VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Desde golpe de Bush, direita se aglutina no Judiciário


19/12/2012 - 22h51

Personagem da revista Mad, conforme retratado na Wikipedia

sugerido por e-mail pelo RC

Colunistas| 19/12/2012 | Copyleft

O STF. Por que não?

Desde o golpe que levou Bush Filho ao poder contra Al Gore, há uma tendência de forças de direita se aglutinarem em torno do Judiciário para, sempre que possível, derrogar ou ameaçar a soberania do voto popular. Foi assim em Honduras. Por que não no Brasil? Na falta de outros argumentos, ou votos, a direita brasileira encastelou-se no Supremo.

por Flávio Aguiar, na Carta Maior

Leio, compartilhando, a indignação dos companheiros com a decisão do STF invadindo prerrogativas do Congresso Nacional e cassando os mandatos dos deputados considerados culpados no processo 470.

Mais um desmando, eivado de contradições, sobretudo a do voto decisivo do ministro Celso de Mello: cassou aqui e agora onde não cassara lá e antes.

A argumentação de que no meio do caminho foi votada a Lei da Ficha Limpa e outras leis não cola.

O assunto é matéria constitucional, no fim de contas.

Porém no fim de contas, esse acontecido, bem como o comportamento no Supremo e da mídia em torno não surpreende muito.

Afinal, segue tendência internacional.

Desde o golpe que levou Bush Filho ao poder contra Al Gore, há uma tendência de forças de direita se aglutinarem em torno do Judiciário para, sempre que possível, derrogar ou ameaçar a soberania do voto popular.

Foi assim em Honduras. Por que não no Brasil?

Na falta de outros argumentos, caminhos ou votos, a direita brasileira encastelou-se no Supremo.

A batalha judicial também é o último esteio da direita argentina, no que diz respeito à lei contrária à indevida concentração da mídia.

O difícil de assimilar é que neste caminho envereda-se por confrontos institucionais inusitados, como este agora provocado com o Congresso que, no momento (quarta-feira 18) quer votar mais de 3000 vetos em bloco para votar um único, o dos royalties do petróleo.

Sim, houve a liminar acolhida pelo ministro Fux no meio do caminho, mas a pedra já estava bloqueando o bom entendimento e abrindo espaço para a bílis mal-humorada.

Há uma coisa que chama a atenção nisso tudo. É o despropositado poder da vaidade humana.

Pode-se ler isto tanto na arrogância dos comentários que pedem o linchamento dos réus, quanto no comportamento desavisado de juízes que ameaçam a validade de nossa Constituição tão dificilmente conquistada.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

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18 comentários

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Jose Mario HRP

21 de dezembro de 2012 às 06h13

http://saraiva13.blogspot.com.br/2012/12/se-barbosa-mandar-prender-mensaleiros_20.html
Vamos mostrar quem manda!
O Legislativo manda conforme a carta magna explicita!

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José de Almeida Bispo

20 de dezembro de 2012 às 16h02

Ihhhhh quanta burrice a minha!
Tá aí a explicação. O problema não é somente Lula e o PT; o problema é que os vira-latas estão se sentindo uma droga porque o Império já deu um golpe a partir do Judiciário, e até a insignificante Honduras fez o mesmo… E nós não? Assim não pode! Assim não dá.

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Jair Almansur

20 de dezembro de 2012 às 15h52

A direita se aglutina no judiciário muito antes do golpe do Bush.
Leiam o maravilhoso livro “O Caso Battisti” de Carlos A. Lungarzo.
Lá verão como funciona o judiciário na Itália e no Brasil.

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lord jim

20 de dezembro de 2012 às 15h45

como se o judiciário não tivesse sido desde sempre – desde a revolução francesa ao menos – o mais pétreo santuário do conservadorismo e reacionarismo burgues e aristocrático…é um sistema baseado na preservação de privilégios e ganhos de advogados; afinal todos – defensores, juízes, promotores, desembargadores, delegados, oficiais de justiça..etc..etc…- todo o sistema é composto de advogados.
Não tem pessoal mais sórdido, mais escroto, mais nojento sobre a terra..

