VIOMUNDO

Diário da Resistência


Política

Crise: Classe média condenada a fazer hidratação facial em casa


04/06/2013 - 01h21

A inflação da carteira assinada
. Que dó, que dó!

Por Luciano Martins Costa em 03/06/2013 no programa nº 2075 do Observatório da Imprensa

A série de reportagens pintando um cenário de apocalipse na economia brasileira, que marca as edições recentes dos principais jornais genéricos de circulação nacional, traz como pano de fundo uma tese perigosa: a de que a plena oferta de empregos seria uma das principais causas de aumento dos preços no Brasil.

Observe-se que a imprensa brasileira não questiona se estamos de fato imersos no perigoso jogo inflacionário, embora os aumentos de preços tenham se mostrado pontuais e randômicos, não lineares, o que indica a ocorrência de causas múltiplas e não necessariamente um processo consistente de inflação.

Há apenas dois meses, os jornais e os noticiários da televisão e do rádio martelavam a tese da inflação de alimentos; depois, com o tomate voltando ao molho com preços 75% inferiores, a imprensa passou a ressaltar o custo de produtos eletrônicos, depois das viagens aéreas e agora o vilão é o setor de serviços.

Nesse período, artigos e reportagens tentam impor a seguinte teoria: se o crescimento econômico é insatisfatório, o pleno emprego torna-se fator de inflação porque a disputa por bons funcionários aumenta o custo das empresas, o que acaba se refletindo no preço final dos produtos.

Por outro lado, dizem esses teóricos, o crescimento da renda dos trabalhadores aumenta a procura, porque há mais gente com dinheiro para as compras e, apesar do aumento recente dos juros, a oferta de crédito segue em alta.

Os defensores dessa tese consideram que, para fazer a economia crescer sem inflação, é preciso manter um exército de trabalhadores sem renda, ou dispostos a ganhar pouco, para que os preços se mantenham estáveis e o Produto Interno Bruto possa crescer a níveis chineses.

Para eles, a boa política econômica é aquela que preserva os “bons fundamentos da economia”, e não aquela que produz bem-estar para a maior parcela da população.

O pensador francês Edgar Morin já observou que “a economia é, ao mesmo tempo, a ciência humana mais avançada matematicamente e a mais atrasada humanamente”.

No caso do Brasil, os especialistas mais apreciados pela imprensa são os que se apegam a fundamentos que se justificam mais por ideologia do que por evidências científicas, e se recusam a considerar a nova  complexidade da sociedade brasileira.

Esse novo contexto social se baseia no ingresso de uma nova classe de renda no mercado, que permite a milhares de produtos e serviços alcançarem uma escala nunca antes vista.

Durante alguns anos, esses novos protagonistas irão realizar alguns sonhos de consumo que acalentam desde a infância, o que certamente produz desequilíbrios nas cestas do mercado

Que dó, que dó!

Foi assim com biscoitos recheados e iogurte, nos primeiros anos do  Plano Real; foi assim com os calçados esportivos e vestuário até 2005, o que estimulou a maior frequência a shopping centers, que proliferaram por todo o País; depois vieram os carros populares, as viagens aéreas, os cruzeiros marítimos, os computadores, e, mais recentemente a TV digital, tablets e smartphones.

O enigma que os economistas devem decifrar é: quais setores do sistema produtivo precisam de uma injeção de produtividade para atender essa demanda sem aumento abusivo de preços.

O pleno emprego e o aumento da renda dos trabalhadores, ocorrendo em curto prazo num contexto de desigualdades históricas, baixa renda e trabalho informal, tendem a produzir distorções de preços, em parte,  porque a economia estava organizada para os padrões estáveis de uma classe média tradicional e de pouca escala.

De repente, essa classe média, que nunca passou de 15% da população brasileira, tem a companhia dos emergentes, que representam mais de 55% da população e formam um novo país de 105 milhões de consumidores.

Mas jornais e revistas são feitos para a classe média tradicional, o que justifica a reportagem de capa da revista Época desta semana.

O texto é um primor de falácia jornalística: “O arrocho da classe média”, diz o título da reportagem, com a chamada de capa em tom de manifesto: “A conta sobrou pra você”.

Com uma série de exemplos de famílias com renda superior a R$ 8 mil mensais que agora precisam conter custos,Época faz coro aos lamentos da dona de casa que se vê obrigada a reduzir seus gastos com cabeleireiro, de R$ 800 por mês – e agora tem que fazer hidratação facial em sua própria casa!

