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Anjuli Tostes: É hora de admitir que suas escolhas ajudaram a agravar nossa situação diante da tragédia do coronavírus
Fotos: Arquivo pessoal e divulgação de vídeo
Política

Anjuli Tostes: É hora de admitir que suas escolhas ajudaram a agravar nossa situação diante da tragédia do coronavírus


22/03/2020 - 17h55

 É hora da responsabilização

por Anjuli Tostes, especial para o Viomundo

Se não morássemos no Brasil na época das eleições, quando o atual presidente disse que tinha que mandar pra ponta da praia e metralhar a petralhada, daria até para pensar que seus eleitores foram todos pegos de surpresa.

Que estariam todos, ou pelo menos sua parcela mais crítica, justificadamente perplexos com a forma como seu líder vem abordando os perigos de uma pandemia que já vitimou de uma forma incrível milhares de pessoas no mundo.

Curiosamente, essas mesmas pessoas têm puxado um movimento de responsabilização da China pela pandemia – repleto de xenofobia, teorias da conspiração e sem nenhuma prova.

Então, já que o assunto agora é responsabilização, como fazer para responsabilizar quem votou em alguém que elogiou um torturador na frente da torturada em cadeia nacional, que disse que tinha que matar 30 mil, que defende abertamente a ditadura e que nos colocou a todos em risco?

O projeto não era anticorrupção, era anticivilizacional, e isso foi explicitado inúmeras vezes.

Diferente do segundo governo Dilma, em que, de fato, houve estelionato eleitoral.

Não é razoável, diante de tudo o que foi declarado antes das eleições, que as pessoas agora se digam enganadas. Ao menos, não para a parcela da população que teve acesso a meios de instrução.

Todo mundo quer responsabilizar o outro, o que pensa diferente, o estrangeiro.

Mas responsabilizar a si mesmo, reconhecer como suas próprias escolhas contribuíram para agravar situações de tragédia mundial como esta, ninguém quer.

Quando confrontadas, acusam uma “politização” do debate, como se fosse algo ruim, que devesse proibido.

Na minha opinião, nunca foi tão necessário politizar e debater livremente.

Nosso futuro enquanto sociedade (ou até como humanidade, diante de conjunturas como esta) depende disso.

Não estou sugerindo aqui que passemos a apontar os dedos uns para os outros. Mas é um momento para uma autorresponsabilização, uma autocrítica. Aquela mesma que tanto cobramos do PT e da Dilma.

E, por favor, parem de usar esse espantalho da “polarização” para bloquear o debate.

Há modelos muito distintos em discussão, e não há problema nenhum nisso.

Usemos argumentos. Dizer que quem divulga notícias criticando o presidente faz isso “só porque quer derrubá-lo” e que “o momento é de união” também não é um argumento.

Sejamos adultos. Ademais, a unidade militante do status quo que não questiona nem debate é a síntese da proposta totalitária, nos ensinou Hannah Arendt.

Já passou da hora também de se discutir como o modelo econômico neoliberal, adotado por grande parte dos países ocidentais, contribui para agravar crises mundiais, sejam econômicas ou de saúde.

Inclusive o neoliberalismo brasileiro do PIBinho, das desigualdades extremas e do subinvestimento na sociedade.

Olhemos para nós mesmos, porque temos mais poder de mudar nosso próprio rumo do que o da China.

Todas as escolhas são políticas, inclusive as de quem se omite.

Que a Universidade, os grupos de amigos (ainda que, neste momento, virtuais) e as famílias aproveitem esse momento de ócio imposto para reflexão sobre a sociedade que queremos construir.

Para desbloquear o debate e pensar sobre a valiosa lição que a história está nos dando… valiosa e muito cara, que nos custará muitas vidas.

*Anjuli Tostes é doutoranda em Direito e Economia pela Universidade de Lisboa

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1 comentário

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Liomar Rios

23 de março de 2020 às 00h17

Agora é tarde para reflexao. Votaram no tiririca da vez e se ferraram de verde e amarelo. Quiseram fazer graça com o palhaço do momento e tá custando muito caro literalmente. A tendencia é o Brasil quebrar e agora de verdade e nao foi o PT que quebrou o brasil como gostam de dizer a mentira do seculo.
O Bozo é tão louco quanto o ADÉLIO. A unica diferença entre os dois é que o adelio nao é presidente do país. Adelio é muito mais são que esse nazista.
E ainda nao perceberam a inepetencia do delfim netto da vez, o super ministro, o cara que sabe tudo, o posto ipiranga Só sabe falar de reformar e vender (privatizar) parece construtor.
Todos nós estamos ferrados por causa da excentricidade de alguns que acham lindo o cara querer dar umas bifas numa mulher em pleno jornal nacional. O Bolsonaro nao tem capacidade nem de comandar um quartel que iam quebrar ele na porrada.
Só tenho uma coisa a dizer: bem feito pela escolha. Votaram num louco pior que o adelio bispo pois tem o mesmo modus operandi.

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