VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Emir Sader: Corvos e urubus


30/09/2011 - 18h12

Blog do Emir Sader

Repararam que tem gente, que se diz de esquerda, mas que só aparece para criticar a gente de esquerda? Nunca contra a direita, o que quer que esta faça. São especialistas em jogar álcool em qualquer foguinho dentro da esquerda.

Nunca reconhecem vitórias, conquistas, avanços. São apenas prenúncios de derrotas, traições, retornos da direita – cuja culpa será sempre denunciada como responsabilidade da esquerda. Adoram as derrotas, quanto maior, melhor, porque a culpa é dos outros, não importa que o povo seja quem pague o preço.

São ótimos para fazer balanços de derrotas, mas nunca sabem propor alternativas e nunca conseguem dirigir processo algum. São sempre críticos. Espécies de urubus, especialistas em carniças. Corvos, que auguram sempre catástrofes.

Não dá para ter respeito por alguém que se diz de esquerda, mas não está em todas as paradas da luta contra a direita. Aí ficam quietos, espreitando para atacar a esquerda, seja porque não é suficientemente radical, seja porque não derrotou de forma radical e definitiva a direita. Eles mesmos, não são capazes de afetar o poder da direita, nem estão centralmente preocupados com isso, lhes importa sobretudo as “traições” da esquerda.

Numa circunstância grave como a da Bolívia atualmente, por exemplo, colocam para fora o rancor com Evo Morales e sua liderança, como antes tiveram essa atitude contra Lula no Brasil. Todos “traíram”, incluídos Hugo Chaves, Rafael Correa, Pepe Mujica, os Kirchner, Fernando Lugo, Mauricio Funes, só eles são puros. Só que o povo não acha isso, de forma que essa gente nunca consegue formar movimentos populares com forte participação do povo, não dirigem nenhum processo, não conseguem citar um caso em que suas ideias levaram a vitórias e a avanços.

Não elogiam a reforma agrária, a nacionalização das minas, a Assembleia Constituinte postas em prática por Evo. Não apoiam as medidas de política externa soberana do Brasil, no reconhecimento da Palestina, na mediação do Irã, no apoio a Cuba. Só denúncias, porque seu universo não é a luta geral do povo, mas o universo restrito da esquerda. Não fazem luta de massas, só luta ideológica. Não constroem força política para que a esquerda avance, sempre tratam de dividir.

Os conflitos na esquerda, no campo popular, têm que ser discutidos e tratados como conflitos entre tendências de esquerda, mais moderadas ou mais radicais, sem desqualificações que caracterizem os outros como fora do campo da esquerda. Esta atitude é o primeiro passo que leva a assimilar outras tendências da esquerda à direita e assumir equidistância em relação a elas.

Numa situação de crise como a da Bolívia atualmente, tudo o que podemos desejar é que se chegue a um acordo político entre o governo e setores do movimento indígena que estão em enfrentamento aberto. Nem o governo é de direita, nem os movimentos indígenas fazem o jogo da direita. É nesse marco que devemos almejar que sejam enfrentados os conflitos.

Como no Brasil, deve-se criticar o governo e o PT no que se diverge, e apoiar nos pontos comuns. Fazer frente única no que há de comum, a começar na luta contra a direita. E criticar naquilo em que há divergências. Considerando que são diferenças no campo da esquerda e não é possível equidistância entre o governo e a oposição, o PT e a direita.

Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP – Universidade de São Paulo

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



51 comentários

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Antonio

08 de outubro de 2011 às 13h08

Sinceramente, olho para alguns membros da esquerda como se fossem da direita, caro Emir. Muitos parecem ter recebido o chamado "beijo da morte", termo alcunhado por Eleanor Roosevelt que, sinceramente, faz muito sentido. Algumas pessoas de esquerda, ao receber algum cargo ou privilégio, amainam o próprio discurso e ajudam a fundar a "realpolitik". Mostras disso? Dou-lhe uma: estive em um seminário há um mês atrás, organizado por uma universidade. Conversava com um rapaz que faz parte de um partido de esquerda e de um grupo de direitos dos homossexuais, e tem relativo trânsito no meio acadêmico. Sua origem é humilde, viveu de bolsa auxílio e moradia cedida. No entanto, esquecendo as suas origens, fez o seguinte comentário: "Vim em um ônibus da universidade e lá tinha professores e funcionários. Acho que deveriam ir separados, em ônibus diferentes". Caro Emir, de qual esquerda estamos falando? Concordo parcialmente com você, Emir: apenas olha-se para as mazelas da esquerda e pouco se olha para as da direita. Porém, isto não serve de argumento para tirarmos o foco daqueles que, na prática, não parecem participar da luta.

