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Celso Amorim: Governo Lula evitou racha na Bolívia, mas agora Brasil apoia governo que atira primeiro, pergunta depois e pode causar guerra civil
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Política

Celso Amorim: Governo Lula evitou racha na Bolívia, mas agora Brasil apoia governo que atira primeiro, pergunta depois e pode causar guerra civil


18/11/2019 - 19h00

Da Redação

Em entrevista exclusiva ao Viomundo e ao Conversa Afiada, o ex-chanceler Celso Amorim disse hoje que a Bolívia caminha para a guerra civil, a não ser que haja intervenção diplomática das Nações Unidas — o que, através de informações obtidas informalmente, o diplomata brasileiro acredita que está em vias de acontecer.

Há relatos da adesão de militares em número indefinido a marchas de manifestantes que se dirigem de cidades da Bolívia a La Paz.

Há muitos indígenas nos quadros do Exército.

Militares e policiais receberam anistia antecipada do governo da autointitulada presidente Jeanine Añez, no caso de atirarem para matar, num decreto que Celso Amorim definiu como a versão boliviana da “Lei Moro”.

O ministro da Justiça de Jair Bolsonaro tentou atenuar, no Brasil, a punição a policiais que matassem no exercício de suas funções, que não passou no Congresso.

Na Bolívia, a autointitulada Añez atropelou a Constituição para assumir o cargo, age apoiada por paramilitares, policiais e soldados do e tenta acelerar um processo eleitoral que exclua partidários do presidente Evo Morales e de seu Movimento ao Socialismo (MAS) das eleições.

O MAS detém maioria de 2/3 nas duas casas do Congresso.

Na entrevista, Celso Amorim relembrou o período em que a diplomacia brasileira agiu através da Unasul para apaziguar a Bolívia, que viveu um grande confrontação entre os apoiadores andinos de Evo Morales e a região da Meia Lua, de Santa Cruz de La Sierra, assim que o presidente indígena foi eleito pela primeira vez, em 2006.

O golpe de 2019, deflagrado depois que Evo conquistou um quarto mandato, foi uma reprise do racha — desta vez, já são 24 mortos desde que o presidente renunciou e buscou exílio no México.

“Naquela época o Brasil atuava como mediador. Hoje o Brasil toma partido antes, sem saber nem de quem está tomando partido”, resumiu Celso Amorim, numa referência ao governo de Jair Bolsonaro.

O chanceler Ernesto Araújo reuniu-se em maio deste ano com Luís Fernando “Macho” Camacho, um dos líderes do golpe na Bolívia, e concordou em questionar na OEA uma decisão tomada pelo Tribunal Constitucional boliviano à luz da carta dos Direitos Humanos.

Na ocasião, Camacho divulgou um vídeo dizendo que o Brasil era o garantidor da Constituição boliviana e que tinha recebido “instruções” inespecíficas de Araújo.

A Corte boliviana considerou uma violação dos Direitos de Evo Morales a limitação do número de mandatos que o líder indígena poderia exercer.

Evo concorreu ao quarto mandato com respaldo da OEA, venceu, concordou em anular o pleito e convocar novas eleições quando o organismo apontou “irregularidades”, mas mesmo assim os opositores optaram por ocupar o poder à força, com apoio do Brasil e dos Estados Unidos.

A Bolívia é grande fornecedora de gás natural para a indústria paulista. Para beneficiar a maioria aimará e quéchua, Evo Morales nacionalizou refinarias e aumentou em 10% o preço do gás.

Presidiu um período de grande crescimento e estabilidade econômica, mas também da explosão do ressentimento de mestiços e brancos da planície contra os indígenas andinos beneficiários de programas sociais.

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1 comentário

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Zé Maria

19 de novembro de 2019 às 16h54

https://twitter.com/i/status/1196574337635147777

“Oponho-me à intervenção das forças de segurança da Bolívia
no processo democrático e à repressão dos manifestantes indígenas.
Quando os militares intervieram e sugeriram ao Presidente Evo Morales
que fosse embora, a meu ver, isso se chama golpe.”

Senador Democrata Bernie Sanders
Pré-Candidato a Presidente dos EUA

https://twitter.com/SenSanders/status/1196574337635147777

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