VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Emir Sader: O mundo parece de cabeça para baixo


10/10/2012 - 10h59

por Emir Sader, no seu blog

Imaginemos alguém que só lesse, escutasse ou visse a velha mídia. Que visão teria do Brasil e do mundo?

Em primeiro lugar, não poderia entender por que um governo – corrupto, incompetente, com a economia à deriva, nomeando ministros como troca-troca eleitoral, que cobra muitos impostos, que está atrasado na entrega de todos as obras, do PAC, do Mundial e das Olimpíadas, que tem politica exterior aventureira, etc., etc. – tem 75% de apoio do povo.

Não entenderia como um líder como o Lula – que tem 80% de referências negativas na mídia – consegue que 69,8% dos brasileiros queiram que ele volte a ser o presidente do Brasil em 2014.

Não poderiam entender como o PT – partido corrupto, protagonista do maior escândalo da historia do Brasil – sai fortalecido das eleições municipais, eleja mais prefeitos e mais vereadores e ameace tirar dos tucanos a prefeitura mais importante do Brasil, a de São Paulo – tão bem administrada pela competência dos tucanos.

Não saberiam por que a economia brasileira não naufraga, se leem todos os dias que tudo vai mal, que o governo faz tudo errado, que a economia não cresce. Por que o governo continua a estender as políticas sociais, sem os recursos que a economia deveria lhe dar.

Não entende por que o FHC dá seu apoio e participa da campanha do candidato tucano no Rio – junto com o Aécio e o Álvaro Dias -, mas o candidato tem apenas 2,47% dos votos. Como os tucanos e o DEM perderam 332 prefeituras, sendo os mais preparados para governar.

Leem numa revista semanal que a Argentina é “governada por autoridades cada vez mais repressoras”, que “bloqueiam as liberdades individuais, como o acesso à livre informação, a bens de consumo e ao capital”. Que o governo “já tem o controle autoritário de 80% (sic) dos canais de radio e tv do país”. Que “na ilha de Cristina, os cidadãos só leem o que ela quer”.

Que as grifes “Escada, Armani e Yves Saint-Laurent fecharam suas lojas no país”, assim como a Vuitton e a Cartier. Que a “Avenida Alvear está com ares de fim de feira”. Que “na ilha de Cristina os investidores são tratados como piratas”.

E, no entanto, a Cristina é reeleita no primeira turno. Como entender isso, vendo a velha mídia?

Como entender que a Venezuela está se desfazendo, entre a ineficiência da sua economia, a corrupção e a violência, mas o Hugo Chavez é reeleito para um quarto mandato?

Que a América Latina vai bem enquanto os EUA e a Europa vão mal?

Tudo parece de cabeça pra baixo, o mundo parece absurdo, incompreensível, para quem depende da velha mídia, dos seus jornais, das suas revistas, dos rádios e da suas TVs.

 

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



28 comentários

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maria olimpia

11 de outubro de 2012 às 17h05

É isso mesmo. Até quando a mídia vai persistir na mentira? Ainda bem que são poucos os que acreditam nela.Nem consegue mais aumentar o número de assinantes, ao contrário, só perde.

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Iolanda

11 de outubro de 2012 às 16h12

Tirei minha cabeça da areia para ler essa maravilha de texto. Agora com a licença de tão sábios defensores do PT vou voltar a enfiar minha cabeça na areia de novo para ver se passa mais rápido essa “página infeliz da nossa história”. Para mim não tem nada de ponta cabeça não! Está tudo certinho mesmo, tudo em seus devidos lugares. O que existe é essa tentativa de convencer com argumentos rotos aos que se desleixaram e perderam o poder de pensar sozinhos. Eu, graças a Deus, ainda estou de posse das minhas faculdades mentais e posso tirar minhas conclusões sozinha.

