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Em ofensiva contra Lula, Moro tenta enquadrar ex-presidente em lei da ditadura militar por opinião política
Opinião do blog Política

Em ofensiva contra Lula, Moro tenta enquadrar ex-presidente em lei da ditadura militar por opinião política


19/02/2020 - 20h09

Hoje, junto com Paulo Pimenta, participei de uma audiência inacreditável, de inquérito contra o presidente Lula. Requisição de Sérgio Moro com base na Lei de Segurança Nacional, desenterrada do regime militar, porque Lula falou das notórias relações do governo com milicianos.

Lula no segundo interrogatório de hoje, tão surreal como o anterior. É a criminalização da política de desenvolvimento regional feita pelo governo. A MP 471, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, reivindicação do Nordeste, é usada para acusar Lula e PT de receber benefícios. Gleisi Hoffman, presidenta do PT, no twitter

Da Redação

O ex-presidente Lula deu dois depoimentos hoje em Brasília.

No primeiro, que corre em segredo de Justiça, ele pode ser enquadrado na notória Lei de Segurança Nacional, um entulho da ditadura militar, por fazer críticas ao presidente Jair Bolsonaro.

Em vídeo divulgado em novembro do ano passado, Lula afirmou:

Não é possível que um País do tamanho do Brasil tenha o desprazer de ter no governo um miliciano responsável direto pela violência contra o povo pobre, responsáveis (sic) pela morte da Marielle, responsável pelo impeachment da Dilma, responsável por mentirem a meu respeito.

O Ministério da Justiça confirma que o pedido de enquadramento de Lula partiu do ministro Sergio Moro.

“O Ministério da Justiça e Segurança Pública requisitou a apuração contra Lula, assim que ele deixou a prisão, para investigar possível crime contra a honra do Presidente da República. Lula disse, à época, que Bolsonaro era chefe de milícia. Podem ter sido praticados os crimes do art. 138 do CP ou do art. 26 da Lei de Segurança Nacional”, diz nota do Ministério.

O clã Bolsonaro tenta se afastar da suspeita de envolvimento com o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, morto pela polícia no interior da Bahia.

Numa linha de ataque, diz que Adriano não tinha condenação transitada em julgado quando foi morto pela PM da Bahia.

Com isso, sugere que quando Flávio Bolsonaro condecorou Adriano com a Medalha Tiradentes, a mais importante honraria do Rio de Janeiro, o então policial militar era “herói” da PM.

Por outro lado, a família ataca o governo da Bahia, governada pelo PT, pela morte de Adriano, sugerindo que ele tenha sido torturado e assassinado friamente.

Ao levantar dúvidas sobre a morte do miliciano, o clã parece determinado a turvar as águas sobre futuros resultados da investigação.

Com Adriano foram encontrados 13 aparelhos celulares, que podem fornecer pistas à polícia sobre esquemas que ele pode ter utilizado para se informar, fugir e esconder.

Atacando a credibilidade da investigação agora, o clã Bolsonaro levanta suspeitas que poderão ser reavivadas se algum dado futuro do caso for comprometedor para a família.

Nem o senador Flávio Bolsonaro, nem o presidente Jair Bolsonaro falaram publicamente até agora sobre a contratação da mãe e da esposa de Adriano para o gabinete do então deputado estadual Flávio.

Elas permaneceram empregadas até o final de 2018, quando Adriano já havia sido expulso da PM por envolvimento com o crime organizado.

Adriano, a mãe e a ex-esposa são suspeitos de envolvimento no esquema de rachadinha que o amigo de Adriano, Fabrício Queiroz, é acusado de ter pilotado no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Ao tentar enquadrar o ex-presidente Lula na Lei de Segurança Nacional o ministro Sergio Moro não apenas obedece ao chefe, mas intimida críticos do envolvimento dos Bolsonaro com milicianos.

No outro depoimento de hoje, sobre a Operação Zelotes, Lula é investigado por supostamente oferecer benefícios a montadoras de veículos em troca de vantagens pessoais e ao PT através da MP 471.

O relator da matéria foi o senador César Borges, que atribuiu a medida original a Antonio Carlos Magalhães.

Os dois foram notórios adversários políticos do PT.

“Conseguimos quebrar um paradigma de que a indústria automobilística não alcançava essas regiões menos desenvolvidas. A aprovação dessa medida provisória é muito importante porque prorroga o benefício e garante compromisso de novos investimentos”, afirmou à época Cesar Borges.

A medida prorrogou incentivos às montadoras, originalmente concedidos em 1999 — quando Lula nem estava no poder — até dezembro de 2015, por acordo de lideranças.



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7 comentários

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Zé Maria

24 de fevereiro de 2020 às 03h36

https://twitter.com/i/status/1230951045406298112
Tal como chefe da quadrilha…

“Moro mentiu!
O ex-juiz e atual ministro de Bolsonaro tentou sim enquadrar
@LulaOficial na Lei de Segurança Nacional”
afirma a presidenta do PT,
@gleisi

https://twitter.com/ptbrasil/status/1230951045406298112

Responder

abelardo

21 de fevereiro de 2020 às 07h32

A inveja é uma merda!
O antigo ditado se encaixa perfeitamente na perseguição que Moro faz contra Lula. Acho que ele se borra de medo de enfrentar Lula em um pleito eleitoral, porque sabe que vai levar uma lavagem de Lula. Imagino que Moro ainda será o escorpião do sapo Bolsonaro, mas para que essa nova fábula se torne realidade será preciso realizar a ausência de Lula da disputa eleitoral, a qualquer custo. A grandeza, a competência, a admiração e os aplausos que Lula merecidamente conquistou no Brasil e no mundo deve ter incomodado tanto a Moro e a seu egoismo, que pode ter sido a causa de tanto ódio. Li que “a dor penetra no âmago de seu tormento”
e então penso que se essa dor for fruto da mistura do despeito com a inveja, com a dor de cotovelo, com o complexo de inferioridade e com o desespero de se ver cada vez mais apequenado e cada vez mais impopular, em razão da revelação da pele de lobo que começa a aparecer por baixo da pele de cordeiro usada ardilosamente, para tentar enganar a todos fingindo ser o que nunca será.

