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Daniel Valença: Por um PT à altura desses tempos sombrios
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Política

Daniel Valença: Por um PT à altura desses tempos sombrios


11/02/2020 - 00h41

por Daniel Valença, especial para o Viomundo

Há 40 anos era fundado o Partido dos Trabalhadores.

Representava o nascimento de um partido advindo das classes trabalhadoras e, ao mesmo tempo, de massas. Um feito histórico.

Se virmos na história, seja no Brasil seja na América Latina, os 100 primeiros anos pós independência foram dominados por elites oligárquicas, em que partidos conservadores e liberais disputavam o controle do Estado.

Nas primeiras décadas do século XX, nascem os primeiros partidos de trabalhadores no continente.

No Brasil, a principal experiência foi o Partido Comunista do Brasil, fundado em 1922, mas que só em 1945 pode participar de eleições. Em 1947, foi declarado na ilegalidade, voltando à legalidade apenas na redemocratização na década de 1980.

Ou seja, em regra, nossas histórias demonstram que não se admite que trabalhadores se organizem e defendam o seu projeto de sociedade.

O PT surge, em 1980, com um programa estratégico que defendia uma sociedade extremamente democrática e socialista, enquanto as classes proprietárias brasileiras já advogavam um projeto neoliberal.

A vitória delas nacional e internacionalmente levaram as esquerdas a, progressivamente, descartar a luta anticapitalista e buscar humanizar o capitalismo.

Por exemplo, ao longo dos nossos 13 anos de governo, tiramos dezenas de milhões da miséria, ampliamos direitos trabalhistas – como o aviso prévio, os direitos das trabalhadoras e trabalhadores domésticos, etc.

Agora, quando completamos os 40 anos, o programa das elites proprietárias não mais é aquele neoliberal abarcado desde a década de 1990.

Agora, o Estado mínimo, a financeirização da economia e a precarização completa do mundo do trabalho vem acompanhados do fascismo.

Frente a essa realidade, a decisão do diretório nacional do PT de orientar os diretórios do partido para uma frente de esquerda nas eleições de 2020, representa um primeiro passo para que o partido responda aos desafios postos nestes seus 40 anos.

Como derrubar o fascismo, que nos acusa de “balbúrdia”, sem acabar com o neoliberalismo que nos acusa de “parasitas”?

Então, o primeiro passo é derrotar o fascismo e o neoliberalismo, as duas faces deste governo.

Mas é só o primeiro passo. Qual seria o projeto de sociedade de uma organização de trabalhadores e trabalhadoras para a próxima década?

O PT em seus 40 anos se depara com um país em que poucos bancos privados lucram mais de 100 bilhões em 12 meses, em que 6 pessoas detêm a mesma riqueza que 100 milhões de brasileiros; em que nossas conquistas e avanços de 13 anos regridem e nos deixam como antes de 1943.

O país avança para um caos social sem precedentes e que, mais cedo ou mais tarde, explodirá.

Perante esse cenário, para além da mudança na tática eleitoral, para além de conquistas na luta contra a derrubada de direitos, o PT terá de reafirmar seu horizonte socialista.

Isso significa propor um programa político que articule boas políticas públicas — como as que implementamos em nossos governos — com reformas estruturais — reforma tributária, agrária, do mercado financeiro, dos meios de comunicação, reforma política, etc.– que ataquem os privilégios, a concentração de renda e poder no país.

Vida longa ao Partido dos trabalhadores e das trabalhadoras!

Daniel Araújo Valença, professor do curso de Direito da UFERSA e Vice-Presidente do PT/RN



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5 comentários

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LULIPE

12 de fevereiro de 2020 às 11h04

Para o bem do país, PT nunca mais!!

Responder

Zé Maria

11 de fevereiro de 2020 às 17h34

A desigualdade no Brasil
é medida pelos dentes:
ricos vão ao dentista,
pobres sentem dor [e
os arrancam com alicate]

Por Rosana Pinheiro-Machado, no Intercept BR

https://theintercept.com/2019/05/13/desigualdade-no-brasil-dentes/

Responder

Zé Maria

11 de fevereiro de 2020 às 17h30

https://twitter.com/ed_alameda/status/1227277164455899137/photo/1

“Mataram o Teori, vão matar meu marido também!”
A frase foi dita por Marisa Letícia Lula da Silva ao saber da morte
de Teori Zavascki, ministro do Supremo Tribunal Federal,
em 19 de janeiro de 2017, segundo narra a biografia escrita
pelo jornalista Camilo Vannuchi, filho de Paulo Vannuchi,
ministro dos Direitos Humanos de Luiz Inácio Lula da Silva
entre 2005 e 2010.
Divergindo da própria profecia, Marisa morreria 15 dias depois,
em consequência de um AVC sofrido no dia 24 do mesmo janeiro.
“Mataram a Marisa!”, exclamou em 3 de fevereiro Zelinha,
encarregada da lanchonete do Sindicato dos Metalúrgicos
de São Bernardo, ainda segundo o biógrafo.