Também há o exemplo dos brasileiros de classes A/B que não aguentam mais pagar o preço do vinho nos restaurantes, porque não dá para manter esse hábito essencial e ao mesmo tempo custear o médico particular. Eles são obrigados a reunir os amigos para beber em casa!

A reportagem nota, com espanto, que na última década a renda dos 10% mais pobres subiu 91,2% acima da inflação, enquanto a dos 10% mais ricos subiu apenas 16,6%.

Há outras referências, mas bastam esses exemplos do que a revista chama de “calvário” da classe média tradicional.

O texto termina com um recado para seus leitores: “Eu era feliz e não sabia”.

A frase poderia ser bem outra: “É a distribuição de renda, cidadão”.

Leia também:

Carta à Dilma: Desqualificação da Funai, como na ditadura militar





52 comentários

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Stedile: O fantasma da inflação "atrás da porta de cada família brasileira" - Viomundo - O que você não vê na mídia

06 de junho de 2013 às 19h34

[…] Crise: Classe média condenada a fazer hidratação facial em casa […]

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Deutsche Bank: Estão de má vontade com o Brasil - Viomundo - O que você não vê na mídia

05 de junho de 2013 às 13h14

[…] Crise: Classe média condenada a fazer hidratação facial em casa […]

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Moacir Moreira

05 de junho de 2013 às 11h06

Classe média estúpida, alienada, arrogante e iludida.

Pensam que vão ser ricos para sempre, mas o topo da pirâmide da felicidade tem poucas vagas.

Muitos integrantes dessa classe ainda serão forçados a trabalhar duro se quiserem pagar suas contas e preservar seus provilégios.

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Edgar Rocha

05 de junho de 2013 às 03h36

Admito, sou paranoico com a questão do crime organizado. Então, lá vai, de novo: o desemprego não está tão baixo quanto declara o Governo Federal (melhorou, mas será que vamos incluir nesta conta uns bons milhões que trabalham e melhoram de vida às custas da informalidade corrupta e do crime que graça nas cidades grandes? Além disso, bolsões de vagas regulares sem preenchimento existem, principalmente pela falta de mão de obra qualificada em função do péssimo sistema educacional). Há uma parcela da população considerável que já se acomodou com a estabilidade do crime, gerada pela corrupção epidêmica, e que não abriria mão facilmente destes procedimentos para sua inserção nesta tal nova classe média (por favor, não estou sendo preconceituoso de forma alguma! Existe sim, cooptação de setores da sociedade graças a garantia de impunidade e a mentalidade vigente de que todos são iguais e que o sistema é assim mesmo, além do bom dinheiro que rola). Vale lembrar o antigo dado de que possuímos o equivalente a um PIB argentino movimentado pelo crime no país. É muita gente incluída nesta realidade em todos os estados. O graaaaande problema é que a oposição não se atreveria a sequer mencionar esta questão em seu discurso, graças ao fato de que ela mesma é responsável e beneficiária deste estado de coisas (alguém duvida?). Mas, não é por isso que devemos acreditar que a situação não seja grave ou pouco preocupante. Isto pra mim é contingente de manipulação (ou “massa de manobra” pros mais tradicionais). Neste cangaço em que vivemos, e sem a devida preocupação da esquerda com o assunto (já que pra alguns, jovem cooptado é, contraditoriamente, herói contra o sistema e pra outros, é um vespeiro que não vale à pena mexer, como no caso do Jacques Wagner, na Bahia), isto tende a crescer, ganhar corpo, ganhar cara e possivelmente, ganhar o poder. Tá na cartilha de qualquer ultra-direitista a lição dada por Hitler na implantação do terror pré-golpista, usando a geração excluída como motor pra uma guinada social à direita. Além das coligações espúrias com o que há de pior e mais cruel na sociedade (torturadores, chefes de milícias, corruptos e bandidões cheios de grana de todo tipo). Já disse tudo isto, e não me canso de dizer toda vez que alguém delineia o discurso de oposição. Só pra fechar, o ódio de classe que este tipo de matéria da Época incita na classe mais abastada só faz transparecer uma necessidade de se apegar em alguma coisa pra dar vasão ao desejo primitivo de subjugação de seus concorrentes. Soma-se a isto, o discurso pela diminuição da maioridade penal que atribui diretamente o problema da violência à classe que hoje não é tão subalterna quanto se gostaria que fosse (nunca é culpa do Governo que ELES mesmos apoiaram – higienizadores, lembram?) e podemos ver a construção de uma estratégia de contra-ataque e retomada de território em que o inimigo é, como o próprio texto acima aponta, a massa emergente. Enfim, o que quero dizer é que, em última instância, basta um aperto maior do crime organizado contra os setores que historicamente apoiam a direita, pra que se entregue um cheque em branco a eles e culpabilize o governo pelo “crime” de gerar o incômodo contingente de trabalhadores com dinheiro. Vão chamar o pobre de ladrão pra frear os avanços sociais reais, pra atingir o que de fato lhes incomoda: o trabalhador de bem. Só precisam de uma justificativa moral pra isto. No final, os inocentes úteis que apavoram principalmente o trabalhador da periferia (falo dos soldadinhos do PCC) serão imolados pro bem da nação e até a esquerda vai dar graças a Deus por isso. Daí, pra passar a perseguir os opositores diretos da elite…E tudo volta como antes, no quartel de Abrantes.

