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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Bob Fernandes: General Etchegoyen é o arquiteto da intervenção militar no Rio, o Ato Institucional nº II de Temer

19 de fevereiro de 2018 às 23h06

Da Redação

“Militares precisam ter garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade”, disse o general Eduardo Villas Bôas durante reunião do Conselho da República que discutiu a intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro — segundo Cristiana Lôbo, da GloboNews.

Ao fazer esta declaração, Villas Bôas se coloca na mesma linha do homem forte do governo Temer, o general Etchegoyen, ao menos quanto à definição do período 1964-1985: foi intervenção, não golpe.

E na mesma linha dos militares aposentados, que dizem representar os da ativa e estão planejando, abertamente, uma intervenção militar a conta gotas.

A intervenção, conforme revelada por áudios distribuídos no whatsapp, se daria ‘constitucionalmente’, exatamente como aconteceu em 1964, quando o golpe cívico-militar foi chamado de Revolução Redentora — a partir da declaração falsa de um civil, o vice-presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, que declarou vaga a Presidência da República quando João Goulart ainda estava em território brasileiro.

“Ressurge a Democracia”, saudou O Globo em manchete memorável.

Com a cabeça ainda na Guerra Fria, os militares de pijama tramam um golpe por etapas, como deixou claro o general Antonio Mourão em evento da maçonaria, em Brasília.

“O que interessa é termos a consciência tranquila de que fizemos o melhor e que buscamos, de qualquer maneira, atingir esse objetivo. Então, se tiver que haver [intervenção] haverá”, afirmou.

Um golpe que afastaria inclusive os 12 ministros do Supremo Tribunal Federal, todos indicados por Lula e Dilma.

Que, segundo o autor do áudio amplamente disseminado, miraria em Fernando Henrique Cardoso e José Serra, ambos exilados — para não falar em toda a esquerda.

Um sinal claríssimo de que há mais no ar que aviões de carreira foi a republicação, no site oficial do Exército, de texto crítico ao Ministério Publico Federal, originalmente publicado em O Globo, assim que a PGR Raquel Dodge reabriu a possibilidade de investigar crimes da ditadura, ao pedir ao STF que reveja a interpretação da Lei de Anistia.

O texto sugere que o MPF está sendo leniente com políticos sob suspeita, ao confessar que não tem acesso ao sistema da Odebrecht que seria um registro das propinas pagas:

“Se o MPF tivesse priorizado o ingresso ao programa, talvez encontrasse conjunto de informações capaz de tornar prescindíveis os acordos de delação (ou boa parte deles) firmados com quase 80 executivos da Odebrecht. Se tivesse se dedicado, antes de tudo, a decifrar o sistema (ou a comprovar a impossibilidade de fazê-lo), quem sabe o Estado brasileiro se livrasse de ter de oferecer tantos benefícios a tanta gente; e quem sabe a colaboração premiada deixasse de ser muleta para investigadores incompetentes (e/ou apaixonados pelo palanque) e se tornasse o que é: recurso complementar. Nesse caso, é provável, teríamos mais provas e menos heróis”.

Ainda que haja divergências pontuais, os militares concordam numa coisa: não houve ditadura no Brasil.

Temer é o Auro de Moura Andrade, versão 2018, ao trazer os militares para o centro da política.

Onde termina, diz o ditado, a gente nunca sabe.

Leia também:

Saia justa no Conselho da República: Comandante do Exército questiona intervenção no Rio

 

3 Comentários escrever comentário »

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Bovino

20/02/2018 - 15h18

Se houver eleição e o candidato do PT vencer, os milicos não farão questão de sair. O GOLPE veio para ficar.

Responder

Bovino

20/02/2018 - 15h17

Se houver eleição e o candidato do PT vencer, os milicos não faram questão de sair. O GOLPE veio para ficar.

Responder

Luiz

20/02/2018 - 04h45

Análise interessante e plausível. Mas para não soar como fantasia, precisaria especificar melhor o que são esses “áudios distribruídos no whatsapp”. Quem disse o que nesses áudios? Senão abre brecha para desconfiarmos que a análise pode estar baseada em “fakenews”…

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