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Vicent

11 de outubro de 2012 às 01h58

Acho que lendo as mídias, essa pessoa concluiria que não precisa ser um bom governante para ser eleito pelo povo. Curiosamente, a liberdade é cada vez mais cerceada na Argentina, o câmbio oficial é completamente irreal e diferente do câmbio praticado no país.
Colômbia, Chile e Peru são as economias que mais crescem na América Latina; o México faz reformas para modernizar a economia, e na Argentina, cada vez mais as pessoas são excluídas da sociedade mundial (assim como, em muito maior escala, na Venezuela).
Não sei se lendo as mídias, esta pessoa descobriria que milícias Chavistas oficiais vão intimar pessoas a votar no El Comandante. Também não sei se leria que todos que assinaram um abaixo-assinado contra El Comandante tiveram suas vidas muito atrapalhadas por terem expressado suas opiniões, e ver a lista virar pública.
Acredito que esta pessoa não teria uma noção da realidade horrorosa destes países, onde a liberdade é cerceada, e tenderia a comparar estes países com o Brasil, vendo que estes países estão muito atrás em diversos níveis de desenvolvimento, e ainda assim, continuam escolhendo os mesmos líderes, que se valem cada vez mais da máquina oficial para comandar o país e manterem se reeleitos.
Será que estas pessoas leriam sobre as prisões em Cuba de opositores ao sistema, que deixou o país à margem da sociedade mundial por 50 anos?
Será que está nesta mídia que Chávez só fez aumentar a dependência do país do petróleo? Que não foi feito nenhum investimento em tecnologia, só incrementando uma dependência de um produto finito e poluidor? Que falta leite e comida, e qualquer produto que o país não produz simplesmente porque o governo resolveu nacionalizar tudo e não consegue operar de forma eficiente estas empresas? Que as pessoas têm que ir no mercado negro comprar estes produtos, e que o mercado negro é comandado por militares simpáticos ao governo?

Felizmente, a Dilma caminha para o lado oposto: o lado do Chile, da Colombia, que buscam cada vez mais diversificar suas economias, investir em tecnologia e educação para garantir a inserção de seu povo na economia mundial, fortalecendo as instituições democráticas e modernizando a economia (sendo, entre outras coisas, um dos principais fatores por trás de seu forte crescimento econômico).

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Paulo Moreira Leite: Quem tem medo da mensagem das ruas e das urnas « Viomundo – O que você não vê na mídia

10 de outubro de 2012 às 20h34

[…] Emir Sader: O mundo parece de cabeça para baixo […]

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Maria albuquerque

10 de outubro de 2012 às 20h31

De tanto ler sobre o processo que se passa no supremo,nas opiniões ,nos blogs,nos sites,etc,fico a meditar :como pode de uma hora para outra, um processo ser tratado dessa maneira,num periodo de tamanha importância para a nossa infante democracia,de forma também espetaculosa por parte da corte como se estivesse cuidando de coisas sem importância,Acredito que os juízes não lêem nada do que se escreve nesses meios de comunicação,não sabem das vontades, dos anseios do povo. Só os jornais e revistas da mídia privada é que são importantes . Vejo esse triste espetáculo como uma luta de classes na qual só os certinhos,os representantes da casa grande,é quem têm vez e voz.Queremos o debate da lei dos meios de comunicação para acabar com essa tristeza.

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Mário SF Alves

10 de outubro de 2012 às 20h29

Essa é do Noam Chomsky referindo-se às campanhas dos candidatos a presidente dos EUA. Está lá no Opera Mundi.

“Há, portanto, diferenças entre os dois partidos: dizem respeito a quão entusiasticamente os ratos devem marchar até o abismo.”

“Um segundo grande tema, a guerra nuclear, também está nas primeiras páginas todos os dias, mas de uma forma que escandalizaria um marciano observando fatos estranhos na Terra.”

Essa é a mídia. Ou seria só resquícios da ideologia que embalou o nati morto III Reich?

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Mário SF Alves

10 de outubro de 2012 às 19h51

Seria o mesmo que colocar Goebbels no lugar de Chaplin.

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sandro

10 de outubro de 2012 às 19h41

Enquanto não houver uma mídia de resistência, impressa, um canal televisivo entre outras coisas ?Meu caro Emir..só os blogs não darão
conta. Mas reparem que a população esta menos alienada.Falta muito
ainda Ok..mas o ódio do pig não tarda ira na direção do povo.Isso
de uma forma escandalosamente clara.

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    Mário SF Alves

    10 de outubro de 2012 às 20h34

    Começo a achar que você tem razão. Além do mais, você não é primeiro a aventar tal hipótese.

