VIOMUNDO

Diário da Resistência


Estadão, em editorial: Bolsonaro não tem preparo psicológico para o cargo; não aguentou a pressão em Davos
Fórum/Christian Clavadetscher, via Fotos Públicas
Política

Estadão, em editorial: Bolsonaro não tem preparo psicológico para o cargo; não aguentou a pressão em Davos


25/01/2019 - 00h14

Bolsonaro em Davos

O cancelamento de entrevista em Davos comprovou as más condições de Jair Bolsonaro para o exercício de uma função física e psicologicamente exigente como a que acaba de assumir

Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

Num vexame sem precedente, o presidente Jair Bolsonaro evitou a imprensa em Davos, cancelando uma entrevista e deixando jornalistas e cinegrafistas brasileiros e estrangeiros à sua espera numa sala do Fórum Econômico Mundial.

Quinze minutos antes do evento, marcado para as 16 horas, plaquinhas com os nomes do presidente e dos ministros Paulo Guedes, Sérgio Moro e Ernesto Araújo estavam sobre a mesa destinada aos entrevistados.

Pouco antes das 16 horas já se sabia da desistência de Bolsonaro. Jornalistas de plantão no hotel do presidente passaram aos colegas a confirmação do cancelamento e a explicação: Bolsonaro havia desistido de aparecer por causa da “abordagem antiprofissional da imprensa”.

A justificativa foi dada, no hotel, por um assessor presidencial. Às 16h15, o Fórum cancelou oficialmente o encontro.

Logo correu entre os jornalistas credenciados em Davos outra explicação para a inusitada atitude de Jair Bolsonaro: a entrevista foi cancelada porque o novo presidente brasileiro é incapaz de se comportar como um chefe de governo, ou, em termos mais simples, como uma figura pública preparada para exercer esse papel.

Bolsonaro, a menos que surja outra interpretação plausível para sua atitude, foi incapaz de aguentar a tensão em seu primeiro teste internacional.

O teste havia começado no dia anterior, quando ele foi cautelosamente conciso ao discursar numa sessão do Fórum. Passou pela prova sem brilho, mas também sem desastre.

Conseguiu transmitir com firmeza uma parte importante de sua mensagem: o compromisso de criar no Brasil um ambiente favorável aos negócios, com menor tributação, maior segurança jurídica e regras menos complicadas.

Mas desapontou quem esperava uma exposição mais clara dos planos, com indicação, por exemplo, das etapas de ajuste fiscal e dos passos para dinamização da economia.

Deixou, com essa apresentação, uma impressão mista – de cautela num terreno desconhecido, mas também de preparo insuficiente para a prova.

No Fórum Econômico Mundial, apresentações de governantes, em sessões especiais, seguem geralmente um ritual. Depois de um discurso de até 30 minutos, o convidado responde a perguntas formuladas pelo fundador e presidente da instituição, o professor Klaus Schwab.

O discurso durou 6 minutos, num prodígio de concisão para quem pretende anunciar os planos de um novo governo. Em seguida, houve respostas quase telegráficas às perguntas do anfitrião.

Schwab pareceu encerrar a entrevista principalmente por desalento, concluindo em 15 minutos um evento programado para meia hora.

Bolsonaro acertou ao falar sobre a criação de condições mais favoráveis aos negócios. O Brasil se destaca negativamente, nas comparações internacionais, pelo ambiente ruim para a vida empresarial.

As queixas normalmente acentuam o peso da tributação, a complicação do sistema tributário, a insegurança legal e cipoal de regras burocráticas. Tem havido melhoras em alguns pontos, com a redução, por exemplo, do tempo necessário para abrir ou fechar uma empresa ou dos procedimentos para importar ou exportar.

Mas é preciso ir muito mais longe e o governo dará um bom sinal aos investidores se entrar de forma decidida por esse caminho.

O recado seria muito mais interessante se adiantasse, por exemplo, informações sobre como o governo poderá reativar os investimentos em infraestrutura, indicando a participação esperada do capital privado.

Vários ministros mexeram no discurso. Produziram um mexidão com ideologia e insuficiência de informação relevante.

Foi mais uma versão requentada de um discurso eleitoral. Mesmo os frequentadores mais conservadores de Davos devem estar pouco interessados na restauração dos valores da família brasileira.

Os menos pacientes devem ter achado patética a afirmação sobre como foi escolhida a equipe de governo. “Pela primeira vez no Brasil”, disse Bolsonaro, “um presidente montou uma equipe de ministros qualificados.”

Ele ainda tentaria, em vários encontros e com a entrevista marcada meio de improviso, transmitir ideias mais claras e falar com maior pragmatismo.

Mas o cancelamento da entrevista comprovou suas más condições para o exercício de uma função física e psicologicamente exigente como a que acaba de assumir.

Leia também:

Lula: Que moral Bolsonaro tem para se meter no governo da Venezuela se nem do filho cuida?

Livro do Luiz Carlos Azenha
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!

A Trama de Propinas, Negociatas e Traições que Abalou o Esporte Mais Popular do Mundo.

Por Luiz Carlos Azenha, Amaury Ribeiro Jr., Leandro Cipoloni e Tony Chastinet



8 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Rustin

25 de janeiro de 2019 às 21h56

A gente já sabia que este sabiá não sabia assobiar, ele é gago !

