VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Emir Sader: As palavras e as coisas


10/01/2012 - 17h27

do Blog do Emir Sader

O flagrante dos otavinhos ao ter chamado a ditadura militar de “ditabranda” se repete no Chile. O governo neo-pinochetista de Sebastian Piñera aprovou no Congresso a substituição de ditadura militar por “governo militar” nos textos escolares e o de Pinochet de general e não de ditador. A trama fracassou lá também, mas deixa lições.

Que importância tem chamar as coisas pelos seus nomes? Dizer que ditadura foi ditadura e não ditabranda ou governo militar ou “regime autoritário” (como o chama FHC em suas análises)?

Chamar ditadura de ditadura é dizer que é o oposto de democracia. Dizer que se tratou de uma ditadura militar, quer dizer que as FFAA, como instituição, violaram as atribuições constitucionais, e assumiram o poder do Estado.

Chamar aquele regime de “autoritário” ou de “ditabranda” ou de “governo militar” é esconder sua natureza essencial: de governo imposto pela força das armas, derrubando a um governo legalmente constituído.

Quando os órgãos da velha mídia brasileira chamam Castello Branco, Costa e Silva, Garrastazu Medici, Ernesto Geisel, e João Figueiredo de presidentes ou de ex-presidentes e não de ditadores, está equiparando-os aos que foram eleitos pelo voto popular e escondendo seu caráter essencial de governantes apoiados na força das armas e não na vontade popular.

Esconder a natureza de ditadura militar serve para tentar esconder o papel que teve essa mesma mídia ao pregar contra o governo democraticamente constituído, alegando que preparava um golpe e caracterizar o movimento golpista como de “salvação da democracia em perigo”.

O famoso “pega ladrão”, que serviu para acobertar justamente o que diziam que buscavam evitar: um golpe e a instauração do mais brutal regime que nossa historia conheceu, uma ditadura militar.

Chamam – como fez a própria ditadura, que eles apoiaram – os seus opositores de “terroristas”, a forma de desqualificar os que, ao contrário deles e contra eles, resistiram, lutaram contra a ditadura, jogando sua vida nesse embate. Alegam que os que lutavam contra a ditadura queriam instaurar aqui outro tipo de ditadura. Uma leitura de intenções muito particular de quem pregou o golpe militar, alegando que ia ser dado um golpe militar. Enquanto que o que os militares, com seu apoio e conivência, realmente deram foi um golpe, instauraram uma ditadura militar e um regime de terror durante mais de duas décadas.

Chamar democracia de democracia e ditadura de ditadura, conta. FHC chamou a ditadura de “autoritarismo”, e a democratização do país simplesmente de luta contra “os resquícios autoritários”.

A partir dessa visão, a democratização era uma operação política superficial, de tirar a maquiagem de um regime autoritário para que ele se tornasse democrático. Apenas desconcentrar o poder político em torno do Executivo e desconcentrar o poder econômico em torno do Estado, como foi a concepção de FHC, que terminou predominando no Brasil, em que as estruturas de poder – dos bancos, da terra, dos meios de comunicação, entre outros – não foram tocadas.

Assim, pelo que se entendia por ditadura – ou autoritarismo – se pode entender o que cada um entende por democracia. Se simplesmente a igualdade jurídica proposta pelo liberalismo ou se profunda democratização das estruturas econômicas, sociais, políticas, da sociedade.

Chamar as coisas pelo seu nome é mais do que um problema nominal. É nomear seu conteúdo, suas determinações sociais, suas características políticas. As coisas não se reduzem a seus nomes, mas os nomes designam – ou escondem – a natureza de cada coisa.





42 comentários

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Gerson Carneiro

12 de janeiro de 2012 às 03h07

Emir Sader demonstra cometer uma certa injustiça em relação ao esforço inominável da mídia em "dar nome aos bois". Esqueceu de mencionar o esforço inominável da mídia em colar na Dilma a pecha de "Terrorista", por exemplo.