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Fabio Passos

04 de junho de 2013 às 21h07

Aumentar a renda do povo e um horror para a “elite” branca e rica.
Parte da classe media nao se identifica com a populacao mas com seus amos.
Tenta inclusive fingir que e parte da “elite” branca… e nao apenas escravos da casa-grande.

O aumento da participacao da renda do trabalho no PIB e muito bem vindo.
E ainda ha muito que aumentar.

Precisamos inclusive aumentar o ritmo da distribuicao de renda
Por que diabos nao temos ainda a reducao da jornada de trabalho para 40hrs semanais?

A proposta foi aprovada por unanimidade em comissao especial no congresso… o que falta para votar e aplicar?

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Marcela

04 de junho de 2013 às 19h32

Que absurdo! Será que a classe média vai ter que prostituir suas filhas e mulheres para poder seguir com seus privilégios??? huahuahuahua

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Urbano

04 de junho de 2013 às 17h57

A canalhice dos que fazem o pig é incomensurável. Essa nova posição deles mostra perfeitamente que também no round desemprego eles foram à lona.

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    Fabio Passos

    04 de junho de 2013 às 21h10

    E transparente.
    Eles tem saudades da escravidao… mas nao sao racistas nem preconceituosos.

    Chupa, PiG!

Rodrigo Leme

04 de junho de 2013 às 14h24

O cara conseguiu conquistar as necessidades básicas, quer portanto algo mais para sua família e é taxado de “Preconceituoso”, não por dizer que não gosta de pobre, mas por querer mais.

Não à toa o Lula trata esquerdismo como infantilidade.

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    augusto2

    04 de junho de 2013 às 17h03

    é simples e singelo, leme
    quer + para sua familia, pague mais! porque agora tem concorrencia, e mais DEMANDA.
    Oferta & Procura.
    Se esse nao quiser assim, tem duas opçoes:
    1- o voto na urna
    2- na Coreia acima do paralelo 38 nao tem essa antiga lei.

João Grillo

04 de junho de 2013 às 13h59

Judiação…Horror!… Ditadura… Onde já se viu ter que jantar em praça de alimentação de Shoppings convivendo com fedorentos disfarçados com vestimentas das Pernambucanas, Marisa e filhos com celulares que nem se sabe a procedência…DANUSA LEÃO ESTÁ MAIS PUTA DA VIDA DO QUE ANTES.

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Alexandre Aguiar

04 de junho de 2013 às 13h22

Se alguém ainda acalenta uma ilusão, é bom tirar o cavalinho da chuva, porque a única forma de um governo com matizes de esquerda, popular, com justiça social e distribuição de renda querer se manter no poder é através de uma revolução e não com a tal da governabilidade. Isso é balela.
Preparem-se, progressistas, pois a direita voltará ao poder mais rápido do que se imagina e a sua manutenção será cruel e desoladora, para recuparar o que perderam.

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    Eunice

    04 de junho de 2013 às 18h05

    É. Não gostei da vinda desse vice-americano. N]ao estou gostando da falta de poder dos prejudicados da Europa.

    Evitemos a direita antes que tome o poder. Pois estão unidos. Vejam a grana que Dilma deu aos agros. Agro nem gera emprego. Só balança comercial, e dolares para o governo fechar as contas. O governo Dilma já está tomado. De fato.

    Ingmar

    04 de junho de 2013 às 20h29

    A direita nunca saiu do poder.