Ele deveria ter levado o Motorista Laranja, era capaz do discurso deste ficar melhor que o dos outros capangas que o Bozo levou inclusive dele mesmo

Responder

Zé Maria

25 de janeiro de 2019 às 21h02

JORNALISTA LUIS NASSIF ALERTA PARA TEXTO FALSO A ELE ATRIBUÍDO

Jornal GGN – Um texto atribuído a Luis Nassif roda as redes sociais.
Intitulado como ‘Análise de Luis Nassif’, o texto carrega um amontoado de ilações, desrespeitando pessoas, fatos e o próprio jornalista.
O início diz ‘O ofensiva da Globo contra os Bolsonaro traz à luz a intricada e sangrenta luta pelo espólio da viúva’ e enumera diversos ‘fatos’ sem comprovação e sem lastro com sua trajetória.

Pedimos aos leitores do Jornal GGN e Blog do Luis Nassif que não compartilhem tal texto e que denunciem aos que partilharem sua falsidade, solicitando que apaguem.

Estamos em busca da origem do crime, e vamos chegar nele.

Internet não é terra de ninguém, existe vida responsável nesse meio.

Se a regulação é insuficiente, o uso consciente das redes ajudará a normatizar e normalizar.

https://jornalggn.com.br/noticia/alerta-texto-erroneamente-atribuido-a-luis-nassif-corre-as-redes-sociais

Responder

Zé Maria

25 de janeiro de 2019 às 15h34

Jair Bolsonaro é incapaz de se Comportar como Gente…

Responder

Darcy

25 de janeiro de 2019 às 14h01

Bolsonaro não pode continuar governando. As milícias – que atuam em todo o país e não apenas no Rio de Janeiro, assassinando pessoas comuns, disputando o comércio de venda de drogas com organizações de traficantes tradicionais e, mais recentemente, planejando e executando lideranças de esquerda, elegendo representantes nas Câmaras municipais, Assembléias Legislativas, Câmara dos Deputados, Senado, prefeitos (?), governadores (?) e presidentes – constituem algo inteiramente novo, impensável até mesmo no regime militar. O momento exige um curto período de aliança entre todos que compreendam que é preciso combater o processo de empoderamento das milícias imediatamente, o que significa deflagrar o processo de impeachment de Bolsonaro para substituí-lo pelo seu vice, general Morão, com a única garantia de que esse último se comprometa a combater as organizações paramilitares criminosas de direita, base social do bolsonarismo. Alcançado esse objetivo comum, desfaz-se aliança inusitada, para que se travem as disputas sem a presença de criminosos na arena política. Se for repetido, publique apenas um.

Responder

Darcy

25 de janeiro de 2019 às 14h00

Bolsonaro não pode continuar governando. As milícias – que atuam em todo o país e não apenas no Rio de Janeiro, assassinando pessoas comuns, disputando o comércio de venda de drogas com organizações de traficantes tradicionais e, mais recentemente, planejando e executando lideranças de esquerda, elegendo representantes nas Câmaras municipais, Assembléias Legislativas, Câmara dos Deputados, Senado, prefeitos (?), governadores (?) e presidentes – constituem algo inteiramente novo, impensável até mesmo no regime militar. O momento exige um curto período de aliança entre todos que compreendam que é preciso combater o processo de empoderamento das milícias imediatamente, o que significa deflagrar o processo de impeachment de Bolsonaro para substituí-lo pelo seu vice, general Morão, com a única garantia de que esse último se comprometa a combater as organizações paramilitares criminosas de direita, base social do bolsonarismo. Alcançado esse objetivo comum, desfaz-se aliança inusitada, para que se travem as disputas sem a presença de criminosos na arena política.

Responder

Roger

25 de janeiro de 2019 às 11h10

Tb como explicar um filho metido com milícia ? Talvez até saiba quem assassinou Marielle.
Eu diria que a casa caiu.
Como Moro vai explicar o Lula preso sem provas e o filho do Bozo solto e enrolado com milícia, pm assassino, ap mal explicado, Queiroz, etc.
Não tem preparo psicológico vírgula, não tem preparo intelectual.
É só dar uma pistola para cada brasileiro que a economia cresce e todo mundo arruma emprego de carteira assinada. Bolsonaro é um autêntico gorila. Preparou só o corpo, mas esqueceu de preparar o intelecto.

Responder

Julio Silveira

25 de janeiro de 2019 às 07h49

Esse é o Mico, que muitos escolheram para mito. Rsrsrsrs. É o Brasil sendo o Brazil da irrelevancia mundial, bem ao gosto de suas elites institucionais covardes e incompetentes com vocação hereditaria para colonia e quintal.

Responder

WILLMAR TOPFSTEDT

25 de janeiro de 2019 às 01h24

E bem coerente a gritaria dos opulentos. Os anos passam e não temos progressos significativos nas áreas de gestão politica e social. Nosso pais não é democrático.
O último governo razoável na história foi Getulio Vargas. Mas a mesma imprensa que delira e planeja a morte do governo Bolsonaro planejou e executou a morte do governo e do próprio Getulio. A imprensa que é direitista, todos sabemos, na verdade é dinheirista, Nunca vimos nessa imprensa algo revelador e positivo que ensejasse um futuro melhor. para nós. Um exemplo: em 1941, Getullio criou as leis trabalhista e no arranco criou o sistema S. Ora, sabemos que desde lá passados quase oitenta anos, nunca se avaliou ou cotejou a soma recebida pelos cofres elitistas em nome do sistema S e o custo do investimento realizado nesse periodo, pois sabemos que foi insuficiente, pois o país carece de mão obra especializada em suas industrias. Precisamoss de duas reformas urgentemente: de cunho moral. Na Imprensa e no Judiciário. O resto vem por si mesmo.

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!