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Bernie Sanders assume liderança e mira nos jovens com promessa de ataque ao 1% dos ricos para mudar os EUA
Política

Bernie Sanders assume liderança e mira nos jovens com promessa de ataque ao 1% dos ricos para mudar os EUA


26/01/2020 - 12h17

Da Redação

Legalizar a maconha nos Estados Unidos e eliminar das fichas policiais, hoje digitalizadas, qualquer menção a quem tenha sido detido pelo porte da erva.

Quem diria que isso se tornaria promessa de campanha presidencial e logo nos Estados Unidos?

Pois o senador Bernie Sanders, democrata de Vermont, voltou a fazer a promessa diante de um público que superlotou um ginásio de Ames, a 48 quilômetros de Des Moines, a capital de Iowa, na noite de sábado.

Do comício participaram o cineasta Michael Moore e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez.

Cortez, que está em seu primeiro mandato, tornou-se rapidamente uma estrela parlamentar dos Estados Unidos, pela articulação intelectual, foco na organização das bases e capacidade de comunicação através das redes sociais.

Os comícios de Bernie Sanders trazem de volta um ar de anos 60, por causa das atrações musicais.

O senador tem 78 anos de idade.

Sofreu um ataque cardíaco que quase o tirou da contenda eleitoral.

Pesquisa do New York Times mostra Sanders liderando

Porém, as pesquisas mostram que Sanders vem crescendo nas últimas semanas.

A mais recente, do New York Times, mostra que ele abriu uma sólida vantagem sobre o segundo colocado em Iowa.

O centrista Pete Buttigieg, que recebeu o apoio editorial do próprio New York Times, é a esperança dos banqueiros para derrotar Sanders.

Ao publicar a pesquisa, o diário liberal mas nem tanto enfatizou que a maioria dos democratas quer um candidato “de centro”, este sim capaz de derrotar Donald Trump em outubro.

Este é o discurso do establishment democrata, conduzido por Bill e Hillary Clinton: Bernie Sanders é muito radical, portanto incapaz de derrotar Donald Trump em novembro.

No discurso em Ames, num dos momentos em que foi mais aplaudido, Bernie Sanders afirmou que pretendia enfrentar Wall Street, a indústria dos seguros, a indústria farmacêutica, a indústria do gás e petróleo, o complexo indústrial militar, o complexo prisional e o establishment democrata.

Recentemente, Hillary Clinton deu uma declaração pública sugerindo que poderia não apoiar Bernie Sanders se ele for nomeado candidato democrata à Casa Branca.

A versão “socialista” dos democratas, no entanto, parece ter empolgado os eleitores de Iowa e New Hampshire, os estados em que serão realizados caucus e primária no dia 3 de fevereiro.

Em New Hampshire, uma pesquisa conduzida pela MassInc. para a emissora WBUR mostra Sanders com 29% contra 19% de Buttigieg, 14% de Joe Biden e 13% da senadora Elizabeth Warren.

A campanha de Bernie Sanders é financiada por doações pequenas, em média de 28 dólares. Ele é recordista nacional de doações. Não aceita dinheiro dos graúdos, o que permite ao candidato dizer que vai enfrentar o 1% do topo.

Ele tenta repetir a grande coalizão que, nos anos 60, derrotou a guerra do Vietnã nos Estados Unidos: sindicalistas, mulheres, negros, hispânicos, gays e outras minorias.

Porém, com um foco muito específico: os 7 milhões de eleitores jovens que vão votar pela primeira vez em 2020.

Nos Estados Unidos, muitos deles estão organizados em torno de três movimentos de grande penetração e atividade nas redes sociais: Sunrise, United We Dream e Black Lives Matter.

O primeiro deles já endossou oficialmente a candidatura de Sanders.

O movimento Sunrise é voltado ao combate às mudanças climáticas.

United We Dream defende os imigrantes e denuncia as violações de direitos humanos cometidas pelo ICE, o Immigration and Customs Enforcement.

O Blacks Lives Matter denuncia o contínuo racismo institucional nos Estados Unidos.