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cronopio

06 de outubro de 2011 às 18h51

Trecho de Parry Anderson "Lula's Brasil" ("O Brasil de Lula"):

Were the pace of growth to falter, however, the descendants of slaves might live out an aftermath not so different from that of emancipation. From the time of its adoption, just after slavery was gone, the Comtean motto inscribed on the banner of the nation – Ordem e Progresso – has long been a hope fluttering in the wind. Progress without conflict; distribution without redistribution. How common are they, historically?
Yet perhaps this time it will not be the same. The last decade has not seen any mobilisation of the popular classes in Brazil. The fear of disorder and acceptance of hierarchy, which still set them apart within Latin America, are legacies of slavery. But though material betterment is not social empowerment, one can lead to the other. The sheer electoral weight of the poor, juxtaposed against the sheer scale of economic inequality, not to speak of political injustice, makes Brazil a democracy unlike any society in the North, even those where class tensions were once highest, or the labour movement strongest. The contradiction between the two magnitudes has only just begun to work itself out. Should passive improvement ever become active intervention, the story would have another ending

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cronopio

06 de outubro de 2011 às 18h24

Acho que esse texto do Emir Sader tem como destinatário o Chico de Oliveira, rs. De resto, embora concorde com o Emir Sader em linhas gerais, acho que a posição assumida tende a desautorizar toda e qualquer crítica ao governo. De todo modo, acho que o PT realmente produziu, entre avanços e retrocessos, mais avanços que retrocessos. Quando o PSDB e o seu candidato José Serra eram o inimigo, tornei-me um ferrenho defensor do governo Lula, mas agora, que não estamos em perigo, nós que nos consideramos de esquerda temos o dever de apontar os problemas da gestão petista. E não só isso: temos ainda de figurar os limites da estratégia petista de ampliar sua governabilidade. De resto, considero o Emir Sader um grande pensador e acho admirável sua coragem de se posicionar.

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Raphael Tsavkko

03 de outubro de 2011 às 05h11

Engraçado, o texto começa acusando tudo e todos, mas termina dando "permissão" pra se crticiar o governo… oi? Confunde-se oposições contra governos populares e de esquerda da América Latina com um governo cuja base aliada é quase integralmente de direita, que defende privatização dos correios e já privatizou aeroportos…

Não dá.

Eu não consigo mais me surpreender com os caminhos trilhados pela neo-esquerda governista. E digo "esquerda" apenas em honra ao passado militante de muitos, porque ter no Sarney, no Collor, e agora na Bancada Evangélica, aliados de primeira ordem não me parece muito como atitudes de esquerda e sim de oportunistas que tentam atodo custo se manter no poder.

Mas tudo bem, vamos aceitar por um momento que a "governabilidade" valha a pena, me pergunto: Até que ponto?

Qual o limite que podemos chegar?

Na "Base Aliada" do governo temos Jaqueline Roriz, Inocêncio de Oliveira, Garotinho, Magno Malta e muitos "progressistas" e governistas parecem não ver problemas nisso. Em teoria, essa base é necessária para aprovar projetos para o povo. Mas que projetos? Tudo que sempre ouvimos é denúncias de corrupção, ministros caindo, deputados pegos mas inocentados por seus pares e insurgências na base.

Pra que garantir a aprovação do PLC 122 se você pode simplesmente garantir o apoio dos evangélicos e rifar os direitos LGBT's? Pra que servem os LGBT's afinal, não é mesmo? O problema hoje é a heterofobia, já diz o Bolsonaro (que faz parte de partido da base aliada, diga-se de passagem).

Mas estes aliados não são suficientes para se garantir o poder apenas pelo poder, é preciso ampliar a base até abarcar tudo e todos.

Aí chega o PSD, com o higienista Kassab, com a escravista Katia Abreu… Serão recebidos de braços abertos pelo governo de… esquerda?

E quando me falam que é preciso ter base ampla para avançar nos direitos dos trabalhadores eu me pergunto: Que direitos?

Professores de Institutos Federais estão em greve e os das federais receberam 4% (míseros 4%) de aumento para não pararem.

Os direitos humanos dos indígenas são desrespeitados com Belo Monte, com o genocídio contra os Guarani Kaiowá que o govenro federal não toma conhecimento no Centro-Oeste. As greves pipocam nas obras da copa e até trabalho escravo é descoberto nas obras do PAC e tudo que o governo faz (ou um dos membros do governo, na figura nefasta do Paulinho da Força) é dizer que o problema é a falta de prostitutas pra amansar o trabalhador revoltoso.

