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Feira do MST derruba mito: comida boa, barata e sem veneno
Política

Feira do MST derruba mito: comida boa, barata e sem veneno


05/05/2018 - 21h44

O que se compra na Feira Nacional da Reforma Agrária com R$ 50

Sugerimos 15 itens orgânicos produzidos em assentamentos do MST que podem ser comprados por R$ 50,00

Um dos objetivos da terceira edição da Feira Nacional da Reforma Agrária é abrir o diálogo com a sociedade e derrubar mitos.

Um deles é que a produção orgânica e agroecológica é cara.

Sugerimos uma cesta produtos diversos, de todas as regiões do país, que podem ser comprados por no máximo R$ 50,00.

Por esse valor, a cesta ficou assim: um pão caseiro, 250g de café, 500g de arroz vermelho orgânico, duas unidades de milho, três bananas-da-terra, uma caixinha de paçoca de carne, um pacotinho de manjericão, pimenta do reino, uma goiaba, duas mangas, um cacho de uva verde, um pacote de cacau em pó, um abacaxi, um melão, meia melancia.

Base da cesta básica, o primeiro produto é um pacote de meio quilo de arroz integral orgânico vermelho por R$ 4,00.

O arroz é produzido no assentamento Filhos de Sepé, em Viamão (RS), na região Metropolitana de Porto Alegre — onde o MST produz mais de 100 mil sacas por ano.

Na beira da rodovia MS-162, o acampamento Sebastião Guilherme resiste há cinco anos com produção agroecológica. E são de lá as goiabas que se encontra na Feira a R$ 1,00 cada uma.

Também deu pra comprar duas unidades de milho e folhas de manjericão, totalizando R$ 5,00 em compras na barraca do Mato Grosso do Sul.

Na tenda de Rondônia, o destaque é o cacau — o fruto foi levado da Bahia ao estado pelo fluxo de migração do ciclo da borracha, no final do século 19.

A versão em pó do fruto sai a R$ 2,00 e um pacote de pimenta-do-reino R$ 3,00.

Valdir Diniz lembra que muitas pessoas apreciam o chocolate, mas não o fruto. Por isso eles trouxeram até mesmo a semente do cacau.

“Eles pensam que é uma coisa muito distante, mas sempre está na nossa mesa. A gente quer partilhar isso e transmitir esse conhecimento aqui para o pessoal dessa grande capital”.

Ele pontua a importância do fruto para a geração de renda do local.

“Nós temos muita variedade de produtos, o que está agradando muito aqui na feira. Desde o doce de gergelim, o doce com açúcar mascavo… Ele é muito importante para nossa economia do campo”.

A diversidade de subprodutos da palmeira babaçu surpreende e o escolhido para esta cesta foi o azeite de babaçu, cuja garrafinha sai por R$ 10,00 na mão dos produtores maranhenses.

Do Espírito Santo, é possível adquirir por R$ 6,00 o café orgânico da marca Terra de Sabores, em uma embalagem à vácuo de 250g.

Dos produtores do município de Sucupira (TO), tem o pão caseiro (R$ 4,00) e a paçoca de carne-seca (R$ 3,00), cuja base é feita de farinha d’água. Os tocantinenses costumam comer a mistura pura ou com banana.

Por isso, ao lado, na barraca do Mato Grosso, tem a banana-da-terra por R$ 3,00. Junto, uma unidade do abacaxi saiu por R$ 2,00.

E, como toda boa feira, a dica também é pechinchar. Na conversa direta com os produtores, é possível conseguir descontos.

O pernambucano Adailton Cardoso fechou com facilidade a proposta de fazer por R$ 6,00 duas unidades de mangas, uma caixinha de uva e um melão. O produtor é de Santa Maria da Boa Vista (PE).

Para totalizar o orçamento, na última parada foi possível comprar uma abóbora de Tocantins por R$ 2,00.

Ainda dá tempo de você também montar a sua cesta de produtos saudáveis e baratos: o evento organizado pelo MST ocorre até o próximo do domingo (6), no Parque da Água Branca em São Paulo.

A programação da feira vai de 8h até às 20h.

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5 comentários

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Nelson

06 de maio de 2018 às 23h44

Tenho muito orgulho disso. Nasci bem pertinho, a uns 50 km da Encruzilhada Natalino, um dos nascedouros – o principal, possivelmente – do mais importante movimento social do planeta, conforme atesta ninguém mais ninguém menos que Noam Chomsky.

Um lugar que se tornou mítico, pois foi palco de uma luta épica travada pela companheirada em tempos de ditadura. A diretora Tetê Moraes realizou dois documentários magníficos que retratam essa luta: “Terra para Rose” e “O Sonho de Rose-Dez Anos depois”.

É comovente ver os bravos lutadores, gente de muita fibra, a bradarem:
“MST, a luta é pra valer!”
“Pátria livre! Venceremos!”

Vida longa e todo o apoio ao MST.

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Nelson

06 de maio de 2018 às 14h33

Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é Tudo!

A mídia hegemônica nos oferece uma agricultura altamente deletéria, baseada em insumos químicos e muitos venenos e socialmente excludente. Agricultura dita moderna, que vai contaminando e envenenando o solo, as fontes hídricas, acabando com a biodiversidade e, claro, debilitando cada vez mais nossos corpos. O resultado está estampado, todos podemos ver: os hospitais mais e mais entupidos de gente com a saúde deteriorada e, não raro, com doenças degenerativas ou terminais.

“Da boca para fora”, essa mídia demonstra extremo zelo para com as necessidades do povo; na real, seu único compromisso é, sempre foi, com os lucros de seus pares e ou anunciantes.

Enquanto isso, a companheirada do MST nos propõe – e mostra, na prática, que é factível, plenamente possível – uma agricultura feita respeitando o meio ambiente, em comunhão com a natureza [rios, lagos, banhados e fontes preservados e limpos]. Assim, os bravos lutadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra nos oferecem qualidade de vida para nós, humanos, e aos outros seres que habitam nosso pequeno grande planeta, a Nossa Casa Comum [Papa Francisco].

E, pasmem, esta mesma companheirada segue sendo tratada pela grande mídia como vagabundos, baderneiros, bêbados e, tem sido mais frequente, como terroristas.

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    Julio Silveira

    06 de maio de 2018 às 17h12

    Essa questão se coloca dentro da visão determinista elitista de redução populacional. Aquela que desvaloriza a necessidade igualitaria da natureza humana e institui algumas pessoas como mais merecedoras de uma qualidade de vida, que favorece a sobrevivencia de um mais forte, construido de forma privilegiada. Aquela que criou suas subculturas, como a tal da obsolescencia programada, levada a extremos de cultura filosofica, que atinge hoje toda a humanidade, numa programação de tempo de existencia, que lembra até uma premeditada eutanasia popular.
    Francamente? Para se ser critico sincero disso tudo, tem que se mergulhar profundamente nas incoerencias desumanas embutidas na origem do sistema que o aplica, que defende esses principios, que fazem dele um principio para hipocritas, onde se acumpliciam até religiões. Evidentemente religiões que se deixaram afastar dos principios mais basicos do respeito pelo humano.

    flavia

    06 de maio de 2018 às 20h49

    Adorei sua resposta! Posso compartilhar, com os créditos devidos?


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