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Diário da Resistência


Cappelli: Com ataques ao STF e Congresso, ainda pode piorar
Nelson Jr./SCO/STF
Política

Cappelli: Com ataques ao STF e Congresso, ainda pode piorar


17/04/2019 - 22h14

Uma longa travessia

As últimas pesquisas fornecem algumas pistas de para onde podemos estar indo. Os militares possuem o maior nível de confiança da população (66%). O Senado (17%), a Câmara (11%) e os partidos (7%) são as instituições de menor prestígio.

Por Ricardo Cappelli*, via Vermelho

Sérgio Moro (59%) segue sendo o político mais popular do Brasil. Bolsonaro encolheu. Apesar disto, o presidente representa a nova política para 61%.

A maioria considera que ele deve endurecer ou manter como está sua relação com o Congresso.

Metade da população considera que os governos Lula e Dilma são os responsáveis pela crise.

A democracia é uma invenção humana, uma construção dos sapiens, espécie dotada da capacidade de acreditar e cooperar em torno de abstrações.

Para a grande maioria do povo, ela é apenas meio para a melhoria de sua condição de vida. Seu João e Dona Maria participam da democracia apenas de dois em dois anos quando, obrigados, votam.

A democracia, na sua plenitude, é exercida por uma elite.

Como dizia Churchill, “é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais”. Mas, e se a democracia não funcionar?

O Brasil passou por três presidentes nos últimos quatro anos. Aguentaria o quarto, numa eventual queda de Bolsonaro? Ou seria mais um fracasso da alternativa democrática?

Roma foi uma República exitosa durante séculos, até que uma guerra pelo poder dividiu os romanos.

A disputa entre Júlio César e Pompeu Magno gerou um vácuo de poder. O caos administrativo teve como conseqüência fome e desesperança.

Quando César voltou a Roma vitorioso e colocou ordem na casa, saciando a fome do povo, sentiu que poderia governar sozinho.

O Senado, manchado por denúncias de corrupção e inoperância, foi obrigado a se dobrar diante do autoproclamado ditador.

O povo apoiou César. Ele manteve o Senado, esvaziando seus poderes. Os senadores, inconformados, assassinaram o mito com 23 facadas. Foi inútil. O destino da República já estava selado. Os Imperadores estavam a caminho.

Os movimentos de junho de 2013 formaram uma poderosa onda anti-sistema. Bolsonaro é apenas o surfista que pegou a onda certa. Não domina e está longe de ser a própria onda.

A esquerda, no governo, era a representação do sistema a ser derrubado. Com a economia crescendo foi possível enfrentar a onda.

Quando o emprego faltou, a narrativa da corrupção como “causa sistêmica” finalmente triunfou.

Mas, e se mesmo com o triunfo do “combate à corrupção” o país não voltar a crescer?

Os ataques sistemáticos ao Congresso Nacional e ao STF dão pistas de quem serão os próximos culpados engolidos pela onda.

O horizonte não é nada promissor. O Itaú revisou sua expectativa para o PIB deste ano para +1,3%. A capacidade ociosa da indústria beira os 40%.

O consumo das famílias já recuou 5,2% em 2019. A retomada do crescimento é uma miragem.

Na contramão da política de austeridade e desmonte, Bolsonaro anunciou a contratação de mil novos policiais federais e nomeou um delegado da PF para a chefia do Inep.

É pouco provável que os militares embarquem numa aventura aberta contra as instituições democráticas, mas com um Estado Policial sendo montado –- que coloca faca até mesmo no pescoço de ministros do STF –, será preciso se expor? O destino da República está selado?

Levará tempo para que o povo consiga diagnosticar corretamente o fenômeno e suas causas. Por enquanto, vai sendo manipulado numa brutal guerra semiótica.

Tudo indica que o desfecho da crise, infelizmente, pode ser ainda pior. A travessia será longa. A onda parece estar longe do fim.

*Ricardo Cappelli é secretário da representação do governo do Maranhão em Brasília e foi presidente da União Nacional dos Estudantes.

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4 comentários

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Zé Maria

21 de abril de 2019 às 00h16

“Esses metaleiros fascistas vão tudo se arrepender.
Como esses caras dizem ser satanistas, escutam black metal,
falam que são fãs do capeta e tal, mas apoiam cristão fundamentalista?
Os caras são loucos”
“A gente não tem conversa com fascista. É paulada”

João Gordo

https://twitter.com/DCM_online/status/1119383025815519234

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Zé Maria

20 de abril de 2019 às 23h58

https://pbs.twimg.com/media/D4pHc2TW0AE3wJM.jpghttps://pbs.twimg.com/media/D4pHc2TW0AE3wJM.jpg
Nada mais adequada do que a comparação do Jair Bolsonaro
com os Racistas, Homofóbicos e Xenófobos dos GunsAndRoses
feita pelos BolsoAsnos Fascistas, sem nem saberem do que se trata.
https://www.vagalume.com.br/guns-n-roses/one-in-a-million-traducao.html

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Nelson

18 de abril de 2019 às 23h45

A matéria, publicada aqui mesmo neste Viomundo, em https://www.viomundo.com.br/denuncias/investigacao-concluida-tiros-que-ninguem-disparou-mataram-oito-pessoas-no-rio.html, nos dá boa medida do nível de degradação institucional a que já chegamos.

Nível que tende a cair ainda mais com a desestruturação completa do país que Temer iniciou com o golpe e que Bolsonaro trata de dar sequência.

Trata-se de instituições, a Polícia Civil, o MP e o Exército, que, ainda que não sendo perfeitas, o que é natural, deveriam manter um grau bastante satisfatório de confiabilidade.

Contudo, o que o resultado dos inquéritos deixa transparecer é que tais instituições partiram para o vale tudo, e se colocaram, cada uma delas, a “tirarem o corpo fora”.

Ao que parece, a essas instituições – ou a quem está no seu comando – não interessa se acabem caindo em total descrédito perante a população e, como consequência, só agravem a crise institucional e de credibilidade em que já estamos afundados.

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Zé Maria

18 de abril de 2019 às 22h38

Fragilização da imagem do STF
é resultado da agenda que escolheu

“O Supremo hoje tem um altíssimo custo para decidir
[sob ameaças da Extrema Direita Lavajateira]:
votos favoráveis à criminalização da homofobia
viraram pedidos de impeachment de ministros,
a definição da competência para julgar
crimes comuns conexos aos eleitorais
se transmutou em atos públicos
contra o tribunal por todo país
e o julgamento sobre prisão após condenação
em segunda instância dificilmente será realizado
por receio de apedrejamento do tribunal
[pelos NaziFascistas Bolsomorianos].”

Por Eloísa Machado de Almeida, na Folha via GGN

https://twitter.com/luisnassif/status/1118991730009870336

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