Os direitos LGBT's já não são mais pauta. Educação de qualidade nem pensar, a idéia é precarizar a mão de obra do professor e investir pesado no ensino de UniEsquinas sem exigir nada, raciocínio igual para o PNBL e para todo o setor das telecomunicações, onde não há nenhuma competição e somos reféns de preços altos e qualidade zero. Mas o governo está satisfeito.
http://www.tsavkko.com.br/2011/09/da-serie-isso-e

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    Alan Patrick

    03 de outubro de 2011 às 12h58

    Raphael, vc só enfatizou aspectos que julga serem negativos,o que vc diz dos avanços conquistados pelo governo como o aumento do emprego, política externa independente e soberana, redução da desigualdade social, criação do Fundo Soberano(algo inimaginavel no governo tucano) e o fortalecimento do mercado interno(um dos fatores que contribuiu para que o Brasil enfrentasse a crise financeira iniciada em 2008)?
    Em relação a Belo Monte discodo de vc, o projeto foi estudado com cuidado e vai contribuir para gerar milhões de empregos formais, além de desenvolver economicamente a região também vai atender a demanda crescente da sociedade por energia.

    Raphael Tsavkko

    04 de outubro de 2011 às 22h06

    O artigo do Sader tem a intenção de proibir a crítica, como se quem o faz não fosse de direita. Apenas apontei diversos aspectos que mostrar o quanto esse gov NÃO é de esquerda.

    Política externa brasileira é digna de críticas agora (era muito mais proativa e independente com Lula/Amorim). Os demais aspectos são discutíveis. Fora fundo soberano os demais garantem sobrevida ao capitalismo tupiniquim, tem o objetivo de garantir muito mais os "direitos" das empresas lucrarem, criando mercado consumidor amplo e força de trabalho" do que efetivamente ajudar o povo.

    Belo Monte não foi estudado. Todos que se opõem ao projeto no govenro foram ou afastados ou demitidos, os indígenas não foram ouvidos e os ativistas são tratados como criminosos. E Belo Monte não vai garnatir energia pr ninguém, toda a energia lá produzida será usada pela indústria de alumínio do Pará.

guilherme freitas

01 de outubro de 2011 às 13h43

Não considero que PSTU, PSOL, PCO et caterva estejam fazendo "política de base". Esses partidos não tem relação orgânica com movimentos de massa. Estão restritos a setores intelectualizados das universidades, na classe média e, embora digam que apóiam movimentos como o MST, os sem teto, etc., esses movimentos sempre apóiam o PT nas disputas eleitorais. Por que será?

Responder

    L. Borges

    04 de outubro de 2011 às 17h11

    Concordo. O PSTU, na maioria, é composto por um monte de burgueses que gostam de citar Karl Marx, mas têm medo de ir à luta. Felizmente há exceções, como a professora Amanda Gurgel. Se for reparar mesmo, é no PT, nos cafundós do Brasil, que você vai encontrar muitos trabalhadores ameaçados por grileiros ou políticos corruptos. Pensar no PT apenas no governo é um reducionismo canalha. Uma coisa é se posicionar contra Palloci et caterva, outra é demonizar toda uma coletividade.

Vinícius

01 de outubro de 2011 às 02h05

Perfeito, Emir, restam duas perguntas…

1) Se o PSDB agir como esquerda, a gente apoia?
2) Quando o sr. vai fazer um artigo sobre os "esquerdistas" que só apóiam e não divergem?

De resto, está com toda a razão. Mas o não-dito diz mais que o dito ou é maldade minha?

Responder

Jorge

01 de outubro de 2011 às 02h02

Azenha

O Emir é sempre muito didático e disseca como ninguém o famoso porralouca ou esquerdista festivo dos meus tempos de universidade (1980). Hoje acho que muitos são editorialistas (formadores ou deformadores de opnião) presentes nos jornalões e tv's brasil a fora, tamanha é a imbecilidade desses meios de comunicação.

Os que estão na política partidária propriamente assumida através de partidos políticos, deverão amassar muito barro ainda para começarem a sonhar com o poder e, muito provavelmente, aliados com a direitona velha de guerra (UDN, ARENA, DEM, PFL e assemelhados).

Um abraço.
Um abraço.