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Moacir Moreira

12 de janeiro de 2012 às 01h38

Já aqui no Brasil se convencionou chamar de ditadura militar o período entre 64-85 e de "redemocratização" e "democracia" o período posterior, quando na verdade houve apenas uma troca de guarda, da gerência militar para a gerência civil e tudo continua como antes, se é que não piorou.

Por que não chamar gerências a serviço do imperialismo pelo verdadeiro nome?

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Renato

12 de janeiro de 2012 às 00h50

Sempre a mesma catilinária contra Cuba. Sempre a mesma reprodução de discursos do período da Guerra Fria. Os desinformados de plantão consultem os indicadores sociais de Cuba e comparem com países pseudo-democráticos. A propósito ler comentários como do "Senhor Klaus… seria o Barbie ?" é lamentável. Felizmente a internet desnuda a cretinice da direita camuflada em defensora da democracia e infelizmente indica que temos que conviver com lacaios de todas as naturezas. A subserviência ao imperialismo é a marca de uma multidão de canalhas.

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    Edfg.

    12 de janeiro de 2012 às 12h11

    Deixa eu ver se eu entendi o raciocínio: se os indicadores sociais forem bons ao fim de um governo, ou mesmo durante, pouco importa o que o governante fez no período em que governou? É isso?

    luiz pinheiro

    12 de janeiro de 2012 às 16h55

    Não entendi sua dúvida, EDFG. Acaso a grande responsabilidade do governante não é justamente melhorar os indicadores sociais?

    luiz pinheiro

    12 de janeiro de 2012 às 21h04

    Para que serve um governante, se não é para melhorar os indicadores sociais do seu povo?

    Edfg.

    13 de janeiro de 2012 às 10h52

    Mas precisa fuzilar a oposição também?

    luiz pinheiro

    13 de janeiro de 2012 às 12h56

    Não, fuzilar é crime. Matar, sequestrar, torturar, praticar o terrorismo, são crimes banalmente praticados pelas ditaduras vinculadas aos Estados Unidos Tão aí os fuzileiros navais dos Estados Unidos, com suas bases militares espalhadas pelos mil cantos do planeta, killing and bombing people all around the world. E ainda mijam em cima dos cadáveres. E a imprensa deles ainda divulga as fotos, com orgulho imperialista, para deixar bem claro aos povos que eles tem que se submeter.

    Edfg.

    13 de janeiro de 2012 às 15h04

    E quem aqui está defendendo os americanos, nesse ou em qualquer outra situação? Você responde com outro tópico, o que se chama tergiversar. Isso é um velho truque de retórica, que eu também sou velho demais para cair.

    Agora, voltando ao tema, se fuzilar é crime, continua crime, qualquer que seja a coloração ideológica de quem o pratique. É assim que eu vejo as coisas, mas nem todos por aqui, incluindo o articulista.

    PS.: Espero que não venham me falar dos "julgamentos" ali praticados. Já os vi em documentários: um negócio assustador, estádio cheio, multidão aos berros, sem a menor chance de defesa ao acusado. Seria como chegar num estádio de futebol aqui, falar que um sujeito ali detido é estuprador de crianças e perguntar á turba enlouquecida o que deve ser feito do cara. Nem preciso dizer a resposta.

    luiz pinheiro

    13 de janeiro de 2012 às 16h24

    Voce engole a propaganda americana contra Cuba. Fuzilamentos houve em Cuba na épova da revolução, foram fuzilados militares e policiais da ditadura que reprimiam e torturavam o povo. Depois não, a pena de morte foi aplicada pouquissimas vezes, no caso de um general que envolveu-se em tráfico de drogas e de dois sequestradores de uma barca em Havana que provocaram a morte de vários passageiros. Em Cuba não há execuções extrajudiciais. Os cubanos se orgulham muito de sua policia não praticar a tortura, é talvez o único país das Anéruicas – além talvez do Canadá – que não usa a tortura como método de investigação policial. E voce fala como se o governo cubano fuzilasse seu povo. Querm fuzila o povo é o governo que o mantem na miséria, na ignorância. Não é o caso de Cuba, que tem elevados índices de cidadania, de saúde, de educação. Mais elevados que o do Brasil, inclusive, apesar de todo o progresso que fizemos a partir do presidente Lula.

