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Ciro Gomes propõe taxar ricos e dividendos para pagar combate ao coronavírus e estimular economia
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Política

Ciro Gomes propõe taxar ricos e dividendos para pagar combate ao coronavírus e estimular economia


24/03/2020 - 15h23

Carta enviada pelo presidenciável Ciro Gomes ao presidente do PDT, Carlos Lupi:

Meu caro Lupi,

Seguem algumas ponderações acerca de o que poderíamos fazer em relação aos dois aspectos da crise que atravessamos: o sanitário e o sócio econômico.

Importante ressaltar que é falsa a afirmação que “primeiro a gente cuida da vida das pessoas, depois da economia”.

Também é terrivelmente falso que a gente “tem que cuidar da economia senão vai ser pior para os pobres”.

O que deveríamos fazer:

1 — Radicalizar as medidas de supressão de contato social;

2 — Importar URGENTE material para teste massivo da população;

3 — Importar urgente imensa quantidade de material de proteção a servidores da saúde mas também de outras categorias que poderão ter que ir às ruas;

4 — Mapear TODOS os leitos de hospitais privados, filantrópicos, santas casas e prepará-los para receber pacientes menos graves; preparar hospitais de campanha com leitos de retaguarda e isolamento para casos menos graves;

5 — Importar massivamente (ponte aérea com a FAB) respiradores e máquinas de UTI e fármacos pertinentes ao tratamento sintomático.
Parte disto está sendo feita mas o tempo aqui é critico! Só para se ter uma ideia, os atuais leitos de UTI no Brasil estão 95% ocupados hoje com outras morbidades. E treinar pessoal demora algum tempo. E tempo é tudo o que não temos e o que temos que ganhar.

SE o ISOLAMENTO RADICAL é a única forma de conter a velocidade genocida da contaminação, o socorro econômico às pessoas é parte central da reação à pandemia! É puro populismo ignorante falar coisa diferente!

O que fazer é conceitualmente simples neste ponto:

1 — Criar IMEDIATAMENTE um programa de renda mínima de acesso gradual mas veloz a todos os trabalhadores informais, autônomos e desempregados. Estamos estudando valores entre R$500,00 e R$800,00 mensais por pessoa, adstrito a dois beneficiários por família;

2 — Eduardo Moreira sugere uma forma operacional bem ágil e factível em poucos dias: a Caixa Econômica Federal lança um cartão de débito com este valor para cada uma dessas pessoas e, mediante condições (não desempregar ninguém, nem reduzir salário), o comércio se habilitaria a vender para quem possuir este cartão. (detalhes quase todos estudados);

3 — De onde viria o dinheiro: é consenso entre todos os economistas, mesmo conservadores, que nós não temos alternativa de não fazer uma pesada política fiscal anticíclica. O mundo todo está fazendo! No Brasil há dois ativos grandes e uma (ainda que pequena) margem de expansão da dívida pública. Aí estão as fontes: RESERVAS CAMBIAIS E TESOURO NACIONAL;

4 — Para começar, há hoje R$1,35 TRILHÃO no caixa único do tesouro nacional. Parte disto está já liberado (o suficiente para três meses da renda mínima, pelo menos equivalente a R$ 100 bilhões). A outra parte está vinculada a fundos, exigibilidades financeiras, regra de ouro, teto de gasto, enfim, travas institucionais perfeitamente removíveis por ação legislativa do Congresso Nacional ou liminares judiciais praticáveis ante o estado de calamidade pública já declarado;

5 — O equilíbrio futuro das contas deve ser debatido simultaneamente: imposto progressivo sobre grandes fortunas (entre 0,5% a 1,0% sobre patrimônios superiores a R$22 milhões de reais) e imposto de renda progressivo sobre lucros e dividendos empresariais, que juntos, arrecadariam POR ANO, ao redor de R$ 200 bilhões;

6 — Revisão seletiva e criteriosa das renúncias fiscais hoje existentes no valor de R$320 bilhões por ano. Manter para quem se comprometer a preservar empregos e salários.

Por agora é o que acho que vale a pena nos concentrarmos em agir.

Forte abraço,

Ciro

PS. Tudo o que sugerirmos junto com a atual burocracia do PT vão nos jogar na cara a justa pergunta de porque não se fez antes.

