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Colocando Globo na defensiva, Gilmar diz que emissora incitou o público contra STF e acolheu vazamentos seletivos de Janot
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Opinião do blog Política

Colocando Globo na defensiva, Gilmar diz que emissora incitou o público contra STF e acolheu vazamentos seletivos de Janot


15/10/2019 - 14h49

O trecho da entrevista que mais repercutiu tem a ver com o hoje ministro da Justiça Sergio Moro

Da Redação

De primeiro-ministro a torcedor do Flamengo, zombou Gilmar Mendes do ex-juiz federal Sergio Moro, hoje ministro da Justiça.

Foi em entrevista no programa de Pedro Bial, na TV Globo.

Mendes assumiu o papel de porta voz do STF às vésperas de importantes decisões que o tribunal vai tomar em relação à operação Lava Jato.

Por conta dos vazamentos de mensagens entre procuradores e do ex-juiz Moro, o STF parece ter isolado o lavajatista mor, ministro Luís Roberto Barroso, que num dos “episódios” divulgados através do Intercept Brasil aparece como mentor de Deltan Dallagnol, o chefe da Força Tarefa de Curitiba.

Além de conduzir politicamente e com uma estratégia de marketing a operação, poupando alguns e fustigando outros, Dallagnol e seus colegas tentaram intimidar e investigar ministros do próprio Supremo, tendo como alvos principais Dias Toffoli e Gilmar Mendes, mas atacando também Ricardo Lewandowski e chamando Carmen Lúcia de “frouxa”. 

Só mereceram elogios por escrito Luiz Fux (de Moro, In Fux We Trust), e o relator que substituiu Teori Zavascki, Edson Fachin (de Deltan, Aha, uhu, o Fachin é nosso).

Na quinta-feira, 17, o Supremo Tribunal Federal vai julgar a questão da prisão em segunda instância.

O artigo 283 do Código Penal diz que a pena só deve ser cumprida depois de esgotados todos os recursos, ou seja, do trânsito em julgado.

As ações em julgamento foram interpostas pela OAB e pelos partidos PCdoB e Patriota.

O Brasil tem 844 mil presos. De acordo com o G1, o Conselho Nacional de Justiça informou que 193 mil cumprem pena após condenação em segunda instância.

Em tese, poderiam ser beneficiados por decisão do STF.

Em 2016, o tribunal considerou que a prisão antes da condenação em definitivo era “possível”, mas isso levou tribunais inferiores a considerá-la “obrigatória”.

A partir de quinta-feira, a questão será esclarecida pelo plenário.

O foco estará no futuro do ex-presidente Lula, que será solto se a Corte considerar que vale o que está escrito no Código Penal.

Lula foi condenado na segunda instância no caso do tríplex do Guarujá.

O pedido de suspeição do juiz Sergio Moro no caso será julgado em outra ocasião pelo STF.

Se Moro for considerado suspeito, de acordo com o que disse o próprio ministro Gilmar em ocasião anterior, o processo de Lula volta à fase de denúncia.

Gilmar aproveitou a aparição na Globo para fazer críticas ao comportamento da mídia, que acusou de insuflar a população contra aqueles que se opõem aos métodos da Lava Jato.

Pode ter sido uma forma de se antecipar a críticas vindouras.

Gilmar contou a Bial que deu um livro de presente ao chefão do jornalismo da Globo, Ali Kamel:

“Se amanhã eu sofresse um atentado, eu cheguei a dizer isso ao Ali Kamel. Mandei para ele o livro do Pinheiro Machado. Aquele livro do Pinheiro Machado, o assassinato do Pinheiro Machado, senador na Velha República, é dito que aquele assassinato foi causado pela mídia, pelo incitamento que a mídia produzia”.

Gilmar também alfinetou a emissora, dizendo que o ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot, que em livro confessou ter planejado o assassinato do ministro do STF, violava o sigilo de processos seletivamente, usando a emissora:

“O que se sabe nos bastidores era que o então procurador Geral da República, Rodrigo Janot, dispunha de 11 pessoas no jornalismo para vazar seletivamente dados e processos para a mídia, especialmente vocês”.

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3 comentários

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J Fernando

16 de outubro de 2019 às 10h31

“Em tese, poderiam ser beneficiados por decisão do STF.” (190 mil presos)
É melhor esclarecer que este número está inflado.
Não poderiam ser beneficiados os presos com prisão cautelar e muito menos os presos em flagrante delito (estupradores, assassinos ou criminosos que põem em risco a ordem pública). Somente os presos após condenação em Segunda Instância, que são bem menos que estes 190 mil.
Esta desinformação continua circulando, infelizmente.

Responder

Saïd

15 de outubro de 2019 às 16h03

É por isso que tem que existir uma lei contra o abuso do poder.

Responder

Zé Maria

15 de outubro de 2019 às 15h35

E o Gilmar conhece bem os Esquemas da Globo.
Não era ele o Ministro do STF Predileto do Merdal ?

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