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Bancos embolsaram R$ 354 bi só em juros no ano passado, enquanto 62% dos brasileiros estão endividados
Elza Fiúza/Agência Brasil
Política

Bancos embolsaram R$ 354 bi só em juros no ano passado, enquanto 62% dos brasileiros estão endividados


08/11/2018 - 12h12

Enquanto os bancos têm lucros bilionários, 62% dos brasileiros estão endividados

Só com os juros cobrados, os bancos embolsaram mais de R$ 354 bilhões no ano passado. Os juros do cheque especial chegam a 300% ao ano. 10,8% da renda anual das famílias foram usadas para pagamento de juros

por Rosely Rocha, especial para Portal CUT

Enquanto 62% dos brasileiros vivem o drama do endividamento e não têm condições de pagar suas contas, os bancos continuam obtendo lucros estratosféricos ano após ano.

A explicação para este alto endividamento dos brasileiros são os juros médios cobrados de pessoa física que passam de 52% ao ano, chegando a 280% no cartão de crédito rotativo e mais de 300% no cheque especial.

O valor dos juros pagos pelas pessoas físicas atingiu em 2017, R$ 354,8 bilhões — 17,9% maior que o registrado em 2016.

O total pago corresponde a 372 milhões de salários mínimos ou 8,5% de todo o consumo das famílias brasileiras no ano passado.

Isso significa que 10,8% da renda anual das famílias brasileiras foram usadas apenas para o pagamento de juros no ano passado, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

“São recursos que saem dos bolsos das famílias e também das empresas e do governo diretamente para o caixa do setor financeiro”, diz Gustavo Cavarzan, técnico da subseção Dieese da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).

Segundo o técnico, “o Brasil tem um dos maiores patamares de spread bancário do mundo”.

O spread bancário, explica, é a diferença entre a taxa que os bancos cobram da população nos empréstimos e a taxa que eles pagam para captar nosso dinheiro, como a poupança.

“No Brasil, essa diferença é enorme e faz os juros atingirem patamares muito altos, garantindo, assim, o lucro dos bancos mesmo quando a economia não vai bem”, afirma.

De acordo com o técnico, os dois fatores que contribuem para essa situação são: a taxa básica de juros real (Selic) da economia brasileira, que está entre as mais altas do mundo, serve de referência para as taxas cobradas pelos bancos; e a enorme concentração do mercado bancário no Brasil onde cinco bancos controlam mais de 90% das operações e atuam como um oligopólio.

Bancos têm lucros estratosféricos

No ano passado o lucro líquido dos cinco maiores bancos (Bradesco, Itaú, Santander, Caixa e Banco do Brasil) somou R$ 77,4 bilhões, 33,5% a mais do que o registrado em 2016, segundo estudo do Dieese.

Já nos nove primeiros meses deste ano, somente os três maiores bancos privados do país (Bradesco, Itaú e Santander) obtiveram R$ 44 bilhões de lucro – um crescimento médio de 10,1% em doze meses, de acordo com a Contraf.

Crédito rotativo

Para tentar reduzir esses níveis de inadimplência, em abril deste ano, o Conselho Monetário Nacional (CMN), definiu que o pagamento mínimo da fatura de cartão de crédito passasse a ser estabelecido pelos bancos – anteriormente era obrigatório pagar 15% do saldo total da fatura.

Para Gustavo Cavarzan, a decisão do CNM não foi uma medida consistente para reduzir a taxa básica real de juros da economia, nem atacou o grande poder de oligopólio dos cinco maiores bancos que atuam no Brasil.

“Foi uma medida pontual que atua em uma linha de crédito especifica e não ataca nenhum dos problemas estruturais que explicam porque o patamar geral de juros no Brasil é tão elevado”, afirma o técnico.

Ele aponta que o problema do endividamento é que se dá em condições tão pouco favoráveis de volume, prazo e custo do crédito, que leva parte das pessoas e empresas a inadimplência e outra parte a fazerem um esforço tão grande para pagar suas dívidas que não sobra recursos para consumo e investimento.

“Precisaríamos combinar políticas de renegociação das dívidas atuais em melhores condições e é possível fazer isso utilizando os bancos públicos e políticas de enfrentamento aos fatores estruturais que prejudicam as condições de crédito no país”, afirma o técnico do Dieese/Contraf.

Segundo Gustavo, todo esse endividamento pode representar um freio enorme para impulsionar a atividade econômica do país, já que os juros cobrados pelos bancos das pessoas, das empresas e do governo representam uma espécie de pedágio que todos pagam ao setor financeiro.

“Esse pedágio no Brasil é tão alto que acaba não sobrando recursos para o resto. Portanto os reflexos na economia são claro e absolutamente negativos do ponto de vista do crescimento econômico, da geração de emprego, do aumento da renda”, diz Gustavo.

Taxas cobradas pelos bancos pagam salários de todos os funcionários e ainda sobra dinheiro

Além de pagar juros exorbitantes, os usuários do sistema bancário pagam por tarifas e serviços cada vez mais caras.

Em 2017, esses dois itens aumentaram 10% na comparação com o ano anterior, somando R$ 126,4 bilhões.

Esse valor varia entre 5% e 72% aos gastos com salários e paga com folga todos os funcionários dos bancos, sem que precisem utilizar suas receitas.

“Nos últimos anos os bancos brasileiros vêm passando por um intenso processo de reestruturação em função da aplicação de novas tecnologias e modelos de organização empresarial que reduziram de forma significativa o número de trabalhadores nessas instituições e isso se mostrou uma fonte adicional de lucro para os bancos, através da redução ou estagnação das suas despesas de pessoal e administrativas”, afirma Gustavo.

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4 comentários

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maria nadiê rodrigues

09 de novembro de 2018 às 09h36

São os rentistas a se darem bem demais nos governos Temer e já, agora, Bolsonaro, que nem foi diplomado, mas tá determinando o que seu sabujo deve fazer para conseguir um lugarzinho de foro, e não ser preso.
Famílias de banqueiros; famílias de donos das comunicações; famílias de donos dos agronegócios; famílias, como a de Sarney, até o gogó na política por mais de meio século.
Quem não estiver nesses ninhos, – deve ter outros – é que já se lascou ou vai se lascar geral.
Eduardo Moreira, ex-sócio do Banco Pactual, agora um monte de coisas por sua capacidade de inovar, criar, e de conhecer o caminho das pedras, disse ontem que enquanto nós estávamos enlouquecidos com o aumento dos juízes, o Governo abrira o cofre para as montadoras, fazendo um cálculo de bilhões que vão fomentar quem não precisa, em detrimento da miséria maior do povo que se avizinha.
Seria bom que os blogueiros checassem essas informações para nos revelar mais uma canalhice desses homens de colarinhos brancos.

Responder

Zé Maria

08 de novembro de 2018 às 14h16

Banco não produz nada e fica com todo o dinheiro da produção.

Responder

João Lourenço

08 de novembro de 2018 às 12h23

Poxa vida Dona CUT ,apagou dse vossas mentes o que foram os 13 anos doe PT para os bancos? O PT foi uma mãe ,não lembram da jogada do Lula pra Itaú pegar o Unibanco? Tomem Memorex ou tomem vergonha na cara !

Responder

    Elisabete Moreira Coutinho

    08 de novembro de 2018 às 14h59

    Em 13 anos de PT cresceram o aumento do sistema financeiro e do sistema produtivo da indústria; havia um certo equilíbrio; agora com Paulo Guedes à frente da economia será tudo pelos bancos, somente. #EuAvisei.


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