O DOUTRINADOR

04 de junho de 2013 às 13h02

Estou com um Problema Sério! na Padaria perto de casa só posso comprar PÃO, os favelados estão COMPRANDO e COMENDO todos os BRIOCHES!!!!!!!!!!!!. A partir de 2015 vai ficar PIOR, SEGUNDO MANDATO DA QUERIDA PRESIDENTA DIIIIIILLLLLLMMMMAAA!!!!!

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Bacellar

04 de junho de 2013 às 13h01

A dúvida é: vão suportar 16 anos de PT capitaneando a esfera federal (e não é exatamente que o PT não abre concessões…) e continuar com táticas baixas mas ainda dentro do “aceitável” na esfera democrática ou vão partir pro relaxo?

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Neotupi

04 de junho de 2013 às 11h55

A revista lembra aqueles escritos do século XIX contra a abolição da escravatura.

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Roberto Locatelli

04 de junho de 2013 às 11h32

Daqui a pouco, teremos que comprar funghi argentino, ao invés do italiano!! A gastronomia está destruída por essa gentalha que tomou o poder!

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    Willian

    04 de junho de 2013 às 12h10

    O pior é ter que fazer o sushi em casa.

    Roberto Locatelli

    05 de junho de 2013 às 10h59

    Ah, não, antes disso acontecer temos que dar um golpe de estado e colocar de volta os homens de bem no poder.

Elvis Pfutzenreuter

04 de junho de 2013 às 10h58

Primeiro que o texto começa com uma falácia e baseia tudo a seguir nela — que apenas um e outro preço subiu pontualmente. O autor não deve freqüentar supermercado.

Existe um fato positivo, ortogonal: a renda média subiu e existe menos desemprego. Isto é louvável. Tem gente da “crasse média” com visão estreita, que reclama que a diarista ficou mais cara? Tem, e muito. São fatos ortogonais.

Agora, tentar justificar inflação e outras mazelas com este outro fato, é muito feio.

“Os defensores dessa tese consideram que, para fazer a economia crescer sem inflação, é preciso manter um exército de trabalhadores sem renda, ou dispostos a ganhar pouco”. Que defensores? As pessoas que não concordem com o inteiro teor do artigo?

Os defensores dos Kirchner da Argentina usaram esta mesma falácia durante anos. Tem problema X, mas tem emprego, tem problema Y, mas tem emprego. Agora o problema está na boca do povo e até cego está enxergando… Ontem mesmo até o Bresser Pereira largou de mão.

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    augusto2

    04 de junho de 2013 às 11h22

    ortogonal é o seguinte:
    IGPm pra baixo.
    .commodities para baixo.
    .tomate para lá embaixo.
    . indices com trajetoria de queda
    . medos montados na profecia auto.cumprivel para cima.
    e quem sao os profetas dessa profecia desde janeiro?
    O vinho eu não sei mas minha batida de limão oucaju esta no mesmo preço.

    albuquerque costa

    04 de junho de 2013 às 12h28

    Fico feliz com os dados do seu país,pois aqui no brasil, a realidade é outra.

    Gustavo

    21 de dezembro de 2014 às 20h39

    Hoje é 21 de dezembro de 2014. Inflação está acima da meta, país em vias de recessão, aumento da desigualdade no governo Dilma. E Dilma convocou economistas ortodoxos para seu segundo mandato, menos mal.

    Bertold

    04 de junho de 2013 às 11h34

    O suprasumo, espertão, então nos diga qual a sua elaboração teórica sobre a inflação brasileira. Queremos aprender algo contigo se é que tem alguma noção consistente sobre economia.

    Julio

    04 de junho de 2013 às 15h10

    e quem é Bresser Pereira? o que ele fez de bom para o povo? oras bolas, vá plantar batatas meu caro.

    Edgar Rocha

    05 de junho de 2013 às 03h58

    Elvis, só um pequeno favor: quando falar da classe média, use “classe média” e não “crasse média”. Isto porque, apesar de errado hoje, quem fala crasse, creusa, Grória, atreta, etc. não faz outra coisa senão repetir a única língua que se tornou imortal por ser afetiva: o milenar galego medieval, língua latente no falar de todo brasileiro que ainda acredita ter algo a amar em sua história de vida. E quem o faz, é porque tem afeto, tem ligação afetiva com seu passado e sua tradição. Não tem nada a ver com ignorância, analfabetismo. Tem a ver com povo, e o povo é o que sempre detém o que importa a uma nação, mesmo que hoje, ser povo ainda seja algo terrível. A classe média-alta do Brasil historicamente não tem identidade, se envergonha de ser parte deste país. Preferiria falar todos os “esses” e “erres” e “eles”, só pra ser um pouco mais sofisticada (nada de requinte, nada de memória, nada de cultura… só imagem). Esta sim, se não o faz, é porque é pouco esforçada e avessa a qualquer formação cultural mais autêntica e menos superficial. Isto não é uma bronca. É que realmente gosto deste lado da gente. O que é nosso não morre fácil. Como se diria (corretamente): nosso povo é trabaiador, apricado e gosta de ponhar tudo no coração. E ocê, seu moço, não? Será que fugi tanto assim do tema?

