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El Nacional denuncia “golpe”: É a espanização da Catalunha
Política

El Nacional denuncia “golpe”: É a espanização da Catalunha


21/10/2017 - 15h38

Ecos do franquismo no embate entre a monarquia espanhola e os herdeiros de Tarradellas

Foi um golpe, a cobertura constitucional foi uma desculpa

José Antich, no El Nacional

O Estado espanhol decidiu suspender o governo autônomo da Catalunha.

É a única manchete possível depois das medidas anunciadas sábado pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, em sua aparição pública na residência oficial de Moncloa, que se tornará histórica.

Com o rei espanhol Filipe VI diante dele e com a presença de seus servidores leais Pedro Sánchez e Albert Rivera, líderes dos partidos espanhois socialista e dos Cidadãos, o governo espanhol decidiu transformar seu contraparte catalão em lixo, agindo contra a Generalitat da Catalunha, contra o governo em si, contra o Parlamento catalão, contra a mídia pública da Catalunha e contra a força policial da Catalunha, os Mossos.

Contra tudo. Sem bondades.

Não apenas decapitaram o governo da Catalunha ao propor que o Senado demita o presidente catalão e seus 13 ministros, mas o primeiro ministro espanhol se posicionou para se tornar o 131 presidente da Catalunha.

Ninguém havia ousado ir tão longe; ninguém havia desafiado as leis da gravidade a este ponto.

O ato de atacar as instituições democráticas da Catalunha vai levar à resistência das massas, como se viu nas massivas demonstrações dos últimos anos.

O poder na Catalunha hoje reside em muitos lugares, não apenas nos partidos e nas instituições de governo, como já foi.

É difícil, muito difícil neste momento, para o povo evitar ser tragado por sentimentos de ódio e indignação.

Os mesmos sentimentos foram provocados em boa parte da sociedade catalã no dia primeiro de outubro — sem olhar para o passado — como reação às imagens sórdidas dos ataques da polícia, dirigidos contra pessoas comuns que pacificamente foram às urnas votar.

Neste caso, no entanto, há um fator agravante, o de que a Espanha está penetrando num caminho típico de outro tipo de regime, mesmo que as medidas adotadas estejam sob os auspícios do artigo 155 da Constituição espanhola.

É óbvio que o artigo está sendo usado simplesmente como um guarda-chuva para colocar em prática medidas que eram desejadas há anos, mas que não eram possíveis sob eleições.

A “espanização” da Catalunha.

Isso coloca o bem estar dos catalãos em risco e, contrariamente ao que está sendo dito, não os preserva.

As ideias do ex-primeiro-ministro José Maria Aznar ganharam entre os formuladores de política da Espanha, com a aquiescência dos socialistas espanhois do PSOE, que são cúmplices, calados e desorientados. E uma parte da esquerda catalã se enquadra na mesma categoria, não apenas o partido socialista, PSC.

As medidas aprovadas pelo governo espanhol colocam o conflito entre a Catalunha e a Espanha em uma nova dimensão. O Estado espanhol mostrou todas as suas cartas e a jogada final está nas mãos do presidente catalão e de seu governo.

Como eles serão afastados de suas responsabilidades na próxima sexta-feira, isso determina o limite de tempo e provavelmente significa que estudarão três alternativas: uma declaração de independência com todas as consequências; uma declaração de independência com convocação de eleições constituintes; ou eleições com o status atual da Catalunha, como uma região autônoma da Espanha. Uma quarta opção, por exemplo, não fazer nada, parece irrealista no momento.

Diante daqueles que tentaram brincar com a dignidade da Catalunha, a resposta deve ser baseada na restauração daquela dignidade. Porque a dignidade jamais será submetida a medidas preventivas ou ações sob o artigo 155.

É aquela dignidade que o ex-presidente da Catalunha, Josep Tarradellas, preservou durante a era franquista com seu exílio na França, dignidade com a qual voltou em 23 de outubro de 1977 — uma data que faz 40 anos na próxima segunda-feira.

Quatro décadas depois, o estado espanhol preferiu, em meio a um silêncio ensurdecedor na Espanha — com exceção do Podemos — colocar toda a sua máquina em ação.

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8 comentários

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Àlvares de Souza

23 de outubro de 2017 às 15h09

Um povo que tem rei não pode ser respeitado. Ter rei significa ser subalterno, inferior, que se dobra e se cala ante um homem comum, quase sempre um tirano, indigno e inculto, xucro!
Porque se agacha ante um símbolo do domínio e da impostura, se veste de rei ante povos colonizados e escravizados com a mais extrema crueldade e que, ainda nos tempos atuais são vítimas de sua pretensa supremacia, a mascarar sua sanha animalesca.
Quem não se lembra daquele rei cujo enlevo maior é a matança de animais em safares criminosos e que foi capaz de hostilizar, mandando-o calar-se, o herói dos heróis dos bolivarianos que resgatam a espada dos inconformados ante a tirania hedionda que seus antecessores instalaram entre os povos originários e legítimos donos destas terras cá das Américas latinas.

Responder

    jefff

    23 de outubro de 2017 às 19h36

    Todos merecem respeito! Quem tem e quem não tem um rei como chefe de estado e até quem fala bobagens como vc deve ser respeitado. Se vc acha que um rei é um simbolo de ter alguém que se acha melhor que os outros se olhe no espelho porque o que vc escreveu reflete exatamente isso. Você se acha superior aos outros.

cezar

21 de outubro de 2017 às 18h57

EXISTEM ALGUNS EXÉRCITOS QUE NÃO DEVEM SER ENFRENTADOS, Alguns exércitos devem ser estudados friamente…Os catalães usaram somente o coração..

Responder

cezar

21 de outubro de 2017 às 18h55

O INTELECTO É MAIOR QUE A FORÇA BRUTA…Já foi dito pelos generais chineses…Os catalães deveriam brigar por mais federalismo e autonomia…

Responder

cezar

21 de outubro de 2017 às 18h52

Nesse caso faltou visão aos catalães…Ir para o enfrentamento é burrice

Responder

Eugênio Viola

21 de outubro de 2017 às 18h01

“Quero que os personagens da história passada, que estão quietinhos em documentos, pulem, voltem às ruas e aos campos, aos espaços de vida (…) Não só os heróis famosos que estão hoje em monumentos de bronze e de mármore nas praças públicas, mas sobretudo as pessoas simples que os historiadores não deram muita bola e que agora fazem a história também (…) A única função que a história cotidiana pode ter – e que não tem nada a ver com a visita a museus -, é uma função subversiva do presente.”
Esses trechos de uma entrevista que o escritor Eduardo Galeano me concedeu, em 1985 – quando do lançamento de seu livro “As Caras e as Máscaras” (Ed. Nova Fronteira) -, talvez sirvam como elemento de reflexão para o que hoje ocorre na Espanha.
A Guerra Civil Espanhola e a brutal ditadura instalada logo após a ascensão de Franco – golpeando a República e impondo ao país a volta da monarquia -, são feridas ainda não cicatrizadas, principalmente na Catalunha, humilhada e calada durante o sanguinário período de 1939 até 1975.
Neste documentário, foi feito um levantamento das atrocidades cometidas naquela época. Os ecos do franquismo e do nazi-fascismo batem à porta da Espanha. E do mundo.
https://www.youtube.com/watch?v=cr8C7_7NDRk

Responder

lulipe

21 de outubro de 2017 às 17h38

O que o blog pensa do movimento ” O Sul é o meu País”???

Responder

    RONALD

    23 de outubro de 2017 às 16h51

    O sul é o sul, lilipe e somente isto !!!!!


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