Responder

David Rodrigues

01 de outubro de 2011 às 01h56

Veja como o mundo dar VOLTAS: Se discute no PSOL, a EXPULSÃO da amiga do COLLOR: A Vestal do PIG de direita, a vereadora atual Heloísa Helena. Quando saiu do PT, quem a CRIOU, vomitava IMPROPÉRIOS a seu CRIADOR. TENHAM, um DO, desse tipo de gente do PIG. Que Trsteza! de Belo Horizonte.

Responder

David Rodrigues

01 de outubro de 2011 às 01h47

Heloísa Helena, do PSOL, usada pelo PIG para destruir o PT, ela tinha consciência POLÍTICA. Será EXPULSA DO PSOL. Mesmo Vereadora de ALAGOAS, é tida como LIXO HUMANO. O Conluio da representante da NATURA,ambas se sentirão do Norte e Nordeste. E Você do SUL, como somos chamados pelas suas BANDAS? Belo Horizonte.

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Ze Augusto

01 de outubro de 2011 às 01h34

Minha curiosidade é saber até quando se sustenta que o PT ou o governo é esquerda.
Artigos como esse ofendem a inteligência.

O PT é tão esquerda quando o PSDB. Aliás, este nem oposição consegue ser. Os petistas que insistem a enquadrarem-se como esquerda imaginam que talvez isso aconteça unicamente pelos feitos do governo. Não compreendem é que fica cada vez mais difícil fazer oposição a si mesmo.

Quanto tempo dura?

Talvez até a primeira crise séria na economia que atinja o governo de esquerda. Aï o povo deixa de ser "de esquerda". Exatamente o que vai ser é que nao se sabe bem.

Responder

Ze Augusto

01 de outubro de 2011 às 01h23

Enquanto isso , no mundo real : Justiça trabalhista diz NÃO à ilegalidade do governo petista. Segundo o juiz que proibiu o desconto nos salários dos trabalhadores da ECT , é pressão e afronta ao direito de greve.

Mas para alguns , no mundo da fantasia onde tudo é permitido desde que seja o PT, o governo é uma espécie de intocável que escreve certo por linhas tortas.

Responder

carmen silvia

01 de outubro de 2011 às 00h02

O sujeito as vezes fica tão à esquerda,mas tão à esquerda que começa a encostar na direita.Não que um governo popular e democrático seja isento de críticas,caso o fosse não seria um governo de homens,mas de deuses.

Responder

Polengo

30 de setembro de 2011 às 23h14

Eu desconfio de quem sai de cara falando que é esquerda ou direita, ou cima ou baixo.
Prefiro primeiro ver como o sujeito pensa e como argumenta.

Responder

David Rodrigues

30 de setembro de 2011 às 22h53

Sabia! Pois é : A Vereadora por Alagoas, Heloísa Helena, a Musa do PIG contra o PT, e sua Irmã gemea, que fora bancada plela NATURA, vão FUNDAR um novo PARTIDO, ambas já NEGOCIARAM. Talvez, seja o PARTIDO DO PIG. Já acertaram reuniões com FHC, e o FAMIGERADO Roberto Freire, se não me engano da LELIBU…..até esqueci o nome dos ENTREGUISTAS…….de Belo Horizonte.

Responder

Fabio_Passos

30 de setembro de 2011 às 22h38

''Embora haja socialistas no PT, ele perdeu sua referência socialista''
Lincoln Secco
http://pcb.org.br/portal/index.php?option=com_con

Pode não ser correto negar os avanços promovidos pelos governos do PT.

Só que também não está correto justificar toda e qualquer submissão do governo aos interesses conservadores como algo necessário para garantir governabilidade. É mentira.

Há inúmeros avanços que o governo e o PT deixam de tentar promover porque, de fato, deixou de representar interesses progressistas e hoje é aliado de interesses conservadores.

Não é difícil identificar personagens do PT e do governo que não tem mais relação alguma com os interesses dos trabalhadores.

Responder

Fabio_Passos

30 de setembro de 2011 às 22h24

São merecidas as críticas quando o governo cede aos interesses conservadores.
Ou está correto o governo e o PT alinhado a silas malafaia?

"28 de setembro é o Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto
O aborto é mais um dos dramas que atingem as mulheres trabalhadoras e pobres no Brasil" http://pstu.org.br/opressao_materia.asp?id=13419&

"No país, a cada ano, cerca de um milhão de mulheres, ricas e pobres, fazem aborto. Mas dessas, apenas as ricas estão livres de qualquer perigo para a saúde, porque fazem em clínicas caras.