Alexandre Tambelli

04 de junho de 2013 às 10h39

Viajei em abril para Foz do Iguaçu. Entrei na decolar.com 3 meses antes e fui procurando hotéis com preço acessível. Encontrei um hotel de 3 para 4 estrelas.

Fiquei 1 semana hospedado lá. Foi um experiência nova. Sou dessa classe social relatada no texto. E presenciei uma “invasão” das classes C e D dos governos LULA e DILMA no hotel. Foi incrível.

Alguns hóspedes solitários da minha classe social chegavam de mala de rodinhas para trabalho, quase todos naquela pose do cara que tem status social e em meio à eles uma multidão de hóspedes que iam ver as Cataratas e fazer compras no Paraguai. Um choque social, certamente, o hóspede solitário imaginando exclusividade e as classes C e D do LULA no mesmo hotel.

Foi interessante ver esse descompasso de comportamento entre a classe média tradicional e as classes C e D do LULA. Aqueles em trabalho, estes viajando em pacotes de turismo ou em compras de passagens e reservas de hotéis pela internet pagando no cartão de crédito em parcelas a perder de vista.

Todos os dois grupos no mesmo hotel. Antes desta viagem, não tinha visto tal situação.

Dentro deste novo, certo que há o deslumbramento destes novos consumidores, de ver um café da manhã variado, um hotel com cofre, secador de cabelo no quarto, etc. e o impecável asseio dos quartos. Famílias inteiras, senhores e senhoras de idade, gente simples curtindo uma linda viagem, talvez, ainda um pouco acanhadas, mas felizes demais! Coisa mais bonita eu nunca presenciei!

A classe média tradicional dos tempos de FHC não tem mais a exclusividade para si desses espaços, e isso é de uma riqueza incomensurável! Estamos todos juntos consumindo! Ela não fica em paz nem em Miami mais… A CVC vende pacotes por preços inacreditáveis, todos esses novos consumidores podem se dar ao prazer de desfrutá-los!

E, não tem volta! O Brasil mudou! Estamos fazendo uma revolução a partir do consumo! Quem vier com discurso de frear consumo, de exclusão social, de diminuir emprego não ganha mais eleição.

No final de semana soltaram um post no Facebook de que quem recebe bolsa família não deve ter direito de votar, porque tem o beneficiário do bolsa família o voto comprado em troca de seu recebimento. Quando vier a eleição e se associar o grupo de pessoas que compartilham essas besteiras e o candidato deles, que nós sabemos quem será! O candidato perde a eleição em três tempos!

No mesmo hotel estão todos misturados, o Brasil mudou e isso é fato! Mesmo que questionando se a lógica do consumo é a mais adequada para a formação cidadã dos brasileiros; mesmo se questionando a cultura nacional, se ela está no caminho certo.

Hoje, as distâncias se encurtaram! O brasileiro viaja de avião distâncias maiores, e visita familiares distantes, faz viagens para pontos distantes de sua cidade e pode continuamente viajar! Paga em parcelas a perder de vista!

Estamos diante de uma realidade inimaginável 10 anos atrás. Por isto temos que ser cuidadosos, críticas ao PT são bem-vindas, mas reconhecer essa revolução social é necessário e justo!