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LEANDRO

20 de dezembro de 2012 às 14h19

Odeio Busch, mas quem fala um bobagem dessas de “golpe contra Al Gore” não entende nada do sistema eleitoral americano. Na eleição presidencial de lá, nem sempre quem tem mais votos é eleito e sim quem tem mais delegados.

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abolicionista

20 de dezembro de 2012 às 14h15

O negócio é convocar a militância e ir para as ruas! Contem comigo.

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Matheus

20 de dezembro de 2012 às 09h44

O colunista achou errado a liminar do ministro Fux? O que é errado é que a ganâncias de oligarquias locais passe por cima da constituição e ignore 3.200 vetos apenas para que Estados que não sofrem os prejuízos sócioambientais da indústria petroleira ponham as mãos nos suculentos royalts do petróleo.

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Rodrigo Leme

20 de dezembro de 2012 às 08h40

A esquerda só tolera as instituições, não as respeita. Já digo isso faz tempo. Na primeira oportunidade, derrubam as instituições qdo não lhe servem. É histórico.

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    Elton

    20 de dezembro de 2012 às 10h23

    Só a esquerda, prezado filhote?

    paulo roberto

    20 de dezembro de 2012 às 10h56

    Pois é. Já a direita sabe usar as “instituições” muito bem, né?

    Julio Silveira

    20 de dezembro de 2012 às 10h56

    Rodrigo, me esclareça, que instituições a esquerda já derrubou?
    Pode recorrer ao mundo, por que aqui no Brasil, até onde sei, os diversos golpes foram praticados pela direita no intuito de retirar a possibilidade de fortalecer a cidadania e com isso poder para lhes fazer frente. Mas, por favor, quero ouvir sua tese.

    J Fernando

    20 de dezembro de 2012 às 15h18

    Correto, Julio.
    Infelizmente, alguns comentaristas estão pouco se lixando para a coerência ao comentar. Tripudiam em cima da história, desde que seja para atingir a esquerda.
    O pior é que o comentarista Rodrigo Leme está sempre a postos para comentar e manter seus comentários em evidência (normalmente, o primeiro comentário abaixo do texto), enquanto outros comentaristas, como eu, passam pelo blog apenas uma vez ao dia.

    Paulo Figueira

    20 de dezembro de 2012 às 11h45

    Observando a História do Brasil e da América Latina, quem sempre golpeou as instituições e a democracia foi a direita, ou não?

    LEANDRO

    20 de dezembro de 2012 às 16h39

    bom temos Cuba…

    Tiago Tobias

    20 de dezembro de 2012 às 15h09

    Verdade. Foi assim em 1964 no Brasil, em 1971 na Bolívia, em 1973 no Chile…Cara, que droga você usa?

Roberto Locatelli

20 de dezembro de 2012 às 07h05

Não é de hoje que o poder judiciário exerce o papel de última salvaguarda da capitalismo e das forças de direita.

Nos EUA, desde antes da Guerra da Secessão, o judiciário é o último refúgio da direita. Veja-se esse texto:

“Os escravistas, com o controle sobre a presidência e a Corte Suprema (5 entre os 9 juizes), passaram a ofensiva. Em 1857 foi aprovada uma resolução que garantia a todo cidadão o direito de levar consigo para qualquer território da União toda propriedade reconhecida pela constituição, no qual se incluía o escravo. Através desta resolução qualquer “senhor” poderia individualmente introduzir a escravidão em um território livre, mesmo contra a vontade da maioria dos colonos. ”
Texto completo aqui: http://www.lainsignia.org/2005/abril/int_016.htm

Por isso Bolívia e Venezuela estabeleceram a eleição direta para a Suprema Corte. Os juízes agora têm mandatos por tempo determinado. Isso muda tudo, pois um juiz que se submete ao voto popular será muito mais vigiado pelos que o elegeram.

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Jose Mario HRP

20 de dezembro de 2012 às 04h12


Resumo da ópera!

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Tiago Tobias

20 de dezembro de 2012 às 02h58

Leiam o marxista grego Nicos Poulantzas. Recomendo a obra “Poder político e classes sociais.” Aí a gente passa a entender que a classe dominante, seus interesses e ideologias pode muito bem “deslizar” (quando enxotada do poder no parlamento, por exemplo) para outras instâncias, como o judiciário.

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