Responder

+almeida

20 de fevereiro de 2020 às 23h16

Pela lógica, em breve o ex-juiz Moro irá definitivamente perder a moral e o que ainda lhe resta de popularidade. O motivo é o peso das cargas negativas que se multiplicam contra ele, por tudo que já fez de errado e pelo que ainda insiste em continuar fazendo. Imagino que ele já percebeu, não ter por muito tempo para continuar representando para o bem e para o mal. Penso também, que já sabe se aproximar o fim das blindagens e absolvições que vem conquistando inexplicavelmente, através do covarde e imoral corporativismo do poder judiciário. O seu nome (Sérgio Moro), se não ultrapassou já deve estar no limite de cargas negativas que foram e são despejadas pela grande maioria da população. Agora, então, com essa ridícula e infantil atitude de usar o lixo amaldiçoado da ditadura para tentar, mais uma vez, tirar Lula da vida pública e do seu caminho nas próximas eleições acho que ele cavou a sua própria sepultura politica e judicial. Ele precisa usar o único meio de fazer manchete que lhe exponha e que seja do agrado da grande mídia golpista. Vejo a dificuldade, a precariedade comportamental, intelectual e moral desse ex-juiz, em relação a importância e a respeitabilidade que o cargo exige para toda autoridade aprovada para assumir o cargo de tamanha grandeza. Portanto, se uma pessoa é pequena demais para um cargo de alta responsabilidade, que exige ilibada reputação, ética e honra, nada irá funcionar pelo modo democrático e transparente. Então, se o ex-juiz quer manter o ritmo que usava anteriormente, de ser juiz, acusador, investigador e carrasco, que peça seu boné e tente voltar a ser o era. Porém, se quer sair do armário definitivamente e assumir seus sonhos e objetivos políticos, que também peça o boné e dispute de igual para igual com Lula, Bolsonaro, e quem mais vier, a preferência dos votos que elegerá o próximo presidente da república. Mas, se até Bolsonaro se mostrou ser maior que ele seria de boa prudência se equipar seguramente, para tentar não se machucar muito na queda final, que se aproxima a galope.

Responder

Zé Maria

20 de fevereiro de 2020 às 18h31

https://pbs.twimg.com/media/ERKN8lSXkAEbjpV?format=png&name=small

Qual o limite de Bolsonaro e qual o limite para a sociedade brasileira
e suas instituições reagirem?

Por décadas Bolsonaro quebra o decoro. Não são apenas “declarações polêmicas”.

Quanto já custou ao Brasil o eufemismo cúmplice da mídia corporativa,
das instituições do Estado, como Congresso Nacional e STF,
diante das atrocidades ditas e feitas por Bolsonaro?

Por Maria da Conceição Carneiro Oliveira*, Maria Frô: https://t.co/aB8bZxndZE

https://twitter.com/maria_fro/status/1230199780346933248
*(http://historiaemprojetos.blogspot.com/2007/11/ptria-minha.html)
https://revistaforum.com.br/blogs/mariafro/qual-o-limite-de-bolsonaro-e-qual-o-limite-para-a-sociedade-brasileira-e-suas-instituicoes-reagirem/

E até quando o Marréco de Maringá, ex-juizéco de Curitiba, “Capanga de Miliciano”,
vai acobertar os Crimes de Jair Bolsonaro & FamíGlia, à espera de nomeação ao STF ?

Responder

Zé Maria

19 de fevereiro de 2020 às 21h12

Notadamente para incluir Lula em uma Investigação esdrúxula,
a Polícia Federal desviou de finalidade a Operação Zelotes que
investigava Subornos pagos por Grandes Empresas e Bancos aos
Conselheiros do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais)
em troca de isenções de Impostos cobrados pela Receita Federal.

Foram ou deveriam ser indiciadas, ao menos, 70 empresas, destacando-se
alguns dos maiores grupos empresariais do Brasil, como Gerdau, BankBoston,
Cimento Penha, J.G. Rodrigues, Café Irmãos Julio, Mundial-Eberle, Mitsubishi, Ford, Banco Santander, Bradesco, Banco Safra e o Grupo RBS, afiliado da Rede
Globo no Rio Grande do Sul.

Porém, para incriminar o ex-Presidente Lula, por orientação do Moro e demais Patifes da Força-Tarefa da Operação Lava-Jato, a Polícia Federal, inventou essa acusação relativa à Medida Provisória 471 que única e simplesmente prorrogou
benefícios concedidos em 1999 pelo Governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Assim, a partir da inclusão do nome de Lula na Zelotes, a Globo e a Mídia Fasci-Paulista
não falaram mais em Subornos de Bancos e Grandes Empresas no CARF, a não ser
em notinhas de roda-pé. Ou seja, juntaram a fome com a vontade de comer.

Mas vai chegar a hora que essa quadrilha comandada por Moro vai cair do cavalo.

Responder

    João

    20 de fevereiro de 2020 às 11h25

    Muito bom esse seu texto! Tomei e liberdade de copiar e publicar na minha página, se você não se importar!

    Zé Maria

    20 de fevereiro de 2020 às 13h49

    Grato pela Leitura, João.
    Aqui é CópiLéfiti.


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