    Edfg.

    14 de janeiro de 2012 às 11h41

    Para mim pouco importa quem é o acusado, esse seu argumento de desqualificar o o preso (engolindo, aí sim, propaganda do regime cubano) pode ser usado para justificar toda e qualquer barbaridade praticada por qualquer ditadura, inclusive, mutatis mutandis, em nada difere do argumento para executar os optantes pela luta armada aqui. Em tempo, não se tratava de propaganda, mas de documentário até bem simpático ao Che. Mas que não escondia os horrores que, sim, foram ali praticados, como aqueles arremedos de julgamentos, simplesmente ridículos para quem defende o direito á defesa e o devido processo legal.

    Violação a direitos humanos não se apagam com índices de cidadania, pelo menos não para mim. Como vejo que nossa diferença nesse ponto é inconciliável, não faz sentido continuarmos a discussão, concorda?:

    Klaus

    12 de janeiro de 2012 às 15h31

    Renato, você deve ser novíssimo por aqui, né? Desde a era mesozóica do Viomundo ninguém ligava meu nick ao Klaus Barbie. Deu até uma nostalgia daqueles tempos heroicos por aqui!

    Alvaro Tadeu Silva

    13 de janeiro de 2012 às 10h14

    Você foi encarnado, "le boucher de Lyon". Pensam igual e se você pudesse, agiria igual. Se o outro colega é do Mesozóico, você é muito mais recente, 1943, Lyon, France.

    Klaus

    13 de janeiro de 2012 às 12h26

    Eu não disse que o comentarista era da era mesozoica, eu disse que desde a era mesozoica daqui não faziam a comparação, para dar ideia de muito tempo. Incrível como hoje as escolas não cobram mais interpretação de texto, não? Chamar alemão de nazista é menos grave do que chamar negro de crioulo, Conceição?

Cleverton_Silva

12 de janeiro de 2012 às 00h21

A direita e seus estratagemas marotos… O problema dos "espertos" é que acham que todos os outros são burros (essa carapuça cai bem à direita). Vivandeiras de quartel esbravejarão em instantes…

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Robert

11 de janeiro de 2012 às 16h43

Essa questão de chamar as coisas pelo nome certo é oportunissima

tenho uma colocação a fazer, em função da situação de calamidade na serra fluminense DE NOVO!!!!!!!

Deslizamentos matam 5 em Sapucaia e deixam ao menos 15 desaparecidos
disponivel em: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/deslizam

ASSIM COMO OS EUA NOMEIAM SEUS FURACOES COM NOMES FEMININOS

outro dia um jornalista por aqui sugeriu q devemos nomear nossas tragedias com nome do politico de plantao

ou seja em vez de se referir ao deslizamento

como o governo do rj teve pelo menos um ano p/ agir depois da tragedia de jan/2011

e continuamos na estaca zero

porque nao noticiar tal tragedia como

“sergi0 [email protected]@l”

assim :

deslizamento “sergi0 [email protected]@l” mata 5 pessoas em sapucaia – RJ

Responder

M. S. Romares

10 de janeiro de 2012 às 19h04

Parabéns Emir. Seus textos são sempre reveladores e oportunos.

Responder

leandro

10 de janeiro de 2012 às 18h13

tá bom. ok. E o regime cubano, iraniano ou da Coreia do Norte que tantos aqui defendem?

Responder

    O_Brasileiro

    10 de janeiro de 2012 às 19h42

    São ditaduras também. Assim como as indefinidas eleições de Chávez na Venezuela. Assim como eram ditaduras no Oriente Médio, e a eterna volta de Berlusconi ao poder na Itália!!!
    Mas isto não assusta. A ditadura que assusta é a que está acima dos governos, controlando as marionetes… Essa ai está tentando acabar com o bem-estar social na Europa e nos Estados Unidos.