Resenha do jornalista Pedro Alexandre Sanches,
da Carta Capital (http://bit.ly/resenhamarisa),
sobre o livro “Marisa Letícia Lula da Silva”,
de Camilo Vannuchi (https://t.co/5OYmvSfq0B)
https://twitter.com/ed_alameda/status/1227277164455899137

Íntegra em: https://farofafa.cartacapital.com.br/2020/02/09/marisa-leticia-lula-da-silva

Responder

Zé Maria

11 de fevereiro de 2020 às 16h19

https://twitter.com/i/status/1225153243073957888
https://pbs.twimg.com/media/EQH8vQAWkAA2lnU?format=jpg&name=small
https://www.redebrasilatual.com.br/wp-content/uploads/2020/02/lula20.jpg

Mataram Dona Marisa Letícia. Poderão matar o Lula.
Mas o PT e sua História de Lutas Sociais não morrerão.

“Marisa vive”: em lançamento de biografia,
Lula homenageia companheira de mais
de quatro décadas

O Livro “Marisa Letícia Lula da Silva” (Alameda Editorial) foi escrito
pelo jornalista Camilo Vannuchi, que, emocionado, disse ter cumprido
uma “missão” para a família.
Contar “a história das histórias da Marisa”, afirmou, foi também uma
maneira de narrar um pouco da trajetória recente do país, a evolução
do sindicalismo, a construção do PT – que acaba de completar 40 anos –
e o período de redemocratização do Brasil.

Por Vitor Nuzzi, na RBA (https://t.co/ntYqhuRmbE),
via OperaMundi (https://t.co/IkRhcXTlup)

São Bernardo do Campo (SP) – No primeiro lançamento da biografia de Marisa Letícia, três anos e dois dias após sua morte, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o protagonismo de sua companheira por quase 43 anos na política, no sindicalismo e na família.
“Se não fosse a Marisa, eu não teria virado dirigente sindical, não teria feito as greves que fiz, não teria viajado pelo país como viajei”, disse Lula, em ato na noite desta quarta-feira (5) na sede do PT em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, que ele lembrou ter ajudado a construir (“Trabalhando na betoneira, fazendo massa”), enquanto Marisa se empenhava na arrecadação de recursos.

O ex-presidente referiu-se a ela como “baixinha teimosa”, lembrando que a família já sabia do risco de que ela sofresse um acidente vascular cerebral – causa de sua morte – há bastante tempo.
“A gente fazia check-up todo ano. Ela não aceitava mexer”, contou.
Também lembrou de momentos familiares, como o de uma bolada em Fábio,
um dos filhos do casal, que Lula só ficou sabendo depois porque Marisa não queria preocupá-lo.

Marisa Letícia Lula da Silva (Alameda Editorial) foi escrito pelo jornalista
Camilo Vannuchi, que, emocionado, disse ter cumprido uma “missão” para a família.
Contar “a história das histórias da Marisa”, afirmou, foi também uma maneira
de narrar um pouco da trajetória recente do país, a evolução do sindicalismo,
a construção do PT – que acaba de completar 40 anos – e o período de redemocratização.

Para Camilo, o livro deveria ser lido também por quem “fez piada” sobre Marisa, inclusive quando ela morreu.
Ele ressaltou que o lançamento tinha de ser feito em São Bernardo, cidade natal da biografada.
Três outros lançamentos já estão previstos: nesta quinta-feira (6), no bar Canto Madalena, em São Paulo, sábado (8) no Armazém da Utopia, no Rio de Janeiro, e segunda-feira (10) na livraria Leonardo da Vinci, também no Rio.

Luta Contra a Destruição do País
Lula revelou que as cinzas da ex-companheira ainda estão em sua casa.
Ele pretende reunir a família para espalhar as cinzas no sítio do casal, em uma área de São Bernardo, “e dar tranquilidade definitiva a dona Marisa”.
Encerrou sua fala dizendo “Marisa vive”.

Pouco antes, afirmou que sua maneira de contribuir “é continuar lutando”,
ainda mais em um “momento de destruição, de desmoralização internacional do Brasil”.

Disse ainda que o PT “foi construído na marra, na porta da fábrica”, e por isso não muda de nome.
“Não nasceu para eleger vereador, governador, presidente, nasceu para transformar a vida do povo trabalhador, para que não haja fome, desemprego.
Quem não quiser estender a mão a um pobre que está na sarjeta não precisar estar no PT.”

Mas em sua fala, de 20 minutos, prevaleceram as referências familiares.
Logo no início, Lula brincou ao citar os filhos.
“Não consegui fazer nenhum deles ser bom de bola, coisa que eu fui,
nem fazer discurso, que eu também tinha medo.
Na minha primeira entrevista, minha perna começou a tremer e eu fui obrigado a sentar.”

Guarda-Chuva da Família
Neto mais velho de Lula e Marisa, Thiago, 23 anos, quase não conseguiu falar.
“Ela foi um guarda-chuva para a nossa família”, disse, referindo-se à avó.
Ele é filho de Marcos, fruto do primeiro casamento de Marisa, que Lula assumiu como pai.
Os dois eram viúvos quando se casaram, em 1974.

