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Laranjal do PSL em Pernambuco volta a assombrar Bolsonaro e representa mais perigo que Queiroz e a gravação de condomínio
Mariana, Erica, Lourdes e Queiroz podem levar Bolsonaro para o buraco. Fotos TSE/Redes sociais.
Política

Laranjal do PSL em Pernambuco volta a assombrar Bolsonaro e representa mais perigo que Queiroz e a gravação de condomínio


03/11/2019 - 15h38

Da Redação

O laranjal do PSL em Pernambuco volta a assombrar Jair Bolsonaro, de acordo com reportagem da Folha de S. Paulo deste domingo assinada por Camila Mattoso e Ranier Bragon.

Mariana Araujo, Érika Siqueira e Lourdes Paixão receberam R$ 781,6 mil em dinheiro público do fundo partidário mas não fizeram campanha em 2018.

Oficialmente, as duas primeiras foram candidatas do PSL a deputadas estaduais e Lourdes a deputada federal.

Através delas, o PSL fraudou a cota mínima de 30% de candidaturas femininas obrigatória por lei.

Em depoimento, as três candidatas disseram que compartilharam propaganda eleitoral com Jair Bolsonaro.

A Folha transcreveu trechos de depoimentos dados pelas candidatas à Polícia Federal:

Era estratégia do partido a distribuição de material de campanha dos candidatos proporcionais que contivessem a imagem do candidato a presidente. Lourdes Paixão.

Por dia, aproximadamente um contêiner de material gráfico chegava e saía do comitê, para ser distribuído em todo o estado, pois todos os candidatos do partido produziram material para Jair Bolsonaro. Mariana Nunes.

Seu material [o de Érika] estava sempre atrelado aos candidatos Luciano Bivar e Jair Bolsonaro. Érika Siqueira.

O problema destes depoimentos para Jair Bolsonaro é que eles podem desaguar na Justiça Eleitoral.

Os argumentos para a cassação da chapa Jair Bolsonaro-Hamilton Mourão estão dados.

Embora Bolsonaro tenha instalado o filho Eduardo na presidência do PSL, ele ainda não tem controle sobre partido.

Bolsonaro e um grupo de 23 parlamentares do PSL acionaram a Procuradoria Geral da República para afastar Luciano Bivar da presidência e suspender os repasses do fundo partidário.

O PSL terá R$ 110 milhões para financiar as campanhas das eleições municipais de 2020 — sem contar o fundo eleitoral.

Daí advém o perigo da denúncia das candidatas: elas foram escolhidas por Luciano Bivar.

Bolsonaro argumenta que nada sabia sobre o laranjal do PSL. Nem em Pernambuco, nem em Minas Gerais.

Um discurso contraditório, pois mantém no governo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, formalmente denunciado por organizar o laranjal do PSL em Minas Gerais — ele presidia a seção mineira do partido durante a campanha de 2018.

Afastado da presidência do PSL e sem acesso ao fundo eleitoral, Bivar terá motivos para “se vingar” de Bolsonaro — ele e 19 parlamentares que correm o risco de serem suspensos por bolsonaristas.

O presidente conta tanto com a PGR quanto com o ministro da Justiça Sergio Moro — o que ficou demonstrado no recente episódio do condomínio Vivendas da Barra.

O filho de Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro, acessou um computador onde ficavam gravações entre a portaria do condomínio e as casas — não se sabe se era o único — antes que a própria perícia.

O 02 usou os áudios para tentar demonstrar que o porteiro mentiu.

O porteiro disse em dois depoimentos gravados que na noite do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes recebeu autorização do “seu Jair” para permitir a entrada no condomínio de Élcio Queiroz, acusado de dirigir o automóvel de onde foram disparados os tiros contra a vereadora.

Élcio dirigiu-se à casa de seu comparsa, Ronnie Lessa, preso sob a acusação de ter puxado o gatilho.

O próprio presidente da República diz ter obtido uma cópia das gravações das chamadas entre a portaria e as casas, o que é um claro crime de responsabilidade, já que se trata de interferência indevida em investigações em andamento — o que foi denunciado pelo petista Fernando Haddad, ex-candidato ao Planalto, como tentativa de obstrução de Justiça.

O que impediria Carlos e o próprio Bolsonaro de, ao acessar o sistema ou sistemas, diretamente ou através de prepostos, de apagar ou renomear arquivos? Havia peritos monitorando o acesso particular feito por ambos?