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4 comentários

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Zé Maria

24 de março de 2020 às 16h38

PGR e STF desvestem um santo para vestir outro …

R$ 1,6 BILHÃO
Fundo da Petrobras, que iria [- por que ainda não foi? -] para a Educação, será usado no combate ao coronavírus

Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que os recursos provenientes
do fundo da ‘lava jato’ devem ser utilizados para combater
o novo coronavírus.
A decisão, tomada neste domingo (22/3), atende a uma
solicitação feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Com a determinação, R$ 1,6 bilhão proveniente de
um acordo assinado pela Petrobras será direcionado
para que o Ministério da Saúde enfrente o surto da
Covid-19.
Originalmente, a quantia seria destinada ao Ministério da Educação.
https://www.conjur.com.br/2020-mar-22/fundo-petrobras-usado-combater-coronavirus

Responder

Zé Maria

24 de março de 2020 às 16h14

Somente os 208 Maiores Bilionários do País acumulam, juntos, uma Fortuna de Mais de R$ 1,2 TRILHÃO.
Que tal darem a sua parcela de colaboração contra a Epidemia?

Se bilionários pagarem 3% de suas fortunas, o Brasil
arrecada R$ 116 bilhões para combater coronavírus

Por Charles Alcântara*, no Portal Vermelho, via DCM

O Brasil possui 206 bilionários que, juntos, acumulam uma fortuna de mais de R$ 1,2 trilhão. Esses 206 bilionários pagam proporcionalmente menos impostos que a classe média e os pobres.

Se o país criasse um imposto de apenas 3% por ano sobre a fortuna de R$ 1,2 trilhão, seria possível arrecadar R$ 36 bilhões anuais, valor superior ao orçamento de 1 ano de todo o programa Bolsa-Família.

A soma de toda a riqueza das famílias brasileiras é de cerca de R$ 16 trilhões, estando a quase metade de toda essa riqueza – ou seja, R$ 8 trilhões – nas mãos de apenas 1 % das famílias.

Se o país taxasse o patrimônio trilionário dessas famílias em apenas 1%, seria possível arrecadar R$ 80 bilhões, o que equivale ao valor de toda a receita estimada em 2020 para o Estado de Minas Gerais, o segundo mais populoso do Brasil, com mais de 20 milhões de habitantes.

Façam as contas: R$ 36 bilhões cobrados sobre a renda dos 206 bilionários (+) R$ 80 bilhões cobrados sobre o patrimônio do 1% das famílias mais ricas (=) R$ 116 bilhões.

Esses R$ 116 bilhões a mais nos cofres públicos sequer representam sacrifício para esse punhado de bilionários, mas equivale a praticamente todo o orçamento federal da saúde.

Se chamados a contribuir um pouquinho mais com o país, garanto que nenhum desses bilionários deixaria de frequentar os melhores restaurantes do mundo, satisfazer todos os seus desejos mais extravagantes ou deslocar-se nos seus jatinhos executivos de última geração.

Os donos do jornal O Globo fazem parte dos 206 bilionários e também das famílias brasileiras que detém, juntas, um patrimônio de R$ 8 trilhões.

Em editorial publicado no jornal de sua propriedade, edição desta sexta-feira (20), a bilionária família Marinho defendeu a redução dos salários dos servidores públicos como forma de colaborar com a crise gerada pela pandemia da Covid-19.

A família Marinho não se dispõe a abrir mão de uma parcela insignificante da sua fortuna para ajudar o país, mas se acha no direito de propor que os servidores públicos sejam confiscados em seus salários.

A contribuição em termos monetários que O Globo se dispôs a oferecer ao país num momento tão dramático foi um editorial indigno, desonesto e covarde.

Cada um dá o que tem, não é mesmo?

*Charles Alcântara é Presidente da Federação Nacional
do Fisco Estadual e Distrital (http://www.fenafisco.org.br)

Responder

    ercilia brasil

    24 de março de 2020 às 20h55

    Pois é. Mas eles preferem tirar do trabalhador, do servidor público porque esses têm apanhado calado. Não reagem. Ao contrário do que faz a turma de cima: elege presidente, deputado e senador para que seus privilégios e riqueza permaneçam intocáveis.


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