Responder

    Marcos C. Campos

    04 de junho de 2013 às 16h13

    Tem outro feliz nesta historia: os donos do hotel, pois somente a turma que frequentava deveria dar um lucro pequeno e baixa taxa de utilizacao, agora …

    Altemar

    04 de junho de 2013 às 20h46

    Eu também sou dessa turma, nada acanhado, mas sou. Falo idiomas graças a internet, tenho smart phone e tablet porque posso pagar em até 24 parcelas, leio publicações digitais, tenho scanner portátil para arquivar minhas contas (algumas) que ainda chegam em papel e prefiro utilizar o espaço, que antes era ocupado por papeis, doc, cópias, fotos e outras velharias, para guardar vinhos. Só vejo TV se for a Cabo (adoro o discovery, National, Histopry Chanel, FOX, TV Brasil, tem outras mas nao tenho paciência. Ia esquecendo, ouço Rádio também via smartphone, namoro com a patroa numa BOX comprada em 36 X. Os meninos já crescidos tão tudo de tennis novo e na faculdade pelo FIES. A patroa, faz um mês, foi lá em NY trollar os gringos – ces acreditam que eles não conseguem responder com rapidez uma simples pergunta: Diga um nome de um país com “U” – voltou cheia de malas e dívidas, mas a gente se vira.

walter

04 de junho de 2013 às 10h32

Enfim, a classe média real, com renda entre 3 e 8 mil reais está bancando, a 27,5% do IR , o banquete dos mendigos bolseiros que não pagam impostos mas usam tudo que os que pagam impostos bancam.
A questão da injustiça fiscal salta aos olhos.O ricaço paga o mesmo que o cara que ganha 4 , 5 mil por mês 27,5%. Essa é a justiça fiscal do partido dos trabalhadores
A classe média REAL sendo rebaixada à pobreza que é chamada de classe média, e se acha, e se endivida, por conta desse suposto status quo, (geladeira carro 1000 tv a cabo empréstimo) e a pantomima petista perdura.
A conta desse endividamento sem educação e sem saúde, sem investimento público, sem serviço público, a conta desse ufanismo olímpico e copeiro, vai ser paga em árduas prestações pelos próximos 20 anos.Os petistas , como classe neo milionária vão dar risadas de todos nós os ex-famélicos e os neo famélicos. Bolsas para todos! Bolsas para todos!!

Responder

    Neotupi

    04 de junho de 2013 às 12h22

    Quem ganha R$ 3.000 líquido (tirando Previdência e dependentes dedutíveis), a alíquota efetiva do IR é 4,31% pago sobre os 3 mil.
    Quem ganha R$ 8.000 líquido, a alíquota efetiva do IR é 17,62%.
    Paga 26,51% quem ganha R$ 80.000 líquidos por mes (quase R$ 1 milhão por ano). Se esse cidadão morasse nos EUA pagaria 39,6%.
    Se você se juntasse aos mais pobres para defender maior tributação dos mais ricos, em vez de implicar com a classe C comprar geladeira nova ou carro popular, provavelmente teria mais a ganhar, tanto em alívio nas aliquotas da classe média dos 3 a 8 mil, como em viver numa sociedade mais civilizada, conquistada com mais equidade e prosperidade (e nisso o governo do PT está certo).

    walter

    04 de junho de 2013 às 13h51

    Esquerdinhas doidivanas não pagam imposto.
    Meu caro, eu ganho 5 mil líquido e os 27,5% de imposto de renda vem é na fonte.
    Sou mais um servidor federal espoliado pelo NeoPT.Isso sem falar nos 11 % de previdência para aposentar no teto,tudo NA FONTE.
    Enquanto isso os maganos milionários , beneficiários das políticas do NeoPT , diluem seus impostos nas suas várias empresas de fachada ou não , e normalmente não pagam nada.
    Se o cidadão morasse nos Estados Unidos teria carros baratos, estradas boas, serviços públicos decentes, internet de alta velocidade, e mais, nos Estados Unidos bandido de colarinho branco vai pra cadeia. No Brasil é sócio do NeoPT, recebe concessões e isenções da Presidenta.
    No mais NeoTupi, quem festeja a debácle da Classe Média são exatamente os pobres, a classe C e os esquerdinhas doidivanas.Essa classe C sem educação e não pagadora de imposto não tá nem aí pros milionários. Até porque é no meu lombo, com 7 anos sem sequer reposição da inflação, que está saindo a ascenção dela, e não do lombo dos ricaços.
    O NeoPT precisa é taxar as fortunas, regular a mídia, taxar as heranças,fazer a legislação do serviço público, fazer uma reforma fiscal que tribute a riqueza e não o consumo, fazer uma reforma política para vermos de fato se a sua aliança com Maluf e Renan é por boniteza ou por necessidade…
    Enfim, o NeoPT precisa de cumprir as promessas do PT, aquelas pelas quais nós da classe média os apoiamos e fizemos dele o que veio a ser.
    Depois, no poder, se aliaram aos ladrões e milionários e dão as migalhas aos pobres.
    Essas contradições que todos ignoram, ou fingem ignorar, e tratam o jogo político como se fosse FlaFlu.
    Querido , o PSDB morreu, e precisamos é radicalizar a reforma em prol de quem trabalha.
    Mas o NeoPT é o partido dos que especulam, da grande mídia, dos banqueiros, da austeridade e dos famélicos.
    Como órfão, só me resta ser contra.
    O PT traiu.