Francisco

10 de outubro de 2012 às 19h18

Fico me perguntando até quando os empresários continuarão consultando esses informativos para tomar decisões empresariais importantes e sérias.

Como tomar decisões importantes e sérias a partir de informações nem importantes e nem sérias? Quantos burgueses lêem o Estadão? A Folha? O Globo?

Quem cobre as despesas? O Estado mais endividado do país faz isso. Qual?

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Mário SF Alves

10 de outubro de 2012 às 17h15

Uai?!! Cadê os trolls que fazem bico por aqui? Escafederam-se? Viraram ectoplasma ante o insofismável argumento do honorável Emir?

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    sandro

    10 de outubro de 2012 às 19h43

    Rs..
    O Rodrigo Leme tbm conhecido como “zoinho virado” deve estar
    em casa de ressaca pos condenação do Zé Dirceu.Deve ter enchido
    a cara com o patrão.

    Mário SF Alves

    10 de outubro de 2012 às 20h36

    Não duvido ):

Jair de Souza

10 de outubro de 2012 às 16h32

Parabéns ao Emir Sader pelo presente artigo. Só nos resta dizer (como consolo) que estar infestado por corporações midiáticas mafiosas, manipuladoras e completamente alheias à realidade e aos interesses das maiorias não é uma exclusividade brasileira. Este papel nefasto para o povo e em benefício das oligarquias, do imperialismo e do neocolonialismo é desempenhado de maneira bastante similar pelas corporações midiáticas privadas de quase todo o mundo capitalista. Como ilustração recente, gostaria de sugerir um artigo sobre como o jornal El País, da Espanha, se refere à recente vitória de Hugo Chávez na Venezuela. Este artigo foi publicado em Desacato.info e poderá ser visto através do seguinte link: http://desacato.info/2012/10/o-jornal-el-pais-e-um-exemplo-de-manipulacao-neocolonial/

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    Mário SF Alves

    10 de outubro de 2012 às 18h49

    Estive lá, Jair. Obrigado.

    A propósito, “contribui” com o seguinte comentário:
    Com todo o respeito e, tendo em vista que é insofismável a realidade descrita, só faria uma ligeira observação:

    1- Tão ou mais cruel será essa mídia antipovo quanto mais condicionado ao subdesenvolvimento for esse mesmo povo. Assim, creio que a medalha olímpica na categoria “lixo tóxico ideológico humano-degradante” deve mesmo ficar com as corporações midiáticas da América Latina;

    1.1 – Em lugar países periféricos, queira, por gentileza, grafar países subdesenvolvidos. Claro, a não ser que lhe faça algum sentido o “neologismo” países em desenvolvimento.

    Grato,

    Att.,

    MSFA

mariazinha

10 de outubro de 2012 às 16h21

Sensacional meu sábio EMIR. É isto! Como é possível essa minoria querer sejamos seus escravos? Como é possível, caro mestre, aguentar as bisonhices de um cerra? Brasileiros de SP já disseram em primeira mão que não vão aceitar e terão que dizer, novamente agora, muito mais alto! Avante! Fora, com esse projeto de gente.
http://www.youtube.com/watch?v=MLdRON_S340&feature=player_embedded

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RicardãoCarioca

10 de outubro de 2012 às 14h43

Willian, lulipe, EUNÃOSABIA e Leandro e outros milicos-da-casa-grande que batem ponto aqui finalmente ganharam um post!

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Eunice

10 de outubro de 2012 às 14h30

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!!!!!!

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Fabio Passos

10 de outubro de 2012 às 13h54

O PiG escreve para uns 6% da população: Parte da classe média adestrada a defender os interesses da diminuta minoria rica.

É uma expressão do nosso Apartheid Social.

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Valmont

10 de outubro de 2012 às 13h46

It’s MATRIX, stupid!

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Walter Cesar

10 de outubro de 2012 às 13h44

Exatamente isso. Que se expanda então os blogs sujos como esse.

