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Carta Maior: O portal da participação popular


15/06/2011 - 12h52

Política| 14/06/2011 | Copyleft

Governo quer atrair movimentos sociais ‘desorganizados’ da internet

Acostumada a dialogar com movimentos sociais conhecidos, Secretaria Geral da Presidência pretende usar internet para atingir brasileiros que querem paricipar da vida pública mas não se sentem representados por partidos, mídia ou entidades tradicionais. Plano é criar um Portal de Participação Social em 2012 para levar voz da internet para dentro do Palácio do Planalto e incorporá-la à construção de políticas públicas.

André Barrocal, na Carta Maior

BRASÍLIA – A missão principal da Secretaria Geral da Presidência da República é aproximar o governo dos movimentos sociais, para que políticas públicas sejam, em algum grau, permeáveis a reivindicações populares. Seus interlocutores frequentes são centrais sindicais (CUT e Força Sindical, por exemplo), estudantes (UNE), camponeses (Contag), sem-terras (MST), índios (Cimi). Enfim, grupos de interesse organizados em entidades conhecidas.

A Secretaria Geral pretende, agora, ampliar a clientela e levar para dentro do Palácio do Planalto movimentos sociais “desorganizados”. Aqueles que, de forma anárquica e espontânea, nascem e manifestam-se pela internet. E que são desprovidos de vínculo com instâncias tradicionais no debate público, como os partidos políticos, a mídia ou os sindicatos.

O objetivo da Secretaria Geral – que lembra a ação feita pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na eleição norte-americana em 2008 – consta do planejamento estratégico dela para 2011. Caso se desenvolva como previsto, deve se materializar em 2012, com a criação de um “portal de participação social”, como já está sendo chamado.

“A idéia é ampliar a democracia. Os instrumentos tradicionais da democracia, sozinhos, hoje não dão mais conta da realidade”, diz Ricardo Poppi, responsável pelo projeto na Secretaria Nacional de Articulação Social, da Secretaria Geral. “A internet é o espaço por execelência de um novo tipo de representação, que é mais utópica, mais direta, como vimos nos países árabes no começo do ano.”

O projeto ainda é embrionário, mas Poppi já antecipa o que lhe vai pela cabeça sobre o futuro portal. Seria um espaço de consulta pública permanente, uma espécie de “ágora grega” virtual, onde as pessoas opinariam e deixariam críticas ou sugestões sobre temas propostos pelo governo ou que elas mesmas considerem importantes. Funcionaria ainda como um grande arquivo sobre as conferências nacionais patrocinadas pelo governo (juventude, comunicação, LGBT, por exemplo).

Algo parecido foi adotado recentemente pelo governo do Rio Grande do Sul, que montou um Gabinete Digital (um portal). Nele, os internautas podem fazer perguntas e escolher uma por mês para o governador Tarso Genro responder. A intenção do governo gaúcho não é tratar as perguntas como algo protocolar, mas incorporá-las efetivamente à agenda administrativa.

A Secretaria Geral pretende que aconteça o mesmo no governo da presidenta Dilma Rousseff. “O portal vai permitir que as pessoas tenham participação política e influenciem a formulação e a implementação de políticas públicas”, afirma Poppi. “Elas vão poder poder pautar o governo com temas que nem a imprensa nem a burocracia tinham percebido”, completa.

Com formação de nível médio em telecomunicações e de nível superior em ciência política, Poppi trabalhou anteriormente no ministério da Justiça, na coordenação de consultas públicas digitais. A proposta de Lei da Internet, ou de “marco civil” como o ministério a chama, passou por consulta coordenada por ele na qual houve mais de duas mil contribuições.

Para Poppi, a tecnologia digital pode ser um meio extraordinário de participação política. Cita como exemplo um episódio recente envolvendo uma professora do Rio Grande do Norte chamada Amanda Gurgel.

Em audiência pública na Assembléia Legislativa sobre salário dos professores, ela fez um discurso forte sobre a realidade da categoria que constrangeu os parlamentares. O vídeo com a manifestação foi parar no youtube, virou hit na internet e tornou-se assunto discutido pela população em mesa de bar. “Se não fosse a tecnologia, a fala dessa professora teria impacto apenas local”, afirma Poppi.





20 comentários

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Denise Romano

16 de junho de 2011 às 22h04

Em Minas Gerais o governados Anastasia enfrenta 8 dias de greve da rede estadual de educação.Agreve continua apos assembleia de hj dia 16.A imprensa é controlada pelo governo e publica muito pouco sobre as mazelas da educação em Minas.Aécio nao é mais governador mas ainda amordaça os meios de comunicação.

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Denise Romano

16 de junho de 2011 às 22h00

http://www.sindutemg.org.br/pubhtml/informa35_16_
Minas Gerais paga o pior piso salarial do Brasil .

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Elisabeth

16 de junho de 2011 às 19h40

Uau! Gostando de ver !!!! O caminho é esse! Portal Digital do governo na internet é uma excelente idéia! Eu já sou fã do blog do planalto, precisa é mais interação … Um portal interativo como o gabinete digital do governo do RS , seria uma boa idéia! So discordo que nós da internet, somos tão “desorganizados’ assim! rs Na verdade esta acontecendo encontros e novas formas de reivindicações e formas de manifestar. As pessoas estão se unindo em suas vontades para agir!

