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Diário da Resistência


Felipe Coutinho: Política de preços de Temer prejudica Petrobras e consumidor. E quem ganha?
Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
Política

Felipe Coutinho: Política de preços de Temer prejudica Petrobras e consumidor. E quem ganha?


24/09/2018 - 18h51

Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

Política de preços prejudica consumidor e Petrobrás

por Felipe Coutinho, no site da AEPET

Preços altos e variação diária, em função dos preços do petróleo, da cotação do dólar e da estimativa do custo de internação, apesar do petróleo ser produzido e refinado no Brasil.

Essa política levou ao aumento das importações de derivados e das exportações de petróleo cru, trouxe prejuízos aos consumidores e à Petrobrás, e culminou com a greve dos caminhoneiros.

A greve trouxe prejuízos de R$ 15 bilhões, o governo federal adotou programa de redução de impostos e subvenção aos produtores e importadores de diesel de R$ 13,5 bilhões até o final de 2018.

A Petrobrás, ao perder o mercado doméstico, passou a exportar mais petróleo cru, ao invés de processá-lo nas refinarias brasileiras que passaram a operar com alta ociosidade.

Com o diesel caro encalhado, a estatal precisou reduzir a carga de petróleo e a taxa de utilização do parque de refino nacional foi de 72% no primeiro trimestre de 2018.

A política de preços adotada prejudicou a Petrobrás, tendo em vista a ociosidade do refino, a redução do mercado e da geração de caixa, mas também os brasileiros que passaram a pagar preços acima das referências internacionais, Costa do Golfo dos EUA (USGC) e Noroeste da Europa (NWE), de onde se origina grande parte das exportações de diesel e gasolina para o Brasil.

Por outro lado, ganharam as refinarias de petróleo dos EUA e da Europa, as multinacionais estrangeiras de comercialização “traders”, os produtores de etanol do Brasil e EUA, e as distribuidoras privadas concorrentes da estatal.

Entre 2016 e 2017 as importações da gasolina, diesel e etanol se elevaram em 53%, 64% e 119%, respectivamente.

Tais movimentos comprovam que NÃO existe monopólio (de fato) no refino do Brasil, uma vez que há perda de mercado quando a Petrobrás pratica preços acima do preço competitivo.

O conceito de monopólio baseia-se na existência de poder de mercado, que possibilita praticar preços de monopólio (acima do competitivo) e manutenção do “market share”.

As refinarias concorrentes da Petrobrás encontram-se na Bacia do Atlântico e deslocam as vendas da Petrobrás sempre que a estatal pratica preços altos (ou pouco competitivos).

Após a greve dos caminhoneiros, com preços mais baixos para o diesel, a Petrobrás retomou parte do mercado brasileiro, propiciando custos menores para a população e aumento da lucratividade para companhia.

O lucro operacional do segmento de refino aumentou de 3,8 para US$ 7,2 bilhões, entre o primeiro e o segundo trimestre de 2018, um aumento acima de 90% na lucratividade, através de preços menores na refinaria e sem considerar a subvenção do governo aos produtores e importadores de diesel.

O fator de utilização do refino da Petrobrás atingiu 81% no segundo trimestre deste ano, um avanço de nove por cento na comparação com os primeiros três meses do ano.

Com o aumento da carga processada nas refinarias se reduziu a exportação de petróleo cru, obtendo-se maior agregação de valor ao petróleo.

Ivan Monteiro mantem a política de preços de Parente para a gasolina que, a exemplo do diesel, é prejudicial aos consumidores e à Petrobrás.

A prática de preços altos da gasolina, acima das referências internacionais (USCG e NWE), faz com que a Petrobrás perca mercado para os produtores e importadores de etanol e gasolina.

Perdem os consumidores com preços altos e a Petrobrás com a redução da sua participação no mercado.

Perde o Estado Nacional com redução na arrecadação de impostos porque a carga tributária sobre a gasolina é superior à do etanol.

Ganham os produtores de gasolina e etanol nos EUA e Europa, os usineiros e multinacionais produtoras de etanol no Brasil, assim como os “traders” estrangeiros e distribuidores privados no Brasil.

Não é verdade que a Petrobrás teve prejuízos enquanto adotou preços de combustíveis abaixo do internacional, entre 2011 e 2014, época em que o preço do petróleo se manteve elevado.

Neste período de altos preços do petróleo, os resultados das atividades de refino foram compensados pelos ótimos resultados das atividades de exploração e produção.