Outro momento que fez o público – a sede municipal do PT estava superlotada –
silenciar foi durante a manifestação de Marlene, mulher de Sandro, outro filho de Lula e Marisa.
Ela é mãe do pequeno Arthur, neto de Lula, que morreu em março do
ano passado, aos 7 anos.
“Marisa foi uma sogra muito companheira, uma avó maravilhosa”, disse Marlene,
que contou ter acompanhado Marisa Letícia “nos primeiros atendimentos”,
quando a esposa de Lula foi hospitalizada.
Segundo ela, Marisa pediu para mandar um recado justamente ao neto Arthur,
de que logo “a vovó está voltando” para cuidar dele.

“Uma avó maravilhosa, presente. Sempre com uma palavra de ânimo
para não deixar a peteca cair, neste período de perseguição que a família sofreu”,
acrescentou Marlene.
“Marisa faz falta, e a gente tem um super orgulho dessa mulher.”

Doce, Mas Firme
Amigo da família, o presidente do PT paulista, o ex-prefeito e ex-ministro
Luiz Marinho, afirmou que Marisa “foi uma pessoa doce, mas muito firme”.
Para exemplificar, recordou de uma conversa após a derrota eleitoral de 1998,
quando Lula teria mostrado desânimo e falado em desistir.
Por isso, teria levado uma “bronca” da companheira.

Para Marinho, a ex-primeira-dama foi “levada à morte pela elite deste país,
pela mídia covarde”, o que teria atingido também outros militantes petistas.
Ele acrescentou que 2020, um ano eleitoral, “marcará a retomada do crescimento
do nosso partido”.

Em texto de Lula a Camilo, divulgado pelo jornalista em rede social,
o ex-presidente também fala da “perseguição” a Marisa durante todo
o casamento, considerando a Operação Lava Jato como “a gota d´água”
desse processo.

“Trataram Marisa como criminosa, invadiram sua casa, reviraram suas coisas, divulgaram conversas íntimas, expuseram os filhos e netos.
Você tem noção do que é isso? Não tenho nenhum receio em afirmar
que essa caçada foi determinante para a morte precoce da Marisa.
Espero do fundo do meu coração que aqueles que a acusaram tenham
a dignidade de admitir que erraram e pedir desculpas.”

Temor Pela Família
Segundo Ana Lucia Sanches, militante do PT de Santo André e amiga de Marisa,
ela era “uma mulher forte, simples e reservada, que gostava de simplicidade,
mas muito determinada, uma italiana legítima”.
Contou que Marisa mostrava “inconformismo” pelo momento politico do Brasil.
Narrou uma conversa que tiveram pouco antes da internação, sob o impacto da morte do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, em janeiro de 2017.
“Ela estava cheia de vida, mas cheia de medo.”

Outra amiga, Inês Maria de Filippi, também lembrou de conversa com esse tema,
durante um jantar – uma moqueca preparada pela própria Marisa,
que manifestava “temor pela família”. Mas observou que Marisa “não admitia reclamações”.
Inês recordou ainda de “brigas por futebol” no grupo de WhatsApp –
ela é palmeirense e Marisa, assim como Lula, corintiana.
Para Nilza de Oliveira, também amiga, a biografia vai ajudar muitas mulheres
que “vivem na invisibilidade” e fazer justiça ao protagonismo de Marisa:
“Ela também fez parte da construção desse líder”.

Lula disse que não quis ler o livro previamente.
“Eu faço questão de não saber o que as pessoas estão escrevendo,
para não parecer censor.
Nem o do Fernando Morais, que está escrevendo um livro desde 2011”, afirmou.
O escritor e jornalista [“Fernando Morais”], autor de obras como “Chatô” e “Olga”,
prepara uma biografia sobre o ex-presidente.
Ele brincou ao dizer que, toda vez que pergunta, Morais responde do mesmo jeito:
“Está pronto, só falta escrever”.

Assista à entrevista de Camilo Vannuchi
à Rádio Brasil Atual: (https://youtu.be/XLhXfWn1z2g)

https://twitter.com/Luizianne13PT/status/1225429157917712384
https://www.redebrasilatual.com.br/politica/2020/02/em-lancamento-de-biografia-lula-destaca-protagonismo-familiar-e-politico-de-marisa
https://twitter.com/operamundi/status/1225409070817071111
https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/62955/marisa-vive-em-lancamento-de-biografia-lula-homenageia-companheira-de-mais-de-quatro-decadas

Responder

José Ricardo Romero

11 de fevereiro de 2020 às 08h10

Há um ditado que diz que o uso do cachimbo faz a boca torta. Com Lula mandando em tudo e em todos como o mais autêntico caudilho e vivendo do passado idealizado como bom de seus governos, nada destas reformas legítimas e necessárias serão objeto do mínimo esforço por parte do pt.

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