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“Os Estados Unidos estão com você”, diz Trump sobre posse de Bolsonaro, que prioriza em discurso libertação “do socialismo e do politicamente correto”
Marcos Brandão/Agência Senado
Política

“Os Estados Unidos estão com você”, diz Trump sobre posse de Bolsonaro, que prioriza em discurso libertação “do socialismo e do politicamente correto”


01/01/2019 - 17h37

É com humildade e honra que me dirijo a todos vocês como presidente do Brasil. Me coloco como o dia que o povo começou a se libertar do socialismo, se libertar da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente coreto. Jair Bolsonaro, em fala após receber a faixa presidencial

Podemos restabelecer padrões éticos e morais que transformarão nosso Brasil. A corrupção, os privilégios e as vantagens precisam acabar. Os favores partidarizados devem ficar no passado para que o governo e a economia sirvam de verdade à nação. Tudo que faremos a partir tem propósito: os interesses dos brasileiros em primeiro lugar. Idem

Com esse propósito começamos nossa caminhada. Temos o grande desafio de enfrentar os efeitos da crise econômica, do desemprego, da ideologização de nossas crianças, do desvirtuamento dos direitos humanos e da desconstrução das nossas famílias. Idem

Da Redação

“Vamos unir o povo, valorizar a família, respeitar as religiões e nossa tradição judaico-cristã, combater a ideologia de gênero, conservando nossos valores. O Brasil voltará a ser um país livre de amarras ideológicas”.

Essa foi a principal frase do discurso de Jair Bolsonaro ao tomar posse no Congresso.

O discurso, enxuto, chamou a atenção por não trazer especificidades, a não ser a menção ao combate à ideologia de gênero.

Bolsonaro também colocou a facada que sofreu em Juiz de Fora no centro da fala, ao afirmar que “quando os inimigos da pátria, da ordem e da liberdade tentaram pôr fim à minha vida, milhões de brasileiros foram às ruas. Uma campanha eleitoral transformou-se em um movimento cívico, cobriu-se de verde e amarelo, tornou-se espontâneo, forte e indestrutível, e nos trouxe até aqui”.

Jornalistas reclamaram do esquema de segurança.

“Maçã é um dos alimentos proibidos para os jornalistas que cobrem a posse de Bolsonaro. Na inspeção de segurança, os policiais pedem para quem as leva, cortá-las ao meio. Mas ninguém tem faca. O destino: lixeira”, escreveu o repórter Afonso Benites.

“Sucos, iogurtes e frutas de jornalistas jogados no lixo durante revista no Palácio do Planalto, apesar de autorização inicial para levar lanches”, escreveu a jornalista Basilia Rodrigues.

Os profissionais de imprensa ficaram isolados durante horas e reclamaram da impossibilidade de se movimentar entre os diversos ambientes da posse.

Valter Campanato/Agência Brasil

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) calculou a presença popular em 115 mil pessoas.

O presidente empossado desfilou em carro aberto, a caminho do Planalto, onde recebeu do usurpador Michel Temer a faixa presidencial.

Lideranças de esquerda que boicotaram a posse reagiram ao tom raivoso do novo presidente do Brasil.

“Em seu primeiro discurso para os brasileiros, Bolsonaro reafirma seu compromisso de perseguir a esquerda e aqueles que lutam por direitos humanos e sociais”, escreveu o ex-candidato Guilherme Boulos, do PSOL.

O ex-deputado Chico Alencar, também do PSOL, reagiu na mesma linha: “Bolsonaro pensa o Brasil com a cabeça do século passado, da Guerra Fria: diz que é preciso derrotar o socialismo, o politicamente correto, a proteção a bandidos, a distorção dos direitos humanos, as ideologias exóticas, a inversão de valores, o vermelho na nossa bandeira. 2019!”

A presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, preferiu fazer uma comparação: “Hoje lembrei da posse de Lula. O povo no lago do Congresso, ao lado do carro aberto, um homem que ultrapassou a segurança e abraçou o presidente. Uma simbiose de povo e Lula, uma mistura perfeita, se confundiam, se complementavam. Nada distante, nada de medo. A verdade tem esse poder”.

No twitter, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou: “Congratulações ao presidente Jair Bolsonaro, que acaba de fazer um grande discurso de posse — os Estados Unidos estão com você!”.

Nem no Congresso, nem no Planalto foi registrada a presença de Fabrício Queiroz, o ex-motorista de Flávio Bolsonaro, que movimentou mais de R$ 1,2 milhão em sua conta bancária no período de um ano.

Os filhos do presidente empossado, presentes, não falaram com a imprensa.

Queiroz é suspeito de operar uma caixinha, através da qual transferia dinheiro de funcionários fantasmas para a família Bolsonaro.

Trata-se de um caso de corrupção que explodiu antes mesmo da posse de Jair Bolsonaro, mas estrategicamente só alcançou as páginas de jornais depois que ele se elegeu em segundo turno.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



6 comentários

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lulipe

03 de janeiro de 2019 às 13h05

Dos bolivarianos aos EUA e Israel, que diferença! O choro é livre, lula não.

Responder

Cláudio

02 de janeiro de 2019 às 04h13

Que Bolsonazi e seus/suas sabujos/sabujas sujos/as se exploda(m) !

Má sORTE para o Bo$$alnaro e seus/suas sabujos/as sujo/as ! !

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Rivellino Batista

01 de janeiro de 2019 às 20h26

BRASÍLIA: hoje, dia 1°, totalmente amarela: O brilho do Sol, nosso astro mor. Vermelho? Somente as tulipas no jardim externo do Planalto e do tapete vermelho (inclusive que Bolsonaro e o nobre índio Mourão — o vice — irão pisar sobre).

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Maria Tereza Carvalho

01 de janeiro de 2019 às 18h29

Oba! Vamos voltar à teocracia!

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Gerson

01 de janeiro de 2019 às 18h25

” País livre das amarras ideológicas ”
De país respeitado no mundo e na ONU viramos nanico diplomático que se acha igual aos EUA. Será que esse idiota pensa que os EUA consideram o Brasil alguém de relevancia.
EUA só está interessado no pré-sal e só.

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João Aleluia Moraes Penha

01 de janeiro de 2019 às 17h52

Bolsonaro é contra as ideologias. Mas só se combate uma ideologia com outra ideologia.

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