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Candidato a prefeito de Fortaleza, deputado Capitão Wagner foi a Sobral com colegas bolsonaristas para acusar Cid
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Candidato a prefeito de Fortaleza, deputado Capitão Wagner foi a Sobral com colegas bolsonaristas para acusar Cid


20/02/2020 - 11h38

Da Redação

Mal o senador licenciado Cid Gomes tinha dado entrada no hospital, em Sobral, no interior do Ceará, dois deputados federais, do Amazonas e do Rio de Janeiro, já estavam na cidade.

A major Fabiana (PSL-RJ) e o capitão Alberto Neto (Republicanos-AM) estavam no Ceará quando o motim dos PMs contra o governo foi iniciado, no dia anterior.

Eles acompanharam o deputado capitão Wagner (Pros-CE) a uma delegacia de Sobral para fazer um boletim de ocorrências contra Cid Gomes, informou a CartaCapital.

Cid Gomes foi alvejado com dois tiros depois de usar uma retroescavadeira para tentar romper uma barreira de policiais amotinados que ocupavam a sede de um batalhão da PM na cidade.

O capitão Wagner é um dos favoritos na disputa eleitoral pela Prefeitura de Fortaleza em 2020. Deve enfrentar no segundo turno um representante da família Gomes, que domina politicamente o Ceará. O candidato ainda não foi escolhido.

Os Gomes governam Sobral com o irmão Ivo. Roberto Cláudio ocupa a prefeitura de Fortaleza. O governo estadual está com um aliado, o petista Camilo Santana.

Ivo reagiu ao ataque contra o irmão culpando o Congresso: “Há dez anos, houve um caso semelhante, no Ceará e na Bahia. Depois de tudo isso, de tudo o que fizeram, todos foram anistiados pelo Congresso”.

Cid Gomes está fora de perigo, transferido da UTI para uma enfermaria de um hospital em Sobral. Os PMs amotinados abandonaram o quartel depois que circulou a informação de que a Secretaria de Segurança Pública deslocaria o Batalhão de Choque para desocupar o lugar.

Ciro Gomes, em rede social, atacou o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que classificou a atitude de Cid de “insensata”.

“Deputado Eduardo Bolsonaro, será necessário que nos matem mesmo antes de permitirmos que milícias controlem o Estado do Ceará como os canalhas de sua familia fizeram com o Rio de Janeiro”, afirmou Ciro, usando seu trator retórico.

A deputada federal major Fabiana serviu como secretária de Vitimização do governo de Wilson Witzel, no Rio.

Ao deixar o cargo e retomar o mandato de deputada federal, escreveu: 

Reconheço a liderança do Dep Eduardo Bolsonaro para o PSL, sei que o momento é de unirmos forças, bem como ressalto a sensibilidade do Governador do Rio para a consolidação de políticas públicas na área de Vitimização, com a gratidão devida. Sou e serei eternamente leal à Família Bolsonaro, e retorno nesta data para bem cumprir meu papel em apoiar todas as decisões de Jair Bolsonaro, eleito democraticamente por milhões de brasileiros honestos e idealistas.

Quando ainda não tinha entrado na política, com mais de 500 mil seguidores no Facebook, o capitão Alberto Neto afirmou, sobre Jair Bolsonaro: “A população olha para o Bolsonaro e vê um cara que não tem medo de enfrentar os problemas do Brasil, diferente de outros políticos que humanizam demais a questão. Eles preferem trazer soluções teóricas enquanto Bolsonaro surge como uma figura de xerife que vai colocar ondem na casa, onde bandido não vai ter vez. Olho para o deputado e vejo um homem com ficha limpa e que tem coragem para enfrentar o problema da segurança pública”.

O deputado capitão Wagner disse que os tiros disparados contra Cid Gomes foram em “legítima defesa”.

Porém, um vídeo filmado de dentro do quartel mostra que os atiradores estavam distantes da retroescavadeira quando Cid investiu com a máquina contra a barreira de amotinados.

Na noite do confronto em Sobral, os três parlamentares voltaram a Fortaleza e tentaram audiência com o governador Camilo Santana, mas foram rejeitados.

Estavam com dois integrantes do governo Bolsonaro, o secretário nacional de Proteção Global, Sérgio Queiroz,  e o diretor de Proteção e Defesa de Direitos Humanos, Herbert Barros.

Os dois servem ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, sob Damares Alves. 