O colunista Lauro Jardim, por outro lado, informou em sua coluna no diário direitista carioca O Globo que o presidente Jair Bolsonaro mandou Fabrício Queiroz destruir seu celular e comprar outro.

Jardim não deu a fonte da informação, nem precisou data.

Queiroz foi chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e dentre outras coisas contratou como assessoras fantasmas a mãe e a esposa do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope que está foragido.

As duas continuaram recebendo polpudos salários mesmo depois que Adriano foi expulso da PM carioca sob acusação de envolvimento com o crime organizado.

Vazamentos recentes de áudios de Queiroz, enviados através do aplicativo whatsapp a interlocutores não identificados, têm sido atribuídos ao próprio, mas isso é mera especulação.

Num dos áudios, Queiroz reclamou da falta de proteção do clã presidencial e se mostrou disposto a assumir o controle do PSL para “lapidar” o partido.

Diante das denúncias feitas contra ele na Justiça, Queiroz disse no áudio que só poderia ocupar um cargo de natureza política.

Embora Queiroz ainda seja uma testemunha com potencial explosivo contra o Jair Bolsonaro, é mais provável que, se for a fonte dos áudios ou da informação publicada por Lauro Jardim, esteja apenas praticando extorsão. presidencial.

Bivar e aqueles ainda fiéis ao presidente do PSL, inclusive ex-candidatos do partido a cargos eletivamente, são potencialmente muito mais danosos ao clã presidencial, especialmente os que estiverem fisicamente distantes do território miliciano do Rio de Janeiro.

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9 comentários

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Zé Maria

04 de novembro de 2019 às 00h29

https://youtu.be/Jj9rO93HevQ
FOGO NO BATACLÃ DO PSL
Joicinha Polaka abriu o bico e, só pra variar, soltou o verbo disparando a Metralhadora Giratória nas Milícias Fascistas.

Responder

    a.ali

    04 de novembro de 2019 às 12h20

    logo após as eleições, no rs, a candidata carmen flores, mt. “surpresa” abriu o bico sobre o assunto, aliás, até a filha está envolvida na maracutaia pois alugou um local para comitê do laranjal por uma boa grana a $$ parou onde ???

João Ferreira Bastos

03 de novembro de 2019 às 23h34

As instituições foram aparelhadas por milicianos. Os milicianos estão no centro do poder e os líderes da oposição bebendo vinho e tocando violão. Com esses frouxos, cagões e covardes na oposição a situação vai ficar 200 anos no poder.

https://www.instagram.com/p/B4bGW-fgcYQ/?igshid=14mmq6yysxe8g

Responder

Zé Maria

03 de novembro de 2019 às 20h30

Esse Cesto de Laranjas Podres, sim, apavora o Mourão 2.

Responder

Zé Maria

03 de novembro de 2019 às 20h28

Jair Bolsonaro disse, de forma genérica, que desconhece episódios
de laranjas do PSL porque “estava no hospital ou em casa” na época.

O Mito imbecil só esqueceu de dizer que o Dinheiro Público
do Laranjal do PSL foi pra Campanha Eleitoral dele em 2018.

https://revistaforum.com.br/politica/laranja-do-psl-de-pernambuco-afirma-todos-os-candidatos-do-partido-produziram-material-para-bolsonaro/

Responder

Zé Maria

03 de novembro de 2019 às 20h22

É Crime Comum … É Crime Ambiental … É Crime Eleitoral …
É Crime de Responsabilidade … Tá Sortido o Jair Bolsonaro.
Ah, se houvesse Ministério Público Federal no Brasil ,,,

Responder

Marcos Videira

03 de novembro de 2019 às 19h15

Pra derrubar a Dilma inventaram um crime: “pedalada fiscal”.
Pra prender o Lula inventaram o “apartamento atribuído” e o “ato indeterminado”.
Bolsonaro tá liberado pra matar a mãe, o papa e a PQP… Desde que reduza o Brasil à condição de colônia medieval.

Responder

    a.ali

    04 de novembro de 2019 às 00h35

    pois então, mexe aqui, ali, acolá, fede e fica tudo por isso mesmo, afinal, o miliciano estendeu seus tentáculos em todos os “podres poderes” e sai, ainda, por inocente.
    ah, brasileiros que gostam tanto de copiar, se espelhe nos chilenos …

    Sheila Couto

    04 de novembro de 2019 às 10h23

    Que triste verdade.


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