O aborto é a quarta maior causa de morte entre as mulheres. As mulheres pobres estão expostas a graves perigos nas clínicas clandestinas ou nos métodos caseiros. A cada ano, cerca de 150 mil mulheres morrem ou ficam com sequelas graves. A maior parte é negra, jovem e pobre. E essas, as pobres, além de terem suas vidas em risco, estão sendo presas e condenadas."

Responder

FrancoAtirador

30 de setembro de 2011 às 21h29

.
.
Considero importante e até mesmo essencial à Democracia

a existência de partidos de extrema-esquerda no País.

Mas aqui no Brasil a única esquerda socialista legítima,

porque verdadeiramente tem base de apoio popular,

é o MST.
.
.

Responder

Fran

30 de setembro de 2011 às 21h24

Eu tenho uma curiosidade em saber qual seria o comportamento de partidos como PSOL.PSTD.PCO se alcançasse o po poder.Não pagariam as dividas?reestatizariam as empresas privatizadas?Provavelmente não,aconteceria oque aconteceu com o PT que teve q ceder em nome da "governabilidade" simples assim.

Responder

    Fabio_Passos

    30 de setembro de 2011 às 21h39

    Na verdade o PSOL fazia parte do governo quando era parte do PT.

    Deixaram o governo e o PT porque muitas bandeiras históricas da esquerda em temas capitais não foram levadas a frente.

    Rafael

    30 de setembro de 2011 às 22h18

    Isso para mim é desculpa. Se o PT não honrou bandeiras históricas teriam mais motivos para não sair do PT, tinham que ficar no partido e lutar para o partido honrar essas bandeiras.

    Fabio_Passos

    01 de outubro de 2011 às 11h19

    Desculpa?
    Eles foram expulsos do PT…

    Alan Patrick

    01 de outubro de 2011 às 13h05

    Alguns foram expulsos… outros acreditando que o PT iria desmoronar depois da crise do "mensalão" deixaram o partido e foram para o PSOL.

    Alan Patrick

    01 de outubro de 2011 às 13h19

    O próprio Plínio de Arruda admitiu em uma entrevista para a revista Sociologia Ciência e Vida que, caso um partido socialista assumisse o governo no contexto em que vivemos atualmente, não faria um governo socialista de fato. Portanto, o governo do PT fez o que podia dentro do contexto em que vivemos, agora cabe as forças democráticas e progressistas do país, pressionar o governo para que avance mais na direção da reforma agrária, democratização da mídia, reforma tributária etc, reformas que vale lembrar faz parte das bandeiras históricas do PT.

    Fabio_Passos

    01 de outubro de 2011 às 18h15

    Não é verdade que o PT fez o que podia.
    Em muitos casos optou por políticas conservadoras porque depende e representa interesses conservadores.

    Alan Patrick

    03 de outubro de 2011 às 12h39

    Fabio, quando digo que o PT fez o que podia durante o governo Lula, quero dizer que a redução da desigualdade social, o aumento do emprego e a política externa independente e soberana foram avanços consideráveis para o país nos últimos 8 anos. Claro, a política econômica de benefício ao grande capital foi um dos aspectos negativos do governo Lula e continua no governo Dilma… mas vale lembrar que para mudar essa política econômica de benefício ao grande capital não basta apenas boas intenções: e necessário conscientizar a população em relação a espoliação que sofre da burguesia e mobilizar a classe trabalhadora para pressionar o governo a acabar com esta política econômica de benefício ao grande capital. Para finalizar, não considero que o PT representa interesses conservadores, penso que se o governo tivesse tentado radicalizar naquele contexto e não tivesse feito alianças, provavelmente não teria conseguido avanço nenhum e estariamos numa situação atualmente numa situação pior.

    Fabio_Passos

    03 de outubro de 2011 às 18h39

    Sem chance de eu concordar.
    Sinto mas figuras como Palocci não apenas representam interesses conservadores… eles pertencem aos interesses conservadores. O rabo do sr Palocci pertence a banca. E não é o único.

    Alan Patrick

    04 de outubro de 2011 às 16h49

    Apesar de concordar com vc em relação ao Palocci, não considero muito justo generalizar para todos os membros do partido a imagem de defensores de interesses conservadores. Dentro do PT existe alas que são mais de esquerda e alas que são mais de direita, com a crise financeira de 2008 as ideias da esquerda ganharam mais destaque dentro do governo. Ou seja, as ideias da esquerda como o combate a miséria, a democratização da mídia, fortalecimento do papel do Estado na economia etc estão em destaque no projeto de governo do PT, por isso o partido não pode ser taxado como representante de interesses conservadores.