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4 comentários

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Morvan

23 de fevereiro de 2020 às 22h43

Aqui no Ceará, a festa, por assim dizer, está de popa a proa. A polícia, com ou sem capuz, boicota. Mortos: saldo similar a qualquer país[eco] em guerra [declarada].
Segundo O Povo, 122 (Cento e vinte e duas!) pessoas foram assassinadas, desde o início do motim policial!
Zona de guerra. Tão “seguro” como morar no Condomínio Rio das Pedras (nos peito (Sic!)).

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Saulo Gomes

20 de fevereiro de 2020 às 20h26

Pode fazer greve com arma de fogo no meio do povo civil ?
Se vao para greve pq nao vao desarmados e deixam as armas com o Estado.
Olha o perigo iminente de ter um furdunço na multidao com um monte de gente armada. Isso nao é rasoavel. É extremamente perigoso. O risco de sindicatos rivais brigarem numa manifestação de classe é bem grande.
Fazer greve portando uma arma de fogo é extremamente arriscado até para os parentes dos policiais.
Que categoria faz greve usando armas de fogo. Só isso aí ja pega mal.
O exercito pode levar o tanque a greve ‘tá ok’ qdo quiserem aumento.
Vai entender …
É algo completamente irracional. Quem atirou nunca deve ter pensado nesse possivel confronto.

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Zé Maria

20 de fevereiro de 2020 às 18h53

“Repudio o atentado contra Cid Gomes.
A tentativa de homicídio de um Senador da República pode levar a um ambiente
de descontrole e violência não apenas no Ceará, mas no país. Policiais armados
e mascarados não são grevistas, são criminosos, e como tal devem ser detidos e punidos.”

“Vários estados registram indisciplina e abusos nas PMs,
até com o apoio de autoridades (no RJ e SP).
Quem atirou no Senador sentia-se amparado na autoridade federal
que apoia a violência e a elogia.
Amplia essa percepção a relação com milicianos
e a defesa da liberação de armas.”

“O governo incentiva a intolerância num clima de permanente conflito,
que se expressa no repúdio à cultura, na criminalização da educação,
no extermínio dos programas sociais, na liquidação dos direitos laborais
e previdenciários, na destruição da Amazônia e dos povos indígenas.”

“Acrescente-se ainda as manifestações favoráveis à tortura e aos torturadores
e a mais descarada misoginia com que as mulheres estão sendo tratadas
pelo Presidente, como demonstra seu comportamento para
com a Maria do Rosário e com a jornalista Patrícia Campos Mello.”

“O perigo é que uma crise de autoridade nos estados, com policiais amotinados,
armados e aterrorizando a população, vire ingrediente para uma situação propícia
a aventuras e golpes.
Seria uma grave ameaça à democracia, produzindo a instabilidade política
que leva às ditaduras.”

DILMA VANA ROUSSEFF, Presidente da República do Brasil, Eleita em 2010,
Reeleita em 2014, pelo Voto Popular Direto e Livre de Fake News,
e Derrubada do Cargo por um Golpe de Estado em 2016.

https://twitter.com/dilmabr/status/1230493354036781057
https://twitter.com/dilmabr/status/1230493355722903553
https://twitter.com/dilmabr/status/1230493357425688582
https://twitter.com/dilmabr/status/1230493359271219202
https://twitter.com/dilmabr/status/1230493360982515712

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Darcy Brasil

20 de fevereiro de 2020 às 18h03

Pela patente que ostentam, são provavelmente membros do Estado Maior das milícias brasileiras, uma organização criminosa clandestina que, de certa forma, por causa da vitória do miliciano Jair Bolsonaro, podemos conhecer alguns rostos como esses, circulando leve e soltos, como se homens de bem fossem. Pena não contarmos com um serviço de inteligência de gabarito para, a partir de pontas como essas, chegarmos até todos os cabeças das milícias brasileiras, desvelando esse submundo do crime, formado por bandidos fardados que ousaram assaltar o Estado por dentro. Gostaria que os policiais anti fascistas tivessem competência para exercer essa tarefa investigatória. Reparem os Estados de que os dois procedem, Rio de Janeiro, onde a polícia mata cerca de 10 pessoas por 100 mil habitantes (existe algum lugar no resto do mundo que conheça taxas maiores que essa?) e Amazonas, onde ocorreram chacinas em presídios. O Brasil somente será um país democrático se extirpar esse câncer que, na minha opinião, não deveríamos chamar de milícias, mas de máfia paramilitar, que vendeu seus serviços de mercenários aos banqueiros, ruralistas e ianques, configurando uma estranha aliança entre o Bradesco, o Itau, os ruralistas, a CIA e as milicias de Rio das Pedras..

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