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vera oliveria

16 de junho de 2011 às 13h28

muito boa,mas deveria ser pra ontem

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soninha

16 de junho de 2011 às 12h39

o governo podia entao explicar porque tem sistematicamente DESRESPEITADO a vontade popular democraticamente expressa por exemplo em conferencias e conselhos. Foi assim no caso dos transgenicos, e agora no caso da semente terminator cujo projeto Candido Vacarezza pediu para desarquivar, apesar do conselho de segurança alimentar e nutricional ter feito uma recomendação para respeitar a decisão do governo de assinar a moratoria internacional de nao usar tal semente.

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Governo Federal planeja Portal de Participação Popular | Mundoutro

16 de junho de 2011 às 08h04

[…] matéria da Carta Maior (via Vi o Mundo), o Governo Federal finalmente está atentando para os cidadãos que não fazem parte de […]

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Marcos

16 de junho de 2011 às 00h27

Louvável a iniciativa do governo e não vejo a hora de ver o portal funcionando. Mas é preciso lembrar que a professora Amanda Gurgel, citada na matéria, não tem nada de "anárquico e espontâneo" em sua atuação. É filiada ao PSTU e participa ativamente das reivindicações de sua categoria, especialmente junto ao sindicato. Está bem o governo dar ouvidos às vias não institucionais, mas estaria melhor ainda que desse ouvidos também às vias institucionais já existentes. Afinal de contas, o governo Dilma sequer se manifestou sobre as condenações do Brasil na OEA sobre a lei da anistia e a usina de Belo Monte.

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dukrai

15 de junho de 2011 às 19h57

legal, podia começar explicando porque deixou seguir a votação do Código Florestal, se a proposta do comuno-ruralista aldo rebelo piorou a situação e fez a festa da direita reaça latifundiária.

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Vinícius

15 de junho de 2011 às 16h54

Maravilhoso. Na minha opinião não vem tarde não, o governo não tem 6 meses, 3 meses descontando o tempo pré-Carnaval.

Agora a luta é pra o sistema funcionar mesmo. Vão existir pedras no caminho, por exemplo, o risco de virar caixinha de sugestões; e a manipulação das opiniões na internet por terceiros, que já é tendência, já é área de atuação para algumas pessoas (soldados dos EUA e funcionários do governo chinês já fazem), vai acabar virando ciência.

Mas se der certo, teoricamente poderia ser a pá na cal na "invisibilidade social" de muita gente.

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Ronaldo Cananéia

15 de junho de 2011 às 16h29

O governo do PT não atende as reinvidicações dos movimentos organizados, e agora quer atender os desorganizados? Brincadeirinha né?

Como sou participante de um movimento desorganizado, aquele dos cidadãos indignados com a política alimentar deste governo, faço minha primeira demanda: acordar para os transgênicos e para os agrotóxicos, que comprovadamente atentam contra a saúde dos brasileiros.

Quero ver o PT contrariar os agrotubarões e ficar do lado do povo. Só se for no dia do São Nunca.

Não vou comentar sobre os juros e os bancos, Deixo para outro desorganizado . . .

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nalia

15 de junho de 2011 às 15h39

2012 lá longe portanto, porque não já? Ë tão dificil assim um portal para o governo? E 2012 tem eleicões né, se não for mais um melzinho na chupeta p adocicar a nossa boca depois dar as costas p gente… Esse canal de comunicacão com o povo está muito atrasado já devia existir com o Lula e até agora nada, não me parece que o governo faca questão de ouvir nossas opiniões a julgar pela rapidez p implantar, será o hibernardo que está a frente? Isso explicaria a ligeireza…

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Alex

15 de junho de 2011 às 15h39

Apenas uma observação: o subtítulo "o exemplo de Amanda Gurgel" é equivocado, já que a mesma é filiada e militante do PSTU. De qualquer sorte, é interessante observar essa ação governamental justamente num momento em que se acirram algumas posições antagônicas entre as plataformas dos movimentos social e sindical frente às iniciativas do Governo Dilma…há, sem dúvida, um conjunto novo de atores que emergiu durante a recuperação econômica do Governo Lula, desatrelados muitas vezes dos sindicatos e centrais, bem como de outras entidades (basta ver o exemplo dos ProUnistas, muitas vezes atuando descolados da UNE) e que representam uma base social mais permeável ao discurso oficial muitas vezes…ou que podem se inspirar nos exemplos das rebeliões árabe e na acampada espanhola…incógnita, desafio para aas lideranças, novos protagonismos…definitivamente, um novo cenário…

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    Maria Luiza

    15 de junho de 2011 às 17h40

    Não concordo que o subtítulo é equivocado pelo fato da professora Amanda Gurgel ser filiada ao PSTU. Poderia ser filiada e militante de qualquer partido ou de nenhum, porque o que causou impacto foi o discurso dela como professora e cidadã. Não foi uma ação de partido, coletiva, mas uma ação isolada, individual. Creio que não estava a professora naquela assembléia, representando seu partido, mas como cidadã participativa e reivindicado melhores salários e condições de trabalho para sua categoria. Se a moça fosse uma professora alienada política, acomodada, é provável que nem tivesse participado do evento no qual se encontrava, muito menos para fazer um discurso. Amanda é, sem dúvida, um exemplo a ser seguido. Afinal, a democracia é ou não o regime da palavra?

