado
Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL), quem
autorizou a entrada de Élcio Queiroz, ex-policial militar também envolvido no crime.

O Ministério Público não se manifestou sobre as lacunas da perícia.
[…]
O presidente da Associação Brasileira de Criminalística, Leandro Cerqueira, afirmou que, sem acesso à máquina em que os arquivos foram gravados, não é possível identificar se um arquivo foi apagado ou renomeado.

“A edição pura e simples, se cortou alguma coisa, dá pra fazer [apenas com a cópia]. O arquivo pode não estar editado, mas pode ter sido trocado. Tem ‘n’ coisas que aí não é a perícia no áudio, é a perícia da informática. Para ver se não foi alterada a data ou qualquer outra coisa nesse sentido, tem que ter acesso ao equipamento original. A perícia vai lá, faz um espelho, e pericia o espelho, para garantir a idoneidade da prova”, afirmou.

A perícia do Ministério Público também foi alvo de críticas da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais.

“É temerário o possível arquivamento de uma notícia de fato sem que tenha havido a solicitação do devido exame pericial oficial. Isso abre espaço para que tome conta do debate uma guerra de versões e opiniões, distantes da materialidade dos fatos”, afirma a nota do presidente da associação, Marcos Camargo.

Os papéis da Justiça apontam ainda que as promotoras do caso só enviaram nesta quarta ao setor técnico as questões a serem respondidas sobre as gravações.
O Ministério Público declara ter tido acesso aos arquivos no dia 15 de outubro …

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/10/mp-rj-ignorou-eventual-adulteracao-em-sistema-de-gravacao-em-portaria-de-bolsonaro.shtml

Responder

    Zé Maria

    01 de novembro de 2019 às 13h08

    O Jornalista Luis Nassif faz um adendo às informações, no GGN:
    […]
    Os Organizações Globo cometeram seu segundo grande erro de cobertura,
    fruto do descuido com a própria força…
    Em cima de uma cobertura descuidada, fiaram-se no inquérito que lhes foi
    vazado parcialmente. E não cuidaram sequer de checar os fatos
    com o próprio porteiro, e demais porteiros e moradores do condomínio de
    Bolsonaro.

    É o vício do jornalismo prato pronto, herdado da Lava Jato, que transformou
    a imprensa em mera publicadora de releases.
    Agora, é tratar de ressuscitar o morto, o jornalismo.

    O caminho correto da reportagem [da Globo] deveria ter sido a de ouvir
    não apenas o porteiro, mas outros porteiros e moradores do prédio.

    Aí, saberiam dos seguintes fatos, que me foram passados por fonte fidedigna,
    com acesso ao condomínio.

    O condomínio abriu mão de interfones, por ser caro e por problemas de instalação.
    Optou-se por telefonar ou para o celular ou para o telefone fixo de cada proprietário.
    No caso de Bolsonaro, as ligações são para o próprio celular de Bolsonaro.
    E é ele quem atende. [!!!]
    O que significa que a versão do porteiro não era descabida.
    Ou seja, o fato de estar em Brasilia não o impedia de atender o telefone.

    Carlos Bolsonaro, o Carluxo, também recebe os recados pelo celular.
    Em geral, fica pouco no condomínio, pois prefere permanece em seu apartamento na zona sul. Mas porteiros ouvidos por moradores sustentam
    que, naquele dia, ele estava no condomínio.

    O porteiro do depoimento está de férias. Mas moradores do condomínio foram,
    por conta própria, conversar com os demais porteiros. E eles garantiram que
    a ligação foi feita para Bolsonaro mesmo.

    https://jornalggn.com.br/noticia/se-fizer-jornalismo-a-globo-conseguira-ressuscitar-a-denuncia-por-luis-nassif/

    https://www.extraclasse.org.br/justica/2019/10/promotora-do-caso-marielle-e-apoiadora-de-bolsonaro/

    Zé Maria

    01 de novembro de 2019 às 13h40

    -Seu Jair, o sr. está em Brasília? Atenda o telefone!
    É o Porteiro do Condomínio da Barra no Rio de Janeiro.

    O UOL apurou que o sistema de interfones oficial usado
    pelo condomínio Vivendas da Barra foi fornecido pela Intelbras,
    uma das principais empresas no setor.
    Há pelo menos dois aparelhos no portfólio da empresa
    que podem acionar os celulares de moradores quando o interfone
    de suas casas é acionado.

    O IV 7010 HF permite conversar com quem estiver na porta de casa
    ou liberar a entrada de visitantes.
    O mais simples deles, o IV 4010 HS, também permite que as solicitações
    sejam transferidas para o celular.

    Os interfones conseguem ser configurados para redirecionar ligações
    para números de telefone previamente cadastrados.
    Uma vez que um chamado [por interfone] é direcionado para uma residência,
    a solicitação é automaticamente enviada para o telefone do seu respectivo morador.


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