    Aline C Pavia

    04 de junho de 2013 às 15h01

    A renda das classes mais pobres cresceu 91% em 10 anos.
    A renda das classes mais ricas cresceu apenas 11% no mesmo período.
    Se você queria aprender o que é “distribuição de renda” ou “combate à desigualdade social” agora já sabe. Entendo seu chororô de servidor federal aposentado… por que não aproveita o tempo livre para aprender bricolagem, horta caseira, bocha, dança de salão? São os melhores remédios para esse mal que acomete o fígado e os cotovelos ao mesmo tempo, chamado “amargura”.

    Marianne

    04 de junho de 2013 às 15h41

    O Walter não sabe fazer o cálculo do Imposto de Renda na fonte, já que não sabe o que é a parcela a deduzir. É o mínimo que se exige de conhecimento de qualquer assalariado que tem o imposto retido na fonte.

    nilccemar

    05 de junho de 2013 às 00h54

    Walter, eu também sou funcionária pública e pago os 27,5 retidos na fonte. Mas, na declaração, e a minha é modelo simplificado, se tive gastos, me devolvem tudo. Mas, de fato, deveriam corrigir a tabela. Agora, para mim, o que pesa muito mesmo é o IPVA, e depois vem o Licenciamento, e ainda tem o Seguro obrigatório, que pago há mais de 35 anos e nunca usei. Esses todos não são impostos federais, e não são restituíveis.

    albuquerque costa

    04 de junho de 2013 às 12h36

    Disse tudo.
    Parabéns.

    Julio

    04 de junho de 2013 às 15h20

    Walter me desculpe mas o Neotupi tem razão, voce não sabe fazer conta e por isso usa de agressividade contra redução da desigualdade brasileira.

Roberto Locatelli

04 de junho de 2013 às 09h30

Não é à toa que a Globo proibiu que seus programas falem as palavras “twitter” e “facebook”. A internet é demolidora.

Responder

    Willian

    04 de junho de 2013 às 12h02

    Coca-cola também é proibido.

Aline C Pavia

04 de junho de 2013 às 09h19

Azenha!! Este post ficaria bem na seção “Humor”. A frase final “Eu era feliz e não sabia” fechou com chave de ouro. Estou rindo até agora.

Responder

Mardones

04 de junho de 2013 às 09h03

Vindo das Organizações da Famiglia Marinho é chover no molhado. Eles são adeptos da teoria do Brasil para os 30% da população. Não vejo motivo para qualquer coisa dos Marinhos ser alvo de análise.

O que deve nortear qualquer debate é a ação ou falta dela por parte do governo, que se apresentou como alternativa neoliberal ao povo brasileiro. Diante disso, precisamos perseguir sempre o que precisa ser feito para sairmos desse laço de aumento de preços toda vez que aumenta o salário mínimo e o número de pessoas empregadas.

Infelizmente, o governo federal – com apoio muita vezes cego de certos setores – não tem tomado iniciativa para romper-mos esse laço que nos prende à inflação por falta de oferta, e não excesso de demanda, como muitos querem fazer crer.

O BNDES segue financiando empresas que não dão retorno espero para a solução do problema aqui apresentado. Setores que carecem de investimentos para fazer frente à nova demanda não tem atenção do governo. Por outro lado, empreendimentos voltados à famigerada exportação de comodities seguem sugando a grana fácil.

Sempre que leio críticas ao PIG – que aliás merece todas as críticas! – penso que o foco deve ser as ações do governo e não o que essa organização familiar pensa sobre o Brail. Aliás, o próprio governo federal alimenta esse tipo de imprensa com seus patrocínios publicitários, que levam em conta critérios técnicos e não qualidade e pluralidade.

Chega de falar do PIG. Vamos falar das ações do governo, que, aliás, quer tirar da Funai a prerrogativa dos estudos para demarcação de terras indígenas e deixar o Min da Agricultura – tão agroexportador!!! – influir nesse processo.

Perder tempo com o PIG quando temos um governo capenga para pressionar.