    Fabio_Passos

    05 de outubro de 2011 às 13h03

    Quando sustenta por 9 anos uma política de juros altos, privatiza aeroportos, não enfrenta o monopólio midiático, privilegia o agribusiness… é porque representa interesses conservadores. Não há dúvida.

    Alan Patrick

    06 de outubro de 2011 às 11h49

    E quando aumenta os investimentos sociais, adota uma política externa indepedente e soberana, cria condições para aumentar o emprego e a renda dos trabalhadores, aumenta o crédito para a agricultura familiar e diáloga com os movimentos sociais, será que o partido também está representando interesses conservadores? concordo com sua crítica de que a política de juros altos favorece o mercado financeiro, e até observei que dentro do PT existe alas que criticam essa política de juros altos que transfere boa parte dos recursos públicos para o grande capital. Em relação ao monopólio midiático, foi no governo Lula que começou a ganhar força a idéia de regulamentação da mídia, algo que está presente na constiução federal de 1988 que, proibe a formação de monopólio e oligopólios no setor de comunicação. Acontece que as coisas não avança tão rápido como gostariamos, e preciso informar e estabelecer um diálogo com o público para que a ideia possa avançar e ser implantada, e isso leva tempo…

    Fabio_Passos

    06 de outubro de 2011 às 20h38

    Você não quer ver.
    Falta iniciativa para ações progressistas em questões capitais.
    Sobra iniciativa para perpetuar e até aprofundar o status-quo.

    Leitura imperdível…

    "Infraero: a privatização continua em marcha!"
    Paulo Kliass http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMost

    "Chama a atenção a persistência em se manter no bojo da agenda governamental projetos de privatização de atividades cuja natureza é, inquestionavelmente, pública. Já não se trata mais da venda explícita das grandes estatais, como ocorreu nas décadas de 80 e 90, quando empresas estratégicas e com elevado potencial foram transferidas ao setor privado a preços irrisórios. Não, agora o jogo é mais sutil. Dada a impossibilidade política de criar condições para privatizar conglomerados como Petrobrás ou Banco do Brasil, o setor privado orienta a sua ação com o intuito de convencer os governantes a respeito de uma agenda de privatização que promova menos estardalhaço. Como se estivessem em um compasso de espera, em uma postura defensiva, esperando passar essa fase de crítica generalizada aos preceitos do neoliberalismo.

    Há três exemplos dessa nova manifestação do processo privatizante que merecem nossa atenção. Isso porque operam em setores que têm grande importância estratégica para o País e que apresentam potencial de rentabilidade também significativo. Refiro-me aos seguintes sistemas; i) os aeroportos; ii) as rodovias federais ; e iii) o fornecimento de acesso à rede de internet. Todos eles apresentam em comum o fato de serem serviços públicos, cuja responsabilidade de assegurar o fornecimento à população cabe, em última instância, ao Estado brasileiro."

    Alan Patrick

    07 de outubro de 2011 às 12h23

    A crítica e válida e construtiva. Se o governo por exemplo diminuisse a taxa de juros(Selic) e o valor destinado para o superávit primário, sobraria mais recursos públicos para o Estado investir nos aeroportos, e talvez não precisaria fazer os contratos de concessão com a iniciativa privada. Isto e óbvio.
    Acontece que vc não esta vendo o outro lado Fabio e esta generalizando, por isso volto a questionar: e quando aumenta os investimentos sociais,adota uma política externa independente e soberana, cria condições para que aumente a renda e o emprego dos trabalhadores, aumenta o crédito para a agricultura familiar e diáloga com os movimentos sociais, será que o partido esta representando interesses conservadores?

Ze Augusto

30 de setembro de 2011 às 20h32

Bom mesmo é o novo PT de Sarney , Collor, Severino…
O resto não presta. É a esquerda que a direita gosta.
Bom mesmo é ver funcionário grevista sendo ignorado porque quer um salário aquém do que a constituição garante como digno mas o governo de esquerda acha que já é muito.
Bom mesmo é ver o governo fraco diante da midia. Se render um elogio de VEJA , NOSSA!!! Matéria positiva na Folha merece churrasco.
Bom mesmo é nào saber bem o que fará um governo de esquerda que esqueceu a ideologia e tudo o que importa é PODER, apesar de dar trabalho o malabarismo verbal.
Bom mesmo é medir os outros pela régua do sucesso eleitoral.
Bom mesmo é ver o povo feliz . Amanhã? Ora, quem liga pra isso ? Importa é agora.

