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Bolsonaro agora passa vergonha no Chile, depois de elogiar governo assassino de Pinochet; vídeo
Pinochet, Bolsonaro e Stroessner com Francisco Franco
Política

Bolsonaro agora passa vergonha no Chile, depois de elogiar governo assassino de Pinochet; vídeo


04/09/2019 - 21h38

Bolsonaro não cansa de vomitar ignorância e envergonhar o Brasil perante o mundo. Minha solidariedade à presidenta Michelle Bachelet e ao povo chileno, que hoje tiveram a memória de seus mortos e desaparecidos violentadas por este senhor. Assessoria do ex-presidente Lula, no twitter

Peço desculpas a Michelle Bachelet e ao povo chileno, manifestando imenso respeito pela memória de seu pai, em nome dos brasileiros que resistiram à ditadura, que prezam a democracia e lutaram para conquistá-la. Ex-presidenta Dilma Rousseff

Da Redação

Agora foi no Chile.

O presidente direitista Sebastian Piñera rebateu publicamente hoje o neo-fascista Jair Bolsonaro.

“É de público conhecimento meu compromisso com a democracia, a liberdade e o respeito aos direitos humanos em todos os tempos, lugares e circunstâncias. Mas, sem prejuízo das diferentes olhares que podem existir em respeito aos governos que tivemos na década de 70 e 80, sempre estas visões devem se expressar com respeito pelas pessoas. Em consequência, não compartilho em absoluto a alusão feita pelo presidente Bolsonaro em relação a uma ex-presidente do Chile. E especialmente em um tema tão doloroso como a morte de seu pai”, disse Piñera.

Mais cedo, Bolsonaro havia atacado a ex-presidenta do Chile, Michelle Bachelet, hoje Comissária dos Direitos Humanos das Nações Unidas, por supostamente interferir em assuntos do Brasil.

O pai de Michele, Alberto Arturo Miguel Bachelet Martínez, morreu na prisão em 1974, depois de ser torturado pelo governo do ditador Augusto Pinochet.

Alberto era brigadeiro da Força Aérea e se opôs ao golpe que derrubou o presidente constitucional Salvador Allende.

Michele também foi presa e torturada antes de se tornar presidenta do Chile, cargo que ocupou por dois mandatos.

A ditadura elogiada por Bolsonaro deixou mais de 40 mil mortos e desaparecidos enquanto esteve no poder, de 1973 a 1990.

No ano passado, a Justiça do Chile determinou que a família de Pinochet devolvesse o equivalente a R$ 19,6 milhões ao Tesouro, parte do dinheiro desviado pelo ditador dos cofres públicos enquanto estava no poder.

125 contas ligadas a Pinochet foram encontradas no Exterior, inclusive em Washington, onde o ditador mandou executar seu opositor, o diplomata Orlando Letelier, em 1976, num ataque terrorista à bomba.

Pinochet e o filho Marco Antonio foram acusados de organizar um centro de processamento de cocaína que lucrou exportando droga para a Europa e os Estados Unidos.

Pinochet também foi acusado de dar cobertura a seu amigo alemão Paul Schaefer, um pastor evangélico com passado nazista que se exilou no Chile e mais tarde foi condenado por manter uma rede de pedofilia com filhos de camponeses pobres.

Bolsonaro já manifestou seu apreço por outro ditador da região, Alfredo Stroessner, que governou o Paraguai de 1954 a 1989.

O presidente brasileiro se referiu a Stroessner como “estadista” em fevereiro deste ano.

Stroessner foi responsável pela morte, tortura e desaparecimento de cerca de 20 mil adversários políticos.

De acordo com o Departamento de Memória Histórica e Reparação do Ministério da Justiça do Paraguai, Stroessner tinha assessores encarregados de “abastecê-lo” com meninas virgens de 10 a 15 anos de idade, uma espécie de harém infantil composto especialmente por filhas de camponeses.

O ditador paraguaio foi acusado de acobertar o contrabando e o tráfico de drogas. Um dos filhos dele, Freddie, tinha relações íntimas com o mundo do crime.

Filho de imigrantes alemães, Stroessner acolheu conhecidos nazistas no Paraguai, dentre eles o médico Josef Mengele.

Mais cedo na semana, Jair Bolsonaro já havia elogiado o empresário Roberto Marinho, dono do Grupo Globo, pelo seu apoio à ditadura militar.

Marinho foi um dos maiores apoiadores e beneficiários do golpe que derrubou o presidente constitucional João Goulart.

PROBLEMAS EM CASA

No Brasil, a própria família Bolsonaro está sob suspeita de ter ligação com criminosos.

Um ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Adriano Magalhães da Nóbrega, é suspeito de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco.

Adriano empregou a mulher e a mãe no gabinete de Flávio Bolsonaro, então deputado estadual no Rio, base eleitoral dos Bolsonaro.

Adriano mereceu discurso de defesa de Jair Bolsonaro na Câmara Federal, quando foi condenado por homicídio.

Ele foi alvo de duas homenagens de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Adriano foi expulso da Polícia Militar em 2013 por envolvimento em guerra de bicheiros, mas suas parentes continuaram ligadas ao gabinete de Flávio Bolsonaro.

O miliciano Adriano está foragido. Um comparsa dele, o major PM Ronald Paulo Alves Pereira, foi preso.