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Marianne

04 de junho de 2013 às 09h03

Eu queria saber quantos por cento das famílias têm renda igual ou superior a 8 mil reais, ou seja, estão enfrentando as ´agruras´ descritas. Isso a Época não publica…

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J Souza

04 de junho de 2013 às 08h45

Vi uma notícia de que as vendas de caminhões aumentaram mais de 20%, em grande parte pela demanda do agronegócio, que apesar de ganhar mais, quer mais e mais terras de índios e não aceita a reforma agrária.
Ou seja, os ricos estão é cada vez mais ricos.
A única “crise” que existe no Brasil são as eleições de 2014.
Os tucanos devem estar com medo de perder o governo de SP e do PR (ao defender o agronegócio, Gleisi joga para a “galera” de seu Estado, que quer o dinheiro do agronegócio do bolso, e para os quais os índios são secundários. Alguém acha que o Richa vai defender os índios na campanha?), no mínimo… Só não vão perder MG porque lá o PT se “entregou” para o Aécio, e não se recuperou mais.
A única disputa consistente que haverá em 2014, como a gente já sabia em 2010, será entre Dilma e Eduardo Campos, com amplo favoritismo daquela, pois tem mais alianças do que Campos, que por sua vez dependerá do apoio de Aécio no 2º turno.

É por essas e outras burrices da mídia golpista que o Lula deita e rola na política!
Ao invés de pautar a mídia golpista e burra, a oposição é que é pautada por ela!
Ai, resta a ela sobreviver do reacionarismo de alguns Estados… Mas a cidade de São Paulo já mostrou que até o reacionarismo tem limites na tolerância à burrice!

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sergio m pinto

04 de junho de 2013 às 08h10

Essa situação me lembra a época do plano cruzado, que fez com que em um determinado momento a população tivesse mais dinheiro no bolso. Aí, como era de se esperar, houve um aumento súbito de demanda, causando a escalada de preços e os famosos ágios. É dessa época os “fiscais do Sarney”.
O resto foi o que se viu, situação que passou a mudar após 2003.

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Kazuhiro Uehara

04 de junho de 2013 às 08h07

UM Texto produzido para dividir as camada sociais com conflitos e agressões, objetivando mudar o rumo da politica economica, em contraposição ao mandato que fora eleito pela maioria da população. Mais uma tentativa de bombardeio midiatico repetitivo para a sabotagem do atual governo.

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Samir

04 de junho de 2013 às 08h06

Não foi apenas a decisão de acelerar a alta que surpreendeu na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de levar a taxa Selic para 8% a.a. Também foi surpreendente que a decisão tenha sido tomada por unanimidade. Um bom número de analistas esperava decisão dividida, como em abril, e a maior parte deles se inclinava por uma alta de 0,25%, sobretudo depois da divulgação da decepcionante variação do PIB, no primeiro trimestre do ano.

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Hildo

04 de junho de 2013 às 06h49

Saiu o superávit comercial em maio: caiu 74,3%; pior resultado no mês desde 2002. Será invenção da imprensa golkpista?

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    jose marcos

    04 de junho de 2013 às 14h42

    E a solução Hildo é ARROCHO salarial e desemprego. Lindo!!!! fantástico!!! a Europa que o diga. Estas solução de vocês nunca foi testada. Deve ser por aí….

    jose marcos

    04 de junho de 2013 às 14h45

    Em tempo Hildo: Voce por acaso lembra da balança comercial no período mais nefasto do Governo FHC quando a receita que voces pregam foi usada até a exaustão???? e olha que o mundo não estava na crise que esta hoje!!

    Eunice

    04 de junho de 2013 às 18h12

    Hildo,
    As contas externas estão chiando sim. Mas o assunto aqui é modo de vida melhorando….o modo interno.

    Mas deixa lá: Dilma acaba de dar um presente de 10% do PIB pro agronegócio. Que não gera emprego. Assim as contas vão fechar.

    leprechaun

    05 de junho de 2013 às 10h55

    mas o consumismo, ou melhor, a ‘realização dos sonhos de infância’ não deveria ser visto apenas como um paliativo e não como aumento da qualidade de vida? Foi a isso que a esquerda se reduziu? Importante seria medir como andam as relações sociais diretas, como as pessoas estranhas tratam-se nas ruas, o respeito, a educação, a tolerância, o grau de estresse nas grandes cidades, a ‘realização dos sonhos de infância’ interiores a cada indivíduo e não aqueles que se originam no fetiche da mercadoria e que só aliviam a angústia momentaneamente. Como estamos nesses quesitos?


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