Responder

    Aline

    30 de setembro de 2011 às 21h18

    Zé Augusto
    Vc está falando de que,de quem? Quem é o bom para vc?Onde estão os políticos maravilha?
    Cai na real!

    Osmar

    30 de setembro de 2011 às 21h31

    E o massacre de nós aposentados do INSS ( mais de 35 anos, mês a mês, dando parte de nosso sálario ao governo) que na aposentadoria nos dá o calote nos roubando mais de 70% do que contribuimos? O que dizer dessa miséria de ¨salário¨ que nos devolvem, um atentado a nossa vida a nossa dignidade?

    Ramiro Tavares

    30 de setembro de 2011 às 21h39

    Sarney, Collor e Severino nunca foram do PT. O PT é o conjunto de seus filiados. Como é o maior partido da América Latina, vc há de convir que o conjunto de filiados reflete o conjunto da sociedade brasileira. Não há como advinhar o que filiados poderão aprontar,com o passar do tempo. Isso acontece em todos os partidos. Não ha partidos de anjos.
    Mas como vc deve ter visto circulando na internet o PT é o partido que tem menos políticos processados por corrupção.
    O governo só pode avançar à esquerda , de fato, se houver uma população de esquerda, consciente e mobilizada.
    Bom seria que os partidos que se dizem de esquerda puro sangue e sempre combateram o Lula e a Dilma explicassem direitinho qual é a deles. Durante a campanha fizeram o impossível para que o Serra ou a Marina ganhassem,sem medir a consequência dessa catástrofe para todo o povo brasileiro e da América Latina. Incoerência é isso aí. Sou mais o PT, com todos as suas dificuldades.

    Rafael

    30 de setembro de 2011 às 22h03

    Régua do sucesso eleitoral, fala sério cara. O que adianta ficar falando ao vento sem ser eleito e tentar mudar a situação do povo? Acaba ninguém dando a mìinima importância, são palavras ao vento. É uma utopia até infantilidade considerar que vai ser eleito e vai governar sozinho, que vai ser unanimidade. o PT cresceu quando deixou para trás essa idéia de muito puro, muito bom, que não fazia alianças. Veja hoje quanto emprego gerado, veja hoje quanta política social que beneficia o povo. Se o PT continuasse com aquela filosofia de pureza, de se considerar muito bom não teria sido eleito e o psdb continuaria escravizando o povo. Sarney, Collor com certeza não pessoas que o PT iria querer ao lado, mas foram eleitos pelo povo e faz parte da democracia conviver com esses políticos e negociar com eles é o que a democracia exige.

monge scéptico

30 de setembro de 2011 às 20h08

Imagino que faltam nessas organizações, verdadeiros esquerdistas, com conhecimentos
teóricos, que saibam aplicar na prática, o que sabem, o que duvido.
Há um número alto de "esquerdistas", oportunistas, que querem "fundar" um partido das multidões,
para si; para proveito de meia dúzia de não convictos.
Quanto a querer discutir com a sociedade rumos na direção de cidadania plena, não exis-
-tem nessas "agremiações de esquerda,quadros qualificados para o debate; sem este, nin-
-guém entenderá os propósitos da esquerda.
Quanto a compreender……………………………………………..
Vuva os verdadeiros comunistas!!; se é que existem ainda!

Responder

Lucas

30 de setembro de 2011 às 19h43

Concordo com a tese de que, mesmo brigando entre nós, os esquerdistas devem se apoiar contra a direita. Mas, pelo amor de Deus, Emir Sader, não pode criticar o governo boliviano por mandar bater em índio? Isso não é ser esquerda mais radical ou menos radical, isso é violência de Estado. E a violência do Estado deve ser condenada, mesmo que o mandante fosse o próprio Karl Marx.

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    luiz pinheiro

    01 de outubro de 2011 às 08h34

    Não é possível acreditar em todas as mentiras da mídia de direita e ao mesmo tempo pretender ser de esquerda. Evo Morales instituiu o Estado Plurinacional, não é de modo algum um governo que "manda bater em índio". Evo é indígena, é aymará. Houve de fato um incidente, mas a mídia mentiu, falou em mortos e desaparecidos, exagerou o quanto pode. Recomendo ler a entrevista do vice presidente Alvaro Liñera, que recompõe a verdade dos fatos. Ver no sítio telesurtv.net.