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Julio Silveira

10 de outubro de 2012 às 11h30

Acho que os formuladores da midia progressista de tanto convivio com a midia corporativa aprenderam a mistificar sem explicar.
Escrevem para agradar, por simpatia, por ideologia, sei lá, não para esclarecer os por ques. Com todo meu respeito ao Emir, creio que ele não deveria tomar o todo por parte. Muito menos se auto proclamar termometro e porta voz da satisfação popular, para todos os efeitos. O apoio é inegavel, a meu ver, mas isso não significa que seja para tudo. Temos uma grande maioria hoje que pensa primeiro não luta diaria pela sobrevivência, que nosso povo labuta diariamente para conquistar, relegando outras questãos importantes para segundo plano ou outro momento. Nesses tempos a luta pela sobrevivencia está na ordem do dia, isso já não quer dizer que em diversos outros aspectos esse governo é exemplar, professoral.

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    Luiz Moreira

    10 de outubro de 2012 às 12h45

    Professoral foi o governo do MESTRE FHC, que vendeu e sucateou a indústria nacional, que queria a PETROBRAX, que ministros diziam” o que é bom a gente mostra e o que é ruim a gente esconde”, que comprava votos para se reeleger (“SERJÂO, que o diga lá do INFERNO). É isto, amigo, é que quem lê a VEJA tem outras informações, e não aquelas do CACHOEIRA. Leia a MIDIA INDEPENDENTE, pois assim vais te sentir melhor atendido ainda

    Julio Silveira

    10 de outubro de 2012 às 14h31

    Concordo plenamente. Contudo isso ainda não quer dizer que todos os defeitos do governo da estrela, possam ser justificados por todos os defeitos das era tucana de FHC. Sempre que escolhi um governante o fiz para ser exemplar. Ser sabedor de seu papel irradiador de uma cultura de ética e respeito a cidania, que fugisse da máxima de meros discursos.

    vinicius

    10 de outubro de 2012 às 17h23

    Para quem gosta ou concorda com o Governo Lula e o confronta com o governo FHC, a forma como o STF julgou a AP 470 está sendo um verdadeiro soco no estômago.

    É impossível não ficar chateado.
    Como é impossível ao outro lado não sentir euforia.

    Mas não se trata de pensar que erros do Governo Lula devam ser aceitos porque o Governo FHC também errou.

    A questão é a forma como foi conduzido o julgamento da AP 470.
    Isso sim é o que se deve questionar.

    Ricardo JC

    10 de outubro de 2012 às 17h59

    Perdão Julio, mas acho que você está invertendo as coisas, inclusive, o texto do Prof. Emir. Não existe mistificação do atual governo no texto!! Existe, justamente, a pergunta contrária. Por que a mídia corporativa insiste em transformar o governo em um vilão do mal (isso não é um espécie de mistificação??), se a percepção da (grande) maioria das pessoas não é esta? Existem problemas que precisam ser solucionados? Sem dúvida. O fato de estarmos melhorando (e muito, na minha opinião) não significa, absolutamente, que estamos perto de um patamar aceitável de desenvolvimento social. Precisamos evoluir mais e parece (??) que nossa mídia corporativa está apenas interessada em seus ganhos e nos ganhos de seus amigos. A mídia progressista não tem tentado mistificar o governo. Ela apenas tenta evitar que retrocedamos a partir de uma visão equivocada da situação que é, sistematicamente, vendida pelos atuais grupos de comunicação (?) no país.

    Luís Carlos

    10 de outubro de 2012 às 19h55

    Júlio
    Emir não se auto proclamou nada. Pelo contrário, manifesta posição que não encontra espaço na grande mídia para ser divulgada. Os veículos dessa grande mídia omitem e escondem posições que divergem de seus interesses, nesse caso, mistificar o PT e o governo petista como corrupto e incompetente, dentre outras coisas.
    Essa grande mídia cria, inventa uma realidade não vivida pela sociedade, e manipula os fatos conforme seu espúrio interesse. Despreza a opinião pública, pois entende que ela é a opinião pública. Que manifeste sua posição, sem problemas, mas de forma honesta, assumindo seus interesses, publicizando-os, assumindo também sua postura ideológica, que tem lado, não se escondendo sob a farsa de “neutralidade”.
    Emir apenas manifestou o que eu, e todos nós que discordamos dessa máquina de sofrimento chamada grande mídia omite, e que está relacionado a vida diária de milhões de brasileiros.

    Julio Silveira

    10 de outubro de 2012 às 20h23

    Desculpe amigo, então eu não soube entender o que ele quis dizer.
    E ainda não consegui associar o que ele disse, com o que voce diz.


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