No período de 2015 a 2016, com os preços do petróleo mais baixos, os resultados de exploração e produção foram compensados pelos ótimos resultados do refino.

O fato é que o preço de venda dos derivados sempre foi acima dos custos de produção.

Assim, a Petrobrás, como empresa integrada e verticalizada, sempre apresentou resultados operacionais em linha com as maiores empresas de petróleo do mundo.

O gráfico abaixo mostra os lucros brutos da Petrobrás no período de 2008 a 2017.

Ao contrário do que é repetido pelos porta vozes do capital privado estrangeiro, entre 2011 a 2014 a Companhia não teve prejuízos.

Os resultados operacionais apresentados foram estáveis ao longo dos últimos anos justamente para garantir a lucratividade da Companhia, mas sem prejudicar os consumidores brasileiros.

É descabida a exigência de preços acima das referências internacionais como condição para investimentos no refino.

Ainda mais estranho é o desejo de impedir à ação do Estado Brasileiro no setor.

Defender preços altos, acima dos internacionais, como condição para a privatização de refinarias e atração de investimentos privados em nome de uma pretensa competição que aumenta o preço ao consumidor é tentar iludir a população.

Que competição é essa que precisa da elevação dos preços?

A competição é benéfica quando traz o efeito inverso.

A Petrobrás reúne as condições de integração, eficiência e competitividade para fazer os investimentos necessários para expansão do refino brasileiro mantendo elevada lucratividade, compatível com as melhores referências da indústria mundial.

Somente a Petrobrás consegue suprir o mercado doméstico de derivados com preços abaixo do custo de importações e, ainda assim, obter níveis de lucro compatíveis com a indústria, para sustentar uma elevada curva de investimentos, que contribuem com aumento da renda e dos empregos no país.

No entanto, a política de preços dos combustíveis pode impedir que a Petrobrás exerça seu potencial competitivo para se fortalecer e contribuir positivamente com os indicadores econômicos do país.

* Felipe Coutinho é presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)

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4 comentários

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Nelson

26 de setembro de 2018 às 15h39

“Ivan Monteiro mantem a política de preços de Parente para a gasolina que, a exemplo do diesel, é prejudicial aos consumidores e à Petrobrás.
A prática de preços altos da gasolina, acima das referências internacionais (USCG e NWE), faz com que a Petrobrás perca mercado para os produtores e importadores de etanol e gasolina.
Perdem os consumidores com preços altos e a Petrobrás com a redução da sua participação no mercado.”

Um raposão colocado a cuidar do galinheiro, Monteiro pratica, de forma deliberada, uma política que venha a destruir por completo todo o prestígio que a nossa maior empresa angariou junto ao nosso povo.

A tática é colocar a empresa, que pertence ao povo, a castigá-lo, para mostrar, e convencer, a dezenas de milhões que o caminho, a solução, é entregar tudo para a iniciativa privada.

Do contrário, com a Petrobras nos devolvendo, “com juros e correção monetária” – via geração de tecnologia, empregos, combustíveis mais baratos e mais desenvolvimento, – cada centavo que nela depositamos, seria impossível de convencer a maioria pelo menos, de que o setor petrolífero, uma mina quase sem fim de ganhos, tem que ser privatizado.

Com a Petrobras, empresa pública, orgulho brasileiro, demonstrando capacidade e competência não vistas nas petrolíferas privadas, não haveria como sustentar o falacioso discurso que diz que “a iniciativa privada faz mais”. Então, é preciso desconstruí-la por dentro.

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carlos

25 de setembro de 2018 às 17h49

Quando falam em privataria eu lembro de um livro do jornalista, investigativo que se esgotou antes de ser lançado, que narra ponto a ponto a entrega do patrimônio público, ou seja a dilapidação do patrimônio do povo brasileiro, que serviu para a quadrilha do PSDB roubar financiar inclusive uma organização criminosa que se chama PCC,, quem não leu eu garanto é um crime atrás do outro. A privataria tucana.

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Hell Back

25 de setembro de 2018 às 14h13

Os argumentos dos privatistas estão acabando.

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Julio Silveira

25 de setembro de 2018 às 12h15

E o que o Temerario (amigo da onça) tem feito que não seja para prejudicar o povo e tentar garantir na composição com as oligarquias da elite nacional, que dominam os setores publico e privado, sua liberdade?

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