Klaus

10 de janeiro de 2012 às 18h07

Pinochet foi um ditador e assim é tratado sempre que se referem a ele. Seus crimes são mais do que conhecidos. Nunca vi alguém usando uma camiseta com a foto dele. Já Fidel e Che, que mataram muito mais, são ídolos da esquerda. Em qualquer esquina encontra-se camisetas de Che para se comprar e o pessoal da esquerda a vesta com orgulho, mesmo ele sendo um assassino. O 11 de setembro chileno é constantemente lembrado e suas vítimas (principalmente Allende) reverenciadas. Nunca ninguém chorou pelas vítimas da ditadura castrista e suas mortes são apenas números esquecidos pela história, apenas um dano colateral na construção do socialismo. O Chile foi uma ditadura, mas Cuba ainda é.

Responder

    Benjamin

    10 de janeiro de 2012 às 19h52

    Era só o que me faltava, Emir Sader querendo chamar ditaduras pelo nome, sendo que sobre o nome de algumas ele tem amnésia permanente. Hilariante.

    Gerson Carneiro

    11 de janeiro de 2012 às 04h00

    Klaus, você precisa conhecer a história de Cuba, Fidel e Che.

    Qual foi mesmo o país que Pinochet libertou sob o apoio do povo?

    <img src=http://2.bp.blogspot.com/_JvWq_ShLjVs/SVu6gFU8CNI/AAAAAAAAA7o/m58Cc90fv4c/s400/Fidel+discursa+na+revolu%C3%A7%C3%A3o.jpg>

    Esse que está na foto é o Pinochet, não é?
    Povo ingrato, não usa camiseta com a foto do Pinochet.

    Klaus

    11 de janeiro de 2012 às 09h56

    Conheço a história, meu caro, como não? É como a história de Cristo, que mesmo os não-cristãos sabem do começo ao fim. Um dos trabalhos mais nobres da esquerda é recontar a história transformando assassinos em herois. Sobre a foto, não é realmente incrível que somente em ditaduras de esquerda vejamos demostrações como esta de multidões ouvindo seus líderes? Seja em Cuba, Coreia do Norte, China ou URSS, parece que a partir do momento que o povo está sob o julgo comunista uma estranha compulsão de ficar horas ouvindo o que o Grande Líder tem a falar surge. Aliás, como estes líderes falam! Fidel, por exemplo, tem o record de discurso mais longo da história, 7 HORAS E 10 MINUTOS falando. Na ONU falou por 4 HORAS! Melhor ouvir isto do que ser surdo, né?

    Gerson Carneiro

    11 de janeiro de 2012 às 11h14

    Ainda prefiro Fidel falando por 7 horas a FHC falando por 7 segundos.

    Klaus

    11 de janeiro de 2012 às 12h01

    Eu prefiro assistir Seinfeld.

    luiz pinheiro

    12 de janeiro de 2012 às 17h09

    É mentira deslavada sua, Klaus. Pinochet foi um assassino, um torturador, um genocida. Fidel e Guevara combatentes revolucionários, comprometidos com a soberania popular, com o bem estar do povo. Fidel e Che podem ter matado alguns soldados em combate, e por certo houve fuzilamentos de oficiais do ditador Batista logo após a Revolução. Mas não instituíram um governo assassino, torturador. Cuba não tem execuções extrajudiciais, como em Honduras ou na Colombia, nem vôos da morte para lançar gente ainda viva ao mar, como no Chile, Argentina, Uruguai. Cuba ainda não é uma democracia politica, porque é um país sob sítio, em guerra, resistindo à ofensiva imperialista. Mas é a maior democracia social das Américas.