Isso explica a ênfase de Sanders em alguns pontos de sua plataforma, que são capazes de fazer os jovens sairem de casa, militar e votar — nos Estados Unidos o voto não é obrigatório.

Um deles é a legalização da maconha.

Outro é cancelar toda a dívida estudantil dos Estados Unidos, que está próxima de U$ 1,6 trilhão e afeta 45 milhões de norte-americanos.

A terceira é ensino universitário gratuito para todos.

“Se os jovens votarem na mesma proporção que os adultos, não apenas derrotaremos Trump, mas mudaremos os Estados Unidos”, disse Sanders no discurso em Ames, para enfrentar o discurso do establishment democrata de que ele não tem condições de enfrentar as eleições gerais de novembro contra o candidato republicano.

No campo econômico, Bernie Sanders enfatiza que a economia dos Estados Unidos está funcionando, sim, mas para o 1% do topo.

Ele ataca Wall Street, onde seis bancos controlam bens avaliados em U$ 10 trilhões.

Acusa a indústria farmacêutica por cobrar dos norte-americanos os maiores preços por drogas do planeta.

3 norte-americanos do topo controlam renda equivalente à dos 160 milhões de pessoas da base da pirâmide, lembra.

Os trabalhadores dos Estados Unidos, considerando a inflação, ganham hoje o mesmo que há 45 anos, afirma Sanders.

De maneira didática, explica que 49% da nova renda criada no país nas últimas décadas destinou-se ao 1% do topo, enquanto muitos trabalhadores e a classe média se viram com dois, três empregos.

Ele promete criar milhões de empregos para trabalhadores sindicalizados com um programa de investimento público na infraestrutura dos Estados Unidos.

Sanders também promete:

Adotar o Green New Deal, que eliminará a dependência do petróleo, fazendo a transição para energia produzida pelo vento, sol e ondas do mar.

Aceitar que o mundo vive uma emergência climática e procurar uma solução global com países como a China, a Rússia, a Índia e o Brasil.

Aumentar o salário mínimo nos EUA para 15 dólares por hora.

Salário mínimo de 60 mil dólares por ano para professores.

Programa nacional de creches para todos.

Plano nacional de saúde que inclua tratamento dentário e oftalmológico por U$ 1.200 anuais.

Acabar com a política de separar pais e filhos imigrantes, quando detidos na fronteira dos Estados Unidos.

Enfrentar o racismo judicial e a política de encarceramento em massa nos Estados Unidos.

Acabar com a fiança nos Estados Unidos, que mantém 400 mil pessoas encarceradas por falta de dinheiro para pagar.

Acabar com a Guerra contra as Drogas.

Acabar com os presídios e os centros de detenção privados.

Proibir a venda e a distribuição de armas de assalto nos Estados Unidos.

Não nomear juizes federais ou candidatos à Suprema Corte que sejam contra o direito das mulheres controlarem seu próprio corpo.

O candidato está construindo um movimento de base, com a promessa de reformar o capitalismo dos EUA.

O cineasta Michael Moore resumiu: o 1% mais rico dos Estados Unidos controla 99% da torta. E coloca os 99% dos norte-americanos para disputar 1% da torta uns contra os outros, como se fossem inimigos.

Bernie Sanders, nas palavras de Moore, quer acabar com isso e direcionar a vontade política dos 99% contra os interesses econômicos do 1%.

Com um movimento de base, que exerça pressão  sobre as instituições, como enfatiza Alexandria Ocasio-Cortez. Não basta votar, é preciso organizar as bases para atuar permanentemente, ela diz.

Para os Estados Unidos, é revolução.



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2 comentários

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Roberto

27 de janeiro de 2020 às 19h24

Sanders não é nenhum radical, é bem moderado. Mas, para os padrões da política dos EUA, ele é a reencarnação de Lenin ou de Trotsky.

Responder

José Flávio de Assis

27 de janeiro de 2020 às 18h59

Se Bernie Sanders vencer as eleicoes deste ano eu me mudo para os EUA, o lula devia se encontrar com ele e fazer uma parceria de verdade, do tipo que o brasil tambem ganhe nao como o bozo imbecil entreguista.

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