Ambos são acusados de chefiar um bando que comanda a venda de lotes ilegais na Zona Oeste do Rio e inclui assassinos de aluguel.

Ronald também foi alvo de homenagem de Flávio na Alerj.

Um terceiro ex-PM carioca, Ronnie Lessa, suspeito de disparar os tiros que mataram Marielle, morava no mesmo condomínio dos Bolsonaro na Barra da Tijuca.

A filha dele namorou com o filho mais novo de Jair Bolsonaro.

A polícia diz que pertencem a Lessa 117 fuzis apreendidos na casa de um amigo do miliciano.

Lessa, que também está preso, foi igualmente homenageado na Alerj por Flávio Bolsonaro, 01, que está sob investigação por enriquecimento ilícito.

Teria sido beneficiado por outro ex-policial militar carioca, Fabrício Queiroz, que confessou ter montado um esquema para desviar dinheiro do salário de assessores de Flávio em benefício do mandato.

Queiroz também é suspeito de ter ligações com a milícia da Zona Oeste.

Chefe de gabinete de Flávio, foi ele quem contratou a mãe e a esposa de Adriano, o ex-capitão do Bope que está foragido.

Queiroz ficou oito meses “desaparecido”, até ser encontrado pela revista Veja em São Paulo.

Ele continua tratamento para câncer de intestino no Hospital Albert Einstein, um dos mais caros do Brasil.

Queiroz pagou parte da conta em dinheiro vivo: R$ 133 mil.

Suspeito de ser laranja dos Bolsonaro, Queiroz seria o elo a explicar o enriquecimento do senador Flávio Bolsonaro em transações imobiliárias.

Segundo o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, Flávio torrou cerca de R$ 9 milhões em negócios envolvendo 19 imóveis, com um lucro superior a R$ 3 milhões.

Queiroz, por sua vez, diz que se deu bem vendendo carros usados. “Eu faço dinheiro”, declarou em entrevista.

RESPOSTA

As manifestações de Bolsonaro sobre Michelle Bachelet aconteceram depois dela dizer que via “diminuição do espaço cívico e democrático” no Brasil.

No discurso, feito em Genebra, ela também se disse preocupada “com algumas medidas recentes como a desregulamentação das regras de armas de fogo, e propostas de reformas para reforçar o encarceramento e levando à superlotação de prisões, aumentando ainda mais as preocupações de segurança pública”.

Sem citar Bolsonaro, Bachelet afirmou que o discurso oficial pode incentivar violações de Direitos Humanos cometidas por policiais:

“Obviamente, também é importante para nós quando ouvimos negações de crimes passados do Estado que se exemplificam com celebrações propostas do golpe militar, combinadas com um processo de transição jurídica que pode resultar em impunidade e reforçar a mensagem de que os agentes do Estado estão acima da lei e estão, na prática, autorizados a matar sem serem responsabilizados”.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



4 comentários

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Zé Maria

05 de setembro de 2019 às 14h42

https://pbs.twimg.com/media/EDpwUMtWsAE9Nyh.jpg

Não está descartada a criação de um Factóide Fascista
para abafar o fato histórico que se comemora no Chile
– e na América Latina, senão em todo o mundo – ocorrido
em 4 de setembro de 1970, dia em que Salvador Allende
foi eleito Presidente Chileno diretamente pelo voto popular.
O mesmo Presidente Allende que seria vítima de um Golpe
de Estado, no dia 11 de setembro de 1973, precisamente
chefiado pelo General Augusto Pinochet que exerceria
a Ditadura mais Sanguinária da História do Chile, que
assassinou, inclusive, Alberto Arturo Miguel Bachelet
Martínezo, Brigadeiro da Força Aérea Chilena, Pai da
ex-Presidente Michele Bachelet.

https://pbs.twimg.com/media/EDohytrX4AM9J-K.jpg
“Lamentamos profundamente las declaraciones de @jairbolsonaro
porque agreden no sólo a nuestra exPresidenta @mbachelet
y la memoria de su padre, víctima de la dictadura, sino a todos
y todas quienes se vieron golpeados durante esa dolorosa etapa
de nuestro país.”
Fundación Horizonte Ciudadano

https://twitter.com/h_ciudadano/status/1169370556455510017
https://twitter.com/h_ciudadano/status/1169284215537451008

“Inadmisible defensa de la dictadura de Pinochet
que hace @jairbolsonaro
Es un insulto a la democracia chilena,
a la ex presidenta Bachelet, a su familia
y a los demócratas del mundo.

La ultraderecha es un fenómeno que
espero en Chile podamos frenar.”

Valentina Quiroga
Ex Subsecretaria de Educación
de la Presidenta @mbachelet
Fundadora de @Educacion2020
Presidenta de @H_Ciudadano

Responder

05 de setembro de 2019 às 09h31

Da dó do Bolsonaro. Sério. Não é despeito. É um sentimento legítimo de pena.
Ele é tão limitado, inadequado e anacrônico que as vezes parece um Dom Quixote.
Isso é o máximo de empatia que consigo sentir por ele.

Responder

    Jardel

    06 de setembro de 2019 às 01h27

    Parece um Dom Quixote?

    Só se for com o cavalo do Dom Quixote.

Jardel

04 de setembro de 2019 às 23h58

Quando o Bozo relincha os cavalos se envergonham.

Responder

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