Rafael

30 de setembro de 2011 às 19h23

O PSOL para mim é um falso partido com falsa idéia. Esses partidos que Emir cita são iguais ao da direita: somente procuram destruir movimento popular por puro ego, por se considerar bom demais. Não acredito em momento algum que esses dissidentes saíram por corrupção, por cauda que o PT foi para a direita como falaram, foi por interesses individuais, por não querer acatar ordens do PT, que por lógica há uma ordem dentro do partido para disputas presidenciais, para governos estaduais e outros cargos. Saíram do PT para não se submeter a "fila" que há em todo partido. Exemplo Cristovão Buarque hoje do PDT saiu do PT para disputar presidencia e acabou recebendo 800.000 reais para apoiar Alckim no segundo turno contra Lula assim como Marina Silva do PV recebeu para não se posicionar o que na pratica era apoiar o serra.

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David Rodrigues

30 de setembro de 2011 às 19h16

Não nos esqueçamos: O Dinheiro do fundo Partidário ( Recurso Público) que sustenta esses aloprados, alguns deles nem presta ´CONTA ao TSE, isso é escarnio a nós , o POVO. Interessante! Gritam aos Ventos Democracia! Desde que expulsos ou sairam do PT, seus Presidentes são os MESMOS, só pra registrar os novos LIBELU, devem ter apendido com o fdamigerado Roberto Freire do indecente auxiliar do entreguista lesa-pátria do PSDB do FHC/CERRA/ALKIMIM, todos juntos: PCO,PSTU,PSOL, e PSDB, PPS, DEM, são TRAIDORES DO POVO. Não nos esqueçamos do Partido da Dona Judith, o PIG. de Belo Horizonte.

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    Vinícius

    01 de outubro de 2011 às 02h27

    É verdade. Partidos de extrema esquerda costumam ser anti-democráticos, por um lado; por outro, é também por que como a base é pequena, aparecem menos lideranças; nem por isso eles deixam de brigar lá dentro.

    Mas mesmo os presidentes do PT praticamente só mudam quando o anterior ganha eleição pra cargo executivo ou legislativo… http://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_dos_Trabalha

Tomudjin

30 de setembro de 2011 às 19h09

Acho que só Parkinson entendeu o que acontece quando se mexe no lado direito de um cérebro?
Ou vice versa.

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Glecio_Tavares

30 de setembro de 2011 às 19h08

Olha que eu conheço um monte de gente assim. Corvos e urubus é pouco, na verdade são vermes.

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David Rodrigues

30 de setembro de 2011 às 18h40

Vejam só: O PCO, Partido da Causa Operária, seu Presidente é o mesmo, desde a expulsão do PT, só aparece nos programas eleitorais. Incrível! Não tem Operário. O PTU, ZeMaria, desde sua fundação é o Presidente. Só aparece em horário eleitoral GRATUITO, assim como o PCO. O PSOL, só aparece aliado á DIREITA e se proclamam de ESQUERDA! Os Três, dissidências RADICAIS do PT, que AMAM a ULTRADIREITA, querem uma REVOLUÇÃO sem POVO, asssim como o PIG e seus partidos porta-vozes: PSDB, PPS, e o famigerado DEM, ex PFL…., esses partidos representam a escória da sociedade. VALEU! Professor Emir Sader. de Belo horizonte.

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    Vinícius

    01 de outubro de 2011 às 02h10

    Me engana que eu gosto. O PCO e PSTU não aparecem na política eleitoral porque estão ocupados fazendo política de base.

    O PCO está à frente da greve dos Correios. Exigiram aumento de 400 reais para TODOS funcionários, independente do cargo. Isso é um sindicato socialista. Fazendo a greve mais importante dos últimos tempos.

    O PSTU não aparece aliado ao PCdoB nem ao PT. Aparece aliado aos movimentos por moradia, aos sindicatos e ao movimento estudantil.

    Quem se informa pelo PIG não sabe de nada, mas quem se informa pelos BlogProg fica sem saber algumas coisas também…

    Se é pra criticar o sectarismo estou de acordo. Mas não vem com lorota não.

    Alan Patrick

    03 de outubro de 2011 às 11h49

    E fato que o PSOL,PCO e PSTU estão afastados dos sindicatos e da classe trabalhadora, algo que talvez explique a votação de apenas 1% nas eleições presidenciais de 2010.
    Que esquerda é essa que não se aproxima do povo, mas diz defender seus interesses?

    Ze Augusto

    03 de outubro de 2011 às 12h14

    Também é fato que o eleitor brasileiro é essencialmente conservador. e que o voto em Lula ou no PT não é um voto de esqueda.


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