    Klaus

    12 de janeiro de 2012 às 17h35

    Fuzilados por Fidel : 5.621 (você está certo, houve fuzilamentos)
    Soldados anti-castristas mortos em combate : 1.258 (realmente alguns)
    Mortos ou desaparcidos em tentativas de fuga de Cuba : 77.800
    Mortos no governo de Fulgêncio Batista : 3.000
    Ditadura brasileira : 341 mortos
    Ditadura chilena : 3.400 mortos

    Não sei porque se envergonhar das mortes da revolução cubana: eram todos agentes do imperialismo e foi tudo em prol do socialismo, onde o homem não explora o homem. O fim, Luiz, justifica os meios. Foram apenas danos colaterais, não do que se envergonhar. Relaxa, vocês venceram.

    luiz pinheiro

    12 de janeiro de 2012 às 20h59

    Indique suas fontes, mentiroso. Seu cinismo não tem limites, seus numeros servem à farsa dos seus objetivos espúrios. Basta ver esse número evidentemente falso de 3.400 mortos por Pinochet. Foram, no mínimo, dez vezes mais que isso. Onde voce pegou esses numeros? Na CIA?

    Klaus

    13 de janeiro de 2012 às 09h59

    Pode corrigi-los a vontade, estamos aqui para discutir. Quantos aos mortos no Chile, os números foram retirados da Comissão Valech, que diz que houve 3.225 mortos ou desaparecidos e em torno de 37.000 vítimas de tortura. O seu número de 34.000 mortos você tirou de onde?

    luiz pinheiro

    13 de janeiro de 2012 às 10h44

    France Press – 18/8/2011 – Relatório sobre a ditadura Pinochet, eleva para mais de 40 mil as vítimas desse regime, entre elas 3.225 mortos ou desaparecidos. A Comissão Valech é oficial, seus integrantes nomeados pelo Estado chileno, incluindo também representantes dos advogados. Porém, para os familiares de vítimas, a estimativa é de mais de 100 mil vítimas. A comissão recebeu o depoimento de mais 32 mil pessoas, mas a maioria ficou de fora do relatório "porque não estavam dentro dos parâmetros definidos – como os filhos de vítimas que sofreram invasões de domicílio, onde seus pais foram vítimas de prisão e execução, não considerados vítimas diretas – há outros fora porque não se pôde provar a motivação política – há muitos que não depuseram devido aos prazos estabelecidos.
    (continua)

    Klaus

    13 de janeiro de 2012 às 12h32

    Uai, Luiz Pinheiro, sua fonte é a mesma que a minha. Isto mesmo, 3.225 mortos. Você que disse que eram 34.000 mortos (3.400 x 10).

    luiz pinheiro

    13 de janeiro de 2012 às 12h43

    Voce contentou-se em ler o primeiro parágrafo. É por isso que é mal informado.

    luiz pinheiro

    13 de janeiro de 2012 às 10h44

    (continuação)
    "São altamente preocupantes os critérios usados. Pelo nível de repressão que houve nos 17 anos de ditadura e o número de denúncias, as vítimas podem passar dos 100 mil", disse à AFP Lorena Pizarro, presidente do Grupo de Familiares de Detidos Desaparecidos (AFDD).
    Só no Estádio Nacional de Santiago, nos dias da carnificina de setembro de 1973, calcula-se que estiveram mais de 120 mil presos, inclusive vários estrangeiros – a maioria nunca mais apareceu viva. Há o caso célebre do cantor Vitor Jara, um dos mais populares do Chile, que, desafiado a cantar, teve sua língua cortada e sua mão amputada, e foi deixado morrer esvaindo-se de sangue.

    Mário SF Alves

    16 de janeiro de 2012 às 22h56

    Luiz,
    O que fizeram com o Vitor Jara, um dos maiores intérpretes da América e uma a das vozes mais lindas do mundo, foi o ápice da maldade humana. Ali, naquele martírio, estava muito do ódio de classe sentido e muito do emblema de todo o mau passível de ser causado. Nem os romanos foram tão cruéis com os dominados.