    Alex

    16 de junho de 2011 às 09h18

    Cara Maria Luiza, acompanhe pelo portal do PSTU o destaque que o Partido tem dado a ela, levando-a a todas as greves e manifestações possíveis (o que o faz corretamente), portanto, ela não se encaixa exatamente no perfil do ativista que o governo pretende se aproximar, só isso. Afinal, apesar de linguaguem clara, concisa, por trás havia uma construção política e ideológica que se inspira da doutrina partidária. Seu discurso na Assembléia Legislativa do RN (como moembro do comando de greve) não foi objeto de espontaneísmo, tampouco um lampejo de genialidade ou indignação pura e simples. Simples assim.

    Maria Luiza

    17 de junho de 2011 às 02h40

    Obrigada pela informação, Alex.

FrancoAtirador

15 de junho de 2011 às 15h37

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A LÓGICA DAS FINANÇAS: A BASTILHA DO NOSSO TEMPO

"Sem-vergonhas! Vocês não nos representam!"
(gritos de milhares de manifestantes entrincheirados em barricadas diante do Parlamento catalão nesta quarta-feira.)

O protesto tentava impedir a votação do novo orçamento da Catalunha com cortes de 10% nos gastos públicos. A mesma lógica se multiplica por toda a Espanha, com protestos em igual intensidade.

Manifestantes lutam contra cortes generalizados nos serviços públicos.

A lógica do Estado mínimo para a população, com atendimento máximo dos rentistas, prolifera no ambiente europeu acendendo um rastilho de descrença nas instituições e nos partidos que agem como aplicativos do FMI. Pelo mesmo motivo o parlamento foi cercado na Islândia.

E a Grécia enfrenta uma greve geral nesse momento.

O desemprego da juventude é o pavio da explosão.

Mais de 40% dos espanhóis com idade até 25 anos estão sem trabalho.

O chefe do governo catalão, Artur Mas, precisou ser levado ao Parlamento em helicóptero da polícia para liderar a sessão de arrocho fiscal.

Parece 1789, mas é a Europa do século 21.

(Carta Maior; 4º feira,15/06/ 2011)

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enio

15 de junho de 2011 às 15h16

Se entendi estão afirmando que a internet foi responsável pelas tensões e quedas no mundo árabe. Pô assim fica fácil lutar e transformar as realidades. É só comprar um computador e ter uma assinatura de banda larga no Egito, é claro, porque no Brasil a coisa anda em outras bandas. E a política estúpido e a economia, meu?

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mverissimoalves

15 de junho de 2011 às 13h54

A idéia é excelente, mas Dilma já poderia saber de todas as discussoes que rolam no Twitter com sua militância. Depois que entrou no gabinete, se distanciou do Twitter (se é que era ela mesma que tuitava, na época das eleiçoes) e começou a fazer coisas que nos deixam de cabelo em pé – vide Infraero, a total falta de iniciativa acerca da ley de medios e a intençao de entregar a banda larga para a iniciativa privada, sem contar com a ira de boa parte da militância por sua lua-de-mel com o PIG.

Outro bom termômetro sobre suas açoes junto à militância é a leitura de blogs "sujos", "progressistas" ou seja lá o nome que se queira dar a estes blogs – este fazendo parte do longo rol – e, principalmente, os comentários sobre as matérias. Se Dilma nao tem tempo de ler nem tuitar, entao que contrate ou designe assessores especialmente dedicados ao cargo, e que estejam devidamente familiarizados com a dinâmica das diferentes redes sociais. Uma espécie de "ombudsmen" da presidência, que seriam encarregados de levar mesmo as críticas, por mais duras que sejam, a seu conhecimento. Falta esse contato com a militância, que me parece que Dilma perdeu totalmente após sua posse.

E a palavra 'desorganizados' é uma falácia. Só nao somos centralizados, mas estamos longe de sermos desorganizados – pelo menos uma parte de nós, militantes.

Vem tarde, esta iniciativa. O problema é que pode acabar vindo tarde demais, se a coisa nao for devidamente agilizada. A possibilidade de efetiva participaçao e opiniao popular é louvável – desde que saia da esfera das boas intençoes. É o que espera este militante um tanto desiludido com as atitudes de mi presidenta, mas ainda esperançoso que Dona Dilma tome tento e se oriente na direçao correta, aquela que tínhamos em mente quando a elegemos.

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    Kleber

    15 de junho de 2011 às 15h35

    Concordo plenamente com vc e assino embaixo, vamos ser a vanguarda do pensamento digital na presidência da república.

kalango Bakunin

15 de junho de 2011 às 13h03

ixi, o PIG e a opigsição vão grunhir alto

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