    Alvaro Tadeu Silva

    13 de janeiro de 2012 às 10h11

    As "vítimas da ditadura castrista", como grafa Klaus Barbie, o açougueiro de Lyon, eram torturadores, estupradores, assassinos e ladrões do erário, todos associados ao sargento Garcia, digo, Sargento Batista, que não foi eleito, deu um golpe apoiado pelo patronato estadunidense. Querem os fascistas agasalhados no PSDB e aproveitando o anonimato que a rede permite, defender o indefensável. Castelo, Costa, Garrastazu, Geisel & Figueiredo foram o que são e sempre serão: assassinos, golpistas, entreguistas e covardes.

Klaus

10 de janeiro de 2012 às 17h56

"Chamar ditadura de ditadura é dizer que é o oposto de democracia." Taí, concordo com o Emir Sader. Só gostaria de saber como ele caracteriza o regime comunista de Cuba. Um regime que passa de irmão para irmão não é bem uma democracia, né, ainda mais com partido único, jornal único, limitação do direito de ir e vir, limitação do contraditório, prisão e execução dos adversários do regime. As coisas tem que ser chamadas pelos seus nomes mesmo.

Responder

    Antonio Nunes

    10 de janeiro de 2012 às 23h52

    em Cuba não há ditadura!!!!!

    o q existe em Cuba é uma democracia onde muito poucos podem votar…

    entendeu a diferença?

    rsrsrsrs

    Marcio H Silva

    11 de janeiro de 2012 às 03h48

    A Democracia ocidental não mata ninguém, né? É só perguntar para os Coreanos, vietnamitas, nicaraguenses, libios, palestinos e alguns mais.
    Democracia é ver as grandes nações massacrar as pequenas nações e o mundo e sua imprensa apoiar.
    Democracia é a imprensa ocidental omitir informações e divulgar somente o que interessa aos governos democráticos.
    Democracia é ver milhares pessoas morrendo de fome na áfrica e outras partes do mundo e continuar investindo maciçamente em armamentos.
    Democracia é explorar até os ossos o povo cubano como fazia os EUA até 1959. Explorar o Iraque e Libia e saquear suas riquezas petrolíferas.
    Realmente a democracia que vivemos hoje está mil anos a frente do comunismo.

    Alvaro Tadeu Silva

    13 de janeiro de 2012 às 10h18

    Aqui também, temos imprensa única, apenas cada edição tem um nome diferente: Folha de São Paulo, Estado de Minas, O Liberal, Época, Isto Era e outras bobagens.

    luiz pinheiro

    13 de janeiro de 2012 às 12h59

    Nos Estados Unidos, Bush pai teve um mandato, Bush junior teve dois. O Clinton também teve dois mandatos, e a mulher dele é a atual chefe do Departamento de Estado.

    Muchacho

    14 de janeiro de 2012 às 12h56

    Klaus, vc não conhece o sistema eleitoral cubano, sabe o que são as assembléias municipais ? quem escolhe e quem pode se candidatar ? vá pesquisar antes e veja um depoimento do memorável jogador, Dr.Sócrates, a respeito do sistema cubano que ele foi conhecer in loco e o encantou.
    A questão em Cuba é que a maioria esmagadora da população optou por um modelo de bem estar social de toda a comunidade, em detrimento do capitalismo atual, isso é uma opção do povo cubano e deve ser respeitado. Isso explica os indices de excelência sociais, educacionais e culturais, que supera a maior parte dos países capitalistas "democráticos". Essa é uma das razões de EUA não arredar o pé do embargo econômico, imaginou o impacto que isso teria aos olhos do mundo ?
    Outra perguntinha básica para vc: que raios de democracia é essa que exclui 99% das pessoas de direitos básicos de educação, moradia e saúde ?? isso é democracia de fachada, e o modelo cubano (com todas as suas imperfeições) tem se mostrado mais efetivo e eficiente.

José Reinaldo Rosado

10 de janeiro de 2012 às 17h47

Este comentário poderia ter como titulo " colocando os pingos nos iii".
Parabéns ao Emir Sader. aproveitando a deixa eu gostaria de sugerir uma campanha com a finalidade de exigir da midia uma retratação e do congresso nacional uma CPI para investigar a participação e ou colaboração da midia no golpe e na ditadura.

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